“Sentimento de orgulho e representatividade”, afirma chefe de Polícia no Dia da Consciência Negra

Delegado Fernando Sodré, primeiro negro a comandar a Polícia Civil no RS, enfatiza importância das ações de combate ao racismo

Marcel Horowitz Correio do Povo

“Temos que conscientizar as instituições que nós podemos fazer diferente”, disse o delegado Sodré | Foto: Polícia Civil / CP

No Dia da Consciência Negra, comemorado nesta segunda-feira, o chefe de Polícia, delegado Fernando Antônio Sodré, enfatizou a importância das ações de combate aos crimes de racismo. Primeiro negro a comandar a Polícia Civil do Rio Grande do Sul desde o surgimento da instituição, no dia 3 de dezembro de 1841, Sodré ressalta que a conscientização também é uma das formas de se prevenir a ocorrência dos delitos relacionados à questão racial. No entanto, segundo ele, apesar dos avanços conquistados pela população negra nos anos recentes, o racismo estrutural ainda permanece como o maior obstáculo para a representatividade. 

“Temos que trazer um olhar diferenciado para as instituições que trabalhamos, trazer uma conscientização das pessoas para esse fenômeno que temos chamado, no Brasil, de racismo estrutural e institucional”, afirmou o delegado. “Temos que conscientizar as instituições, públicas e privadas, que nós podemos fazer diferente, pensar as pessoas de forma diferente, aproveitar a diversidade como um elemento transformador e melhorador das instituições como um todo.” 

O primeiro chefe de Polícia negro no RS também enfatizou que, ao ocupar o mais alto cargo da instituição, ele está representando outros do mesmo grupo étnico. O delegado espera que através das portas abertas pelo exemplo dele, mais pessoas negras possam conquistar posições de destaque. “Meu sentimento é de orgulho e consciência de que, quando um homem negro, ou mulher negra ou parda, chega a uma posição de representatividade, ele não vem sozinho, ele vem com um número de pessoas que há muitos anos vem buscando espaço, trabalhando e se dedicando para que possam ter relevância social. E quando se ocupa esse espaço, ele tem a responsabilidade de ser um representante também de todo esse grupo e permitir àquelas pessoas, que estão vindo depois de nós, que consigam se espelhar e se enxergar nessa posição de representatividade.” 

“Acho que se cada pessoa, que se conscientiza da realidade da questão racial no Brasil e consegue discutir serenamente com as pessoas, buscar que as pessoas percebam que nós precisamos rever algumas práticas, muitas delas históricas, arraigadas, que já vêm de várias gerações, isso precisa ser entendido pra que a gente possa, com muita serenidade e equilíbrio, de forma conjunta, transformar a sociedade. Fazer diferente passa primeiro pela conscientização, porque se as pessoas se conscientizam, a gente consegue o agir diferente e aí começa a transformação”, concluiu o Delegado Sodré.

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