O que esperar das eleições de 2026

Sem nenhuma sombra de dúvida, é unânime entre os policiais e bombeiros do Rio Grande do Sul o reconhecimento da necessidade de representação política, mas ainda são dispersas e frágeis as iniciativas para alcançar esse objetivo.

ORGANIZAÇÃO

Estamos a seis meses do pleito de 2026, e pouco ou nada se percebe de organização objetiva em busca de representação política. Os movimentos existentes resumem-se a iniciativas limitadas de algumas entidades ou grupos, além de ações individuais de pretensos candidatos. No entanto, não há nenhuma iniciativa estadual ampla que busque direcionar os esforços em torno de candidaturas viáveis.

OS NÚMEROS

Se considerarmos o efetivo de policiais e bombeiros, tanto da ativa quanto da reserva remunerada, esse número, segundo o Portal da Transparência do Estado, ultrapassa 40 mil servidores.

NÚCLEO FAMILIAR DIRETO: 3 PESSOAS

Se levarmos em conta apenas o núcleo familiar direto — aquele sobre o qual policiais e bombeiros exercem influência mais imediata —, sem considerar a capacidade de mobilizar votos na comunidade, teríamos um potencial próximo de 120 mil votos.

Seria possível eleger alguém?

Não se pode dizer que faltaram votos, pois, em 2022, para o Legislativo estadual foram contabilizados 85.837 votos e, para a Câmara Federal, 53.137 votos, pulverizados entre mais de vinte candidaturas a deputado estadual e doze candidaturas a deputado federal.

Diante disso, a resposta é sim, temos condições de eleger representantes. A questão que permanece é: teremos capacidade de nos organizar para alcançar esse objetivo?

Resultados 2018 e 2022

Em 2022, as forças militares estaduais novamente naufragaram na tentativa de legitimar sua representação nos parlamentos.

A expectativa era superar o pleito de 2018, quando um militar de nível médio, Aparício Santellano, obteve mais de 12 mil votos, e uma militar estadual de nível superior, Comandante Nádia, ultrapassou 30 mil votos na eleição estadual, embora nenhum dos dois tenha sido eleito.

Não faltaram votos

Em 2018, a soma de todas as candidaturas declaradas no TSE como policiais ou bombeiros chegou a 127.548 votos.

Em 2022, a soma de todas as candidaturas declaradas no TSE como policiais ou bombeiros chegou a 89.215 votos.

O que parece ter faltado, mais uma vez, foi organização e coordenação, principalmente por parte das entidades de classe, concentrando esforços em torno de um número menor de candidaturas. As 22 candidaturas estaduais pulverizaram votos, desperdiçando, novamente, uma chance real de fortalecer a representatividade classista e avançar em conquistas, bem como na manutenção de direitos, garantias e prerrogativas funcionais.

Por outro lado, a Polícia Civil, com efetivo bem menor que o da Brigada Militar, comemorou a conquista de três vagas:

  • Delegada Nadine, com 40.937 votos;
  • Comissário Radde, com 44.300 votos;
  • Delegado Zucco, com 59.648 votos.

Esses três policiais civis totalizaram 148.885 votos, uma votação expressiva, demonstrando a força da corporação no meio político e social.

Se sobrou frustração aos militares estaduais, o mesmo não pode ser dito de policiais de outras instituições, que obtiveram duas suplências, caso do policial federal Nilvo Braz, da Polícia Federal, e da policial penal Mariana Lescano, da SUSEPE, ambos com mais de 20 mil votos.

Assim, encerra-se mais um ciclo que precisa ser avaliado pelos movimentos políticos que, porventura, venham a liderar uma nova tentativa em 2026.

O que está impedindo a classe de ter representatividade?

A política é algo dinâmico. À exceção dos “caciques” partidários, que recebem grandes somas do fundo partidário, os demais candidatos precisam contar com o apoio das categorias que representam e também com uma dose de sorte. No entanto, alguns fatores têm impedido a categoria brigadiana de conquistar sua representação política. Entre eles, destacam-se:

Polarização federal

A polarização da política nacional, marcada pela disputa entre direita e esquerda, tem levado a categoria a deixar em segundo plano a questão estadual. Esquece-se que é, прежде de tudo, no âmbito estadual que se decide grande parte do seu futuro, enquanto se abraça uma disputa nacional que parece não ter fim.

Falta de organização estadual

Embora existam algumas iniciativas, elas ainda são incipientes e pouco efetivas. Percebe-se também a omissão de grandes entidades que, como principais interessadas, deveriam liderar essa demanda.

Interesse individual acima do coletivo

Neste ponto, pouco há a discutir. Embora todo brasileiro tenha o direito de se candidatar, poucos entram na disputa com a verdadeira intenção de se eleger e representar a categoria. Muitos parecem buscar apenas algum benefício político ou pessoal no período pós-eleição.

Aquele candidato aventureiro em busca de visibilidade e possível benefício pessoal pós-eleição.

  • Nunca se candidatou ou, se já foi candidato, não alcançou três dígitos de votação;
  • Não possui uma estrutura mínima de campanha, seja humana, material ou financeira;
  • Conta com pouco respaldo partidário, servindo apenas para compor legenda em favor de candidatos já consagrados;
  • A categoria não o reconhece como uma liderança capaz de unir objetivamente o grupo em torno da candidatura.

Aquele candidato que reúne condições mínimas de disputa, as quais lhe dão expectativa de conquista do cargo

  • Possui histórico de candidaturas com votação expressiva, tanto em pleitos estaduais quanto municipais;
  • Ainda que nunca tenha sido candidato, dispõe de uma estrutura mínima de campanha, humana, material e financeira;
  • Conta com bom respaldo em partidos de expressão e possui histórico de articulação política;
  • Tem o reconhecimento mínimo da categoria em relação à sua figura pública.

E aí, qual será a sua escolha em 2026?

O candidato à VISIBILIDADE.
O candidato ao CARGO

Sinceramente, depois de tudo que a categoria já viveu, esperamos que façam a ESCOLHA CERTA.

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