Quando falamos em perdas salariais, tratamos de uma outra realidade enfrentada diariamente pelos servidores da segurança pública. A redução salarial não ocorre apenas quando há descontos diretos na folha de pagamento. Ela acontece quando o salário perde poder de compra e deixa de atender às necessidades básicas das famílias. CORROSÃO DO PODER AQUISITIVO.
Essa perda não é percebida imediatamente no contracheque, mas sim no cotidiano: nas compras do supermercado, no pagamento das contas, no aumento constante do custo de vida e na consequente redução da qualidade de vida. É essa corrosão silenciosa do poder aquisitivo ao longo dos últimos anos.
IMPORTANTE: Sabemos que a defasagem salarial vai além dos números oficiais, há uma outra série de fatores envolvidos, onde os sindicatos e entidades falam num percentual superior a 60%. O jornal apenas pode se basear nos dados oficiais, pois não tem esse outro levantamento, portanto o que apresentamos abaixo é o que apresenta o órgão de controle da inflação, o Banco Central.
Segundo a última divulgação do Boletim Focus do Banco Central, a estimativa do mercado financeiro para a inflação oficial brasileira (IPCA) em 2026 é de 5,11% ao ano.
De acordo com a série histórica do Banco Central, os policiais e bombeiros do Rio Grande do Sul acumulam uma significativa perda do poder de compra desde 2018, ano em que receberam a última parcela do reajuste salarial concedido em 2014. Considerando a inflação acumulada entre 2018 e 2026, a defasagem chega a aproximadamente 47,25% sem considerar o valor de perda sobre perda, que eleva o índice para aproximadamente 54%, o que representa uma expressiva corrosão dos salários.
Evolução anual da inflação (IPCA)
| Ano | Índice |
|---|---|
| 2018 | 3,75% |
| 2019 | 4,31% |
| 2020 | 4,52% |
| 2021 | 10,06% |
| 2022 | 5,79% |
| 2023 | 4,62% |
| 2024 | 4,83% |
| 2025 | 4,26% |
| 2026* | 5,11% |
*Estimativa do mercado financeiro (Boletim Focus).
Total acumulado (soma dos índices): 47,25% a este valor se acrescenta o percentual de “perda sobre perda“.
Existe um velho ditado que afirma que “contra números não há argumentos”. E os números oficiais demonstram a crescente defasagem remuneratória enfrentada pelos policiais e bombeiros do Rio Grande do Sul.
O último ano em que o Governo do Rio Grande do Sul concedeu uma Revisão Geral Anual (RGA) para repor perdas inflacionárias ao funcionalismo público estadual foi em 2022. Naquela ocasião, a Assembleia Legislativa aprovou um índice de 6%. Também foi concedido um reajuste salarial de 12% em 3 parcelas, a última das quais será paga em outubro deste ano. Reajuste que não atingiu parte dos servidores, que tiveram esse percentual absorvido pela parcela de irredutibilidade de seus proventos, com a mudança para subsídio.
Segundo divulgamos aqui em nosso portal de notícias, vários sindicatos e entidades tiveram reuniões na semana passada com o Chefe da Casa Civil, onde lhes foi informado que o governo estuda a possibilidade da concessão de revisão geral em 2026. Aguardamos o índice oferecido, que, se respeitado o percentual descrito pelo IPCA 2025, será em torno de 4,26%.

