Inspiração que vem de casa: mãe e filho brigadianos desfilam no 20 de Setembro em cidades do RS

A mãe Gorete Zwirts desfilou em Santa Maria, onde faz curso para Sargento, enquanto o filho Gustavo participou das celebrações do 20 de Setembro na Capital

Correio do Povo

Depois de crescer e ver a própria mãe, Gorete Zwirts, de 45 anos, criá-lo sozinho enquanto trabalha na proteção da população, o jovem Gustavo Zwirts Soares, de 20 anos, decidiu seguir o mesmo caminho ao ingressar, em maio, no curso de soldado da Brigada Militar (BM). E quis o destino que ambos desfilassem no 20 de Setembro “juntos”, mesmo que separados por cerca de 290 quilômetros.

Neste domingo, enquanto a policial militar Gorete desfilava em Santa Maria, onde realiza curso para sargento da BM, o filho Gustavo atravessava a avenida Edivaldo Pereira Paiva em Porto Alegre, dando seus primeiros passos como membro da instituição responsável pela proteção dos gaúchos. Para a mãe, que já contabiliza 23 anos de serviço na BM, o sentimento é de dever cumprido.

“Depois de criar um filho sozinha, na cidade grande e fazer com que ele goste da instituição, na qual esteve desde criança dentro dos quartéis da Brigada Militar, acredito que tive êxito como mãe. Não é fácil conciliar ser policial e ser mãe. Muitas vezes, nos empenhamos em ocorrências, precisamos cumprir horários e também em dividir o tempo entre a profissão e o filho”, contou.

Lotada no 20º Batalhão de Polícia Militar, que atua na zona Norte da Capital, Gorete é mais um exemplo da força da mulher gaúcha, inspirada em figuras como a dona Olmira Leal de Oliveira, a Cabo Toco, que dá nome ao alojamento feminino onde a policial está vivendo temporariamente em Santa Maria em função do curso.

Cabo Toco foi a primeira mulher a ser reconhecida por integrar a BM, por conta da sua atuação na Revolução de 1923. “Muito orgulho de saber que estamos desfilando em nome da nossa Brigada Militar e em nome da tradição da nossa terra, mesmo em cidades diferentes”, completou Gorete.

Apesar dos percalços na criação de um filho sendo mãe solo, ela acredita que os benefícios da carreira militar, principalmente da estabilidade, a auxiliaram e também incentivaram Gustavo a seguir os mesmos caminhos. “Foi um dos grandes pilares que sustentaram essa vontade de querer estar na BM e, ao mesmo tempo, ser exemplo para ele. Isso sempre foi conversado em casa e, mesmo com as dificuldades da vida de um policial, fez com que seus olhos brilhassem para essa carreira”, disse.

Inspiração que vem de casa

Para Gustavo, a influência da mãe foi construída não apenas pelo exemplo profissional, mas também pela forma como ela conciliava a rotina de trabalho com a criação do filho. Segundo ele, Gorete sempre foi uma referência ao longo de sua trajetória na Brigada Militar.

“Minha mãe atualmente trabalha no 20º BPM, mas já trabalhou no 1º e no 9º BPM. Ao longo de toda a sua trajetória profissional, ela sempre foi um exemplo para mim. Já perdi as contas de quantas vezes a vi chegar cansada do trabalho e, mesmo assim, manter um sorriso no rosto para ouvir meus problemas e sempre apresentar a melhor resposta”, contou.

O convívio com a família brigadiana também fez com que ele se aproximasse da profissão. Depois de prestar o concurso e passar pelas etapas do processo de admissão, conseguiu ingressar na Brigada Militar em maio deste ano e atualmente está na reta final do Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM).

“Com essa dedicação ao trabalho e o convívio diário com a família brigadiana, comecei a me identificar com a profissão e a admirar cada vez mais a instituição. Após prestar o concurso e passar por todas as etapas do processo de admissão, consegui ingressar na Brigada Militar e, agora, estou na reta final do CBFPM, muito disso graças ao suporte, ao incentivo e às orações diárias da minha mãe”, afirmou.

Agora, o objetivo do jovem é levar para a carreira os valores que aprendeu ao observar a trajetória da mãe. “Hoje, desejo honrar o nome dela, levando para minha carreira as virtudes que sempre admirei em sua trajetória, como a humildade, a resiliência e a integridade. Quero me esforçar para ser pelo menos 1% da policial que ela representa, não apenas para mim, mas também para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la ou trabalhar ao seu lado”, disse.

Mesmo separados por cerca de 290 quilômetros, mãe e filho tiveram neste 20 de Setembro uma experiência semelhante: representar a Brigada Militar durante o desfile Farroupilha. Gorete, em Santa Maria, onde realiza o Curso Técnico de Segurança Pública (CTSP), e Gustavo, em Porto Alegre, durante o CBFPM.

“É uma sensação única de orgulho e admiração saber que vamos participar, no mesmo dia, de uma das solenidades mais importantes do nosso Estado. Infelizmente, não poderemos desfilar juntos na mesma cidade, mas sei que estamos vivendo esse momento por um bem maior: eu, aqui em Porto Alegre, pelo CBFPM, em busca da insígnia de Soldado; e ela, lá em Santa Maria, pelo CTSP, em busca da insígnia de 2º Sargento da BMRS”, ressaltou.

Para ele, a distância entre as duas cidades não diminui o significado do momento. “Desejo que tenhamos um excelente desfile e que esse dia fique para sempre em nossas memórias como uma lembrança de que, independentemente da distância, os laços entre uma mãe e um filho permanecem fortes. Será especial saber que, mesmo em cidades diferentes, estaremos unidos pelo mesmo sentimento de orgulho, dedicação e amor pela Brigada Militar”, completou.

Rolar para cima