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Presos incendeiam colchões, quebram porta e ferem policial penal na Cadeia Pública de Porto Alegre

Servidora teve lesão no braço após tumulto no antigo Presídio Central

Marcel Horowitz Correio do Povo

Um princípio de incêndio atingiu a Cadeia Pública de Porto Alegre, o antigo Presídio Central, na noite desse domingo. O fogo foi provocado por detentos, que também quebraram a porta de uma das celas. Uma policial penal ficou ferida.

O caso ocorreu por volta das 22h, no módulo 3, que é reservado à facção V7. De acordo com agentes penais, os presos atearam fogo em roupas e pedaços de colchão. Depois, através de janelas, arremessaram as peças em chamas no pátio externo do local.

Atritos precederam o tumulto. Ainda segundo os servidores, no turno das visitas, o veto de potes com comida gerou indignação entre apenados. Somado a isso, uma revista geral havia acontecido dias antes, o que também foi motivo de revolta na galeria.

A equipe da unidade conseguiu controlar o fogo. Houve presidiários que tentaram agarrar as mangueiras na ação e que, por isso, foram alvejados com munição antimotim. Um deles chegou a dar um puxão no cabo e acabou lesionando o braço de uma policial penal. Ela passa bem.

Os presos ainda conseguiram arrancar a porta de uma cela. Alguns receberam atendimento médico, mas foram liberados. Mesmo após o fim da confusão, eles insistiram em batucar nas grades e fazer barulho ao longo da madrugada.

A reportagem contatou o diretor da CPPA, Renato Penna de Moraes, mas ele não havia dado retorno até o momento desta publicação. O espaço permanece aberto.

Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) disse que ninguém inalou fumaça. Também garantiu que os trabalhos na CPPA seguem em andamento, com rigor e disciplina.

Leia a nota da SSPS e Polícia Penal

A Polícia Penal informa que, no fim do último domingo (19/10), presos de uma das galerias da Cadeia Pública de Porto Alegre colocaram fogo em alguns colchões ocasionando um princípio de incêndio no lado externo das celas, próximo às janelas, que foi rapidamente controlado pelos servidores em serviço na unidade prisional.

Salienta-se ainda que, apesar do princípio de tumulto, os próprios servidores da unidade controlaram a situação. Após o fato, o Grupo de Ações Especiais foi acionado e uma revista geral foi realizada na unidade.

Internos foram levados para atendimento médico e já foram liberados. Não foi constatado nenhum atingido pela inalação da fumaça.

O Estado garante o funcionamento nova Cadeia Pública de Porto Alegre, com rigor e disciplina no cumprimento da pena.

Presos abriram cadeados na CPPA

No início deste mês, detentos retiraram os cadeados das celas em outro módulo da CPPA. De acordo com a SSPS, o episódio somou 109 apenados, e não 228, conforme havia sido estimado por agentes penais. A pasta negou que o espaço tenha sido “tomado de assalto” por apenados.

O fato ocorreu no dia 1º de outubro, na galeria 4, onde estão os presos da facção Os Manos. Ali, enquanto panelas eram recolhidas ao final da refeição, eles subiram na portinhola das celas e destrancaram as travas na parte superior das portas. Isso levou cerca de 45 minutos, tempo em que a área ficou sem vigilância.

Além disso, os cadeados tinham sido posicionados em trancas inferiores e não estavam completamente selados, o que facilitou a ação. Como se não bastasse, o ato passou batido no monitoramento das câmeras.

Os presidiários ficaram soltos no recinto, só não atravessaram o último portão de acesso. Eles ainda colocaram os cadeados dentro de uma fronha, que teria sido entregue aos agentes junto a uma lista de reivindicações. A SSPS garantiu que nenhuma demanda foi atendida.

Após o descuido, o supervisor do dia foi afastado. Porém, na visão de parte da categoria, houve falta de orientações técnicas e a medida isentou a gestão da cadeia de assumir possíveis responsabilidades. A reportagem contatou o diretor Renato Penna de Moraes, que novamente não quis fazer comentários.

Conforme a SSPS, o retorno dos presos às celas aconteceu sem uso de força. Ainda segundo a versão oficial, tudo começou a partir da insistência de alguns detentos em permanecerem no corredor da galeria após a refeição.

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