Cleber Monteiro dos Santos capotou viatura da BM em Casca e não resistiu aos ferimentos. Pai de um menino, ele ingressou na corporação em 2023
Gabriel Quadros GZH
Corajoso, dedicado e sonhador: assim colegas e amigos descrevem o soldado Cleber Monteiro dos Santos, 26 anos, que morreu em acidente na noite de quinta-feira (27) em Casca, no norte gaúcho. Ele dirigia uma viatura da Brigada Militar pela RS-129 quando perdeu o controle do veículo, saiu da pista e capotou várias vezes. Estava sozinho no momento do acidente.
Natural de Porto Alegre, o jovem policial ingressou na corporação em 2023 e estava lotado no 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), em Santo Antônio do Palma.
Conforme o amigo e padrinho de casamento Anderson Alberto Martins Ott, o sonho de Cleber era entrar na Brigada Militar e crescer dentro da instituição.
— Eu mesmo o incentivei. Quando teve dificuldade na cadeira de tiro, fomos treinar juntos. Ele se dedicava, era proativo, trabalhava pelo bem — lembra.
Amigos desde a faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Anderson e Cleber entraram juntos na Brigada Militar, mas atuavam em batalhões diferentes. Anderson também destacou o lado aventureiro de Cleber e a dor da perda de um grande amigo, que deixa o filho Arthur, 6 anos:
— Coragem não lhe faltava. Hoje ele nos deixa cumprindo a missão que nós, brigadianos, assumimos: saímos de casa sem saber se voltaremos. O que fica são as boas lembranças, a risada dele, a marca que deixou.
Soldado da Brigada Militar, Cleber Monteiro dos Santos tinha 26 anos.
Arquivo pessoal / DivulgaçãoCleber (à frente) era padrinho de casamento de Anderson. Os dois estudaram juntos na faculdade de Direito da UFRGS. Arquivo pessoal / DivulgaçãoCleber e o filho Arthur, 6 anos. Arquivo Pessoal / Divulgação
Vai ser velado em Porto Alegre
O corpo de Cleber foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Passo Fundo e deve ser transferido a Porto Alegre a partir das 12h. A previsão de chegada é entre 17h e 18h. A cerimônia de despedida acontecerá neste sábado (29), a partir das 11h30, no Cemitério João XXIII, na Capital.
Em notas, a Brigada Militar, prefeitura de Santo Antônio do Palma e Associação Beneficente dos Servidores Militares do Rio Grande do Sul (ABSMF) lamentaram a perda. Leia na íntegra:
Brigada Militar
“A Brigada Militar comunica, com profundo pesar, o falecimento do Sd Cleber Monteiro dos Santos, nesta quinta-feira (27/3), em decorrência de um acidente de trânsito, em Casca. O Sd Monteiro, de 26 anos, ingressou na Brigada Militar em 2023 e estava lotado no 3º RPMon, em Santo Antônio do Palma. Deixa um filho de 6 anos. A BM se solidariza com familiares e amigos neste momento difícil”.
Prefeitura de Santo Antônio do Palma
“A Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Palma manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do soldado Cleber Monteiro dos Santos. O soldado Monteiro serviu com dedicação e compromisso à comunidade, desempenhando sua função com honra e bravura. Sua partida deixa uma imensa lacuna. Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e colegas de farda”.
Associação Beneficente dos Servidores Militares do RS (ABSMF)
“A ABSMF e toda a Família Brigadiana estão de luto. Manifestamos nossa solidariedade aos amigos e familiares do soldado Cleber Monteiro dos Santos, que lamentavelmente perdeu a vida em serviço. Sua dedicação e compromisso permanecerão sempre em nossa memória”.
Na noite desta quinta-feira (27), um policial militar morreu após uma saída de pista no km 51 da RS-129, em Casca.
Segundo informações preliminares obtidas pela reportagem policial da Rádio Uirapuru, equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Guaporé e do 1° Batalhão Rodoviário da Brigada Militar foram acionadas para atender a ocorrência. A viatura, um Renault Duster do 3° RPMon, capotou durante o deslocamento.
O soldado Cleber Monteiro dos Santos, lotado em Santo Antônio do Palma, havia concluído o serviço e seguia para São Domingos do Sul quando perdeu o controle da viatura. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
A Delegacia de Polícia e a perícia foram acionadas.
A ocorrência segue em andamento.
Nota de Pesar
A Brigada Militar comunica, com profundo pesar, o falecimento do Sd Cleber Monteiro dos Santos, nesta quinta-feira (27/3), em decorrência de um acidente de trânsito, em Casca.
O Sd Monteiro, de 26 anos, ingressou na Brigada Militar em 2023 e estava lotado no 3º RPMon, em Santo Antônio de Palma. Deixa um filho de 6 anos.
Os atos fúnebres serão informados em breve.
A BM se solidariza com familiares e amigos neste momento difícil, lamentando profundamente o ocorrido.
Como se afastar da busca de termos um país melhor, mais igual, menos corrupto, com mais oportunidades para todos (realmente para todos), com mais e melhor saúde, educação, segurança e desenvolvimento econômico?
Não temos esse direito, ao contrário, todos aqueles que possuem amor-próprio e amor ao próximo deveriam estar permanentemente engajados em atuar de forma muito intensa, direta e com todas as suas energias nessa caminhada.
Quando percebemos que nossa apatia, omissão, desinteresse, desilusão e falta de esperança apenas reforça toda a opressão que os “dignos” representantes – não do povo, mas do poder enraizado no sistema de dominação – causa, faz com que tenhamos claro que a postura deve ser distinta. É preciso participar, atuar, avançar e enfrentar de forma organizada, democrática e política a essa quebra do ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, que está instalada no país.
Sonhar que as mudanças podem ser realizadas por mero acaso, por ação divina, por atos decorrentes de lideranças midiáticas, individualistas ou extremistas, nunca será a solução dos graves problemas que enfrentamos do Oiapoque ao Chuí.
A sociedade sofre com problemas de saúde básica. A educação do país conduz crianças e adolescente a um analfabetismo concreto e não apenas funcional. A segurança pública deixou de ser vista como problema, pois é um caos. E tudo isso dentro de um caldeirão de instabilidade econômica, jurídica e política.
A avaliação de problemas precisa ir além das narrativas, é necessário termos condições de alterar os fatos como estão postos hoje. Sabemos que as políticas públicas são adotadas a partir de ações implementadas pelo executivo, com suporte em processos legislativas, que devem ser julgadas, quando em desacordo com os interesses individuais e ou coletivos, pelo poder judiciário. Ou seja, também sabemos como e onde devemos atuar para termos resultados diferentes do que estamos alcançando.
Precisamos de um poder executivo comprometido com as questões da sociedade como um todo, sem parcialidades, eficiente, qualificado, técnico e sem vínculos ou amarras com ilegalidades e corrupção. Um poder executivo que possa se orgulhar e nos orgulhar, que esteja efetivamente “governando o país”.
Precisamos de um poder legislativo, mais forte, dinâmico, atuante, propositivo e menos voltado para debates pueris, individualizados, viciados de condutas questionáveis, contrarias a ética e a moral.
Precisamos de um poder judiciário que “veja” os fatos como eles são, analisando-os a luz da justiça e da legislação, dentro de processos legais devidos, com a imparcialidade adequada e a mão firme.
Como diria Dworkin[i] precisamos de uma justiça estabelecida e baseada na ideia de igualdade e integridade no direito. As pessoas devem ser tratadas com igual respeito e consideração, essa é a finalidade da justiça, propiciar que as leis estabelecidas venham a refletir princípios morais consistentes e não apenas regras arbitrárias impostas pelo Estado.
Ou na visão de Alexy[ii] ao considerar que a justiça não deve ser aplicada de forma mecânica as normas, mas sim realizar um processo equilibrando e ponderando princípios e valores, de forma racional.
No entanto, não é esta a nossa realidade, portanto PRECISAMOS MUDAR, MUDAR É NECESSÁRIO, SE NÃO MUDARMOS ESTAREMOS PERDIDOS ENQUANTO SOCIEDADE DEMOCRÁTICA E DE DIREITO.
Precisamos voltar a caminhada de alcançar uma sociedade mais justa, mais segura, mais inclusiva, plural e mais pujante.
TEMOS CURA SIM! VAMOS EM FRENTE, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!
[i] Dworkin, Ronald. Levando os Direitos a Sério. (Taking Rights Seriously, 1977); Uma Questão de Princípio. (A Matter of Principle, 1985); “O Império do Direito. (Law’s Empire, 1986)
[ii] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. (Theorie der Grundrechte). Tradução de Virgílio Afonso da Silva. 2ª edição Malheiros Editores Ltda. 2008.
O governo do Estado está planejando comprar um novo avião, mais rápido e potente. Diferente dos modelos atuais, bi e monomotor, a aeronave tem motor a jato, com maior autonomia de voo.
O assunto vem sendo discutido nos últimos meses e envolve representantes da Brigada Militar, da Defesa Civil e da Secretaria Estadual da Saúde. A última reunião sobre o assunto foi realizada na semana passada.
A ideia é gastar entre R$ 150 e 200 milhões na aquisição. Os encontros estão servindo para identificar qual modelo melhor atenderia às necessidades do governo gaúcho.
Além de transportar o governador, a ideia é que a aeronave também possa transportar órgãos para transplante e remoção de pacientes de emergência, para atender deslocamentos rápidos, em distâncias maiores. Sob responsabilidade do Batalhão de Aviação da Brigada Militar, ela também pode ser usada no transporte da ajuda humanitária e deslocamento de tropas de segurança pública.
Um modelo que se chegou a avaliar que poderá atender a estes objetivos é o Phenom 300, da Embraer. Segundo a fabricante, a aeronave tem velocidade máxima de cruzeiro de 860 km/h. O avião consegue voar a 45.000 pés (13.716 metros).
Atualmente, o governo do Estado tem dois aviões. Um deles é o Caravan, turbo-hélice e monomotor, adaptado a pousar em qualquer terreno, mas que serve para deslocamentos curtos.
O outro é um modelo King-Air, turbo-hélice e bimotor, que voa em condições mais favoráveis, mas que não atende tudo o que uma aeronave necessita. Por exemplo: o deslocamento com esta aeronave, entre Porto Alegre e São Paulo, é feito durante 2h de viagem – 45 minutos a mais que o jato.
Enquanto isso, um dos aviões utilizado é o King-Air. Brigada Militar / DivulgaçãoO avião a jato Phenom está sendo avaliado. Embraer / Divulgação
Desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, discorda de Lewandowski. Para ela, a responsabilidade não é da polícia, que prende mal, nem da Justiça, que solta muito, mas do Estado
Magistrada há 34 anos, a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, discorda “completamente” da ideia de que “a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar”, conforme disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, na semana passada. Para ela, a crise da segurança pública atingiu o pior nível das últimas três décadas e o principal responsável é o Estado, que não tem sido capaz de dar respostas efetivas.
Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski disse que, em muitos casos, a falta de provas ou de um processo bem instruído inviabiliza a permanência dos suspeitos na prisão. A fala motivou reações, como uma convocação articulada pela Bancada da Bala do Congresso.
Após a repercussão negativa, Lewadowski mudou o tom, elogiou a polícia e disse que sua fala foi tirada do contexto.
Desde que as audiências de custódia foram implementadas no País, em 2015, foi realizada 1,7 milhão de análises de prisão desse tipo. Do total, cerca de um milhão de flagrantes, aproximadamente 60% do total, foi convertido em prisão preventiva. Em outros 678, 6 mil casos (39,4%), a liberdade foi concedida.
O mecanismo foi criado para reduzir o número de prisões arbitrárias e para garantir a integridade física do detido, que deve ser apresentado ao juiz até 24 horas após a prisão em flagrante. Para muitos parlamentares e policiais, no entanto, as audiências abrem margem para liberar suspeitos prematuramente, com risco de reincidência. Outros especialistas dizem que as solturas revelam problemas e até abusos por parte da polícia na captura de suspeitos.
“Essa necessidade de botar a culpa em alguém, na polícia ou na Justiça, até na imprensa, achar um culpado é uma leitura míope”, disse Ivana David, especialista em teoria da prova no processo penal, em entrevista ao Estadão.
Veja os principais trechos da entrevista:
O ministro Lewandowski, disse que a polícia prende mal e, por isso, o Judiciário é obrigado a soltar. A senhora concorda com o ministro?
Com toda a vênia ao ministro, eu discordo completamente. Não tem erro nenhum. Essa necessidade de colocar a culpa em alguém, na Justiça ou na polícia, até na imprensa, achar um culpado, é uma leitura míope. O juiz não está lá para bater um carimbo. Ele tem de avaliar aquela situação específica, cada caso é um caso. Eu julgo casos milionários de lavagem de dinheiro e também do garoto preso com dois cigarros de maconha. E há muitas coisas a serem levadas em conta: se estão presentes os requisitos do flagrante, se há benesses na lei para aquele caso. Além disso, somos um País de 200 milhões de habitantes, profundamente desigual, com 8,5 milhões de km², em que cada Estado tem uma realidade diferente. Não dá para colocar tudo no mesmo balaio. Colocar a culpa na polícia é pior ainda. Vejo essa declaração com preocupação, acho injusta com a polícia. Enquanto nós matamos um leão por dia, a polícia mata um leão por hora.
E botar a culpa no Judiciário?
Bom, não dá para dizer que o juiz é despreparado. Ele passa por um concurso longo, difícil. Precisamos ter leis, não podemos, ou não devemos, nos afastar da lei. Eu posso determinar que um preso não seja solto e outro colega achar que deve. Ele está errado? Não necessariamente, ele tem essa competência. Por exemplo, a lei diz que a prisão em flagrante não deve ser transformada em preventiva no caso de mãe com filhos menores de 12 anos, que ela pode responder em regime aberto. Um homem preso em flagrante pelo mesmo crime provavelmente vai ficar preso. Tem mulheres que trabalham para facções criminosas porque são vítimas de chantagem, porque seus filhos, que estão na prisão, são ameaçados de morte. Outra: não dá para acabar com as audiências de custódia, como muitos sugerem. O Brasil é signatário de tratados internacionais.
Médica chutada e mordida em assalto em SP. Reprodução/TV Globo Foto: Reprodução/TV Globo
Mas não dá para restringir?
Ok, vamos restringir. Então todo traficante deve ficar preso. Mas de que tráfico estamos falando? Em que circunstâncias? Eu, como juíza, posso entender que o cara preso com 50 gramas não é traficante, é usuário, se eu constatar, por exemplo, que ele é dependente químico e já esteve internado várias vezes por isso. Entende? Tenho certeza de que qualquer pessoa que for presa ou julgada nesse País quer ter um juiz que entenda sua situação específica, e não julgue de forma genérica. Temos de pensar no que é bom para a sociedade, não no que nós achamos bom.
A senhora falou que a discussão sobre a culpa do Judiciário e da polícia é uma leitura míope. Por quê?
É uma leitura míope porque olha só para um lado. Porque estão falando dos que são soltos “por erro do juiz ou da polícia”, mas também poderíamos falar dos muitos que estão encarcerados e não deveriam pelo mesmo motivo. Parece que ninguém se interessa muito pelos que estão presos.
Como a senhora avalia a situação da segurança pública no País?
Sou juíza há 34 anos e digo que nunca vi uma insegurança pública como a que estamos vivendo hoje. Porque, por trás do roubo do celular na Paulista, está uma organização criminosa. Não é um crime isolado. Como costumo contar para os meus alunos, na época em que eu era juíza no interior, o sujeito pulava o muro de uma casa para roubar o botijão de gás. Isso não existe mais. São organizações criminosas estruturadas por trás do trabalho escravo, do tráfico de drogas, da prostituição, do roubo. Organizações que lotearam territórios, e que usam essa mão de obra barata, abduzem esses garotos. Não dá para olhar a violência de forma pontual. Precisamos de políticas públicas para evitar que esses jovens sejam abduzidos.
Mas a polícia também pode melhorar?
Sim, claro. A polícia tem de ter estrutura melhor. Tenho esse privilégio de conversar com as polícias de todo o País. Todas têm problemas. Arma e viatura é bom para o marketing, mas polícia não é só isso. Precisamos de tecnologia, de inteligência, de policiais preparados, capacitados. Toda a investigação hoje depende de tecnologia. Os policiais têm problemas psicológicos, taxas recordes de suicídio, vivem a um passo do crime. Eles precisam de bom salário, apoio. Precisamos fortalecer o sistema de segurança.
E como combater essas grandes organizações criminosas?
Como se faz em todo lugar do mundo: com inteligência, tecnologia, coragem de cortar na carne, de assumir que os governos são corruptos, de mandar embora quem está envolvido. É como se faz com máfias e cartéis nos Estados Unidos, no Japão, na Itália. A segurança pública é um dever do Estado, tem de ser cumprida. O Estado que se reinvente, que vá procurar novas formas de combate. Não dá é para dizer que não faz segurança pública por conta da geografia, por conta dos outros, tem de arrumar formas, tirando dinheiro do crime, tirando arma, enfim. Essa é a missão dos governantes, para isso foram eleitos. É difícil? Claro que é. Se fosse fácil não era pauta todo dia.
Dado é da Associação dos Delegados de Polícia (Asdep-RS). Situação só não é dramática porque existem PMs que fazem o policiamento preventivo nessas cidades
Humberto Trezzi GZH
Exércitos de um homem só. É essa a situação em 80 delegacias do Rio Grande do Sul, conforme dado fornecido pela Associação dos Delegados de Polícia (Asdep-RS) ao colunista. São DPs com apenas um servidor, que faz de tudo um pouco: serviço cartorial, investigação e, eventualmente, prisões.
Todos os casos são no Interior. A existência de DPs com um só policial é problema histórico no território gaúcho e não é exceção, no cenário brasileiro. É uma situação que só não é dramática porque todas as cidades contam com equipes de policiais militares, que fazem o policiamento preventivo e repressivo. São o braço mais utilizado e numeroso da segurança pública, enquanto aos policiais civis cabe a tarefa prioritária de esclarecer os crimes. E os PMs contam com eventuais reforços dos Batalhões de Choque, em cada região.
A Asdep ressalta que, na falta de efetivo suficiente para dotar cada cidade gaúcha com um policial civil, a lei 16181/24 (de outubro passado) estabeleceu que a Polícia Civil passaria a pagar sobreaviso aos servidores que são únicos em suas repartições.
— Esses funcionáros são como escravos do Estado. Pra teres uma noção, só numa coordenadoria regional existem 16 delegacias com somente um policial. São servidores que estão de serviço sempre, submetidos ao celular. A lei de outubro estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro, esses policiais fariam jus a este adicional. Vamos adiantados em março e nem notícia dese pagamento — comenta o presidente da Asdept, delegado Guilherme Wondracek.
O chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Fernando Sodré, admite a existência das DPs com um só policial e diz que os trâmites administrativos para garantir o pagamento de sobreaviso aos agentes estão em fase de finalização.
— Fui informado de que serão concluídos em seguida, inclusive com pagamento de atrasados — conclui Sodré.
A solução da falta de servidores depende de concursos. Há um para a Polícia Civil, previsto para acontecer em abril.
Inscrições podem ser feitas até as 17h do dia 22 de abril
Correio do Povo
A Brigada Militar abriu, nesta sexta-feira, concurso público com 1.200 vagas para soldado de primeira classe. As inscrições já começaram e seguem até as 17h de 22 de abril, pelo site da banca Fundatec. Entre as vagas, 984 serão providas por ampla concorrência, 192 estão reservadas para pessoas negras, 12 são para pessoas trans e outras 12 vagas foram abertas para pessoas integrantes dos povos indígenas.
Para se inscrever, é necessário ter Ensino Médio completo e idade máxima de 25 anos. A altura mínima para candidatos do gênero masculino é de 1,65m; para as candidatas do gênero feminino, é de 1,60m. Além disso, é preciso ter habilitação válida na categoria B. Outros requisitos estão previstos no Capítulo V, item 1 do edital.
A seleção será realizada por meio de prova escrita, exame de saúde, exame de capacitação física (TAF) e avaliação psicológica. A prova escrita tem previsão de aplicação em 8 de junho e será composta pelas disciplinas de língua portuguesa, legislação específica, conhecimentos gerais, matemática, direitos humanos e cidadania e informática.
No exame de capacitação física, os candidatos do gênero masculino deverão executar cinco flexões de barra, 40 abdominais em 60 segundos e percorrer 2.500m em 12 minutos. Já as candidatas do gênero feminino deverão realizar 20 segundos de isometria na barra fixa, 32 abdominais em 60 segundos e percorrer 2.100m em 12 minutos. As datas de aplicação dos exames de capacitação física serão divulgadas posteriormente.
O subsídio inicial é de R$ 5.944,85, com auxílio-alimentação no valor de R$ 400. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais, exceto durante o Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM), no qual a jornada será de acordo com o currículo de ensino e com o regimento interno de cada escola. O concurso tem validade de dois anos, podendo ser renovado, uma vez, pelo mesmo período.
A Ecovias Sul, que atendeu a ocorrência, informou que o incêndio foi causado pelo rompimento de uma mangueira de combustível
Por Kathrein Silva Clic Camaquã
Uma viatura da Brigada Militar pegou fogo no km 21 da BR-392, em Rio Grande, no sentido Pelotas. O caso ocorreu na tarde da última terça-feira (18). Ninguém ficou ferido.
A Ecovias Sul, que atendeu a ocorrência, informou que o incêndio foi causado pelo rompimento de uma mangueira de combustível. O Corpo de Bombeiros também atendeu a ocorrência.
Ziulkoski diz que Municípios não devem assumir a Segurança e se posiciona contra o Estatuto das Guardas Municipais
Em entrevista à TV Senado, o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, manifestou posição da entidade sobre a carreira dos guardas municipais. O projeto que cria o estatuto desta categoria estava na pauta do esforço concentrado do Senado Federal desta semana, mas será votado apenas no começo de agosto.
“Somos frontalmente contra. Não tem muito cabimento. A Constituição é clara. A segurança interna é competência dos Estados. A externa é da União. Os Municípios não têm essa competência. Estão querendo mais uma vez levar nova atribuição aos Municípios e sem indicar fonte de financiamento” destaca o presidente da CNM.
Para a CNM, os Municípios não têm equipe e não têm estrutura. Além disso a comunidade vai cobrar um trabalho ostensivo das gestões municipais. “Perante a Lei de Responsabilidade, isto é uma irresponsabilidade. Teriam que definir melhor e, pelo menos, indicar fonte de financiamento”, conclui Ziulkoski.
Guardas não é prioridade
Na opinião do líder municipalista, os prefeitos têm muitos problemas para solucionar e não devem aceitar novas obrigações. “A prioridade dos Municípios é Saúde. É Educação. É Assistência Social”.
A CNM defende que os entes municipais podem ser prejudicados e nenhuma lei deve obrigar as guardas em funcionamento a se tornarem ostensivas. “É mais uma omissão dos governadores. Quem vai municiar, como vai funcionar essa integração com as policias civis e militares, quem vai treinar esses guardas?”, questiona.
O Estatuto dos Guardas estabalece, por exemplo, o plano de carreira, a progressão funiconal, determina funções, o uso de armas, entre outros. Ele está previsto no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 39/2014 e aguarda votação pelo plenário.
Posição dos senadores
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), explicou que não houve acordo para votação nesta semana. “Havia um esforço da Mesa Diretora do Senado para que nós pudéssemos decidir sobre essa matéria, que é importantíssima para o Brasil e diz respeito a uma grande quantidade de guardas municipais em todo o país. No entanto, em função de não haver um acordo no colégio de líderes, vamos deixar essa proposta para 5 e 6 de agosto” explicou.
Segundo o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), esta não é uma proposta polêmica, mas há ainda divergências quanto ao texto. Por isso, as lideranças pediram mais tempo. O projeto, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), regulamenta o dispositivo da Constituição que prevê a criação de guardas municipais para a proteção de bens, serviços e instalações. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) defende a votação o quanto antes, já que segundo ela o estatuto não implica aumento de gastos públicos.
Instituição foi alvo de protestos após abordagem resultar em policial e manifestantes feridos em bairro boêmio de Porto Alegre
Marcel Horowitz Correio do Povo
Não terá fim o policiamento ostensivo na Cidade Baixa. A previsão é, além de manter a visibilidade das ações, também reforçar a segurança no bairro boêmio de Porto Alegre. O comando da Brigada Militar confirmou a informação nesta terça-feira.
A resolução ocorre duas semanas após a corporação ter sido alvo de um protesto. O ato foi composto, em grande parte, por integrantes de partidos e movimentos políticos, todos contrários à presença do efetivo ali.
O estopim se deu na madrugada do dia 1° de março, na rua General Lima e Silva, durante a Operação Carnaval. Na data, uma manifestante cuspiu no chão após xingar um grupo de policiais.
Enquadrada como desacato, a afronta foi sucedida por uma abordagem que virou tumulto. Os brigadianos utilizaram spray de gás lacrimogêneo, munições de borracha e força de contenção.
Ao menos três militantes ficaram feridos. Além deles, um PM sofreu mordidas na perna e precisou receber doses de vacina antitetânica.
Segundo o comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, um Inquérito Policial Militar (IPM) apura os fatos. Apesar do episódio, o oficial considera que a Operação Carnaval atingiu o objetivo proposto, ou seja, a queda no número de ocorrências.
“No Rio Grande do Sul, ao longo do Carnaval, quase todos os indicadores criminais registraram uma redução superior a 60%. É injusto recortar uma situação específica, em Porto Alegre, e tornar isso o fato principal”, avalia Cláudio Feoli.
O comandante-geral também garante que o IPM avaliará com rigor a conduta dos policiais que atuaram na Cidade Baixa. Ele não exime, porém, a responsabilidade dos abordados.
“As pessoas estavam claramente embriagadas e ofereceram resistência à abordagem. Se isso não tivesse ocorrido, não haveria uma escalada contrária dos policiais. As abordagens são feitas na medida da resistência que é oferecida”, pondera.
“Evidente que todos queremos uma polícia evoluída, mas, para isso, a sociedade também precisa evoluir. As pessoas deveriam entender que, quando um policial em serviço orienta alguém a sair da rua, isso não é uma sugestão. Em que país sério é aceitável desacatar policiais?”, questiona o oficial.
Feoli ainda deixa claro que os protestos não afetaram a instituição. Em outras palavras, os opositores não têm influência sobre as diretrizes do policiamento.
“Uma mobilização que pede o fim do policiamento ostensivo é algo que beira o ridículo. Isso não encontra guarida em nenhum tipo de seguimento na sociedade. Creio que, no fundo, nem os próprios manifestantes acreditam no que pedem. É uma reivindicação utópica”, finaliza.