Escolhas? Silenciosas?! Talvez decisivas? Sempre! Continuar fragmentados ou construir sua própria força.

Marco Antônio Moura dos Santos[1]

Há momentos em que uma instituição precisa fazer uma escolha, que pode ser uma “escolha silenciosa”, mas decisiva: continuar fragmentada ou construir sua própria força.

A família brigadiana (categoria, segmento, corporação…) não é pequena, não é fraca e nunca foi irrelevante. Ao contrário: somos responsáveis por uma das funções mais essenciais do Estado e para o Estado, a preservação da ordem, da segurança e da própria estabilidade social. Ainda assim, seguimos, muitas vezes, sem a representação política proporcional à essa importância.

Isso acontece por quais razões?!. Acontece por falta de estratégia corporativa, de alinhamento associativo, de unidade de interesses, de visão de futuro…

Durante anos, vimos esforços isolados, candidaturas dispersas e iniciativas que não se consolidaram. O resultado é conhecido: decisões que impactam diretamente as carreiras, as condições de trabalho e o próprio futuro da instituição sendo tomadas sem a presença efetiva de representação nos espaços de poder.  Mas este momento pode ser diferente? Não se trata de apenas lançar nomes, de definirmos por um só nome, de apoiar uma proposta ou várias propostas. Trata-se de construir um projeto e realizar a sua gestão com eficiência.

Temos as possibilidades de contar com profissionais, associações, setores estratégicos da gestão institucional, entre tantos suportes de planejamento e mobilização para dar passos que há muito tempo se fazem necessários: avançar em um processo sério, responsável e maduro de construção de representatividade. Isso exige mais do que opinião. Exige compromisso. Exige compreender que ninguém se representa sozinho, nenhuma categoria se fortalece dividida e nenhuma mudança real ocorre sem organização.

Não estou e não falaremos apenas de eleição. Falaremos de futuro institucional.  Se queremos respeito, precisamos construir força. Se queremos voz, precisamos falar juntos. Se queremos espaço, precisamos ocupá-lo com estratégia. O tempo da dispersão precisa dar lugar ao tempo da convergência.  A decisão começa agora e começa por cada um de nós.

A verdade precisa ser dita: enquanto seguimos divididos, outros decidem por nós. Não falta força à nossa “FAMÍLIA BRIGADIANA”. Falta organização, estratégia e unidade de propósito. Durante anos, vimos candidaturas dispersas e resultados previsíveis: ausência de representação real e perda de espaço político. Raras são as exceções.  Isso precisa mudar. Os nossos encontros não devem ser apenas “reuniões sociais”, mas sim, corporativas e institucionais. Devem ser oportunidades de decidirmos se continuaremos fragmentados ou se finalmente construiremos uma representação à altura da nossa importância.

Reforço que não se trata de nomes, mas sim de expressão corporativa em prol de uma sociedade mais justa e segura, mais forte e desenvolvida, mais harmônica e socialmente estruturada. Trata-se de fortalecermos uma instituição e valorizarmos quem faz com que ela seja A FORÇA DA COMUNIDADE, rumo aos seus 200 anos. O momento exige responsabilidade, maturidade e compromisso coletivo. Ou construímos força agora, ou continuaremos assistindo decisões sendo tomadas, sem nossa participação democrática, sem que tenha relevância para o todo, mas que sirva apenas para alguns.

É preciso tratar o tema com a seriedade que ele exige: a ausência de representatividade não é acaso, é consequência direta da nossa fragmentação, falta de unidade, integração e conjugação de esforços.  Enquanto seguimos divididos, desistimos de ocupar os espaços onde decisões estratégicas são tomadas. E esses espaços não ficam vazios, são ocupados por quem tem organização, método e unidade.  Uma “categoria” do porte da nossa não pode aceitar, de forma passiva, a condição de espectadora das decisões que impactam sua estrutura, sua valorização, reconhecimento e seu futuro.

Quaisquer que sejam os grupos representativos que possamos estabelecer, reunir, independente da sua composição, devem representar mais do que agendas “sociais”, mas de solidificar a representação da oportunidade de rompermos com um ciclo histórico de dispersão e iniciar um processo real de construção de força coletiva, com maturidade institucional.

Exige compreender que projetos individuais não sustentam representatividade e que protagonismo sem base coletiva é, na prática, fragilidade. Ou construímos, de forma organizada, uma presença efetiva nos espaços de decisão, ou continuaremos sendo afetados por decisões construídas sem a nossa participação. A escolha é objetiva. E o momento é agora.

Quem não se organiza, é ignorado. Quem não ocupa espaço, desaparece.

E isso precisa ficar claro. Não se trata de buscar privilégios e não se trata de defender interesses isolados, trata-se de responsabilidade institucional com a sociedade.  Uma força de segurança desarticulada não fragiliza apenas a categoria, fragiliza o cidadão. Quando quem está na linha de frente não tem voz, quem perde é quem depende da segurança pública para viver, trabalhar e proteger sua família. Por isso, a nossa organização não é um ato interno. É um dever público.

A Brigada Militar não existe para si. Existe para a sociedade. E é exatamente por isso que precisa ser forte, organizada e representada. Não há legitimidade sem presença. Não há respeito sem força estruturada. Não há futuro sem unidade. E unidade não é discurso de ocasião. Unidade é decisão. Não haverá espaço para todos os projetos individuais. Mas deve haver espaço para um projeto coletivo.

Não há mais espaço para ilusões.


[1] Coronel da reserva da Brigada Militar

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