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Governo do RS anuncia trocas no comando do Corpo de Bombeiros e do Instituto-Geral de Perícias

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Na semana passada, chefe da Polícia Penal também foi substituído

Paulo Egídio GZH

Duas instituições vinculadas à Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul estão trocando de comando. As mudanças no Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) e no Instituto-Geral de Perícias (IGP) foram confirmadas nesta segunda-feira (17) pelo governo do Estado.

No CBMRS, o coronel Eduardo Estevam solicitou passagem para a reserva. Em seu lugar, assume o comando da corporação o coronel Julimar Fortes. 

Fortes é o atual corregedor-geral da instituição e foi promovido a coronel em junho de 2023.

No IGP, o médico-legista Paulo Barragan assume a direção no lugar de Marguet Mittmann. De acordo com a SSP, Marguet pediu exoneração do cargo.

Mudança na Polícia Penal

Na semana passada, o governo também havia oficializado mudança no comando da Polícia Penal – antiga Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), que é ligada à Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo. 

Luciano Lindemann, até então diretor da Cadeia Pública de Porto Alegre, assumiu o cargo no lugar de Mateus Schwartz.

Justiça já derrubou leis de 14 cidades de SP que mudaram nome de guardas municipais para ‘polícia municipal’

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Na semana passada, foi promulgada lei que altera o nome da GCM da cidade de São Paulo, e Ministério Público questiona norma; viatura com nova nomenclatura já foi anunciada pelo prefeito

Por Hyndara Freitas O GLOBO

A lei promulgada na semana passada que mudou o nome da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo para Polícia Municipal está sendo questionada na Justiça pelo Ministério Público, mas essa não é a primeira vez que o tema chega aos tribunais e, entre 2019 e 2025, 14 municípios já tiveram leis semelhantes derrubadas.

    Nesta segunda-feira, foi suspensa a lei de São Bernardo do Campo que mudou o nome da GCM para Polícia Municipal. A decisão liminar (provisória) foi proferida pelo desembargador Álvaro Torres Júnior. Há alguns dias, a Justiça suspendeu liminarmente a mudança de nome efetuada em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, e há uma ação sobre o tema que ainda precisa ser julgada: a da capital.
     

    Em todos os casos, o principal argumento do MP é que a Constituição Federal prevê expressamente o termo “guarda municipal” para se referir a essa força, e que portanto a alteração na denominação seria inconstitucional.

    Em 12 casos diferentes, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que analisa a constitucionalidade de leis, entendeu que a mudança não poderia ser efetuada. A primeira vez que o tema foi analisado foi em 2019, quando se declarou inconstitucional uma lei de Itu que havia alterado a nomenclatura da Guarda Municipal para Polícia Municipal.

    Depois, foram derrubadas normas parecidas de Artur Nogueira, Salto, Santa Bárbara d’Oeste, Amparo, Cruzeiro, Holambra, Pitangueiras, Jaguariúna, Vinhedo, Cosmópolis e São Sebastião. Em todos os casos, foram ações ajuizadas pelo Ministério Público. Na semana passada, foi suspensa, mas neste caso em caráter liminar, lei de Itaquaquecetuba que versa sobre o mesmo assunto, e nesta segunda foi a vez da mudança em São Bernardo do Campo ser barrada.

    No caso da lei da capital há uma particularidade: a lei não muda por completo o nome da GCM, e sim prevê que a corporação “também será chamada de Polícia Municipal”. Ocorre que, na prática, a nova denominação tem tudo para pegar na população, já que a prefeitura não demorou nem 24 horas após a aprovação na Câmara para começar a circular as viaturas com o novo logo da Polícia Municipal. Além disso, já foram declaradas inconstitucionais leis de outras cidades que apenas acrescentavam o termo “polícia” às guardas, sem excluir o nome original. A ação que questiona a lei paulistana tem como relator o desembargador Mário Devienne Ferraz, e ainda não teve decisão.

    Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o poder de polícia das guardas municipais, o que gerou movimentações de várias cidades em todo o país para aprovar leis que ampliam as atribuições da corporação e mudam seu nome para “polícia municipal”, mas especialistas consultados pelo GLOBO já haviam adiantado a possibilidade de questionamentos judiciais sobre a mudança na demominação. Em 2023, a Corte já havia reconhecido que as guardas são integrantes legítimas do sistema de segurança pública do país.

    Batalhões de Choque e Operações Especiais ganham seis blindados do Exército para ações no RS

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    Efetivo da Brigada Militar recebeu veículos de combate Urutus e mais 20 fuzis em cerimônia no Comando Militar do Sul

    Marcel Horowitz Correio do Povo

    A Brigada Militar recebeu a doação de seis blindados, além de armamento de grosso calibre, do Exército Brasileiro. Os equipamentos foram entregues na manhã desta segunda-feira, em cerimônia no Quartel-General do Comando Militar do Sul (CMS), no Centro Histórico de Porto Alegre.

    Foi o deputado estadual Gustavo Victorino (Republicanos) que deu o primeiro passo da iniciativa. Ele articulou a doação por mais de um ano.

    “O objetivo é contribuir para as ações das forças de segurança no combate à criminalidade, bem como nos casos de desastres climatológicos. São veículos multiuso e que podem se impulsionar na água, com alto alcance em áreas de difícil acesso”, explicou o parlamentar.

    Os carros de combate foram entregues aos efetivos do Comando de Polícia de Choque (CPChq) e Batalhão de Operações Especiais (Bope). Agora, o Rio Grande do Sul passa a contar com uma versão própria do Caveirão, o blindado utilizado em operações de elite no Rio de Janeiro.

    As viaturas são todas do modelo Urutu, o primeiro tipo de blindado totalmente anfíbio desenvolvido no Brasil, e já utilizado em dezenas de missões internacionais, como no Haiti e no Oriente Médio. Antes da BM receber as doações, a Engese, empresa fabricante, adequou o maquinário para o uso policial, sem nenhum custo ao poder público.

    Para aprender o manuseio dos veículos, 31 policiais militares de diversos municípios gaúchos receberam instruções práticas e teóricas no 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, na zona Sul da Capital. O período de capacitação ocorreu ao longo de 10 dias, no final de fevereiro.

    Doação de seis viaturas blindadas de transporte pessoal do exército para a Brigada Militar

    Pedro Piegas

    Os Urutus têm tração nas seis rodas e são capacitados para guiar em praticamente todo o tipo de terreno. Além disso, contam com uma blindagem que suporta rajadas de metralhadora e tiros de fuzil.

    Por mais de 50 anos, os Urutus foram empregados nas fileiras do Exército. Atualmente, porém, estão sendo substituídos por outro blindado mais moderno, o Guarani, que tem design modular e permite a incorporação de diferentes armas, sensores e sistemas de comunicações no mesmo carro.

    O governador Eduardo Leite destacou que, além do reforço na segurança pública, o uso dos blindados também será imprescindível no enfrentamento de catástrofes climáticas. Ele relembrou das enchentes de maio para exemplificar a questão.

    “As doações são muito relevantes no que diz respeito ao enfrentamento da criminalidade, mas também vão servir como suporte em situações extremas, como a que vivemos no ano passado. Isso materializa uma parceria que vai muito além dos veículos. Sabemos que podemos contar com o Exército sempre que o Rio Grande do Sul precisar. Estamos em barcos distintos, mas remamos para a mesma direção”, pontuou o chefe do Executivo Estadual.

    Somados aos veículos, a BM ainda recebeu 20 fuzis automáticos leves (FAL) calibre 7.62 milímetros. Originalmente produzido na Bélgica, o FAL se popularizou entre exércitos durante a Guerra Fria, sendo usado em mais de 90 países.

    De acordo com o Comandante Militar do Sul, general Hertz Pires do Nascimento, o assalto no Aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, evidenciou a importância de equipar as forças policiais. O crime ocorreu no dia 19 de junho do ano passado e resultou na morte do 2º sargento da BM, Fabiano Oliveira, aos 47 anos. Os assaltantes conseguiram levar quase a metade dos R$ 30 milhões de um banco que chegavam ao terminal e seriam transportados por um carro-forte.

    “O assalto no aeroporto foi uma ação em que os criminosos utilizaram armamento pesado. Isso nos chamou atenção. O que estamos fazendo [com a doação] é apenas um grão de areia, mas certamente vai ajudar os policiais. Todos nós temos que ter consciência da importância da segurança pública para a sociedade gaúcha”, enfatizou o general Hertz Pires.

    Caminhão divulga Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança no RS

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    Veículo foi estilizado com cores da Brigada Militar e logo do Piseg

    Marcel Horowitz Correio do Povo

    Um caminhão com as cores da Brigada Militar circula por estradas gaúchas. O veículo também foi estilizado com o logo do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg) e mapa do Rio Grande do Sul. A Iniciativa é da Cooperativa de Transportes de Produtos Líquidos (Cooperlíquidos).

    A ação simboliza o compromisso dos cooperativados com a segurança e a recuperação do RS pós-enchentes. Além disso, ainda é uma forma de divulgar o Piseg e incentivar a adesão de mais empreendedores ao programa.

    Lançado em 2019, o Piseg possibilita a empresários destinar até 5% do saldo devido de ICMS ao Estado para aplicações em compra de itens às forças policiais.

    “É um recurso que nos possibilita adquirir mais equipamentos, como armas, munições, capacetes, coletes balísticos, câmeras, viaturas, entre outros”, explicou o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves, comandante do 15º BPM, unidade responsável por Canoas e Nova Santa Rita, na Região Metropolitana.

    O Piseg foi criado pela Lei nº 15.224, de 10 de setembro de 2018. Após ter sido aprovado na Assembleia Legislativa, teve a primeira regulamentação publicada em 4 de dezembro do mesmo ano. Em abril de 2019, com a articulação da Secretaria da Segurança Pública (SSP), obteve a aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que tem sido renovada periodicamente desde então.

    JCB Serviço – Valores esquecido na conta do antigo PIS-Pasep, saiba como consultar

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    Cerca de dez milhões de brasileiros têm dinheiro esquecido na conta do antigo PIS-Pasep e vão poder sacar o valor a partir do fim deste mês.

    São mais de R$ 26 bilhões esquecidos. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de dez milhões de brasileiros têm direito a retirar o dinheiro. Até agora, apenas 18.800 pessoas deram entrada com o pedido de resgate.

    Os valores serão pagos a quem trabalhou com carteira assinada entre 1971 e 1988, quando o antigo modelo do PIS-Pasep foi substituído pelo atual.

    O valor do saque depende do tempo e do salário que a pessoa recebia na época. O Ministério da Fazenda calcula que, na média, são R$ 2.800 por pessoa.

    Como consultar

    • Acesse o site  repiscidadao.fazenda.gov.br
    • Depois de acessar o site, aperte o botão entrar com gov.br.
    • Em seguida, digite o CPF e a senha do govbr.
    • O site vai pedir também um código de acesso, que é gerado pelo próprio aplicativo govbr.
    • Depois é preciso digitar o NIS, o número de identificação social. Esse número está na carteira de trabalho e pode ser encontrado também no extrato do FGTS, no Cartão Cidadão, no portal Caixa Trabalhador e no CadÚnico e para Brigadianos no Portal RHE
    • Então, é só clicar em pesquisar. Se você tiver direito ao dinheiro, o aplicativo ensina as próximas etapas.

    A consulta também continua sendo feita pelo aplicativo do FGTS.

    Os pagamentos começarão a partir do dia 28 de março.

    “A maioria dessas pessoas vão ser herdeiras, na verdade, a grande parte, porque em 1988 o fundo congelou, ele deixou de receber aportes. Então, assim, poucas pessoas que deixaram de trabalhar, você tem nesse universo muitas pessoas que já faleceram”, comenta Juliana Falcão, subsecretaria de gestão, tecnologia da informação e orçamento do Ministério da Fazenda.

    O pagamento do dinheiro que ficou no antigo fundo PIS-Pasep não tem qualquer ligação com o pagamento do abono salarial do PIS-Pasep.

    O abono salarial deste ano será pago aos trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que trabalharam em 2023 por, pelo menos, trinta dias e receberam, por mês, no máximo, dois salários mínimos.

    Brigada Militar socorre bebê de quatro dias que estava engasgado

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    Criança foi levada ao quartel com a respiração comprometida e quase sem sinais vitais

    William Mansque GZH

    Uma bebê com quatro dias de vida foi salva pela Brigada Militar no final da manhã deste sábado (15), em Canoas, após engasgar com leite materno. O pedido de socorro foi feito pelos pais da criança, que foram ao quartel do 15° Batalhão de Polícia Militar (15°BPM).

    A filha do casal, Maria Alice, estava em situação crítica quando chegou ao quartel, por volta das 10h15min. Apresentando a pele pálida, a bebê estava com a respiração comprometida e quase sem sinais vitais. 

    A soldado Fernanda Stein estava na guarda quando os pais pediram socorro. Então, ela solicitou ajuda da soldado Lisiane Klaus, que aplicou a manobra de Heimlich — procedimento para desobstruir a respiração.

    — A gente fica meio apreensiva, mas deu tudo certo. Logo chegou o sargento (Rudibeldo Ohlweiller), que auxiliou a gente naquele momento. Graças a Deus ocorreu tudo dentro da melhor forma possível — relata.

    Após a manobra, a bebê voltou a ter os sinais vitais. As vias aéreas foram desobstruídas e a respiração restabelecida. Em seguida, a criança foi encaminhada em uma viatura do Corpo de Bombeiros para atendimento hospitalar.  

    Lisiane conta que foi a primeira vez que utilizou a manobra em atendimento policial. Porém, ela já recorreu ao procedimento com seu filho enquanto amamentava. Ao perceber que ele engasgou com o leite,  a mãe pôs em prática o que aprendeu nos treinamentos da BM. 

    — É muito importante também que os médicos passem essa manobra para as mães no pré-natal, ou que seja divulgada. É uma situação comum, e, às vezes, apenas virando a cabeça da criança para baixo tu consegues desengasgar ela — diz Lisiane.

    Em nota, a Brigada Militar destacou que a “ação rápida, eficiente e crucial dos policiais militares SGT. PM Ohlweiler de folga, SD PM Fernanda e SD PM Lisiane em serviço, foram fundamental para salvar a vida da criança”. 

    O comunicado acrescenta que a atitude dos três “reafirma o compromisso da corporação de agir com prontidão e dedicação em qualquer situação, garantindo a segurança e o bem-estar da comunidade”.

    Conclusão do julgamento pode reduzir contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados do serviço público

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    Mesmo depois de 5 anos de espera, o julgamento final das 13 ações que questionam a constitucionalidade de pontos importantes da reforma da previdência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Emenda Constitucional nº 103/2019 – segue sem data para acontecer no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Se prevalecer sobre o entendimento do ministro Luís Roberto Barroso, atual presidente do STF e relator do processo, o voto divergente do ministro Edson Fachin pode desencadear a redução da contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados do serviço público federal, mas com a possibilidade de impactos semelhantes para aposentados e aposentadas dos serviços públicos de Estados e Municípios.

    O Ministro Gilmar Mendes, último a pedir vistas do processo e único membro do Plenário que não votou, devolveu os autos no dia 23 de outubro de 2024. Mas, até agora, o atual presidente do Supremo, ministro Barroso, ainda não incluiu o julgamento na pauta do Plenário.

    Independentemente do voto de Gilmar Mendes, 10 dos 11 votos de ministros e ministras que compõem o Plenário já formaram maioria pelo fim da contribuição extraordinária (7×3), pela redução da base de cálculo sobre a qual incide a contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados (6×4) e contra a mudança na base de cálculo da aposentadoria de mulheres (7×3).

    Já o fim da imunidade do duplo teto (0x10) e a mudança do cálculo da pensão por morte (0x10) tiveram a constitucionalidade definida. Ainda que mudanças de voto possam acontecer, do jeito que está hoje, a única questão a ser definida pelo voto de Gilmar é a inconstitucionalidade da alíquota progressiva (5×5).

    BySINJUSC 

    Polícia gaúcha recebe novos delegados em meio à queda no efetivo

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    Turma de 19 formandos foi recepcionada na sede da Associação dos Delegados do RS

    Marcel Horowitz Correio do Povo

    Uma turma de 19 novos delegados será incorporada às fileiras da Polícia Civil gaúcha. Na noite de quinta-feira, o grupo foi recebido na sede da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep), no bairro Azenha, em Porto Alegre. O reforço dá folego ao efetivo, mas a oscilação no número de profissionais ainda preocupa a categoria.

    O grupo é oriundo do último concurso público, realizado em 2018, pelo Executivo Estadual. A expectativa é de que os recém-formados na Academia de Polícia (Acadepol) passem a integrar a segurança pública ainda no primeiro semestre do ano.

    De acordo com informações da Asdep, o histórico recente do quadro de delegados na ativa apresentou oscilação nos últimos 10 anos. Em 2015, havia 524 membros da classe em atuação no Estado. Já em 2019, o número caiu para 435, o menor da década.

    O levantamento mais recente é de março e atesta que há 498 delegados em atividade em solo gaúcho. Agora, com os formandos, o contingente chegará a 517.

    Na visão do presidente da Asdep e ex-chefe de Polícia, Guilherme Wondracek, o reforço na segurança pública merece ser celebrado, mas o atual quadro ainda está longe de ser o ideal. Ele aponta a falta de valorização como principal causa do baixo efetivo.

    “O mundo do crime está cada vez mais organizado. Na contramão disso, temos uma polícia pouco valorizada e com queda no número de profissionais. Isso é um problema que pode afetar a qualidade do trabalho da Polícia Civil como um todo, o que, consequentemente, também atinge a população”, avaliou o delegado Wondracek.

    A evasão ainda pode ser observada em outros cargos da PC. Conforme o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores do RS (Ugeirm), em 2023, foram 61 exonerações, agravadas por mais 48 no ano passado. Como se isso não bastasse, desde o último mês de janeiro, ocorreram outras 19.

    O vice-presidente do Ugeirm, Fábio Nunes Castro, indica que a média de exonerações em 2025 é de uma a cada quatro dias. Ele também aponta a falta de valorização como motivo do cenário atual.

    “Nesse ritmo, teremos um recorde nunca visto de exonerações na polícia gaúcha. Isso é resultado dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho. Na semana passada, por exemplo, houve um novo princípio de incêndio, desta vez na DP de Camaquã. A situação pela qual atravessam os profissionais da segurança pública é catastrófica”, enfatizou o vice-presidente do Ugeirm.

    Luciano Lindemann assume comando da Polícia Penal: “foco na ressocialização”

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    Novo superintendente garante não medir esforços para expandir a mão de obra prisional

    Marcel Horowitz Correio do Povo

    Luciano Lindemann é o novo superintendente da Polícia Penal. A nomeação foi publicada em edição do Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira, mas o processo de transição já ocorria desde a semana passada. Antes dele, Mateus Schwartz, indicado por Eduardo Leite, ocupava o cargo.

    De acordo com Lindemann, um dos desafios da gestão é aprimorar as relações pessoais, de forma humanizada. Outro, é manter o crescimento do efetivo.

    O novo superintendente também garante não medir esforços rumo à ressocialização da massa carcerária. Ele aposta na mão de obra prisional para recuperar os detentos.

    “Nosso foco é ressocialização e trabalho prisional. Vamos criar mais perspectivas aos egressos, para que eles consigam garantir o próprio sustento e, assim, começar uma nova vida”, destaca Luciano Lindemann.

    Nascido em Porto Alegre, Lindemann tem formação em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e em Gestão de Segurança Pública pela Universidade do Sul de Santa Catarina, além de especialização em Gestão Integrada da Segurança Pública pela mesma instituição.

    Ele começou no sistema prisional em 2007, no cargo de agente penitenciário da então Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Atuou na Penitenciária Modulada Estadual de Osório e, como chefe de segurança, no Presídio Estadual de Taquara.

    O gestor também foi delegado titular da 1ª Região Penitenciária e diretor de unidades. Ele comandou o Instituto Penal de Canoas, Presídio Estadual de São Leopoldo, Departamento de Segurança e Execução Penal, Instituto Psiquiátrico Forense e, por último, a Cadeia Pública de Porto Alegre, o antigo Presídio Central.

    Luciano Lindemann atuou diretamente na última etapa de transferência de presos do velho Central, em 2024. O processo realocou mais de 1,5 mil detentos a casas prisionais na Região Metropolitana e em Charqueadas.

    “Assumo o novo cargo com o compromisso de seguir no fortalecimento da segurança do nosso sistema prisional, promover a ressocialização dos apenados e manter um diálogo constante com nossos servidores. Agradeço ao secretário Viana e ao governador Eduardo Leite pela oportunidade. Estaremos abertos ao diálogo e à construção de soluções conjuntas com os servidores, sempre com o objetivo de fortalecer a Polícia Penal como instituição essencial à segurança pública do Rio Grande do Sul”, finaliza o superintendente.

    “Tu não é mais soldado, tu é chefe da tropa”: líderes de facções fizeram treinamento com lideranças para evitar guerra em São Leopoldo

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    Prática foi descoberta pela Polícia Civil durante investigações que resultaram na Operação Liberdade, realizada nesta sexta-feira (14)

    Vinicius Coimbra GZH

    Duas facções criminosas fizeram treinamento de lideranças e promoveram resolução de conflitos para evitar uma guerra por pontos de tráfico de drogas em São Leopoldo, no Vale do Sinos. 

    A prática foi descoberta pela Polícia Civil durante investigações que resultaram na Operação Liberdade, realizada nesta sexta-feira (14). Quinze pessoas foram presas até o meio-dia, algumas delas em flagrante. Destas, seis já estavam detidas.

    — Era nos moldes de coach. Uma liderança que está no sistema prisional mandou áudios para os seus subordinados, que também são de outras casas prisionais, para controlar quem está nas ruas e não entrar em conflito com a organização criminosa rival — resumiu o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo.

    Conforme o delegado, essa prática foi identificada pela primeira vez nas investigações do tráfico de drogas na região. O método adotado é uma demonstração de “organização” dos dois grupos criminosos, segundo o delegado.

    — Os áudios chegam a ser anedóticos, de tão didáticos que as lideranças foram com seus subordinados. Esse material foi repassado até chegar na rua para os traficantes. O peculiar é que foi exitosa: através dessa mentoria, não houve conflito entre as duas organizações criminosas, que continuaram traficando, cada um respeitando sua área territorial delimitada — acrescentou o delegado.

    Diálogos

    Em três áudios obtidos pela investigação, um líder de facção, recolhido no sistema prisional, ordena mudança de postura frente a uma ameaça de ataque a rivais endossada por outros integrantes da organização criminosa. 

    Gerente do ponto de tráfico:

    É, tão tudo armado, tem que forma um time, chega e mete bala em tudo esses caras aí meu, forma um time e já vamo pica eles tudo a tiro, tão tudo armado também ali, vamo mete bala neles, tão se fazendo…

    Dono do ponto de tráfico:

    É brabo, querendo gavar, tirar foto, vai ver só, vai tomar paulada, tá traficando, tá sujeito a tomar paulada também, até tomar um tiro na cara.

    Líder de facção:

    Não é por eu tá certo, é que eu penso assim ó meu, tu tá respondendo uma boca de milhão, tu não é soldado cara, e daí tu tá agindo como soldado, daí tipo não tem como, não tem como, tipo assim ó, tu não é mais soldado cara, tu é o dono da boca irmão, então tu tem que agir como o dono da boca, como é que tu achar assim que o chefe dos [nome de facção], o chefe dos [nome de facção], o chefe dos [nome de facção], tu acha que eles entram pra guerra? Eles só se conversam. Quem que entra pra guerra? Os soldados. Daí eles vão lá, se matam, se matam, se matam, aí depois tu, o outro e o outro lá se conversam. Até aqueles que morreram ali não vão ser nem reconhecidos porque morreram, mas morreram por tua causa, por minha causa, por causa de outros né, mas como não eram ninguém, que que vamos fazer? Aquilo ali não era nada, só que não é assim que o cara prega, por isso que eu tento deixar vocês que já tocam as boca maior. Ó meu, …, ó, tu tá conversando com cara negociador, tu não tá conversando com soldado, então com cara negociador tu tem que ser inteligente cara, entendeu, tu não tá mais falando ali com soldadinho, com biqueirinho, com o cara que vendia contigo do teu lado ali, não meu, tu não é mais soldado, tu é chefe da tropa.

    Como a apuração foi feita

    As investigações da operação tiveram início em setembro de 2023. Em 14 de novembro de 2024, após uma apreensão de drogas e de prisões de dois traficantes, a Polícia Civil conseguiu identificar a postura adotada por 13 indivíduos, entre eles lideranças das duas facções recolhidas no sistema prisional.

    Na ofensiva desta sexta-feira (14), foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em Sapucaia do Sul, Esteio, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Viamão, Alvorada, Porto Alegre e Portão, além de 13 de prisão preventiva.

    Até as 9h, 12 pessoas haviam sido presas. A ação ainda resultou na apreensão de fuzis, drogas, munições e dinheiro.

    A operação foi realizada em conjunto com o Polícia Penal, que cumpriu ordens judiciais na Penitenciária Estadual do Jacuí, Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro, Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas e Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos.