Colégios militares dominam ranking da OBMEP e confirmam excelência no ensino de matemática

Colégios Militar, das polícias militares e escolas cívico-militares somam 623 medalhas na 20ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas; sozinho, o Sistema Colégio Militar do Brasil conquista 440 medalhas e 312 menções honrosas.

O resultado da 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), divulgado em 22 de dezembro de 2025 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), reafirmou uma tendência que se consolida edição após edição: as instituições de ensino de cultura militar – sejam os Colégios Militares do Exército, os colégios das polícias militares estaduais e do DF ou as escolas cívico-militares – dominam o topo do ranking nacional entre as escolas públicas, em uma demonstração de excelência sistemática que tem implicações diretas para o futuro da Base Industrial de Defesa brasileira.

A competição reuniu 18,6 milhões de estudantes de 57.222 escolas em 5.566 municípios, cobrindo 99,93% dos municípios do país. Abrange do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, conforme o regulamento do IMPA, que realiza a olimpíada com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC). Foram distribuídas 8.450 medalhas nacionais, entre ouro, prata e bronze.

O ranking: cultura militar na ponta: O levantamento por escola, com base nas tabelas oficiais de premiados do IMPA, revela um quadro inequívoco. O Colégio Militar de Brasília (CMB) ficou em primeiro lugar entre todas as escolas públicas do Brasil, com 60 medalhas. O Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) ficou em segundo lugar, com 36 medalhas.

Na sequência, o terceiro lugar coube ao Colégio Militar Tiradentes, da Polícia Militar do Distrito Federal, primeira das escolas de polícia militar a aparecer no ranking, com 35 medalhas. O Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) ficou em quarto lugar. Em quinto, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), de Belo Horizonte, com 32 medalhas, a melhor colocação entre as escolas sem qualquer vínculo com a estrutura militar.

Do 6º ao 12º lugar, o bloco é inteiramente do Exército: Colégios Militares de Curitiba, Recife, Santa Maria, Manaus, Fortaleza, Salvador e Campo Grande. O 13º lugar coube ao Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), unidade de Manhuaçu, com 22 medalhas. O 14º ao Colégio Militar de Juiz de Fora, do Exército. E o 15º ao Centro Educacional Professora Alzira Alves Carneiro, de Tanque Novo, no sertão da Bahia, escola municipal que representa um caso raro de excelência em contexto de baixa renda, na Chapada Diamantina.

Destque: Colégio Tiradentes da Brigada Militar – Santa Maria

Do total de quinze primeiras posições, onze são de Colégios Militares do Exército, duas de colégios de polícia militar e apenas duas de instituições civis sem vínculo militar.

440 medalhas e 312 menções honrosas para o Exército: No total, segundo dados divulgados pela Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial do Exército (DEPA) em seu perfil oficial no Instagram, o Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB) conquistou 440 medalhas e 312 menções honrosas na 20ª OBMEP. O resultado posiciona o SCMB, composto por 15 unidades distribuídas pelo território nacional, como o conjunto institucional de maior peso em toda a competição.

O desempenho de 2025 não é episódico. Na 19ª edição da OBMEP, referente a 2024, os colégios militares já haviam conquistado 419 medalhas. A consistência ao longo das edições indica que os resultados não dependem de fatores circunstanciais, mas de um modelo pedagógico estruturado e replicável.

Polícias militares e escolas cívico-militares: mais 245 medalhas Além do SCMB, outras duas categorias de instituições de cultura militar apresentaram desempenho relevante na 20ª OBMEP. Os colégios vinculados às polícias militares estaduais e do Distrito Federal somaram 201 medalhas, distribuídas entre 49 instituições de ao menos 14 estados. O Colégio Militar Tiradentes da PMDF liderou esse grupo com 35 medalhas e o 3º lugar no ranking geral. O Colégio Tiradentes da PMMG, com diversas unidades em Minas Gerais, somou 22 medalhas em sua unidade de Manhuaçu, além de outras premiações nas demais unidades. O 2º Colégio da PM do Paraná, de Londrina, obteve 13 medalhas.

As escolas cívico-militares, modelo implantado a partir de 2019 pelo Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Defesa e as secretarias estaduais de educação, somaram 44 medalhas em 32 instituições. O desempenho é pulverizado, nenhuma unidade individualmente ultrapassou 3 medalhas, o que reflete a juventude do programa e o fato de que muitas dessas escolas ainda estão em processo de consolidação do modelo pedagógico.

Somadas as três categorias, as instituições de cultura militar conquistaram 623 medalhas na 20ª OBMEP, o equivalente a 9,5% de todas as medalhas distribuídas entre as escolas públicas do país, uma participação desproporcional ao número de estabelecimentos, que representa fração mínima do total de 57.222 escolas inscritas.

O que explica o resultado A recorrência dos resultados não é acidental. Os colégios militares do Exército e os das polícias militares, combinam um conjunto de fatores que raramente coexistem em outras redes públicas de ensino: infraestrutura adequada, corpo docente qualificado, acompanhamento sistemático do rendimento dos alunos, disciplina, cultura institucional de excelência acadêmica e culto a valores éticos e morais (honra, coragem, honestidade, espírito de corpo, iniciativa e respeito pelas instituições, pessoas e meio ambiente).

Estudo da Universidade Federal do Ceará demonstrou que alunos de colégios militares federais adquirem o equivalente a um ano e meio a mais de conhecimentos em matemática quando comparados a estudantes de escolas públicas regulares. No PISA 2018, os colégios militares federais tiveram desempenho superior à média da OCDE em matemática, ciências e leitura, resultado que, analisado isoladamente do restante da rede pública brasileira, posicionaria o país em patamar comparável a Portugal e Croácia nessas áreas.

O caso das escolas cívico-militares é distinto. O modelo é mais recente, a implantação é heterogênea entre os estados e a gestão pedagógica ainda está em fase de maturação. O desempenho na OBMEP reflete essa transição: presença expressiva em termos de número de instituições premiadas, mas com volume de medalhas por escola ainda modesto. A expectativa, conforme o modelo se consolida, é de crescimento progressivo dos resultados.

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