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Colisão envolvendo viatura da Brigada Militar deixa uma vítima fatal na BR-116, em Vacaria

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Duas mulheres ocupavam um Fiat Palio que colidiu contra a viatura; a caroneira não resistiu aos ferimentos enquanto que a motorista está em estado grave

por Cristiano Gauer Portal Leouve

Acidente com morte na BR-116, em Vacaria Foto: Lucas Barp/Diário de Vacaria

Uma colisão entre uma viatura da Brigada Militar e um Fiat Palio resultou na morte de uma passageira na noite desta segunda-feira (23), na BR-116, km 18.9, nas proximidades de Vacaria. O acidente aconteceu por volta das 19h e envolveu dois veículos que transitavam em sentidos opostos.

De acordo com as autoridades, a viatura da Brigada Militar, ocupada por uma policial, seguia no sentido Lages-Vacaria, enquanto o Fiat Palio, com duas mulheres de 23 anos, transitava no sentido contrário. As causas da colisão ainda estão sendo apuradas. A passageira do Palio não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Já a motorista foi socorrida em estado grave e encaminhada para um hospital da região. A policial sofreu lesões leves.

Perícia e atendimento no local

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) se deslocou de Caxias do Sul até o local do acidente para realizar a perícia e coletar evidências que possam esclarecer o que causou a tragédia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil também prestam apoio, e o trânsito na rodovia está bastante prejudicado devido ao bloqueio parcial para o atendimento da ocorrência.

Investigações e impacto no trânsito

O acidente interrompeu parcialmente o fluxo de veículos na BR-116, e motoristas enfrentam lentidão na região enquanto as equipes de resgate e perícia trabalham. As autoridades estão investigando as circunstâncias que levaram à colisão.

Porsche de R$ 690 mil é empregado como viatura da BM na Serra gaúcha

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Automóvel é fruto de ofensiva contra lavagem de dinheiro

Marcel Horowitz Correio do Povo

BM utiliza Porsche como viatura na Serra gaúcha | Foto: Ricardo Giusti

Um veículo de alto padrão tem sido utilizado como viatura da Brigada Militar na Serra gaúcha. Desde agosto, a frota do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) Hortênsias conta com um Porsche Panamera para rondas do 1º Batalhão de Áreas Turísticas (1ºBPAT). O objetivo é reforçar a presença das forças de segurança nos pontos mais visitados da região.

Avaliado em mais de R$ 690 mil, o automóvel foi apreendido durante uma ofensiva contra lavagem de dinheiro. O emprego do Porsche como viatura ocorreu por meio de uma autorização judicial, que ainda destinou à Polícia Civil um Mercedes-Benz, também recuperado em ação contra branqueamento de capitais.

As viaturas de luxo podem ser vistas por quem caminha pelas ruas de Gramado, Nova Petrópolis, Picada Café, Canela, São Francisco de Paula e Cambará do Sul. De acordo com o comandante do CRPO Hortênsias, coronel Ivens Giuliano, o intuito é ampliar ainda mais as ações preventivas na Serra gaúcha.

“Se for necessário, óbvio que utilizaremos essa viatura para também transportar presos. Ocorre que a ideia é justamente evitar o crime, através de ações preventivas com o automóvel em áreas de maior visitação. São iniciativas como essa que tornam Gramado e região os destinos mais seguros para se fazer turismo no Brasil”, destaca o coronel Ivens Giuliano.

Tribunal de Justiça Militar do RS define lista tríplice para cargo de desembargador militar

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Os advogados Gabriela John dos Santos Lopes, Fabrício Zamprogna Matiello e Jairo Luis Cutinski comporão a lista tríplice para o cargo de desembargador  militar do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul pela regra do Quinto Constitucional. A lista segue agora para apreciação do governador Eduardo Leite. 

A formação da lista foi definida em sessão pública do TJMRS realizada nesta segunda-feira, 23 de setembro.  A sessão foi presidida pela desembargadora militar e presidente do TJMRS, Maria Moura, no plenário do Tribunal, com a participação dos desembargadores militares Sergio Berni de Brum (vice-presidente), Rodrigo Mohr (corregedor-geral), Amílcar Macedo (ouvidor), Fábio Duarte Fernandes (diretor da Escola Judicial) e Paulo Roberto Mendes. A juíza auxiliar da presidência, Viviane de Freitas Pereira, e o procurador do Ministério Público junto ao TJM, Alexandre Lipp João, atuaram como escrutinadores.

Ao final da votação, foram eleitos para a lista tríplice os advogados Gabriela John dos Santos Lopes, Fabrício Zamprogna Matiello e Jairo Luis Cutinski, todos com três votos. Os demais candidatos (Luiz Augusto de Mello Pires, Silvio Eduardo Martins Pinto e Roberto Meza Pereira) receberam dois votos cada.

Texto: Marcelo Nepomuceno/ASCOM-TJMRS | Foto: Andressa Pufal/ASCOM-TJMRS

FONTE: TJMRS

“A resposta será forte”, promete secretário da Segurança sobre guerra do tráfico no interior do Rio Grande do Sul 

Chacinas em Santa Rosa e Arroio dos Ratos preocupam autoridades e comunidades

Andressa Xavier GZH

Segurança Pública do Estado, Sandro Caron. Duda Fortes / Agencia RBS

O mês de setembro começou com uma chacina em Rolante e um triplo homicídio em Alvorada. Agora, chamam atenção duas novas ocorrências. Em Santa Rosa, quatro pessoas mortas dentro de um apartamento. Em Arroio dos Ratos, mais quatro mortos em uma casa.

Os crimes não têm ligação, de acordo com o secretário da Segurança Pública do Estado, Sandro Caron. A motivação, no entanto, é a mesma: a guerra do tráfico, que se alastra pelas cidades do interior com episódios como estes.

Caron promete resposta forte e rápida para os casos desse feriado e fim de semana. Uma das primeiras medidas foi reforçar equipes das Polícias Civil e Militar nos dois municípios.

Embora os dados consolidados de 2024 sejam bons em comparação com o histórico, crimes como estes devem preocupar a todos e a resposta precisa mesmo ser contundente.

Lista tríplice para vaga no Tribunal de Justiça Militar do RS será definida nesta segunda-feira

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Seis advogados pleiteiam indicação para o posto de desembargador

Paulo Egídio GZH

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Será formada nesta segunda-feira (23) a lista tríplice da qual sairá o novo desembargador do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJM-RS). A votação será às 14h, no plenário da Corte.

A vaga pertence à classe dos advogados. Em março, a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) elegeu uma lista sêxtupla, que agora será transformada em tríplice pelos membros do TJM. 

Depois, os nomes serão submetidos ao governador Eduardo Leite, que escolhe o novo desembargador.

Estão na disputa os advogados Gabriela John dos Santos, Fabricio Matiello, Luiz Augusto Pires, Silvio Martins Pinto, Roberto Meza Pereira e Jairo Cutinski.

Entenda o processo

  • Pelo quinto constitucional, que reserva 20% das cadeiras de tribunais a membros do Ministério Público e da advocacia, a OAB-RS tem direito a indicar um desembargador para o Tribunal de Justiça Militar.
  • A vaga foi aberta após a indicação de Fernando Lemos para a presidência do Banrisul — antes, ele era desembargador do TJM.
  • Qualquer advogado poderia manifestar interesse em concorrer à lista sêxtupla. As inscrições se encerraram em agosto.
  • Em novembro de 2023, a OAB-RS publicou a lista de candidatos habilitados e inabilitados.
  • Na sequência, ocorreu a votação da lista sêxtupla, ou seja, a escolha dos seis nomes mais votados pelo Conselho da OAB-RS.
  • A relação com os seis candidatos foi enviada ao Tribunal Pleno do TJM, a quem caberá definir a lista tríplice (três nomes).
  • A última palavra sobre a escolha para ocupar a vaga de desembargador militar caberá ao governador Eduardo Leite, após o recebimento da lista tríplice.
  • Por fim, a decisão é publicada no Diário Oficial e o/a escolhido/a toma posse como desembargador do TJM.

Homenagem ao Instituto Geral de Perícias

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No dia 16/09 a direção do Correio Brigadiano realizou visita ao Instituto Geral de Perícias.

A visita teve como objetivo principal a formalização do convite para homenagem a Sra Diretora-Geral Marguet Inês Hoffmann Mittmann e servidores do instituto no evento Destaques da Segurança Pública a ser realizado no dia 28 de setembro no salão social da ASSTBM no bairro Partenon em Porto Alegre.

Na oportunidade, a Diretora-Geral apresentou as instalações do IGP, que conta com investimentos significativos seja do governo do estado ou por meio de convênios com o governo federal.

Foram apresentadas divisões de vital importância, como a Divisão de Genética Forense; Divisão de Balística Forense; Departamento de Perícias Laboratoriais e outros, que consubstanciam na maioria dos casos provas indispensáveis para elucidação de crimes.

No IGP existe ainda uma equipe de plantão 24 horas para atuar em local de crime.

A estrutura do Instituto Geral de Perícias do RS é o melhor equipado e mais eficiente do país, sendo reconhecido nacionalmente, sendo composta por 05 departamentos.

Departamento de Perícias Laboratoriais

Departamento de Perícias do Interior

Departamento de Criminalística

Departamento Médico-Legal

Departamento de Identificação

O diretor da Rede ABC da Segurança – Correio Brigadiano, Gilson Noroefé, em conversa com a Diretora Marguet ajustou a possibilidade de uma reportagem exclusiva sobre o trabalho do IGP.

Ficou garantida a presença do IGP neste grande evento que irá destacar os servidores da segurança pública.

DGT contribui para números de roubos em cidades do Estado chegarem a estatísticas europeias

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Empresa de Estância Velha, responsável pela tecnologia de zona segura, foi homenageada nos 50 anos do CPC (Comando de Policiamento da Capital) pelo trabalho desenvolvido.

A tarde de segunda-feira, 16, foi marcada pela comemoração da qualidade de vida e sensação de segurança na capital. Durante o evento dos 50 anos do CPC (Comando de Policiamento da Capital), a DGT – Tecnologia em Segurança foi homenageada por contribuir para números positivos do Programa RS Mais Seguro. “Reduzimos 56% o número de roubos a pedestre e veículos nos 23 municípios que fazem parte do programa. Outros números seguem caindo, como latrocínio e feminicídio, e estamos próximos aos índices europeus de homicídio a cada 100 mil habitantes”, explica o Coronel Luciano Moritz Bueno. Os resultados são os menores índices conquistados desde 2010. “Nós celebramos porque, efetivamente, são os menores índices criminais da série histórica que tem sido vislumbrados aqui, tanto no Estado e, especialmente, no Comando de Polícia da Capital, que hoje faz 50 anos. E esse é um momento que nós podemos celebrar e enaltecer o trabalho de cada policial militar e de cada força de segurança, que, aliada à Brigada Militar, tem trazido esse resultado para a sociedade gaúcha, que deve se sentir cada vez mais segura”, defendeu o comandante-geral da Brigada Militar, Coronel Cláudio dos Santos Feoli.

A DGT, empresa de tecnologia em segurança, foi reconhecida por trabalhar otimizando e contribuindo para todo o trabalho já desenvolvido pela segurança pública, através dos projetos de cercamento eletrônico e videomonitoramento. “É um conceito de zona segura: estamos evoluindo para a câmera que não serve só para o pós-delito, mas também evita o crime. São câmeras que têm o mesmo efeito de uma viatura parada e que estão identificando o comportamento do indivíduo. A DGT está nos proporcionando chegar a um nível de excelência no estado. Tal tecnologia já foi inclusive replicada por diferentes estados norte-americanos”, salienta o Secretário de Segurança Pública do município de Porto Alegre, Tenente Coronel Alexandre Aragon.

Na ocasião, os sócios Lucas Arruda e Mauricio Loeser foram agraciados. “Para a DGT é um imenso orgulho contribuir para o alcance de números históricos. Sabemos o quanto a tecnologia aliada a segurança pode contribuir para a qualidade de vida das nossas cidades”, destacam. A DGT busca a excelência na entrega de seus projetos com o objetivo norteador de tornar lugares melhores para a gente ser melhor.

Texto: Maiara Sparrenberger – Assessoria de Imprensa da DGT

Mauricio Loeser, Coronel Cláudio Feoli e Lucas Arruda

Corpo de Bombeiros Militar terá homenagem do Correio Brigadiano.

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Em reunião na sexta-feira, dia 13/09, no QCG do Corpo de Bombeiros foi entregue formalmente o convite para o evento Destaques da Segurança Publica a ser realizado no dia 28 de setembro.

A direção do ABC da Segurança Pública, Correio Brigadiano foi recebida pelo Comandante-Geral Coronel Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues que parabenizou pela brilhante ideia de homenagear este segmento indispensável para a sociedade.

O Corpo de Bombeiros Militar tem a atribuição constitucional de prevenção e o combate de incêndios, a busca e salvamentos e defesa civil no âmbito do Estado do rio Grande do Sul. Nos desastres climáticos iniciados em abril, por exemplo, o corpo de bombeiros tiveram um trabalho exaustivo, seja no resgate de pessoas mas também na procura de corpos que foram vitimados pela catástrofe.

– Nossos militares tiveram uma dedicação permanente durante o episódio, sendo a força pública que passados alguns meses ainda atua na busca por corpos que desapareceram comentou o comandante.

Gilson Noroefé destacou em mais este encontro com os gestores da Segurança Publica do RS que o evento de homenagens é organizado por uma rede de comunicação mas o reconhecimento pretendido é da sociedade gaúcha.

Após o evento que acontece na ASSTBM no Bairro Partenon, haverá um jantar de confraternização e o Baile animado pela Sax Bando Show aberto ao público.

Policial militar gaúcho vence competição internacional do Combate Tático Desarmado

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Representando a Brigada Militar, Jardel Martins da Silva venceu na categoria até 85 quilos

Representando a Brigada Militar, Jardel Martins venceu uma das maiores competições de combate policial e militar do mundo – Foto: Divulgação

O policial militarJardel Martins da Silva sagrou-se campeão em sua categoria na 5.ª edição do Combate Tático Desarmado (CTD), realizada em Balneário Camboriú, no último sábado (7/9).

O militar gaúcho demostrou técnica e precisão na competição, garantindo o 1.o lugar na categoria até 85 kg. Representando a Brigada Militar em uma das maiores competições de combate policial e militar do mundo, Jardel Martins é segundo-sargento e está lotado da Corregedoria-Geral. Ele também é instrutor de defesa pessoal nos cursos de formação da instituição.

 “O Combate Tático Desarmado é fundamental para o policial, pois transporta a realidade enfrentada no dia a dia para o ambiente controlado de uma competição. Nessa arena, o operador de segurança pública tem a oportunidade de aplicar todo o seu treinamento e suas habilidades, visando superar seu oponente de forma estratégica e eficaz”, destaca Jardel.

 No total, três militares da Brigada Militar participaram do torneio em diferentes categorias, o soldado Rafael Schimidt (40.o BPM) e o soldado Levi Panho (25.BPM). O Combate Tático Desarmado está presente em mais de 70 países e utiliza o jiu-jitsu como principal modalidade. As lutas ocorrem em um tatame coberto de barro e pedras, e os participantes vestem coturno e uniforme militar, intensificando o desafio de aplicar as técnicas em situações que simulam condições reais de combate.

Neste ano, a competição tornou-se internacional, tendo a presença de representantes da Força Aérea e da Special Weapons and Tactics (SWAT), dos Estados Unidos da América, e da Argentina.

Edição: Anelize Sampaio/Ascom – SSP
Revisão Técnica: Elen Azambuja/Ascom – SSP

SSP/RS

A zona cinzenta do mercado de proteção brasileiro: o caso do bico policial

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Participação de agentes públicos na gestão de empresas de segurança ou na prestação direta de serviços de proteção é proibida pelas organizações policiais brasileiras, mas é fenômeno disseminado. Pesquisa do FBSP aponta que até 31 milhões de pessoas contam com esse tipo de serviço em seus bairros

Cleber Lopes Fonte Segura 

Professor da Universidade Estadual de Londrina e Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança (LEGS)

Embora a segurança seja provida pelo Estado como um bem coletivo, ela também é uma mercadoria transacionada no mercado. Em muitas partes do mundo, o mercado de segurança privada ocupa mais pessoas do que o setor de segurança pública. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, por exemplo, mostrou que no primeiro trimestre daquele ano o número de pessoas ocupadas como segurança no Brasil, estimado em torno de 1 milhão e 100 mil pessoas, era 1,4 vez maior do que o número de pessoas ocupadas no setor de segurança pública. Cerca de 55% desses seguranças atuavam à margem da regulação e do controle que o Estado exerce, via Polícia Federal, sobre o setor de segurança privada (estimativa de 600 mil seguranças não controlados).

Esses dados indicam uma característica marcante do mercado de proteção brasileiro, que é o baixo controle que o Estado exerce sobre ele. Entretanto, os dados revelados pelo Anuário de 2022 não mostram a parte mais preocupante e sintomática dessa ausência de controle, que é o envolvimento ilegal de agentes do próprio Estado na organização e/ou prestação de serviços de segurança privada – o chamado bico policial. A “Pesquisa de Vitimização e Percepção sobre Violência e Segurança Pública”, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pela Folha de S. Paulo ao Instituto Datafolha, traz algumas informações inéditas sobre essa zona cinzenta do mercado de proteção brasileiro e suas consequências.

O bico policial na segurança privada

A participação de agentes públicos na gestão de empresas de segurança ou na prestação direta de serviços de proteção é proibida pelas organizações policiais brasileiras. Entretanto, é um fenômeno disseminado. A pesquisa mediu a exposição das pessoas ao bico policial por meio da seguinte pergunta: “O seu bairro conta com a oferta de serviços de vigilância privada prestados por policiais de folga?”. Segundo o levantamento (Gráfico1), 18% dos entrevistados responderam “Sim”. Considerando a margem de erro de 2% da pesquisa, a estimativa é de que entre 26 e 31 milhões de pessoas com 16 anos ou mais morem em bairros onde há policiais fazendo bico como segurança. Não há dúvida de que essa é uma estimativa conservadora. Como o bico na segurança é uma atividade irregular, os policiais prestam serviços de maneira velada, isto é, sem uniforme e com a arma encoberta, o que cria dificuldades para a sua identificação pelas pessoas. Mesmo assim, os dados apontam para um fenômeno com penetração na sociedade brasileira.

Gráfico 1. O seu bairro conta com a oferta de serviços de vigilância privada prestados por policiais de folga?

Fonte: FBSP/Folha de S. Paulo, Instituto Datafolha

Como explicar que uma atividade ilegal como o bico policial possa ser tão enraizada? A resposta a essa indagação deve ser buscada tanto no lado da demanda por proteção quanto no da oferta. O Brasil tem altas taxas de crimes contra o patrimônio e demanda elevada por proteção. Nesse contexto, os policiais são um ativo valorizado por muitos no mercado de proteção. Podem ser empregados informalmente para prestar serviços de segurança em seu horário de folga sem grandes riscos trabalhistas, afinal, a ilegalidade do bico inibe a busca por direitos trabalhistas. Além disso, os policiais podem oferecer recursos que não estão disponíveis às suas contrapartes privadas (os vigilantes) da mesma forma: o porte de arma (mesmo fora de serviço), o treinamento investido neles, o contato privilegiado com outros policiais e o poder legal para impor a lei. Em conjunto, esses recursos também contribuem para dotar os policiais de poder simbólico, ou seja, a capacidade de serem vistos como portadores de soluções “mágicas” para problemas de segurança.

Os dados da pesquisa indicam que a magia policial encanta principalmente os setores de maior renda. A proporção de pessoas que relatou ter no bairro policiais de folga prestando serviços de segurança é maior entre aqueles que têm renda familiar acima de 10 salários mínimos: diferença de 12.2% na comparação com quem tem renda familiar até 2 salários.

Gráfico 2. Oferta de serviços de vigilância prestados por policiais de folga no bairro x renda familiar dos entrevistados

Fonte: FBSP/Folha de S. Paulo, Instituto Datafolha

Pelo lado da oferta, o bico policial na segurança precisa ser entendido à luz do fato de que é uma atividade tacitamente autorizada dentro das polícias. No dia a dia a atividade não é fiscalizada. Impera um controle do tipo alarme contra incêndio, isto é, punições são aplicadas apenas contra casos denunciados ou de grande repercussão. Isso ocorre porque o bico é visto como uma forma legítima – embora ilegal – de os policiais aumentarem seus rendimentos, especialmente nas capitais e regiões metropolitanas, nas quais os custos de vida são mais elevados. De fato, os dados da pesquisa encomendada pelo FBSP ao Datafolha sugerem que o bico é realmente mais prevalente nesses locais (Gráfico 3). Entre os moradores de capitais e regiões metropolitanas, 21% relataram a existência de policiais prestando serviços de segurança em seus bairros, enquanto que, entre moradores de cidades do interior esse número foi de 16%[1].

Gráfico 3. Oferta de serviços de vigilância prestados por policiais de folga no bairro x local de residência dos entrevistados

Fonte: FBSP/Folha de S. Paulo, Instituto Datafolha

Na prática, existe no Brasil uma política informal que autoriza a participação dos policiais na segurança privada, de modo que possam aumentar seus rendimentos individuais sem que o Estado arque com os custos disso. Ocorre que essa política não exerce nenhum controle público sobre essa participação e traz diversas consequências indesejáveis.

Consequências do bico policial na segurança privada

O bico policial na segurança privada compromete a qualidade dos serviços de segurança pública, criando conflitos de interesse, aumentando o estresse do policial e seu risco de vitimização. No bico os policiais costumam trabalhar sem a retaguarda de outros policiais, sem uniformes e equipamentos de proteção adequados, tornando-se assim mais vulneráveis a confrontos letais com criminosos. Esse é um dos motivos pelos quais os policiais brasileiros são mais vítimas de violência letal intencional fora de serviço do que no serviço. Em 2023, por exemplo, 60% dos policiais civis e 57% dos policiais militares vítimas de violência letal intencional foram mortos no horário de folga (Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2024).

Por comprometer as horas de descanso e lazer, o bico também acarreta consequências para a saúde mental dos policiais. Ele é um estressor adicional que impacta diretamente a vitimização por suicídio, que em 2023 foi a principal causa de morte de policiais no Brasil, superando as mortes por confronto na folga e por confronto no serviço (Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2024).

O bico policial também prejudica o setor regular de segurança privada, que tem que enfrentar a concorrência predatória de organizações informais de policiais. Como essas organizações se apropriam de recursos públicos que são usados para fins privados e não seguem as regras trabalhistas e do setor de segurança privada, podem praticar preços contra os quais as empresas de segurança não conseguem concorrer.

A pesquisa também permite sustentar uma outra consequência do bico policial: a difusão da violência policial e a descaracterização da segurança privada como uma atividade eminentemente preventiva. Seguranças particulares não dispõem dos poderes coercitivos de imposição da lei que é disponibilizado aos policiais. Assim, não buscam aplicar a lei e prender criminosos. Buscam gerenciar riscos e antecipar situações que podem ocasionar problemas de segurança. Agem de maneira preventiva e realizam um policiamento mais consensual[2].

Ocorre que a penetração dos policiais no universo da segurança privada pode fazer com que esse estilo de policiamento característico da segurança privada ceda espaço a um policiamento mais repressivo. Os dados apontam na direção dessa hipótese. Pessoas que relatam haver no bairro policiais prestando serviços de vigilância privada no horário de folga têm uma chance 45% maior de ter presenciado ou ter sido vítima de violência policial. Conforme gráfico 4, a probabilidade de essas pessoas terem presenciado ou sofrido violência policial é de 19%, enquanto que os que disseram não ter no bairro policiais prestando serviços de segurança é de 14% (gráfico 4).

Gráfico 4. Probabilidade de uma pessoa presenciar ou sofrer violência policial (em %)

Fonte: FBSP/Folha de S. Paulo, Instituto Datafolha

Ao atuar na segurança privada, os policiais levam da sua organização não apenas a arma de fogo e as redes de contato. Levam também a sua maneira de pensar e promover a segurança, que é orientada pela ideia de guerra ao crime e de uso da violência como mecanismo de controle social. Assim, uma outra consequência da atuação ilegal de policiais na segurança privada é a ampliação da violência policial. Daí a associação entre percepção de bico policial e violência policial captada pela pesquisa do FBSP e da Folha de S. Paulo com o Datafolha.

Embora o emprego ilegal de policiais em atividades de segurança privada seja uma demanda de parte da sociedade, uma atividade economicamente vantajosa para os policiais e politicamente conveniente para as autoridades da área de segurança pública, ele traz várias consequências indesejáveis para a área de segurança e para a sociedade. Assim, o bico policial é um problema que precisa estar na agenda brasileira da área de segurança pública.

Referências
ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA 2022. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ano 16, 2022. ISSN 1983-7364.
ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA 2024. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ano 18, 2024. ISSN 1983-7364.
LOPES, C. da S. Segurança privada e direitos civis na cidade de São Paulo. Sociedade e Estado, v. 30, n. 3, p. 651–671, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-69922015.00030004. Acesso em: 2 ago. 2024.
OLIVEIRA, P.; PAES-MACHADO, E. Itinerant Bubbles: hybrid carnival security and privatisation of public spaces. International Journal of Comparative and Applied Criminal Justice, v. 46, n. 1, p. 31–48, 2021. Disponível em:
Anexo

Tabela 1: Modelo de regressão logística sobre violência policial percebida ou sofrida

Razão de ChanceIntervalo de Confiança
(Intercept)0.11***0.080.15
Bico policial1.45*1.091.94
Renda familiar até 2 SM (ref.)
Renda familiar de 2 à 5 SM1.360.902.05
Renda familiar de 5 a 10 SM1.270.891.82
Renda familiar acima de 10 SM1.040.771.42
Capital ou RM1.44**1.131.82
Idade 16 a 24 (ref.)
Idade 25 a 340.33***0.240.45
Idade 35 a 440.810.601.09
Idade 45 a 590.940.721.22
Idade 60 ou mais0.79.0.601.02
Sexo masculino1.46**1.151.87
Cor preta ou parda1.220.951.57

Nota: . p < 0.1; * p < 0.05; ** p < 0.01; *** p < 0.001

[1] Policiais trabalhando como seguranças em horários de folga são mais facilmente identificáveis em cidades menores onde as relações sociais são mais pessoais. Isso introduz um viés que infla os dados de percepção do bico policial no interior na comparação com capital e região metropolitana. Mesmo assim, os dados da pesquisa FBSP/Datafolha captam maior percepção do bico policial nas capitais e regiões metropolitanas, o que realmente sugere a maior prevalência do fenômeno nessas localidades.
[2] Isso não quer dizer que a atuação de seguranças não desafia a cidadania. Seus poderes são diferentes dos poderes dos policiais, mas amplos o suficiente para violar em massa direitos civis. A esse respeito, ver Lopes (2015).
Nota: Probabilidade estimada com base em regressão logística, que incluiu outras variáveis potencialmente capazes de explicar a violência policial, como renda, local de residência, sexo, idade e cor (ver anexo). Isso significa que o efeito relatado no gráfico reflete a influência específica da variável que mede a existência de bico policial no bairro e a variável que mede a violência policial. Violência policial é uma variável resultante da combinação das respostas “Sim” às seguintes perguntas feitas pelo Datafolha (últimos 12 meses) “Você presenciou uma abordagem violenta por parte da Polícia Militar?”; e “Foi vítima de violência ou agressão por parte das Polícias Civil ou Militar?