Agentes trocaram socos e chutes dentro de base do Grupo de Operações Especiais (GOE), em São Bernardo do Campo (SP)
Dois policiais civis, do Grupo de Operações Especiais (GOE) da corporação, foram flagrados brigando dentro de uma base em São Bernardo do Campo (SP). A dupla trocou chutes e socos, e a situação foi registrada por uma câmera de monitoramento.
O caso ocorreu no último dia 21, mas as imagens só foram divulgadas agora. Além do confronto entre os dois agentes, as câmeras flagraram os cães da corporação, da raça pastor alemão, atacando a dupla.
O desentendimento ocorreu por conta de divergências na escala do feriado de Páscoa. Questionada sobre a briga, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado afirmou que “as circunstâncias dos fatos são devidamente investigadas pela 11° Corregedoria Auxiliar”.
Iniciativa que autoriza empresas a destinarem parte do ICMS devido para aparelhamento das forças estaduais já aplicou R$ 91 milhões
PAULO EGÍDIO GZH
1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) recebeu quatro espingardas calibre 12 por meio do programa no ano passado.
Duda Fortes / Agencia RBSPara reforçar o armamento, foram alocados R$ 6,9 milhões por meio do programa.
Duda Fortes / Agencia RBSSeis novas motocicletas de 300 cilindradas foram adquiridas pelo Piseg para o 1º BPM em 2023.
Duda Fortes / Agencia RBSO Piseg viabilizou a compra de drone para o 12° BPM, de Caxias do Sul, na Serra.
Brigada Militar / Divulgação
Pioneiro no país, o programa estadual de incentivo à segurança pública já destinou mais de R$ 91 milhões para a comprade armas, viaturas e equipamentos e a ações de prevenção à violência no Rio Grande do Sul. Ativa desde agosto de 2019, a política viabilizou a compra de 1,9 mil armas, quase 300 viaturas e mais de 700 itens de proteção aos policiais.
Chamado oficialmente de Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg), o mecanismo permite que as empresas destinem até 5% do que pagariam de ICMS para o aparelhamento da segurança pública. Na prática, em vez de o imposto passar pelo caixa do governo e depois ser redistribuído, vai diretamente para o aparelhamento das forças estaduais.
Conforme dados compilados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) a pedido de GZH, o programa já recebeu R$ 132,15 milhões em recursos de ICMS. Desse montante, R$ 91,08 milhões já foram empregados e os outros R$ 41,07 milhões estão em caixa aguardando destinação em futuras licitações.
Do dinheiro gasto, a maior fatia foi direcionada à compra de viaturas. Foram R$ 72,5 milhões, ou quase 80% do que já foi desembolsado, resultando na aquisição de 294 veículos. Para reforçar o armamento, foram alocados R$ 6,9 milhões, suficientes para obter 1.987 armas.
Outros R$ 2,9 milhões financiaram 748 novos equipamentos de proteção, como coletes e capacetes, e R$ 1 milhão a compra de outros itens, como drones, computadores, desfibriladores e rádios de comunicação.
Em outra frente, R$ 7,5 milhões foram aplicados em ações de prevenção à violência, que atendem principalmente crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. São ações como a destinação de kits para torneios de xadrez nas escolas e o torneio conhecido como Taça das Favelas, que promove inclusão social por meio do esporte.
Mais de 7,6 mil compensações
Desde o lançamento do programa, 816 empresas já destinaram uma fatia do ICMS devido diretamente para a segurança pública. Juntas, elas já realizaram mais de 7.656 compensações no Piseg.
O maior valor destinado em uma única compensação foi de R$ 1,3 milhão – a SSP não divulga qual a empresa responsável pelo aporte.
Além do valor repassado, que será descontado do imposto, a empresa precisa fazer uma doação extra de 10% sobre o valor do repasse. Por exemplo: se compensar R$ 2 mil em ICMS, a empresa precisa fazer uma doação de R$ 200, que é aplicada no financiamento das ações de prevenção.
Receita em alta
Desde a abertura da possibilidade de repasses ao Piseg, em 2019, o valor de ICMS direcionado pelas empresas à segurança pública tem crescido a cada exercício. No primeiro ano cheio de vigência do programa, em 2020, foram alocados R$ 20,38 milhões. O montante subiu nos anos seguintes e, em 2023, superou os R$ 46 milhões.
Embora pareça pequeno diante do orçamento total da Secretaria de Segurança Pública, que supera os R$ 11 bilhões ao ano, o montante é maior, por exemplo do que o repasse recebido pelo Rio Grande do Sul do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), que será de aproximadamente R$ 42 milhões em 2024.
Secretário da Segurança Pública, Sandro Caron ressalta que os projetos financiados pelo Piseg passam pelo aval de um comitê interno da SSP, para que estejam de acordo com a linha de atuação da pasta.
— Já trabalhei em vários Estados e acho uma grande marca do Rio Grande do Sul, quando comparado com outras realidades, ter muita atuação da iniciativa privada, da sociedade civil e dos municípios na segurança pública. O Piseg é um programa muito importante que vem nessa linha — avalia Caron, que é delegado da Polícia Federal.
Nos planos da pasta, está ampliar a quantidade de compensações feitas pelas empresas.
— Ao longo desse ano, a equipe da SSP que trata do Piseg vai promover reuniões em vários municípios com autoridades e representantes da sociedade civil para explicar o Piseg e incentivar cada vez mais investimentos — assinala o secretário.
Conforme decreto do governador Eduardo Leite, o Piseg pode receber até R$ 115 milhões anuais do ICMS.
Alterações na lei
Apesar de ter começado em 2019, na gestão de Eduardo Leite, o Piseg teve origem no ano anterior, com a aprovação da lei estadual de incentivo à segurança, proposta pelo então governador José Ivo Sartori após sugestão do deputado estadual Ronaldo Santini.
A legislação foi a primeira no país a autorizar o repasse direto de parte do imposto devido à área da segurança pública, reprisando o que já era feito no caso da cultura e do esporte. Naquele período, foi vista como uma alternativa para aparelhar as polícias e frear o crescimento dos índices de criminalidade.
Em 2023, a Assembleia Legislativa aprovou duas modificações na lei original: a permissão para o uso do dinheiro na ampliação, manutenção e reforma de prédios da segurança pública e a cedência de recursos para as guardas municipais — esta última ainda em fase de regulamentação por parte do governo.
Até o momento, não foram destinados recursos para essas duas rubricas.
Mobilização por melhorias na polícia local
Limeira frisa que o Piseg permite mobilizar empresariado local a destinar recursos para as forças que atuam na suas comunidades.Duda Fortes / Agencia RBS
No cotidiano das forças de segurança, o Piseg é visto como um mecanismo que reforçou o aparelhamento das polícias estaduais. Responsável pelo patrulhamento de 21 bairros no centro-sul de Porto Alegre, o 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) foi um dos que mais receberam recursos por meio da iniciativa. A SSP não divulga números, mas confirma que o batalhão obteve “investimentos significativos”.
Comandante do Batalhão de Ferro, como é conhecida a unidade, o tenente-coronel Márcio Luiz da Costa Limeira relata que a entrega mais recente ocorreu na primeira quinzena de março, quando foram adquiridas seis novas motocicletas de 300 cilindradas para utilização no policiamento ostensivo. No ano passado, também foram comprados cinco fuzis e quatro espingardas calibre 12.
— Hoje o governo faz a gestão dos investimentos na segurança de forma ampla, atendendo os 497 municípios. Esse programa permite que os comandantes de unidade, os delegados e os gestores consigam mobilizar os empresários da sua área para abraçar um projeto, fazendo com que esse recurso venha direcionado para o local — aponta.
O tenente-coronel diz que uma das estratégias para captar as contribuições é apresentar os detalhes do programa tanto para os empresários quanto para o setor contábil das empresas, a fim de detalhar o abatimento da contribuição no pagamento do ICMS.
— Quando realizamos uma entrega (de itens adquiridos), chamamos os doadores e também outras empresas que demonstram interesse em participar. A partir do momento que ele (empresário) enxerga que isso se transforma em um retorno para a segurança pública, se transforma em um doador — salienta o militar.
Conforme a Secretaria de Segurança Pública, os recursos do Piseg já beneficiaram 216 municípios, o equivalente a 43% das cidades gaúchas.
Quase uma semana depois, ele ainda sente dores pelo corpo e anda com ajuda de uma muleta
BRUNA VIESSERI GZH
Em casa e na companhia da família, o soldado Jaison Soares Casani, 31 anos, se recupera do episódio mais traumático de sua trajetória dentro da Brigada Militar. No último dia 23, ele patrulhava ruas de Gravataí, junto de colegas brigadianos, quando foi baleado por um homem que o abordou. Foi o primeiro confronto enfrentado pelo PM, que levou quatro tiros e sobreviveu. Quase uma semana depois, ele ainda sente dores pelo corpo e anda com ajuda de uma muleta, mas afirma estar bem e se diz feliz com a repercussão do caso, que “mostra a importância do trabalho” da instituição.
As imagens do ataque ao policial, gravadas por uma câmera de segurança, se espalharam nas redes sociais e tiveram repercussão até mesmo fora do Estado. Na gravação, é possível ver o momento em que o PM, em uma motocicleta, se aproxima do criminoso. O homem saca a arma e atira repetidas vezes na direção do soldado, que cai no chão e logo saca a própria arma e reage. Ele passa a revidar, atirando contra o homem, que se afasta e escapa correndo. O caso ocorreu por volta das 3h, no bairro Santa Cruz.
O criminoso teria disparado ao menos 10 vezes contra o soldado. O homem acabou morto pouco depois, em confronto com outros PMs, segundo a BM.
Casani acredita que se salvou, naquela madrugada, graças a uma série de fatores concomitantes.
Um deles foi o uso de equipamentos de proteção. Dos quatro disparos que o atingiram, dois foram parados pelo colete a prova de balas, e deixaram hematomas. Outro tiro, que acertaria em cheio a barriga do policial, pegou na lanterna que fica junto ao colete. O quarto disparo quebrou a joelheira e se alojou acima da patela, na perna direita.
— Inclusive estão aqui, o colete e a joelheira. Vou guardar comigo — comenta o PM.
PM levou dois disparos no peito, que não atravessaram colete, mas causaram grandes hematomas.
Soldado guarda consigo colete que o protegeu de disparos.
Brigada Militar / DivulgaçãoJoelheira amorteceu impacto de tiro que atingiu PM no joelho.
Arquivo Pessoal / Arquivo PessoalPM levou dois disparos no peito, que não atravessaram colete, mas causaram grandes hematomas.
Arquivo Pessoal / Arquivo PessoalTiro que acertaria em cheio a barriga do policial pegou na lanterna que fica junto ao colete.
Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Além disso, avalia que o fato de ter conseguido reagir também o ajudou:
— Eu senti os dois disparos, uma ardência no peito. Quando caí no chão já estava com a mão na arma. Saquei e reagi atirando. Ele estava vindo para perto de mim, ia me executar. Quando comecei a tirar, ele recuou. Como sou canhoto, levei uns segundos para tirar a mão da moto e pegar a arma — lembra.
Naquele momento, o PM ficou cara a cara com o criminoso, em um confronto que levou apenas alguns segundos. Casani lembra que estava calmo, apesar da situação, e diz que agiu por instinto e com base no treinamento recebido:
— Lembro que eu focava: “Tô vivo, tô vivo, tô vivo”. Não senti medo, angústia, nervosismo. Eu estava muito calmo, claro que podia estar em estado de choque, mas me sentia tranquilo. Não dá tempo de pensar em nada, você só pensa que tem que se manter vivo, e graças a Deus eu consegui. Agi no instinto de ficar vivo. Talvez alguma memória muscular tenha ajudado, dos treinamento, cursos.
Só depois, no hospital, o soldado percebeu a gravidade do ataque:
— Depois, até me apavorei. Quando baixou a adrenalina, fiquei nervoso, eu tremia. Aí tu entende o que aconteceu, pensa na família, na esposa, na filha, na mãe. Percebi que podia não ter voltado. Hoje me sinto muito grato a Deus.
Em casa
Após ser baleado, Casani chegou ao hospital de Gravataí pouco depois das 3h, e recebeu alta cerca de duas horas depois. Passou por uma microcirurgia para retirada do projétil que ficou alojado acima da patela. Em casa, o soldado tem apoio de familiares. Afirma que está bem, mas ainda tem dores pelo corpo, especialmente nos hematomas deixados pelos disparos.
Em razão do tiro no joelho, ainda não consegue apoiar o pé direito no chão nem dobrar a perna. Caminha com auxílio de uma muleta para não forçar a estrutura. O soldado passou por avaliação junto a um especialista em joelho, que constatou que o disparo não afetou ligamentos nem osso. Casani não deve precisar de fisioterapia, mas precisa ficar em repouso até se recuperar totalmente.
O policial está em acompanhamento psicossocial junto ao departamento de saúde da BM. Em licença, ele não tem previsão de retorno às atividades. Afirma que ainda é cedo para avaliar se irá retomar o trabalho nas ruas ou se deve ficar em algum setor administrativo.
— O que sei é que, quando voltar, quero estar 100%, independente da função que assumir. Quero voltar para somar.
Pai e filha em recuperação
Depois daquela madrugada, Casani conta que havia decidido não contar para a mãe sobre a troca de tiros. Não queria preocupá-la.
— Ia dizer para ela que cai de moto e machuquei o joelho. Mas aí deu a repercussão e não tive como esconder. Por um lado, fico feliz que esse caso ganhou destaque, para que as pessoas entendam a importância do trabalho da Brigada Militar nas ruas, para que valorizem.
O soldado também precisou conversar com a filha, de sete anos, que acabou vendo vídeos do ataque, que circulam na internet.
— Minha esposa também conversou muito com ela, ajudou bastante a entender que estou bem. Teve uma coincidência engraçada que, naquele mesmo dia, minha filha caiu na pracinha, machucou a boca. Ficamos eu e ela em recuperação. Ela olhava para mim e dizia: “Acho que o meu machucado está pior”, e eu concordava.
Apoio da equipe
Depois que o criminoso fugiu, o PM, que estava deitado enquanto atirava, se senta no chão. Ele conta que passou a mão pelo colete, no peito, e viu que não havia sangue. Os disparos não atravessaram o equipamento, mas causaram grandes hematomas e ardência na região. Quando viu que a joelheira quebrada, percebeu também o tiro no joelho. Na sequência, pediu ajuda pelo rádio.
— Tive apoio de colegas muito preparados, que estavam junto na ocorrência. Fizeram torniquete, me ajudaram a retirar o colete para ver se tinha algum ferimento que não estava visível. Em minutos chegou uma viatura, me carregaram para o carro e levaram pro hospital. Lembro que eu disse que estava bem, para ficarem tranquilos que era só o joelho que estava machucado. O apoio depois fez toda a diferença.
Casani conta que nesta semana também foi recebido pelo alto escalão da BM, o comandante-geral, coronel Cláudio dos Santos Feoli, e o subcomandante, Douglas da Rosa Soares.
Experiência no Exército
Apesar de ser novo na Brigada Militar, o soldado tem passagens por outras instituições de segurança. O começo foi na Polícia Civil, onde fez estágio por dois anos na delegacia do pequeno município de no Formigueiro, entre 2009 e 2010. A BM ficava no mesmo prédio, e o contato com PMs era frequente, lembra.
Depois, foi para o Exército em Santa Maria, onde ficou por oito anos. Ali passou por treinamentos e provas com armamentos mais pesados, como fuzis.
Decidiu fazer concurso para a BM. Aguardou por três anos até que foi chamado em 2021, quando começou o curso de formação, também no município da Região Central. Há cerca de dois anos, começou a atuar nas ruas, sempre em Gravataí, pela Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam).
Criminoso morreu em confronto
O PM conta que, naquele dia 23, ele havia começado a trabalhar às 16h, em um plantão que se encerraria às 4h. Por volta das 3h, Casani e quatro colegas faziam patrulha de rotina, em motocicletas, nas avenidas principais de Gravataí, próximo do centro.
Os policiais suspeitaram de três indivíduos e decidiram abordá-los.
— Dois criminosos saíram correndo e os colegas foram atrás. Eu fui abordar o que ficou caminhando como se nada estivesse acontecendo, só que ele já virou atirando. No vídeo dá para ver que ele iria reagir, não ia aceitar a abordagem independente de quantos agentes estivessem ali comigo. Foi para o tudo ou nada, não queria ser preso, o que iria acontecer já que ele estava armado.
Após a troca de tiros, um cerco foi realizado pelos policiais na região. Na mesma madrugada, os PMs entraram em confronto novamente com o homem que atirou no PM. Ele foi morto durante a troca de tiros. Conforme a BM, ele tinha 25 anos e possuía antecedentes por crimes como tráfico de drogas, homicídio e roubo a pedestres. O nome não foi divulgado pela polícia.
Uma pistola, carregadores e munição também foram apreendidas pelos policiais. Na mesma ação foi preso outro suspeito de 19 anos e apreendido um adolescente de 17 anos, que estariam, no momento da abordagem, junto ao homem que morreu.
Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior foi morto durante abordagem a veículo roubado, em 2019
Marcel Horowitz Correio do Povo
Tribunal de Júri ocorreu no Foro Central de Porto Alegre | Foto: Ricardo Giusti
Um réu foi absolvido e outro condenado, por 4×3 votos, pelo assassinato do policial militar Gustavo de Azevedo Barbosa Júnior. O júri terminou no início da noite de quinta-feira, após quase dois dias. A juíza Alice da Rosa Schuh presidiu o julgamento, no Foro Central de Porto Alegre.
Os fatos ocorreram em 2019. Na ocasião, o soldado e um colega do 1º BPM foram alvejados em abordagem a um veículo roubado, na zona Sul da Capital.
Ambos os réus negaram participação no crime. Luis Vinícius Alves Azeredo, acusado de ter sido o atirador, foi absolvido. Dejair Quadros de Almeida, apontado pela acusação como condutor do automóvel, foi condenado a 33 anos e dois meses de prisão por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e roubo.
A advogada Eduarda Garcia, à frente da defesa dele, disse que vai recorrer da decisão. Ela também sustentou que amostras de DNA comprovariam o envolvimento de outra pessoa no crime.
“Existe possibilidade da nulidade do júri, porque a promotoria mencionou elementos que não estavam na pronúncia. O Dejair não foi acusado de disparar nem de planejar o crime. As acusações eram que ele seria motorista. Além disso, apontamos falhas no reconhecimento fotográfico e a falta de vestígios que comprovassem a presença dele no carro. Há o DNA de outras pessoas, que não vieram a júri mas estavam no veículo. Houve uma falha gravíssima da Polícia Civil, que deveria ter investigado mais. Isso é lamentável até para a Brigada Militar, não vê sentimento de justiça. Fizemos uma defesa técnica, tanto que a decisão do Júri foi dividida. Um inocente foi condenado, por isso vamos recorrer”, afirmou a jurista.
Responsável pela acusação, o Ministério Público também destacou que avalia entrar com recurso contra a absolvição de um dos réus.
“Lamentamos a absolvição de um dos réus e estudamos entrar com recurso. Um membro da BM perdeu a vida quando estava à serviço da sociedade e outro, por sorte não teve a vida ceifada. Todavia, a condenação do outro acusado demostrou repúdio a esse crime bárbaro. A família da vítima encontrou conforto nisso e a sociedade teve a resposta que o Júri repudia esse tipo de criminalidade”, definiu o promotor André Gonçalves Martínez.
Relembre o caso
O crime ocorreu na madrugada de 10 de julho de 2019, no bairro Teresópolis. Na data, os soldados estavam de serviço e avistaram um veículo roubado.
Ao serem abordados, os tripulantes do automóvel reagiram e houve troca de tiros. Gustavo foi atingido por um disparo na cabeça e não resistiu. Ele tinha 26 anos.
Os bandidos fugiram do local, abandonando o veículo, armas e uma mulher, que teria sido sequestrada momentos antes. O MP sustenta que eles pretendiam, com o sequestro, que ela fornecesse o paradeiro de seu ex-companheiro, pertencente a uma facção rival
Comissária de Polícia da CORE PCRS se forma no curso Protective Security Operations, Ministrado pela Diplomatic Security Service – DSS (Polícia Federal do Departamento de Estado dos EUA), na Academia Internacional de Polícia de El Salvador.
A comissária integrou equipe do Brasil com mais 5 policiais oriundos de outros estados da federação e o curso contou com profissionais da Argentina, Peru, Panamá e El Salvador.
O Comandante Geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Cláudio dos Santos Feoli, recebeu, nesta segunda-feira (25), os policiais militares de Gravataí que participaram da ocorrência de confronto com criminosos que resultou na morte do acusado, mas que também acabou deixando um policial ferido.
O caso ocorreu na madrugada do último sábado (23), quando ocorria uma abordagem por policiais da Rocam a três suspeitos, em uma área de traficância no bairro São Vicente. Imagens mostraram o momento que o criminoso enxerga a aproximação de um militar, abrindo fogo contra ele. O policial, mesmo baleado, ainda revidou. O criminoso também foi baleado e morreu durante atendimento no hospital. O militar atingido foi salvo pelo colete balístico, além de ter sido imediatamente socorrido pelos colegas que usaram técnicas de atendimento pré-hospitalar, atitude crucial que reduziu a possibilidade de danos a vítima. Os outros dois criminosos envolvidos na ocorrência também acabaram presos. O Comando parabenizou a atitude das guarnições e destacou a importância do aprimoramento de técnicas de primeiros socorros, além da importância dos equipamentos militares para o trabalho diário.
Armamento de guerra foi apreendido na última semana junto de fuzil, pistola e revólveres
LETICIA MENDES GZH
O lançador de foguetes M72 LAW, calibre 66 mm, foi localizado durante investigações sobre homicídios.
Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Há uma semana, a Polícia Civil divulgou a apreensão de um armamento de guerra, que estaria nas mãos de uma facção no Estado. Um lançador de foguetes antitanque, capaz de derrubar aeronaves e abater veículos, foi descoberto escondido no quintal de uma casa, em Lajeado, no Vale do Taquari, que seria usada como depósito da organização criminosa. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) segue tentando rastrear a origem da arma.
O lança-foguetes foi encontrado durante uma operação que investigava a facção envolvida em homicídios no Estado. No esconderijo, foram apreendidos ainda um fuzil de calibre 556, também com alto poder de fogo, uma pistola e dois revólveres. A investigação trabalha neste momento para identificar a origem deste armamento e quem foram os responsáveis por armazená-lo na casa, localizada no bairro Hidráulica.
Em relação ao armamento de guerra, os primeiros contatos por meio das inteligências indicam que o armamento não seria usado pelas Forças Armadas brasileiras. Em razão disso, é necessário um rastreio internacional para obter informações mais específicas sobre a arma, como local de fabricação — já que esse modelo é produzido por mais de um país — e de onde teria saído, além de tentar desvendar como chegou às mãos dos criminosos no RS.
O armamento continua sob proteção da Polícia Civil, mas pode ser encaminhado ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) para análises, assim como as outras armas apreendidas na mesma operação.
— É um armamento incomum, que ainda precisamos compreender como chegou até este grupo criminoso. A informação que tínhamos desde o início, de que essa arma estava num local sob influência da facção que tem berço no Vale do Sinos, se mantém bem confirmada — afirma o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Mario Souza.
Vínculo com homicídios
Os policiais da 6ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre chegaram até a casa enquanto investigavam uma facção envolvida nos homicídios no Estado. A apreensão foi resultado das investigações que se iniciaram na Serra, para combater os homicídios na região. Uma equipe, que integrou o reforço policial em Caxias do Sul, conseguiu mapear um dos esconderijos onde o grupo criminoso estaria armazenando armas. A suspeita era de que esse depósito fosse um dos pontos que poderia servir de abastecimento para a facção na Serra.
Assim que conseguiram identificar o local exato, os policiais foram até o imóvel, na expectativa de encontrar armamentos. Ao chegarem, os agentes do DHPP depararam inicialmente com as outras armas, até descobrirem o lança-foguetes escondido. Os armamentos estavam em diferentes pontos. Ao abrirem um fundo falso, em uma escada de madeira, sob um vaso de plantas, encontraram os dois revólveres e a pistola. Em outra área da casa, onde estavam armazenados sacos com produtos recicláveis, os agentes descobriram o fuzil.
Armamentos foram apresentados em coletiva à imprensa na semana passada no DHPPRonaldo Bernardi / Agencia RBS
Já o lançador de foguetes foi encontrado no pátio do imóvel, embalado em sacos plásticos, ocultado por tábuas e uma escada, junto a um muro. Ao desembalarem, os policiais depararam com o lança-foguetes. O míssil, que é a munição disparada por meio do lançador, não foi encontrado no local. A suspeita é de que o armamento fosse empregado especialmente pelo grupo para causar intimidação nos traficantes rivais. Ninguém foi preso no local da apreensão.
— Embora não tenha sido encontrada a munição, sabemos que é um armamento que causa muito impacto. Não sabemos quais as condições técnicas em que ela se encontra, mas só a arma já causa um impacto muito forte. Assim como o fuzil, que estava pronto para uso. Claro que chama mais atenção o antitanque, mas a investigação apura o todo. O principal êxito até agora é ter estourado o depósito e retirado as armas dessa facção. Então certamente essa investigação vai continuar para poder esclarecer e apontar todos os responsáveis — afirma Souza.
O armamento
O lançador de foguetes M72 LAW, calibre 66 mm, que foi inventado na época da Guerra do Vietnã, ainda é usado em todos os conflitos modernos, inclusive nos embates Rússia X Ucrânia e Hamas x Israel. Hoje seus principais fabricantes são Estados Unidos, Noruega e Turquia. O Exército brasileiro usa uma arma similar, o AT-4. O M72 é chamado de arma anticarro — no caso, carro de combate. Usa um projétil em forma cônica na ponta, colocado pela parte de trás do lançador e com alto teor explosivo, capaz de penetrar na couraça do blindado e incinerar seus ocupantes.
Os candidatos foram convocados para a fase de Avaliação Médica
Entrega de exame de saúde – Foto: Sd Morch – PM5/EMBM
Foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado (p. 95-106) a convocação para realização de nova avaliação médica de candidatos do Concurso Público para o cargo de Soldado da Brigada Militar. A avaliação será realizada nos dias 23 e 24 de abril, no Centro Clínico do Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre.
Um total de 550 (quinhentos e cinquenta) candidatos aptos neste exame e na sindicância da vida pregressa serão, na sequência, chamados para entrega de documentos e ingresso na Brigada Militar, onde frequentarão o Curso Básico de Formação Policial Militar.
Esta convocação faz parte do anúncio realizado pelo Governo do Estado no final do mês de fevereiro, e que prevê o chamamento de 1.798 novos servidores para a Segurança Pública do Rio Grande do Sul, entre capitães e soldados da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, delegados da Polícia Civil e agentes da Superintendência dos Serviços Penitenciários.
O Jornal Correio Brigadiano esteve presente na 20ª Copa Tiradentes promovida pela Associação dos Sargentos Subtenentes e Tenentes da BM e CBM nos dias 22, 23 e 24 de março/2024 em Cidreira, no litoral gaúcho. O evento reúniu brigadianos e seus familiares em competições esportivas que integram a família brigadiana e foi prestigiada pelos visitantes residentes em Cidreira, e cidades vizinhas, chegando a ter publico que varia ente 02 e 03 mil pessoas.
Foram as delegações do interior e capital que tornam o evento um dos maiores do litoral, proporcionando um ambiente familiar em pura festa e integração.
O presidente da entidade promotora (ASSTBM), Tenente Aparício Santellano em uma das manifestações ao Correio Brigadiano, relatou que muitos desconhecem que os associados, praças da BM se organizam durante todo o anos para deslocarem de municípios que ficam a 500 e até 700 quilômetros de Cidreira para rever colegas e viver esses dias de alegria que também servem para troca de idéias e conhecimentos.
– A associação cumpre seu compromisso de integrar.
– Unir a categoria não é só mobilizar para uma manifestação em busca de melhores salários ou carreira em frente ao Palácio Piratini ou reivindicando de gabinete em gabinete da AL, para que defendam nossas pautas, afirmou.
– É muito mais que isso. É saber com quem estamos lutando, aprendendo com cada um nessas conversas olho no olho. E a copa é um ambiente fraterno que ajuda a muitas vezes colher a idéia de um associado para melhorar nossa representação, falou Santellano.
Em meio às competições e atividades sociais a Rádio Studio 190 do Jornal Correio Brigadiano esteve integralmente na 20ª Copa, incentivando a associação parceira.
Gilson Noroefé Diretor-geral do Correio Brigadiano, composto pelo jornal, rádio e redes de mídias, acentuou da parceria com a ASSTBM.
– Nossa rede de notícias não tem medido esforços para sempre estar presente nas atividades e eventos institucionais e associativos, mas a atenção ainda é redobrada quando essas realizações como a 20ª Copa é promovida por uma parceira anunciante no Correio Brigadiano, no caso a ASSTBM.
– Nossa organização sobrevive e cresce especialmente por entidades brigadianas que nos valorizam e nos apoiam. Então dentro de uma fidelidade mútua, buscamos sempre dispensar uma atenção especial aos parceiros.
Neste caso instalamos a Rádio no tempo integral, buscando apoios inclusive de outros parceiros como a Instituição Beneficente Coronel Massot – IBCM e AABRIR, Associação de Apoio a Restituição de Imposto de Renda, que ajudou nos custos da Rádio Itinerante, oferecendo seus produtos aos participantes, acrescentou Gilson Noroefé. PARABENS A DIREÇÃO DA ASSTBM.
ACOMPANHE OS VÁRIOS MOMENTOS DA 20ª COPA ESTADUAL TIRADENTES.
Tiroteio ocorreu durante tentativa de abordagem no bairro Santa Cruz
Marcel Horowitz Correio do Povo
Criminoso morreu após disparar contra policiais militares em Gravataí | Foto: Polícia Civil / CP
Um criminoso, de 25 anos, morreu após trocar tiros com soldados da Brigada Militar, na madrugada deste sábado, em Gravataí, na região Metropolitana. Outro bandido, de 19 anos, foi preso e um adolescente, de 17, apreendido. A ação também resultou em um policial ferido.
O fato ocorreu às 2h37min, no bairro Santa Cruz. Na ocasião, a Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) do 17º BPM fazia abordagens na localidade e desconfiou do comportamento de três jovens.
A suspeita é que o trio estava no local à espera de outro comparsa, que os entregaria um carro roubado. Eles se separaram e tentaram fugir, ao notarem a presença da guarnição, mas foram perseguidos. Foi quando um deles atirou contra o militar que tentava fazer a abordagem.
Imagens de câmeras de segurança mostram que o criminoso efetuou pelo menos três disparos. Ele ainda tentou atirar mais uma vez, após o policial baleado cair no chão, mas foi impedido por outros soldados que foram ao socorro do colega.
Em uma segunda tentativa de fuga, o bandido disparou novamente contra a guarnição, que revidou. Ele acabou sendo alvejado durante troca de tiros e morreu no local. Os outros dois suspeitos foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento.
O soldado foi levado ao Hospital Dom João Becker e não corre risco de morrer. Ele sofreu dois disparos no peito e um, no joelho. Ocorre que o colete à prova de balas impediu que os tiros atingissem a região peitoral dele.