Mesmo com o credenciamento de novos médicos, faltam especialistas em pediatria, psiquiatria, ginecologia e endocrinologia
Rosane de Oliveira GZH
Encerrada a primeira fase de credenciamento de novos médicos e de recadastramento dos atuais, o IPE Saúde chegou à metade da meta anunciada no final do ano passado, de preencher 10.460 vagas em 356 municípios. Das 6.891 inscrições recebidas, 3.341 foram homologadas, o que representa o preenchimento de 5.306 vagas. Cada médico pode se inscrever para atender em mais de um município e em até três especialidades, desde que comprove habilitação para tal.
Das inscrições não homologadas, 386 encaminharam complementação de documentos e 594 estão devendo os certificados exigidos no edital.
Os dados foram apresentados na manhã desta segunda-feira (4) no Gaúcha Atualidade, pelo diretor-presidente do IPE Saúde, Paulo Rogério Silva dos Santos. Os novos contratos entram em vigor a partir de 1º de julho, mas até o final de 2026 os 2,5 mil médicos que não se recadastraram seguirão atendendo normalmente.
— A partir de 1º de julho, nossa expectativa é chegarmos a 8 mil médicos. Iremos atrás daqueles 2,5 mil que não se recadastraram para ver se foi desinteresse ou porque não sabiam. Muitos me dizem que não sabiam que era preciso refazer o credenciamento — disse Paulo Rogério.
O presidente do IPE Saúde ressaltou que esses números não são os finais do primeiro ciclo, porque ainda está aberto o período para complementação de documentos. Ele discorda das críticas do vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, que considera o processo burocrático. Diz que a documentação exigida é básica e não dificulta a vida dos credenciados.

Novo edital
No segundo semestre será aberto um novo edital para preenchimento das vagas remanescentes. Adianta que estão em estudo incentivos financeiros aos médicos credenciados, mas ainda sem definição de valores, porque é preciso preservar a sustentabilidade do plano no longo prazo. No novo sistema foi mantido o adicional de 50% na consulta para os pediatras que atenderem crianças de zero a dois anos.
— Teremos também um novo sistema digital, mais moderno, com toda a lista de credenciados e a possibilidade de avaliação pelos usuários — adiantou Paulo Rogério.
O IPE Saúde tem 830 mil credenciados e é o maior plano de saúde do Rio Grande do Sul. O foco do presidente é na atenção primária e na prevenção:
— O atendimento primário é essencial. É a porta de abertura do serviço que nós prestamos. Então, temos que ter um reforço nessa área. E o planejamento era exatamente esse.
O presidente reconhece que, mesmo com os novos credenciamentos, há falta de médicos em algumas especialidades, como pediatria, psiquiatria, ginecologia e endocrinologia. Em compensação, sobram profissionais oftalmologia, gastroenterologia, dermatologia e cirurgia vascular. Como o IPE paga mais para os médicos que se credenciam como pessoas jurídicas, dos atuais cadastrados 20% já fizeram a migração.

