O machismo surgiu, possivelmente, há milhares de anos, através de mudanças sociais, econômicas e culturais, que estruturaram as sociedades antigas com sistemas de patriarcado, organização social baseada na força física e divisão sexual do trabalho, com as mulheres confinadas aos espaços determinados pelos homens.
As culturas romana e grega viam as mulheres como seres inferiores, sem atuação na economia e política, o que foi repassado às outras civilizações, que através de religiões e costumes tradicionais definiram papéis rígidos de submissão para as mulheres e de autoridade para os homens.
Com o passar do tempo a educação e os costumes fizeram com que mulheres e homens crescessem sob regras diferentes, que ensinavam meninos a serem fortes e autoritários, enquanto meninas deveriam ser obedientes e cuidadosas, num modelo que valoriza mais o homem e inferioriza a mulher em vários aspectos.
Os homens que se enquadram no modelo machista adotam todas as práticas antigas em suas relações com mulheres, tentando proibir que trabalhem, estudem ou socializem, fazendo com que dependam financeira e emocionalmente deles, o que as deixa vulneráveis à violência doméstica, pois os machistas acreditam que são superiores.
Agredir, física ou psicologicamente, pela doutrina machista é considerada uma ação apropriada ou justificada quando a mulher não se enquadra no modelo patriarcal, inclusive tínhamos no Brasil, anteriormente, uma legislação que justificava ao homem matar a mulher em defesa de sua honra.
Todo este modelo cria homens, que entendem as mulheres como sua propriedade e quando elas decidem sair do ciclo de intimidação e violência doméstica, tomando outros destinos em suas vidas, separando-se dos agressores, estes podem matar suas ex-companheiras, tornando-se feminicidas.
Infelizmente no Brasil os números, de mulheres mortas, só aumentam, mesmo com todo o esforço das polícias para coibir os crimes e proteger aquelas que conseguem sair das relações abusivas.

