Trabalho da polícia e ações governamentais colocam o RS num patamar diferenciado de segurança pública.

O Rio Grande do Sul vive um cenário fora da curva de violência em comparação ao restante do país. Não que não haja casos isolados ou ocorrências graves, mas o Estado não experimenta o caos que se instalou em outras unidades da federação, marcadas pelo domínio de facções e pela inoperância do poder público. Enquanto em diversos estados brasileiros o cidadão se sente refém do crime organizado, a realidade gaúcha apresenta um quadro de controle e efetividade na segurança.

Um dos fatores que explica esse sucesso é histórico: aqui nunca houve espaço para as famosas facções do Rio e São Paulo, como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), se instaurarem. Isso não significa que não existam grupos criminosos atuando no território gaúcho, mas eles se restringem, majoritariamente, à violência entre seus próprios membros. No “frigir dos ovos”, ainda que o saldo seja violento, ele é positivo — pelo menos para a polícia, que consegue atuar sem ser confrontada por estruturas paralelas de poder.

Os resultados práticos dessa realidade diferenciada são evidentes. Porto Alegre, que já figurou entre as capitais mais inseguras do Brasil, hoje aparece entre as três mais tranquilas do país. O Rio Grande do Sul passou a disputar o topo do ranking das unidades federativas mais seguras, e o cidadão recuperou um direito básico: circular sem medo.

Há pouco mais de uma década, porém, o cenário era oposto. O gaúcho enfrentava medo generalizado, com crimes violentos se multiplicando e episódios brutais escancarando a urgência de respostas. Foi nesse contexto que começou uma mudança de rumo, culminando em 2019 com a criação do programa RS Seguro. Estruturado em ciência de dados, integração institucional e políticas sociais preventivas, o modelo consolidou-se como referência nacional e internacional. Os números comprovam a eficácia: nove meses consecutivos de queda nos crimes violentos contra a vida, redução expressiva em roubos, furtos e ataques a estabelecimentos comerciais, além de avanços no combate ao abigeato.

Nada disso, porém, significa que o crime acabou. Nem que não existam falhas, abusos ou desafios enormes pela frente. Acabar com os feminicídios, por exemplo, é um deles. Mas negar a melhora é desonestidade intelectual. Em ano eleitoral, esse sucesso enfrenta um desafio adicional, pois é comum que candidatos desdenhem do que vem sendo feito e proponham novas fórmulas para tudo.

Por isso, é fundamental que eleitores, imprensa e entidades em prol da Segurança Pública mostrem aos pretendentes ao Palácio Piratini que o RS Seguro não é mera política de governo, mas um patrimônio da sociedade gaúcha. A Assembleia Legislativa pode proporcionar essa garantia: basta aprovar o projeto que blinda o programa contra descontinuidades e vaidades político-partidárias. Afinal, como no futebol, não se mexe em time que está ganhando. O RS Seguro demonstra que é possível virar o jogo contra o crime quando há planejamento, integração e compromisso.

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