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Mediram o tamanho do bico policial no Brasil

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Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra percentual de brasileiros que contam com serviços de vigilância privada prestados por agentes da segurança pública durante sua folga

Humberto Trezzi GZH

Número de vigilantes particulares no Brasil é estimado em torno de 1,1 milhão de pessoas. Karoline Avila / Rádio Gaúcha Zona Sul

Qual o tamanho da segurança privada no Brasil? E quanto dela é feita de forma irregular? O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que congrega especialistas no tema, decidiu quantificar. A primeira resposta saiu no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022. Conforme essa publicação, que é anual, o número de vigilantes particulares no Brasil é estimado em torno de 1,1 milhão de pessoas.

O mesmo estudo, feito com base em entrevistas, estima que 55% desses seguranças não sofrem a regulação e controle do aparato estatal. Essa fiscalização é feita, via de regra, pela Polícia Federal, mas também pelas próprias polícias estaduais. São guardas improvisados, por vezes sem contrato formal de trabalho ou não-regulamentados. Caso se leve em conta a estatística, seriam mais de 600 mil em situação irregular.

Parte desse contingente seria formada por policiais de folga, que não podem firmar contratos de trabalho, porque o regulamento da sua corporação proíbe que façam serviço privado. É o chamado bico.

Pois a FBSP resolveu medir a exposição das pessoas ao bico policial por meio da seguinte pergunta: “O seu bairro conta com a oferta de serviços de vigilância privada prestados por policiais de folga?”. Segundo o levantamento,18% dos entrevistados responderam “Sim”. Considerando a margem de erro de 2% da pesquisa, a estimativa é de que entre 26 e 31 milhões de pessoas morem em bairros onde há policiais fazendo bico como segurança.

A FBSP considera que o tamanho do bico pode ser bem maior, já que, por ser atividade irregular, os policiais prestam serviços de maneira velada, isto é, sem uniforme e com a arma encoberta. Isso cria dificuldades para a sua identificação pelos cidadãos.

Por que o bico é irregular? São várias as preocupações das autoridades quanto a essa atividade. A primeira é que o policial acaba submetido a jornadas exaustivas, ao acumular seu turno de serviço com outro, privado. A segunda é que a possível tendência de os agentes priorizem o patrulhamento de áreas onde seus patrões particulares possuem interesse, o que contraria a máxima de que a lei é para todos. Uma terceira consequência é o risco: ao dispensarem equipamentos de segurança como coletes balísticos e radiocomunicadores, os policiais estão mais sujeitos a perigos.

A alternativa mais acertada para o dilema da clandestinidade do bico é pagar melhor aos policiais. Sabemos que os salários já foram piores, na maioria dos Estados. Mas há quem defenda simplesmente a legalização dessa atividade irregular. É uma discussão necessária.

Correio Brigadiano realiza reunião com a Chefia de Polícia

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No dia 11 de setembro/24 foi realizada reunião com a Chefia de Polícia Civil do RS.

A reunião cumpriu o objetivo de alinhar os detalhes sobre o grande evento a ser realizado no dia 28 de setembro/24, denominado: Destaques da Segurança Pública, destinado a homenagear policiais, gestores e operadores da segurança pública, entidades e empresas que evidenciam apoio e esforços para a consecução de uma melhor condição de segurança para a sociedade gaúcha.

O Presidente da Rede ABC da Segurança Pública, Gilson Noroefé, acompanhado de Clarice Pasqualotto, foram recebidos pelo Sub Chefe de Polícia Del.  Heraldo Chaves Guerreiro, onde ficou definida a formatação de homenagens especificamente relacionado aos policiais civis do RS.

O 1º evento Destaques da Segurança Pública, tende a ser o marco inicial para a realização anual desta atividade.

Gilson Noroefé, entre as justificativas apresentadas à autoridade policial sustentou a necessidade de exalter as atividades policiais que alcançam indices históricos tendo como  principal fator justamente o empenho e dedicação dos servidores.

  • Diversos setores da sociedade, como exemplo a área empresarial, comercial, do agro negócio e outras realizam atividades destinadas a destacar e valorizar seus profissionais, desta forma queremos demarcar também o reconhecimento aos servidores da segurança pública, acrescentou Gilson Noroefé.

O Sub Chefe de Polícia, Delegado Guerreiro, manifestou a satisfação em ver contemplada nas homenagens a Polícia Civil Gaúcha, que somada as demais vinculadas da Segurança Pública apresenta resultados satisfatório à população gaúcha.

Ficou confirmada a presença da chefia de polícia no evento.  

Como a segurança pública no Rio Grande do Sul atingiu os melhores indicadores em uma década e meia

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Últimos dados apontam que 2024 tem o menor número de registros criminais de janeiro a agosto desde o ano de 2010. Tanto em crimes contra a vida quanto contra o patrimônio. Uma das estratégias é a dissuasão focada para evitar homicídios

Humberto Trezzi GZH

Constantes operações das polícias Civil e Militar têm contribuído para redução dos indicadores de crimes. Polícia Civil / Divulgação

Os policiais gaúchos, tanto civis quanto militares e penais, estão orgulhosos. Conseguiram redução nos principais indicadores de crimes em relação ao mesmo período no ano passado, tanto nos delitos contra a vida como naqueles que dilapidam o patrimônio. Isso não só comparando agosto de 2023 com agosto de 2024. O entusiasmo é porque, se totalizados os períodos desses oito primeiros meses, são os melhores números em uma década e meia.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a série histórica aponta que 2024 tem, até agora, os menores números de homicídio, latrocínio,  feminicídio, roubo a pedestre, roubo a estabelecimentos comerciais, roubo de veículos, assalto a ônibus, roubo a banco e abigeatos desde 2010. A expectativa é grande para ver se até o fim do ano essa tendência se confirma. Afinal, na virada de agosto para setembro, ocorreram algumas chacinas na Região Metropolitana e o número de homicídios pode aumentar. Mas o secretário Sandro Caron acredita que são atritos isolados e não se trata de uma guerra entre facções, tipo de evento que costuma fazer saltar os números de crimes contra a vida.

Ouvido pela coluna, o secretário ressalta que os mesmos indicadores de janeiro a agosto também foram reduzidos em Porto Alegre:

– Em relação aos crimes que por muito tempo atormentaram a população gaúcha, como roubos de veículos e assaltos a pedestres, temos uma estratégia muito clara. Aumentaram as ações ostensivas da BM nos pontos quentes em que mais atuam as quadrilhas. E a Polícia Civil tem reprimido de forma intensa a receptação, que atinge o produto do roubo.

Caron ressalta que o programa RS Seguro define todos os locais e horários para reforço no policiamento, com base nos horários e dias em que mais ocorrem assaltos. Um enfoque científico, o que contribui também para evitar latrocínios.

Em relação aos homicídios, oito em cada 10 têm como motivação disputas entre grupos do tráfico ou cobranças de dívidas, também de traficantes. A estratégia passa pela prisão tanto do segundo escalão das quadrilhas quanto dos líderes. E asfixia financeira.

Falamos com experientes policiais civis e eles ressaltam que a redução de assassinatos passa por uma estratégia chamada dissuasão focada, um conceito estudado internacionalmente. É responsabilizar os líderes de quadrilha pelos homicídios. Temerosos das penas altas para esse tipo de crime, eles acabam ordenando o fim dos conflitos.

– Quando identificamos os executores dos homicídios acabamos chegando aos mandantes, que, muitas vezes, já estão presos. Quando fica comprovada essa ligação, a liderança é afastada ou até transferida de Estado – confirma Caron.

São excelentes notícias e coincidem com a volta de divulgação de notícias por parte dos policiais civis, que vinham silenciando sobre suas ações, em reclamação contra o que consideram baixos índices de reajuste salarial. Que venham mais bons indicadores e melhores vencimentos aos dedicados policiais gaúchos.

Motociclista é preso após atropelar PM em Venâncio Aires

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Homem de 18 anos foi detido após colidir contra a traseira de veículo estacionado

Marcel Horowitz Correio do Povo

Motociclista colidiu com veículo estacionado e atropelou policial (Foto: Divulgação/Brigada Militar)

Um homem de 18 anos foi detido após atropelar um policial militar em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo. O fato ocorreu na noite de terça-feira, quando a Brigada Militar realizava uma blitz na área central do município.

De acordo com a corporação, o jovem guiava uma motocicleta na rua Osvaldo Aranha. Após empinar o veículo, ele teria avançado contra a barreira policial, atingindo a perna de um dos soldados.

O condutor foi preso após perder o controle da moto e colidir na traseira de um veículo estacionado. Ele e o PM sofreram ferimentos leves, receberam atendimento médico e não correm risco de morrer.

O motociclista foi preso em flagrante e está recolhido na Penitenciária Estadual de Venâncio Aires. A Brigada Militar não informou se ele já tinha antecedentes criminais.

Assembleia aprova PL complementar ao projeto de carreira do governo Leite  

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Texto que atende a demandas dos servidores da segurança pública é um incremento à reforma aprovada em julho e sancionada pelo governador. Impacto esperado com novas medidas é de quase R$ 870 milhões nas contas do Estado

Valter Junior GZH

Servidores ocuparam as galerias do plenário. Lucas Kloss / Assembleia Legislativa/Divulgação

A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (10) Projeto de Lei que atende demandas de servidores da segurança pública. A proposta recebeu 51 votos a favor e nenhum contra. O texto é um complemento à reforma nas carreiras do setor aprovada em julho pelos deputados estaduais e sancionada pelo governador Eduardo Leite. A proposta que segue para nova sanção do Executivo.

O PL cria 757 funções gratificadas para órgãos do setor da segurança, além de extinguir o soldado de nível III da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros, com valorização para a carreira. Ao todo, serão beneficiados 9.273 militares, que terão um incremento de 30% no subsídio e ascenderão para o nível II.

As medidas terão impacto de R$ 879,2 milhões nas finanças do Estado entre janeiro de 2025 e dezembro de 2026. 

— Nós estamos fazendo uma votação na esteira do que já foi feito, que foi principalmente na área da segurança pública. (…) A complementação foi mudarmos algumas questões de plano de carreira das áreas de segurança pública, da Brigada Militar, principalmente, e a possibilidade de termos funções gratificadas para as chefias de divisões, chefias de comandos do Estado inteiro, principalmente no Interior — afirmou o deputado Frederico Antunes (PP), líder do governo. 

As galerias do plenário estavam cheias de servidores. Foram apresentadas 12 emendas em relação ao projeto inicial, mas elas não foram apreciadas, já que a bancada governista, maioria na Assembleia, aprovou o requerimento de preferência para apreciação do projeto como um todo. 

Um dos poucos momentos de insatisfação dos servidores se deu após o pedido de preferência feito pelo deputado Frederico Antunes (PP), líder do governo, que ouviu vaias.

No fim de julho, o governador Eduardo Leite sancionou a primeira parte da reformulação das carreiras e autorizou reajuste salarial de 12,49%, divididos em três parcelas, para os servidores da área.

Veja o que foi aprovado

Polícia Civil

Regime de sobreaviso

  • A hora de sobreaviso remunerada será um terço da hora-extra limitado a um terço do subsídio, limitado a 10% do efetivo. 
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 100 milhões 

Funções gratificadas

  • Criação de 239 funções gratificadas.
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 20,8 milhões

Brigada Militar

  • Criação de 150 funções gratificadas. 
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 20,2 milhões

Corpo de Bombeiros

  • Criação de 64 funções gratificadas. 
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 10,8 milhões

Brigada e Bombeiros

  • Extinção do Nível III da carreira de soldado em janeiro de 2025. Impacto em 9.273 soldados.
  • Redução do tempo de chegada ao Nível I da carreira de 20 para 15 anos. Impacto em 5.385 soldados.
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 556 milhões

Instituto Geral de Perícias

  • Maior amplitude remuneratória para a carreira, ficando todos os cargos com 40% de amplitude.
  • Aumento de vagas nas classes superiores, maior quantidade de vagas disponíveis na Terceira Classe e Classe Especial.
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 37,5 milhões

Reforço da estrutura

  • Criação de  97 funções gratificadas.
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 6,4 milhões

Susepe

  • Criação de  207 funções gratificadas. 
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 13,5 milhões

Ampliação do quadro

  • 500 novas vagas de agente penitenciário.
  • 50 novas vagas de agente penitenciário administrativo.
  • Impacto financeiro em dois anos: R$ 103 milhões

Servidores das Polícias Penal e Civil fazem manifestação em frente ao Piratini

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Protesto tem como alvo o PLC 256/2024, que será votado nesta tarde

Correio do Povo

Servidores das Polícias Penal e Civil protestam contra projeto do governo | Foto: Pedro Piegas

Servidores das Polícias Penal e Civil protestaram, nesta terça-feira, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. O grupo reivindica alterações no PLC 256, enviado pelo Executivo Estadual à Assembleia Legislativa. O projeto será votado nesta tarde.

Os agentes da Polícia Civil são contra a criação do Regime de Sobreaviso, nos moldes em que foi proposto pelo governo, além de também se oporem à criação de 239 Funções Gratificadas (FGs).

De acordo com o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm), as novas vagas não abrangem os agentes da categoria, beneficiando apenas altos cargos na instituição.

Sobre a proposta de sobreaviso, a Ugeirm destaca que o trabalho do Policial Civil fora do seu horário de trabalho deve ser acionado para situações extraordinárias. O sindicato alega que o projeto encaminhado pelo governo transforma essa excepcionalidade em uma situação corriqueira para uma parte da categoria que não vai receber remuneração necessária para o serviço.

“O servidor em sobreaviso vai receber 1/3 da hora extra. Para um policial de primeira classe, isso significa que ele vai receber R$ 18 por uma hora de trabalho. Nossa demanda é que o servidor receba por uma hora cheia e que seja imposto uma limitação de horário para o sobreaviso. Já o projeto das FGs, cria vagas que remuneram em até R$ 8 mil os chefes de departamento, mas oferece um valor muito menor aos agentes”, destacou o vice-presidente da Ugeirm.

A Polícia Penal também considera o modelo das FGs injusto e reforça que a maioria da classe não será contemplada. No entanto, os servidores penitenciários também pedem que seja votado um projeto que regulamenta a categoria.

“É inadmissível trabalharmos sem condições reais de regulamentação. É um projeto que nunca é encaminhado para votação. Isso gera insegurança aos servidores. Estão nos cobrando atribuições que não estamos respaldados em leis para cumprir”, afirmou o presidente do Sindicato da Polícia Penal (Sindppen), Cláudio Dessbesell.

Dessbesell ainda chama atenção para o fato de que aproximadamente 70% das penitenciárias gaúchas estão superlotadas. São 153 casas prisionais, para 43,2 mil apenados. Além disso, ele diz que a Polícia Penal no RS opera com déficit de quase 50% e que para garantir a segurança das cadeias, seria necessário o dobro dos agentes em atuação.

12º Batalhão de Polícia Militar completa 50 anos de atuação em Caxias do Sul

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A tropa é comandada pelo tenente-coronel Ricardo de Moreira Vargas e pelo subcomandante major Wagner Carvalho

Paula Brunetto Pioneiro

12º Batalhão da Brigada Militar de Caxias do Sul completa 50 anos. Bruno Todeschini / Agencia RBS

“Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”. Essa frase que está em uma das paredes do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM) embasa os 50 anos de atuação em Caxias do Sul, comemorados nesta segunda (9), como um lembrete constante da força do trabalho em equipe. 

O Doze, como o batalhão é carinhosamente chamado pela corporação, é responsável pela polícia ostensiva e pela preservação da ordem pública em toda a área territorial de Caxias.

A tropa é comandada pelo tenente-coronel Ricardo de Moreira Vargas e pelo subcomandante major Wagner Carvalho. Ambos reafirmam o orgulho que sentem por fazer parte da instituição, principalmente porque são filhos de militares que trabalharam no Doze.

— Este cinquentenário foi construído com muito trabalho, coragem, resiliência, aprendizado e evolução. Hoje, mais do que nunca, sabemos que os desafios enfrentados nas ruas são encarados com muita resiliência e coragem por homens e mulheres que saem todos os dias às ruas para proteger as pessoas. Não há dia fácil no 12° BPM — destaca o comandante Vargas.

Bruno Todeschini / Agencia RBS
Tenente-coronel Ricardo de Moreira Vargas, comandante do 12º Batalhão da Brigada Militar de Caxias do SulBruno Todeschini / Agencia RBS

— Encaro com muita responsabilidade a missão de estar no comando do maior batalhão do interior da Brigada Militar, na segunda maior cidade do Estado, com todas as mazelas sociais decorrentes, de liderar um efetivo aguerrido — afirma o subcomandante Carvalho. 

Jackson Cardoso / Brigada Militar / Divulgação
Major Wagner Carvalho, subcomandante do 12º Batalhão da Brigada Militar.Jackson Cardoso / Brigada Militar / Divulgação

Estrutura do Doze

A Brigada Militar do Rio Grande do Sul, com sede na Capital, tem “um braço” na Serra, o Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO Serra), e o Doze pertence ao guarda-chuva do CRPO. A sede do batalhão de Caxias fica no bairro Kayser. Atualmente, o Doze tem três companhias e forças especiais dividindo as áreas de atuações. Em 1974, quando foi criado o Batalhão, 299 homens atuavam em Caxias, atualmente o comandante Vargas prefere não divulgar a quantidade do efetivo por questões de segurança.

Além do 12ºBPM e da sede do CRPO Serra, Caxias do Sul conta com o 4º Batalhão de Choque, Companhia do Comando Ambiental, um Grupamento do Batalhão de Aviação e o Colégio Tiradentes, todos ligados a Brigada Militar. Há apoio entre os batalhões, mas não há subordinação ao Doze.

O atual comandante relembra da época em que o pai trabalhou no Doze, de 1974  até a década de 1990, que tinha na sala de operações um grande mapa metálico da cidade, parafusado na parede em frente ao rádio-operador. Nele, segundo Vargas, havia representações das viaturas em serviço, atraídas por ímãs que as fixavam ao mapa:

— Cada vez que uma viatura deslocava de um bairro para outro, um policial se dirigia até o mapa e modificava sua localização manualmente. Sem falar na quantidade de planilhas e relatórios que precisavam ser impressos, revisados e arquivados fisicamente. 

As evoluções mais visíveis nestes últimos 50 anos, para o tenente-coronel, estão na qualidade e no tipo de equipamentos de proteção utilizados pelos policiais militares; nos novos modelos e na tecnologia e segurança das viaturas. Além disso, com ajuda da tecnologia, o boletim de atendimento nas ruas é preenchido por meio de um aplicativo instalado no celular que está com o policial militar. A comunicação de uma ocorrência policial e até um Termo Circunstanciado também são realizados de forma virtual. 

A gestão feita pelo comandante dos batalhões, incluindo o Doze, também passou por reestruturação nestes 50 anos. Vargas explica que os inquéritos policiais e as sindicâncias são todas digitais. Por meio do Sistema de Gerenciamento Correcional (SGC), as soluções chegam diretamente à Justiça Militar sem qualquer folha de papel. Com o surgimento do Programa RS Seguro, cuja principal ferramenta para monitoramento de indicadores criminais chama-se Sistema de Gestão Estatística da Segurança Pública (GEseg), é possível o comandante aperfeiçoar as estratégias de contenção dos indicadores.

Os próximos 50 anos do Doze

O tenente-coronel Vargas brinca que o” 12° BPM é um cinquentão bem cuidado”, mas ressalta que não é suficiente:

— Nossa estrutura necessita ser aperfeiçoada visando melhoria das ações de prevenção, preparação e resposta rápida às catástrofes e outros incidentes de grande magnitude.

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Frase “Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos” está na parede da sede da 3ª Companhia, situada junto a sede do Doze no bairro Kayser.

Bruno Todeschini / Agencia RBS

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Pelas paredes do Doze há quadros relatando os 50 anos anos de história em imagens e textos.

Bruno Todeschini / Agencia RBS

Até o final deste ano está prevista a chegada de mais cem policiais militares para ampliar o quadro pessoal, o que consequentemente demandará aquisição de novas viaturas e continuidade das parcerias da Brigada Militar de Caxias com entidades e empresários em relação a apoio financeiro através do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg RS).

Força Tática, pelotão do 12º Batalhão de Polícia Militar de Caxias do Sul, completa cinco anos de atuação 

Sargento Fabiano Oliveira, 47 anos, morto no assalto ao aeroporto em junho, era integrante do grupo

Pelotão integra a 3ª companhia do 12º BPM. Neimar De Cesero / Agencia RBS

A Força Tática, pelotão da 3ª companhia do 12º Batalhão de Polícia Militar de Caxias do Sul, completou recentemente cinco anos de atuação no município. Encarar o risco, entrar em confronto, salvar pessoas e carregar o nome da Brigada Militar (BM) no peito são ações feitas diariamente pelos policiais que integram o grupo. A FT, como é carinhosamente chamada pelos policiais militares, é comandada pelo 1º tenente Alex Martins Couto. O grupo faz patrulhamento tático motorizado em todo o município, principalmente em locais conhecidos pela incidência de tráfico de drogas e outros crimes. Nesta segunda-feira (9), o 12º Batalhão completa 50 anos de história.

Antes do atual formato da FT, o serviço era desempenhado por um grupo denominado como Pelotão de Choque, que posteriormente foi chamado de Pelotão de Operações Especiais (POE) e também Companhia de Operações Especiais (COE). Essa reformulação ocorreu no 12º BPM em 2019, após o Comando da Brigada Militar criar a nomenclatura Força Tática e o 4º Batalhão de Choque. 

As atividades diárias perpassam por situações que envolvem maior risco, desde operações planejadas de prisão e apreensão envolvendo grupos criminosos, apoio em confrontos, apreensões de tráfico de drogas e armas, situações que envolvem aglomeração de pessoas, como manifestações, escoltas, apoio em ocorrências atendidas por outros segmentos do batalhão e até a proteção de torcidas em jogos de futebol.

— A FT é um dos braços do batalhão, pode ser manuseada para atender diversas demandas de várias ocorrências. Ninguém é de ferro, não somos melhores que os demais policiais do batalhão, somente somos treinados diariamente para situações mais conflituosas — define o sargento Ademir Dorneles Severo, membro da FT.

A estrutura física da FT fica junto à sede do batalhão, no bairro Kayser. A equipe está com os demais integrantes da 3ª Companhia: Canil e Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam). O prédio de dois andares da companhia conta com alojamentos femininos e masculinos, sala de reuniões, sala com os equipamentos químicos, sala do comandante, o tenente Couto, e também a do capitão Douglas Costa Finamor, que é o comandante da 3ª Cia, sala do setor administrativo, cozinha e banheiro. Pelos corredores, há troféus e medalhas de campeonatos conquistados pelos PMs, além de quadros com fotos que contam a trajetória do pelotão e dos colegas policiais que já fizeram parte.

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Equipamentos químicos utilizados atualmente e antigamente pela FT nas ocorrências. Este quadro demonstrativo fica localizado no hall de entrada do prédio.

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Armamentos químicos, bastões e demais equipamentos utilizados em jogos de futebol e grandes eventos são guardados nesta sala. 

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Antes dos jogos de futebol ou eventos de grande porte, os policias vestem-se com equipamentos de proteção e carregam as viaturas com os escudos. 

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Na Força Tática, até quatro policiais compõem uma equipe de trabalho. Eles andam em viaturas Hilux, carregadas com os equipamentos necessários para qualquer tipo de ocorrência. 

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Esta equipe da Força Tática estava de trabalho no dia 31 de julho, dia em que a reportagem visitou a sede da 3ª Companhia. 

Neimar De Cesero / Agencia RBS

Integrantes da FT

Na Força Tática, a equipe de trabalho costuma ser a mesma, formada por até quatro policias: um sargento que coordenará a equipe, motorista e outros dois soldados. Os quatro saem em caminhonetes equipadas. Uma das equipes conhecidas é composta pelos soldados Anderlo dos Santos Paim, 31 anos, Jonatas Ari de Lima Motta, 33, Patrick Aron do Couto Sander, 45, e o sargento Ademir Dorneles Severo, 51.

O sargento Severo e soldado Sander estão entre os policiais que formaram a Força Tática. Ambos também são integrantes antigos do 12º BPM. Severo é policial militar há 30 anos e Sander há 20. O comandante da FT, tenente Couto, está há 27 anos.

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FT é comandada pelo 1º tenente Alex Martins Couto. 

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Sargento Ademir Dorneles Severo, 51 anos.

Neimar De Cesero / Agencia RBS

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Soldado Patrick Aron do Couto Sander, 45 anos

Neimar De Cesero / Agencia RBS

— A escala de serviço é igual aos outros pelotões. A gente chega, se equipa, troca informações referentes ao serviço. Se temos uma ocorrência, combinamos a melhor forma de atuar. É ação, a dinâmica até é igual, só que o serviço em si muda, nunca se sabe o que vai acontecer naquele dia— explica Severo. 

Sander complementa que, muitas vezes, a escala vira 24 horas, já que uma equipe que iniciar uma ocorrência ou operação terá de seguir até o final. Saindo apenas depois que as informações forem devidamente registradas na Polícia Civil. As equipes trabalham escalonadas, então, muitas vezes, precisam deixar os momentos com a família para estarem de serviço. O pelotão da FT é considerado pelos policiais como uma segunda casa.

Natural de Estrela, Sander ingressou veio para Caxias do Sul em 2001 para trabalhar em uma metalúrgica. Ainda em 1999, tentou pela primeira vez participar do concurso da Brigada. A conquista veio em 2002. Por conta disso, largou a metalurgia.

— Na época em que fiz o concurso, a cidade oferecia oportunidade para trabalhar na indústria. O salário de PM não era atrativo, até me lembro que, quando passei, meu chefe na metalúrgica quis cobrir meu salário e me ofereceu cursos. Eu disse não, quero ser policial! A questão salarial importa, mas fica em segundo plano — orgulha-se o soldado.

Nesses mais de 20 anos, Sander viu a evolução do 12º BPM, com as viaturas passando de um Fiat Uno e um Prisma para os atuais Corolla e Hilux. A estrutura e os equipamentos estão, na visão dele, melhores e trazem maior segurança ao corpo policial e à comunidade atendida. Sander e Severo relembram que, quando iniciaram na Brigada, os bandidos eram conhecidos pelos crimes os quais eram especialistas. Os policiais carregavam agendas e anotavam o nome e o tipo de crime.

— A gente tinha agendas gigantes, grossas de informações, com dados como onde moravam, parentes, antecedentes, ligações com os crimes, enfim, o que nos ajudasse na identificação deles — relembra o sargento Severo.

Hoje, os policias comentam que a tecnologia oferecida pela Brigada Miliar facilita o trabalho, além de agilizar as documentações produzidas.

Os dois profissionais lembram que os policiais na época que ingressaram não tinham equipamentos próprios, como colete balístico. Todos usavam os mesmos, era trocado nos turnos de serviço. Atualmente, segundo o sargento, os militares têm proteção corporal adequada, o mesmo poder de fogo do que os criminosos, e tecnologia suficiente para o combate. Além disso, têm na palma da mão, pelo celular, um aplicativo que descreve todas as ações que devem ser tomadas em cada tipo de ocorrência, ampliando o conhecimento e dando segurança ao trabalho diariamente.

Sander, Severo e Couto não pretendem largar tão cedo a farda. Sander destaca que ama o que eu faz e pretende se aposentar na FT. Ainda deve passar pelo curso de sargento e de tenente e retornar a sua segunda casa, que é o 12º BPM. Severo é natural de Cachoeirinha do Sul e entrou na BM de Caxias do Sul quando muitos dos atuais policiais do Batalhão ainda não eram nem nascidos, em 1994. Ele já poderia estar aposentado, mas prefere continuar no trabalho e não tem perspectiva de parar. Já Couto é de Dom Pedrito, fez o processo seletivo em Santa Maria há 27 anos e, em 2001, veio para Caxias. Passou de soldado a sargento e agora a tenente no 12º.

“Eu quero ajudar as pessoas”

Outro policial que auxiliou na criação da FT foi o soldado Jonatas Ari de Lima Motta, é natural de Santana do Livramento, na Fronteira Oeste. Motta passou no concurso da BM em 2012. Depois do curso inicial em Montenegro, veio para Caxias. Diz que o amor pela profissão e pela FT é tão grande que, mesmo após um grave acidente, ocorrido no trabalho, não pensou duas vezes em voltar para a atividade quando estava recuperado.

Neimar De Cesero / Agencia RBS
Soldado Jonatas Ari de Lima Motta, 33 anos.Neimar De Cesero / Agencia RBS

O policial militar foi atropelado na BR-116, em Caxias do Sul, durante uma ocorrência em 13 de setembro de 2023. Na época, a polícia fazia uma operação quando um veículo não respeitou a ordem de parada, acelerou e atingiu Motta. Ele ficou em coma e fraturou 12 costelas, passando por um longo processo de recuperação.    

— Primeiro de tudo eu pensei na minha vida, no quanto queria voltar para casa e para minha família, depois no trabalho. Quando estava recuperado e podia voltar, não pestanejei, pedi para retornar para a FT – comenta ele.

Motta será pai em breve, a esposa está grávida de uma menina. Pensando na pequena que chegará para completar a família, o policial militar comenta que, nesta profissão, é importante o entendimento da comunidade de que o policial está ali para ajudar e guarnecer a segurança de todos. Ele lembra que o brigadiano coloca a sua vida em risco para socorrer um desconhecido.

— Quando a ocorrência é gerada, você não sabe realmente o cenário que vai encontrar. Pode morrer, sofrer um acidente no trajeto. Então, gostaria que a população entendesse que a nossa missão é ajudar. Falo por mim, quase morri e voltei pra cá para seguir tentando – diz.

Lapidando os novos PMs

Severo, Sander e Motta são três dos policiais que iniciaram a FT em 2019 e agora lapidam aqueles que chegam novos. Eles são unânimes em dizer que a FT é uma realização pessoal e passam isso para os policiais mais novos, como o Anderlo dos Santos Paim. Natural de Caxias, o militar ingressou primeiro no Exército, onde atuou por seis anos antes de conquistar uma vaga na BM. Em 2021 começou na 1ª Companhia, mas a afinidade com os policiais da FT e o perfil profissional o fez aceitar uma oportunidade de integrar a equipe. Paim exerce função de motorista e, por isso, acredita ter responsabilidade dupla.

Neimar De Cesero / Agencia RBS
Soldado Anderlo dos Santos Paim, 31 anos.Neimar De Cesero / Agencia RBS

— A viatura é mais robusta do que no policiamento ostensivo. Na caminhonete, colocamos na caçamba os equipamentos utilizados para agir em qualquer circunstância. Só que eu tenho a responsabilidade ainda de conferir a autonomia da viatura, pneus, combustível, todas essas questões mecânicas, para dar segurança a mim e a meus companheiros – conta Paim.

Paim foi convidado para ingressar na FT pelo sargento Fabiano Oliveira, 47 anos, PM morto durante o assalto a um carro-forte na noite de 19 de junho, no Aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias. Os dois já se conheciam quando Paim trabalhava no policiamento ostensivo, criaram afinidades e sempre trocaram informações. A guarnição de Fabiano era a primeira a ser chamada quando a de Paim precisava de apoio, ou vice-versa.

O colega de profissão comenta que o sargento Fabiano sempre foi ativo e não fugia do trabalho. Gostava de estar na rua procurando informações e prendendo os criminosos.

— Eu sou um que penso todo dia nele, sentia alegria de trabalhar com ele, porque tu sabe quem está do teu lado. Ele tinha vontade de trabalhar, nunca dizia não, a gente avaliava sempre e ele resolvia da melhor maneira possível — comenta Paim.

Por isso, na noite do assalto, ao ouvir o chamado de reforço pelo rádio, o sargento Fabiano já informou a equipe que iriam para o local. A guarnição estava no Estádio Alfredo Jaconi ajudando na segurança da partida entre Juventude e Vasco, pelo Campeonato Brasileiro. A equipe rapidamente entrou na viatura e foi ao aeroporto. O solado Rômulo Cássio Lazzari, também da FT, foi o motorista que levou a equipe:

— Ele embarcou na viatura e falou para mim: “Embarque na viatura e vai. A gente vai ter que ser a primeira viatura a chegar”.  Chegamos por primeiro. Entramos pela frente e logo iniciou o confronto — relembra o soldado.

O PM conta que se abrigaram atrás da viatura blindada e começaram a trocar tiros, até que o sargento Fabiano Oliveira foi atingido na região do ombro esquerdo. O Fabiano foi colocado baleado dentro da viatura de outra equipe e levado ao hospital. Os integrantes da FT, os soldados Gerson Correa Ramos e Tales Leonardo Ribeiro da Silva acompanharam a ocorrência no aeroporto e ajudaram a retirar o policial ferido do confronto.

Tales conta que ouviu o grito de Lazzari afirmando que o sargento havia sido baleado. O soldado, que tem curso de atendimento hospitalar em combate, correu para a parte traseira da viatura para atender ao colega baleado. Ao perceber o ferimento, realizou os procedimentos de primeiros socorros e imobilização. Com a ajuda dos colegas, colocou o sargento na viatura. O soldado Gerson era o motorista da outra equipe.

— Quando o colega deu o pronto de que ele estava com o sargento dentro da viatura abraçado, eu tive que manobrar e sair o mais rápido possível, enquanto acontecia o confronto — relata Gerson, que compara a perda do sargento como se fosse a de um familiar.

Todos os colegas de FT são unânimes em dizer que o sargento Fabiano era sempre ativo e gostava do trabalho. Motta, Severo e Sander também trabalharam com Fabiano. Severo, inclusive, o conhecia ainda antes de entrar na BM. Motta trabalhou com ele na antiga Pics. A perda ainda é sentida diariamente e o nome do sargento está presente em diversos assuntos e será lembrado por muito tempo por cumprir zelosamente o juramento feito pelos policiais ao ingressarem na Brigada Militar: “…dedicar-me inteiramente ao serviço policial militar, à manutenção da ordem pública e à segurança da comunidade, mesmo com o risco da própria vida.”

Discussão no STF sobre reforma da previdência pode custar R$ 1,1 bi por ano ao governo gaúcho

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Ações questionam faixa de isenção e alíquota progressiva de contribuição. Eduardo Leite e outros governadores se reuniram com o ministro Edson Fachin para argumentar sobre impacto de eventuais mudanças 

Matheus Schuch GZH

O governador Eduardo Leite participou, nesta quinta-feira (5), de mais uma rodada de discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre ações que tramitam na Corte questionando trechos da reforma da previdência, aprovada e promulgada em 2019 pelo Congresso. Ao lado de outros governadores, Leite se reuniu com o ministro Edson Fachin para tentar sensibilizá-lo sobre o impacto financeiro de eventuais mudanças no sistema, especialmente com a ampliação da faixa de isenção.

No Rio Grande do Sul, o impacto anual para os cofres públicos é estimado em R$ 1,1 bilhão.

— A reforma foi importante no Rio Grande do Sul para a regularização de pagamentos, para dar outra capacidade fiscal inclusive em favor dos servidores, que tiveram seus salários colocados em dia, podendo avançar para reposição de inflação e chamamento de novos servidores — argumentou.

Nas ações que tramitam no STF, há propostas para ampliação da faixa de isenção, que hoje é de um salário mínimo (R$ 1.412,00), para o teto do INSS (R$ 7.786,02). Também há reivindicações para que no Estado volte a ser adotada uma alíquota fixa de contribuição. Antes, o percentual era de 14%. Atualmente, varia de 7,5% a 22%.

Na audiência, Leite também levou ao ministro Fachin os argumentos do governo gaúcho pela manutenção do Funrigs, o Fundo do Plano Rio Grande. Em ação encaminhada ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a suspensão de repasses do Funrigs a fundos de natureza privada e a fundos públicos por entender que a operação fere normas gerais editadas pela União em direito financeiro e ofendem os princípios da probidade administrativa, da moralidade e da impessoalidade, previstos na Constituição.

O Funrigs foi criado para receber as parcelas da dívida com a União que foram suspensas por três anos, com obrigação de que os recursos sejam direcionados a ações de reconstrução, além de verbas de outras fontes, inclusive de doações. Somente nas parcelas que deixarão de ser encaminhadas ao Tesouro Nacional, são cerca de R$ 11 bilhões.

Além dos fundos de natureza privada, a PGR questionou o repasse a outros fundos públicos. Neste caso, segundo o governador, a medida é necessária para que a estrutura já existente na administração estadual possa ser utilizada.

Ao decidir pela construção de casas, por exemplo, o governo faria a transferência do Funrigs para um fundo de habitação ligado ao próprio governo. Na recuperação de estradas, seria repassado ao Daer.

— Talvez a PGR não tenha tido uma clara compreensão do que isso significa em termos de gestão. Estamos tranquilos e esclarecendo estes pontos para que não se transforme a gestão do fundo em uma coisa burocrática que exigiria do Estado criar uma estrutura de execução direta do fundo, o que não faz sentido — finalizou o governador.

Rio Grande do Sul tem nova arrecadação recorde de ICMS em agosto

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Dezenas de bilhões para a reconstrução, tipo de desastre e desempenho da economia nacional ajudam a explicar rápida recuperação das contas

Flavia Bemfica Correio do Povo

Agosto foi o quarto mês de recolhimento superior a R$ 4 bilhões no ano, sendo o segundo consecutivo | Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini /CP

O RS voltou a registrar recolhimento recorde de ICMS em agosto. Em valores nominais, o Estado quase bateu a marca dos R$ 5 bilhões (foram R$ 4.961.414.723,20) com a arrecadação do imposto no último mês. O número é o maior não somente do ano de 2024, como também de toda a série histórica da Receita Estadual.

Agosto foi o quarto mês de recolhimento superior a R$ 4 bilhões no ano, sendo o segundo consecutivo. Em julho a cifra havia alcançado R$ 4,5 bilhões, um salto tanto na comparação com o mês anterior como com o mesmo mês do ano passado. A arrecadação de agosto, em valores nominais, superou em mais de R$ 1 bilhão (R$ 1.226.512.052,21) aquela registrada em agosto de 2023. E ficou R$ 441.018.481,62 acima da de julho de 2024.Dados da Receita Estadual do RS mostram crescimento na arrecadação 

Dados da Receita Estadual do RS mostram crescimento na arrecadação | Foto: Arte: Leandro Maciel

Os valores apontam para a continuidade do movimento de recuperação célere da economia gaúcha, acompanhado pelo Correio do Povo desde o encerramento dos números de junho, e registrado no período de reconstrução, após a tragédia climática que atingiu o Estado a partir do final de abril e ao longo de maio.

“A economia está crescendo, com uma retomada mais rápida do que imaginávamos. Os números indicam que estamos recuperando com folga o que perdemos. Isto nos permite seguir com as projeções de que o ICMS ultrapassará a marca dos R$ 50 bilhões neste ano, mesmo após as inundações. Há obras, liberação de crédito, as indústrias estão retomando, e daqui a pouco começa o plantio da soja”, elenca o advogado e consultor tributário Luiz Antônio Bins.

Auditor fiscal de carreira, ele comandou a Secretaria da Fazenda no final do governo de José Ivo Sartori (MDB), após três anos como adjunto, e chama a atenção para a “extraordinariedade” do que vem ocorrendo com o ICMS. “Na comparação entre os primeiros oito meses de 2024 e os primeiros oito de 2023, temos um crescimento nominal de 14,45%. Descontada a inflação do período, é um incremento real de quase 10%. Mas é possível classificar como fabuloso o dado de agosto por mais comparações”, garante.

Bins lembra que o crescimento nominal sobre julho, que já havia sido recorde, é de 9,75%. E destaca o contraste entre agosto de 2024 e agosto de 2023. “São 32,8% de crescimento nominal, o que dá 28% de crescimento real. É muita coisa”, garante. 

 | Foto: Arte: Leandro Maciel

Em agosto, a arrecadação acumulada no ano ultrapassou R$ 30 bilhões. Na soma, nos primeiros oito meses de 2024, o recolhimento do ICMS totalizou R$ 32.742.745.294,86. O montante, em valores nominais, fica R$ 4.091.370.676,98 acima do amealhado no mesmo período de 2023.

É outro dos motivos que leva o desempenho a ser considerado excelente por analistas das contas públicas: o fato de o recolhimento dos primeiros oito meses de 2024 ser melhor do que o do mesmo período de 2023, quando não houve desastre.

A destruição provocada pela tragédia climática havia ocasionado quedas na arrecadação do ICMS em maio e junho, nas comparações com os mesmos meses de 2023, fornecendo munição para a disputa política entre o governo estadual e o federal. Nela, o primeiro projetava perdas expressivas, que embasavam um discurso de reivindicações por mais recursos. O segundo reclamava da falta de reconhecimento e apostava em um aquecimento crescente.

Economista destaca três variáveis para explicar resultado

De acordo com o professor de Economia Adalmir Marquetti, da PUCRS, e que presidiu a antiga Fundação de Economia e Estatística (FEE) durante o governo Tarso Genro, um conjunto de fatores explica os recordes do ICMS nos dois últimos meses, alavancados pela reconstrução. Dentro dele, o professor destaca três variáveis.

“A primeira é que, conforme já exposto na literatura internacional, a velocidade de recuperação depende do tipo de desastre. Inundações, apesar da tendência inicial de terem efeitos superestimados, apresentam um processo relativamente rápido de recuperação”, assinala.

A segunda, conforme Marquetti, é que, para além das narrativas políticas, a economia do RS recebeu a injeção direta ou indireta de dezenas de bilhões de reais em função da tragédia climática, seja via programas de transferência de renda, auxílios, financiamentos, obras ou investimentos em infraestrutura, e os dados do ICMS traduzem seus efeitos.

“Houve uma mobilização muito forte do setor público. Claro que o governo federal direcionou muito mais recursos, porque tem mais condições financeiras. Mas o governo do Estado entrou de modo eficiente. E as administrações municipais também, dentro de suas capacidades. Isto restringiu a queda aos meses de maio e junho. A partir daí, observamos expansão.”

A terceira variável, segundo o economista, é o crescimento da economia brasileira, que acaba produzindo efeitos no RS. Na terça-feira, 03, o IBGE divulgou o PIB do segundo trimestre, com crescimento de 1,4%, na comparação com o mesmo período de 2023, alavancado pela indústria e acima das expectativas.

Brigada Militar inaugura monumento em homenagem ao Sd PM Marcelo Wille em Nova Prata

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Cerimônia emociona ao relembrar o legado de coragem e compromisso do soldado Wille

 Redação Studio

Na tarde de quarta-feira (4/9), a Brigada Militar, por meio da 3ª Companhia Independente de Nova Prata, realizou a solenidade de inauguração do monumento em homenagem e honra à memória do Soldado PM Marcelo Wille Thurow, na cidade de Nova Prata. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades e familiares.

O Soldado Wille ingressou na Brigada Militar em 27 de junho de 2006, dedicando sua vida à segurança do município de Nova Prata. No dia 27 de agosto de 2023, durante uma ocorrência de violência doméstica, Wille foi baleado em um confronto armado. Infelizmente, no dia 31 de agosto de 2023, ele veio a falecer, deixando um legado de honra e coragem.

A solenidade contou com a presença do Comandante do CRPO Nordeste, Coronel Luis Fernando Becker, da Comandante da 3ª Companhia Independente de Nova Prata, Capitã Caroline Bresolin, além do Prefeito Municipal, Alcione Gazziotin, e da Vice-prefeita, Sandra Helena G. Zottis. Os familiares do soldado participaram do descerramento da placa em homenagem a Marcelo Wille, reconhecendo-o como filho, irmão, esposo, amigo e policial.

A Brigada Militar prestou um reconhecimento póstumo ao Soldado PM Marcelo Wille Thurow, ressaltando seu heroísmo e comprometimento com a segurança da comunidade. O monumento é uma homenagem ao soldado que, em cumprimento ao seu juramento, deu a própria vida para proteger a sociedade.