O Brasil acaba de assistir, mais uma vez, à repetição de um roteiro histórico que condena a nação ao subdesenvolvimento crônico. A venda da mineradora brasileira Serra Verde, única produtora de terras raras no país, para a norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, representa muito mais do que uma transação comercial bilionária. Trata-se da entrega do verdadeiro “ouro do século 21” aos Estados Unidos, sob o olhar complacente e inerte de nossos representantes legais. As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de tecnologias de ponta, desde smartphones e turbinas eólicas até veículos elétricos e equipamentos militares avançados.
O domínio sobre esses minerais dita as regras da geopolítica moderna. Enquanto a China controla cerca de 69% da produção mundial e o refino desses elementos, os Estados Unidos buscam desesperadamente diversificar suas fontes para garantir sua segurança nacional e tecnológica.
O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial conhecida, tinha a oportunidade de ouro para se posicionar como uma potência estratégica global. No entanto, o que presenciamos é a perpetuação de um modelo colonialista cultural e econômico. A Serra Verde, que opera a mina de Pela Ema em Minaçu (Goiás), era a única esperança nacional de inserção soberana nessa cadeia produtiva de altíssimo valor agregado.
Ao permitir que essa riqueza passe para o controle estrangeiro, o Brasil reafirma sua vocação de mero exportador de commodities brutas, condenando os brasileiros e brasileiras a importar bens manufaturados a preços exorbitantes.
Em ano eleitoral, cabe a reflexão de que tipo de representante precisamos no parlamento e nos executivos, tanto estaduais como federal
Tenente Dalto Quadros Duarte – Vice-presidente da ASSTBM.

