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Sai nova pesquisa para Governo do RS

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PESQUISA PARA GOVERNADOR – RIO GRANDE DO SUL

A pesquisa de novembro do Instituto Methodus analisou três frentes da eleição de 2026:

Disputa pela Presidência da República – Acesse aqui os Resultados

Disputa as duas vagas ao Senado Federal – Acesse aqui os Resultados

Disputa para Governador do Estado – Apresentados nesta publicação

A pesquisa para o Governo do Estado indica que a maioria dos gaúchos ainda se mantém dispersa em relação à eleição. Enquanto uma parcela ainda menciona espontaneamente o nome do Governador Eduardo Leite como possível candidato, começa a se formar um segundo bloco de lembrança: de maneira gradual, os nomes de Edegar Pretto (PT) e Zucco (PL) passam a ganhar espaço na memória do eleitor, consolidando-se como alternativas percebidas para a disputa.

Iniciamos a divulgação dos resultados com a  Avaliação do Governo Estadual.

A maior parcela dos entrevistados classifica o governo como Regular (38,5%), seguida por Bom (27,6%). As avaliações positivas incluem ainda Ótimo (6,8%), totalizando 34,4% de percepções favoráveis. Nas avaliações negativas, Ruim representa 10,3% e Péssimo16,8%, somando 27,1%.

A predominância de avaliações Regular indica uma percepção intermediária relevante entre os eleitores, com avaliações positivas superando as negativas.

Aprovação de Governo

No indicador direto de aprovação, o governo registra:

  • 55,6% de Aprovação
  • 44,4% de Não Aprovação

Esse resultado aponta uma maioria que aprova o governo estadual no período analisado.

A menção espontânea, onde o eleitor responde livremente a quem destina seu voto, mostra um cenário marcado principalmente pela indecisão – 72,9% dos eleitores ainda não definiram seu voto.

Os nomes mais citados são: Eduardo Leite – PSD com 10,4% das citações, seguido por Edegar Pretto – PT com 4,5%, Zucco – PL com 3,5% e Juliana Brizola – PDT com 1,5%. Sebastião Melo – MDB recebe 0,8% das menções, Gabriel Souza – MDB, 0,6%, Maranata – PSDB 0,5% e Paula Mascarenhas – PSDB 0,3%. Branco/Nulo somam 5,1% das citações.

Já a menção estimulada, apresenta o seguinte cenário: Edegar Pretto – PT aparece na liderança com 20,3% das citações, seguido  por Juliana Brizola – PDT com 15,6% e Zucco – PL com 14,5%. Em seguida aparece Gabriel Souza – MDB com 5,7%, Covatti Filho – PP com 5,3% e Paula Mascarenhas – PSDB com 5,0%. Branco/Nulo somam 17,9% e Indecisos 15,8%.

gráfico comparativo da menção estimulada a governo do estado, apresenta Edegar Pretto – PT mantendo a liderança do cenário estimulado (19.2% em setembro/25 e 20.3% em novembro/25).

Zucco – PL apresenta uma redução de mais de 4 pontos percentuais. De segundo colocado em setembro, passa a ocupar a terceira posição em novembro. (18.8% em setembro/25 e 14.5% em novembro/25).

Juliana Brizola – PDT perde cerca de 3 pontos percentuais e fica abaixo do patamar registrado anteriormente (18,7% em setembro/25 e 15,6% em novembro/25).

Gabriel Souza – MDB permanece estável, com variação mínima dentro da margem de erro (5.8% em setembro/25 e 5.7% em novembro/25).

O percentual de Branco/Nulo aumenta cerca de 3,6 pontos percentuais. Indecisos permanecem estáveis durante o período analisado.

Na rejeição múltipla, quando o entrevistado pode marcar todos os candidatos em que não votaria de jeito nenhum, os resultados são: Edegar Pretto – PT com 29,0% das citações, Zucco – PL com 26,1%, Covatti Filho – PP com 17,2%, Juliana Brizola – PDT com 16,8%, Gabriel Souza – MDB com 14,3% e Paula Mascarenhas – PSDB com 13,6% das menções. 16,9% dos entrevistados afirmam não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. 8,6% não souberam responder.

José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos atende disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados e análises, além do direcionamento estratégico para campanhas. Se você busca uma consultoria política para sua disputa eleitoral, fale conosco por WhatsApp ou e-mail

Ficha Técnica da Pesquisa:

Metodologia –  O estudo tem por objetivo avaliar a intenção de voto dos gaúchos para as eleições de 2026, contemplando o desempenho dos principais pré-candidatos aos cargos de Presidente da República, duas vagas a Senador e Governador do Estado do Rio Grande do Sul.

A pesquisa é quantitativa, com entrevistas presenciais realizadas nos municípios selecionados, seguindo um desenho amostral probabilístico e estratificado por sexo, escolaridade, renda e localização geográfica, o que assegura a representatividade real do eleitorado do Rio Grande do Sul.

Período de Realização da Pesquisa: De 20 a 22 de novembro de 2025.

Tamanho da Amostra: 1021 entrevistas.

Margem de Erro: 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nível de confiança: O intervalo de confiança é de 95%.

Público-alvo: Eleitores do Rio Grande do Sul de 50 municípios pertencentes as sete mesorregiões do Estado (Centro-Ocidental, Centro-Oriental, Metropolitana, Nordeste, Noroeste, Sudeste e Sudoeste).

Fonte:  José Carlos Sauer Instituto Methodus 

Brigada Militar retira das ruas 33,9 toneladas de drogas e mais de mil armas de fogo em dez meses de 2025

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O combate ao tráfico de drogas inclui as apreensões que impactam financeiramente as organizações criminosas

A Brigada Militar (BM) apreendeu 33,9 mil toneladas (33.937,53 quilos) de maconha, cocaína e crack entre janeiro e outubro de 2025. Este resultado foi obtido por meio do policiamento ostensivo, da atuação dos comandos especializados e da realização de operações da Corporação, sustentados pelo serviço de inteligência e pelo uso das novas tecnologias, sob o fundamento da ética e do respeito aos direitos humanos. A maior apreensão ocorreu na região Norte do Rio Grande do Sul, o total de 13 toneladas (13.565,53 quilos.) A segunda maior apreensão superou 12,5 toneladas (12.510,93 quilos) e ocorreu na região Leste do Estado. Já nas regiões Sul e Oeste, as apreensões foram de 4,9 toneladas (4.918,67 quilos) e 2,9 toneladas (2.942,41 quilos), respectivamente.  

Destaca-se que a maconha é a droga mais frequente nas apreensões em todas as regiões, o que representa 96% do total, ou seja, 32,8 toneladas. As apreensões de cocaína representam 2,4% e, as de crack, 0,7%.

Armas de fogo

Ao passo que a Brigada Militar retira drogas das ruas combatendo as organizações criminosas do tráfico, combate a violência ao apreender as armas dos suspeitos. Entre janeiro e outubro deste ano, foram apreendidas o total de 4.325 armas de fogo, tendo sido a maior quantidade apreendida na região Leste, 2.093 unidades. Na região Oeste apreendeu-se 1.096 armas, na Norte 659 e, na região Sul, 477 unidades.

O serviço de excelência que a Brigada Militar presta à sociedade gaúcha é garantido por meio do constante aperfeiçoamento técnico oferecido aos Policiais Militares, bem como aos investimentos feitos em equipamentos e tecnologias.


Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

FONTE: BRIGADA MILITAR

66º Festival Hípico Noturno

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Na noite de 20 de novembro/25 o 4º Regimento de Polícia Militar de Porto Alegre sediou pela 66ª vez o Festival Hípico Noturno.

O evento é realizado anualmente na sede do 4º Regimento de Polícia Montada em Porto Alegre e neste ano também integra as comemorações de 188 anos da Brigada Militar. O festival criado em 1960 foi uma idéia do então Coronel Atílio Cavalheiro Escobar, se transformando em um festival mais antigo do Brasil.

O policiamento montado que já foi Guarda Presidencial, hoje realiza a polícia ostensiva em eventos como jogos de futebol, movimentos sociais, reintegrações de posse e policiamento em parques, além de manter a Guarda do Palácio Piratini.

O Festival Hípico Noturno, também é um momento de homenagear personalidades da sociedade gaúcha além de Oficiais e Praças. As delegações de competidores se deslocam de vários estados da federação para participarem deste badalado festival que conta com a participação de muitos cavaleiros e amazonas, civis e militares.

O 66º Festival Hípico Noturno contou com a abertura oficial e pronunciamento do Sr. Comandante Geral da Brigada Militar Coronel Claudio dos Santos Feoli, Secretária Adjunta da Secretaria de Segurança Pública do Estado, Del. Adriana Regina da Costa e oTenente Coronel Luiz Felipe Medeiros comandante do 4º RPMon, com a presença de vários comandantes de unidades operacionais e de apoio e sociedade em geral. O Comandante-Geral Cel. Claudio Feoli em sua manifestação ao agradecer os organizadores do evento destacou que o festival é grandioso pelo nível da competição, mas tem uma simbologia muito mais ampla pelo significado que tem o cavalo na historia do estado e da instituição Brigada Militar.

Ressaltando os valores da Cavalaria o Comandante do Regimento Ten. Cel.Luiz Felipe Medeiros apresentou as várias fontes de recursos necessários para a realização do festival, do empenho voluntário de várias pessoas organizações e empresas, mas que ao final o momento é coroado de uma grandeza reconhecida no Brasil inteiro.

Assista entrevista do Comandante.

O festival, além da competição conta com uma extensa programação cultural que pode ser acompanhada pelo endereço: www.festivalhipiconoturno.com.br

A IBCM além de ser uma parceira histórica do Festival Hípico Noturno, entregou a Premiação e foi homenageada pelos organizadores.

Seu presidente Daniel Lopes dos Santos fez a entrega de premiações e seu Vice-Presidente Alceu Bosi recebeu medalha de reconhecimento.

GALEERIA DE FOTOS

A segurança pública não pode ser refém de palanques: o debate antifacção e a omissão federal no enfrentamento do crime organizado                                           

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Marco Antônio Moura dos Santos[1]

O Brasil voltou a discutir facções criminosas, mas ainda não está discutindo segurança pública.

Embora isso represente um passo importante, falta direção coerente, técnica e institucional. A realidade que se impõe exige reflexão séria: o avanço das organizações criminosas não é apenas um fenômeno policial, mas uma questão social, jurídica, política, filosófica e constitucional profunda.

As facções controlam presídios, ruas, fronteiras e fluxos econômicos, formando, em muitos locais, uma verdadeira estrutura paralela de poder. Esta constatação, que deveria mobilizar políticas de Estado, tem sido tratada de modo politizado, superficial e retórico, exatamente como aponta Dworkin[2]: o Estado perde sua legitimidade quando abandona a integridade e adota decisões não alinhadas a princípios consistentes. A politização do debate antifacção viola, portanto, a integridade do Direito, ao permitir que um problema estrutural seja capturado por agendas de ocasião.

Quando a segurança pública se torna instrumento político, quem ganha são as facções. O debate brasileiro tornou-se espaço de discursos vazios e soluções improvisadas, confirmando a patologia comunicativa descrita por Habermas[3], a esfera pública deixa de deliberar racionalmente e passa a reproduzir agendas estratégicas, impedindo a construção de consensos mínimos.

A omissão do governo federal agrava o cenário. A União deveria liderar a coordenação nacional, mas tem adotado postura errática e fragmentada, violando o dever constitucional de proteção, conforme argumenta Ferrajoli[4]. Para ele, quando o Estado falha em impedir a violência sistemática praticada por grupos armados, viola diretamente sua função garantista.

O debate político evita enfrentar uma questão central: por que o Brasil não discute classificar facções como organizações terroristas? Segundo Alexy[5], decisões envolvendo restrições a direitos fundamentais devem observar a proporcionalidade e não cálculos meramente estratégicos. Essa recusa, muitas vezes motivada por ideologia, receio de desgaste ou temor de repercussões internacionais, não se sustenta juridicamente.

As facções cumprem requisitos objetivos de terrorismo, intimidação coletiva, domínio territorial, ataque ao Estado, de modo que o que falta não são critérios, mas vontade política para ponderar racionalmente meios e fins.  Jeremy Waldron reforça que o Estado de Direito só existe enquanto mantém condições mínimas de ordem e previsibilidade jurídica[6]. Quando facções dominam regiões, presídios e rotas econômicas, produzem um colapso da ordem jurídica, retirando do Estado o monopólio da força. Nesse contexto, classificá-las como grupos terroristas não é ser radical: é reconhecer juridicamente a realidade.

A situação torna-se ainda mais crítica sob a ótica de Lon Fuller, para quem a legalidade exige coerência normativa, generalidade, publicidade, estabilidade e aplicação efetiva.[7]. No Brasil, entretanto, a Lei Antiterrorismo é subutilizada, o SUSP opera de forma fragmentada, não há diretrizes nacionais claras e a execução penal permite comando externo do crime. Tais falhas representam violação da moral interna do Direito.

Diante disso, as medidas necessárias para enquadrar facções como terrorismo incluem: atualizar a Lei 13.260/2016; promover integração federativa efetiva; criar um Sistema Nacional Antifacção robusto; instituir regime jurídico diferenciado para líderes de facções; e reformar estruturalmente a execução penal com expansão de presídios federais e controle de comunicações.

Essas medidas são compatíveis com os limites constitucionais e princípios democráticos, desde que acompanhadas de controle judicial, proporcionalidade e proteção às garantias individuais.  Para superar as contradições do governo federal, é necessário abandonar improvisos, amadorismo e a lógica de comunicação instantânea das redes sociais. É preciso recuperar a racionalidade deliberativa (Habermas), a integridade normativa (Dworkin) e a proporcionalidade decisória (Alexy). Sem isso, o país continuará refém de soluções simbólicas e ineficazes.

O que está em jogo não é apenas um projeto de lei, é o futuro da segurança pública e do Estado de Direito no Brasil. A escolha entre retórica e responsabilidade é urgente. Para vencer as facções, será necessária seriedade, liderança federal, cooperação federativa, técnica e coragem institucional, além de compromisso pleno com a integridade constitucional. Precisamos de um Governo assentado em pilares firmes e fortes, não sujeitos a ruir sob quaisquer turbulências.


[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS e Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

[2] DWORKIN, Ronald. Law’s Empire. Harvard University Press, 1986.

[3] HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

[4] FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão: teoria do garantismo penal. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

[5] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008.

[6] WALDRON, Jeremy. The Rule of Law and the Measure of Property. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.

[7] FULLER, Lon. The Morality of Law. New Haven: Yale University Press, 1964

Câmara aprova PL Antifacção, entenda o que muda com a nova norma

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O presidente Hugo Motta impediu a apresentação dos destaques do Partido Liberal que incluíam no PL Antifacção a equiparação das facções aos grupos terroristas

BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL) Antifacção em sessão nesta terça-feira (18/11) diante de pressão do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) para acelerar a votação. A proposta, relatada pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), recebeu 370 votos diante de 110 contrários.

Grande parte dos votos contrários à proposta partiram do PT e de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ainda que o PL Antifacção seja de autoria do governo Lula, o grupo rejeitou as modificações feitas por Guilherme Derrite em seu substitutivo. O relator até incorporou trechos da proposição original, mas propôs alterações que a base não aceitou.

Uma delas é a divisão de bens e valores recolhidos em operações contra as facções entre os fundos da Segurança Pública — destinado à Polícia Federal (PF) — e dos estados. A avaliação do Planalto é que a divisão diminui o volume de recursos destinados à PF.

Foram os partidos de oposição e de centro que patrocinaram a aprovação do PL Antifacção segundo o substitutivo de Guilherme Derrite. A oposição capitaneada pelo Partido Liberal até pretendia mudar o relatório. A intenção era acrescentar no PL Antifacção a equiparação das facções aos grupos terroristas para garantir que os criminosos recebessem o tratamento dado aos extremistas no âmbito da Lei Antiterrorismo.

Quem barrou a mudança, antes que ela fosse sugerida no plenário, foi o próprio presidente Hugo Motta. Ele temia que a mudança tornasse o texto inconstitucional, permitindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) pudesse derrubá-lo.

O único destaque aprovado pelos deputados após a aprovação do texto-base no plenário foi o apresentado pelo líder do Novo, Marcel Van Hattem (Novo-RS). Ele proíbe os presos de votar nas eleições, ainda que estejam detidos em caráter provisório.

A oposição defendeu ativamente essa emenda, que, aprovada, agora passa a constar no PL Antifacção — e contempla todos os presos, sem restrições. O PT criticou o destaque, mas, votou a favor. O líder do partido, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que a bancada votou pela aprovação mesmo sabendo que essa proibição é inconstitucional.

O PL Antifacção segue para análise do Senado Federal. Ali, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), antecipou que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) assumirá como relator.

O que é o PL Antifacção?

Originalmente, o PL Antifacção previa mudanças na Lei das Organizações Criminosas. Desde o início, Derrite defendia que não era o suficiente, e que essa legislação não conseguia contemplar os crimes cometidos pelas facções. No primeiro relatório, ele equiparava as facções aos grupos terroristas, atendendo à principal reivindicação da oposição. Essa alteração previa uma mudança na Lei Antiterrorismo para garantir que as facções fossem tratadas no escopo dela. 

A mudança de Derrite não deu certo e ele recuou após alegações de que isto comprometeria a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime. A última versão do parecer foi protocolada na Câmara após o início da sessão desta terça-feira. Nela, o relator propõe a criação do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, nome que o próprio presidente da Câmara escolheu.

Agora, Derrite não mexe mais nas leis existentes. Ele propõe a criação de uma lei nova, inteiramente dedicada às facções e às milícias. Mas o relator não chama as facções de “facções”. Ele as classifica como organizações criminosas ultraviolentas.

No Marco Legal que propõe, Derrite define penas de prisão entre 20 e 40 anos para membros de facções e milícias que cometerem os crimes de domínio social listados nessa lei. Ele ainda aumenta penas para aqueles que usarem drones nas ações das facções.

Os delitos contemplados nesse trecho são aqueles que acontecem, por exemplo, quando as facções e milícias dominam favelas impedindo a entrada das forças de segurança; ou quando cobram pela prestação de serviços ilegais — um exemplo é o gatonet.

Esses crimes receberão, pelo projeto, tratamento semelhante àqueles considerados hediondos. Na prática, significa que quem for enquadrado pelo Marco Legal não terá direito à anistia, graça ou indulto. Também não poderá pagar fiança e nem ter direito ao livramento condicional.

Em seu substitutivo, Derrite mantém pontos do PL Antifacção apresentado pelo Ministério da Justiça. O principal deles é o sufocamento financeiro das facções. Ele também aderiu à sugestão do governo de criar um banco nacional de membros de facções para permitir que os estados possam trocar informações sobre esses criminosos. 

A última versão do relatório era costurada pelo relator desde quarta-feira (12/11), quando seu quarto substitutivo não alcançou o consenso necessário para ser votado no plenário da Câmara. A despeito de ter feito mudanças, Derrite ignorou a principal crítica — e reivindicação — da base. 

Ele manteve a previsão de distribuição dos bens recolhidos em operações contra facções entre a PF e os fundos de segurança estaduais. O único ajuste feito pelo relator nesse ponto é a previsão de que os valores destinados à PF vão para o Fundo Nacional de Segurança Pública, e não mais para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol).

Derrite, em crítica direta à base, afirmou no relatório que integrantes do governo Lula não o procuraram. “Tomei conhecimento pela mídia de alguns pontos que não agradavam”, expôs, acrescentando que acolheu o pedido da equipe do presidente da República sobre o perdimento de bens. 

O relator incorporou no substitutivo ao PL Antifacção a previsão de perdimento automático de bens ainda durante o inquérito policial. Na prática, significa que a Justiça poderá impôr a perda imediata de bens e valores recolhidos de facções e milícias. A previsão é que esses itens passem imediatamente a pertencer ao Estado.

O deputado também acata outras sugestões nesse último parecer. São ajustes técnicos, como: 

  • Mudança na lei de lavagem de capitais para prever que o produto ou proveito do crime seja revertido em favor do ente federativo responsável pela investigação; é nesse ponto que ele mantém a divisão dos bens apreendidos entre os fundos estaduais e o fundo de Segurança Pública.
  • Participação do Ministério Público através dos Procedimentos Investigatórios Criminais do MP quando houver força-tarefa para investigação de facções;

Há, ainda, um ajuste que acolhe um pedido da base em relação à Receita Federal. O substitutivo de Derrite prevê que as medidas previstas no PL Antifacção não impedem retenção, apreensão e perdimentos de bens, valores e ativos previstos em normativos internos aplicados no âmbito do processo administrativo.

“O que permite que Receita Federal, Banco Central e outros órgãos fiscalizadores possam continuar executando suas medidas de perdimento imediato de bens”, esclareceu no relatório.

Solenidade de 188 anos da Brigada Militar.

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A corporação criada em 1837 para manter a ordem pública na então Província de São Pedro, se mantém sólida sendo patrimônio e orgulho do povo gaúcho.

 Na manhã desta terça-feira, 18/11, as 10 horas, ocorreu na Academia de polícia Militar a formatura comemorativa aos 188 anos da Brigada Militar.

  A Solenidade contou com a presença de diversas autoridades, civis e militares, dentre elas o Governador Eduardo Leite, o Secretário de Segurança Pública Mario Iukio Ikeda, o Comandante da Brigada Militar Coronel Claudio dos Santos Feoli e o Comandante do Corpo de Bombeiros Militar Coronel Julimar Fortes Pinheiro.

  A atividade comemorativa contou com a entrega de 216 viaturas á Brigada Militar, sendo 25 Toyota Corolla Cross, 178 Toyota Hilux. 8 Sw4, além de 02 Caminhões Mercedes Benz com plataforma e três caminhões guincho.

 A entrega também contemplou o Corpo de Bombeiros Militar com  120 viaturas L200.

  As chaves foram entregues pelo Governador do Estado aos Comandantes das duas corporações, proporcionando a partir de agora um incremento ainda maior na operacionalidade das ações policiais e de bombeiros.

  Durante a cerimônia o Capelão Honorífico da Brigada Militar, Padre Alexandre Chaves, prestou as bênção ao efetivo da corporação.

 Junto a solenidade ocorreram homenagens  à civis e militares, sendo  realizada a entrega de medalhas.

 O Presidente da Rede ABC da Segurança Pública Gilson Noroefé foi agraciado com a medalha Legionário de Honra, quando atribuiu parte do reconhecimento a equipe de voluntários do Correio Brigadiano.

  Os discursos do Sr Governador do Estado, Secretário de Segurança Pública e Comandante Geral da BM ao apresentarem a Brigada Militar em seus feitos históricos, seguiram a linha de demonstração dos excelentes resultados de programas como o RS Seguro, o alcance de patamares históricos  no combate a criminalidade, a formação e aperfeiçoamento do efetivo e principalmente da qualificação dos homens e mulheres da Brigada Militar permitindo se aproximar de 200 anos.

As comemorações de 188 anos iniciaram no dia 15 de novembro e se encerram no dia 23 de novembro.

CONFIRA ENTREVISTAS CMT GERAL E EQUI CORREIO BRIGADIANO

Brigada Militar a força da Comunidade ,pilar da democracia

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A Brigada Militar do Rio Grande do Sul celebra mais um aniversário reafirmando seu papel histórico e contemporâneo como Instituição de Estado, permanente, profissional e imprescindível à proteção da sociedade gaúcha.

Na realidade, mais do que a Instituição, o Rio Grande do Sul é quem deve celebrar, diuturnamente. A Brigada Militar foi criada e forjada no período farroupilha, nascendo em 1837 voltada à defesa da liberdade, da ordem e da comunidade, valores que seguem orientando sua identidade, independentemente de mudanças políticas, governos, partidos ou ideologias.

Ao longo de quase dois séculos, evoluiu para muito além do seu simbolismo histórico, tornando-se referência nacional como Instituição de segurança pública,, atuando com tropas altamente treinadas, equipadas e capacitadas para enfrentar desde desafios cotidianos até operações de alta complexidade. Suas estruturas operacionais especializadas, suas unidades de pronta resposta, seus protocolos modernos e sua doutrina profissional consolidam uma atuação firme, técnica e eficiente contra o crime e a violência.

É uma estrutura constitucional que serve à sociedade, ao Estado Democrático de Direito e ao interesse público. Sua independencia politico-paridária é o que confere legitimidade, estabilidade e confiança pública à Corporação.

A atuação qualificada da Brigada Militar se manifesta enquanto polícia ostensiva, na prevenção, do diálogo comunitário, de programas educativos, assim quanto na repressão eficiente, planejada e proporcional. A tropa que vai à rua diariamente representa um corpo profissional e dedicado, que responde com técnica às demandas da população.

Celebrar o aniversário da Brigada Militar é reconhecer uma trajetória construída por homens e mulheres que assumem, todos os dias, o compromisso de proteger vidas, garantir direitos e preservar a ordem pública, mesmo com o risco da propria vida, como prova nosso panteão de heróis.  É também fortalecer o futuro: uma Brigada cada vez mais moderna e alinhada aos mais altos padrões de segurança pública.

A Brigada Militar permanece e permanecerá sendo o mais sólido pilar da democracia, da proteção social e da defesa intransigente do povo gaucho e brasileiro.

Parabens Brigada Militar, obrigado a todos briososs policiais militares do Estado do Rio Grande do Sul, dignos “brigadianos”, quer da ativa ou da sua Legião Altiva.

BRIGADA MILITAR A FORÇA DA COMUNUIDADE, RUMO AOS DUZENTOS ANOS!

Marco Antônio Moura dos Santos

Coronel da Reserva da Brigada Militar e Especialista em Integração e MERCOSUL (UFRGS)

Brigada Militar celebra 188 anos com investimentos, tecnologia e queda nos indicadores criminais

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Aniversário da instituição terá uma série de atividades e entrega das primeiras viaturas totalmente elétricas ao longo da semana

Guilherme Sperafico Correio do Povo

A Brigada Militar (BM) completa nesta terça-feira (18), 188 anos de atuação na preservação da ordem pública no Rio Grande do Sul. Fundada em 1837, a corporação chega ao aniversário em um momento marcado pela modernização, ampliação da presença territorial e redução da criminalidade no Estado. Para celebrar a data, a instituição promove, entre 15 e 23 de novembro, a Semana da Brigada Militar, com eventos esportivos, atividades para crianças, homenagens e a entrega das primeiras viaturas totalmente elétricas da história da corporação.

À frente da Instituição desde 2023, o comandante-geral, coronel Cláudio dos Santos Feoli, destaca que, apesar de quase dois séculos de transformações, a essência da corporação permanece a mesma: “Desde o início, as marcas que nos caracterizam são o compromisso com a sociedade, o espírito de legalidade, a coragem e o espírito público nas nossas fileiras. O que mudou ao longo de tantas décadas foram as funções institucionais. Hoje realizamos o produto policiamento ostensivo, preventivo e repressivo com forte viés comunitário e de prestação de serviço. Mudaram os tempos, mas essa essência se mantém preservada e assim deve ser”, afirma.

Para Feoli, comandar a Brigada Militar significa mais do que gerir estruturas, é assumir uma missão. “É, antes de tudo, uma honra que transcende o exercício de uma função. É ter a responsabilidade de liderar uma instituição que, ao longo de 188 anos, não apenas protegeu o Rio Grande do Sul, mas também moldou a personalidade e o caráter da maioria de seus integrantes. Antes da farda, ela inspira valores”, ressalta.

O comandante destaca que sua missão reconhecer e potencializar a vocação coletiva da BM para o bem público. À frente da instituição, se tem a oportunidade de dotar os policiais de equipamentos modernos e adequados, capazes de proteger suas vidas e de ampliar a eficiência de cada intervenção

Ao mesmo tempo, Feoli lembra que o comando também impõe o dever de realizar a defesa institucional. “Vivemos um cenário em que a atividade policial é, muitas vezes, injustamente atacada, distorcida ou desvalorizada. Cabe a nós reafirmar, com serenidade e firmeza, o papel fundamental da Brigada Militar na preservação da ordem e da vida. Defender a instituição é defender o direito do cidadão a viver em segurança”, acrescenta.

Ampliação do efetivo

Atualmente, a corporação conta com quase 19 mil brigadianos, o que representa um aumento significativo em relação aos cerca de 16 mil policiais que preenchiam o quatro há cinco anos. A recomposição foi resultado da estratégia do Estado de priorizar a segurança pública e ampliar investimentos. “A queda dos indicadores criminais demonstra que essa política foi acertada”, afirma o comandante-geral. Segundo ele, há previsão de novos concursos, mas ainda sem data oficial definida.

Os últimos anos foram marcados por investimentos em tecnologia e infraestrutura. A frota de viaturas foi renovada com veículos semiblindados, houve padronização de armamentos e aquisição de novos fuzis, reforço de armas de menor potencial ofensivo, modernização dos fardamentos e implantação de redes de rádio criptografadas. A corporação também ampliou o uso de drones, sistemas de cercamento eletrônico e câmeras corporais.

Feoli ressalta, porém, que os equipamentos só fazem sentido quando combinados com qualificação. “Costumamos falar na tríade de homem, equipamento e treinamento, e essa última parte é fundamental na operação. Ao longo dos últimos anos, formulamos os maiores calendários de ensino da história da Instituição”, completa.

Para ele, as quedas nos indicadores criminais não são obra do acaso. A BM incorporou, nos últimos anos, um modelo de policiamento baseado em análise de dados, que identifica horários e locais de maior incidência e posiciona o efetivo de forma estratégica, muitas vezes antes da ocorrência do crime.

Outro pilar é a integração com a Polícia Civil. “Hoje operamos de maneira coordenada, unindo investigação, inteligência e presença territorial. Isso gera eficiência e rapidez na resposta ao crime. Também destacam-se as tropas especializadas, que reforçam o policiamento territorial e atuam de forma cirúrgica quando há necessidade de ações repressivas mais complexas”, acrescenta.

Entre janeiro e outubro de 2025, a Brigada Militar realizou 4.310 operações integradas, montou 179 mil barreiras policiais, fiscalizou mais de 2 milhões de veículos e abordou 3,3 milhões de pessoas. O trabalho resultou em 82.956 prisões e 4.313 armas de fogo apreendidas.

Desafios incluem o crime organizado e a legislação

Apesar dos avanços, o crime organizado segue sendo o principal desafio da segurança pública no país, avalia Feoli. “Esses grupos possuem capacidade financeira, logística e armamento muito superior ao que se via anos atrás. Eles se articulam nacionalmente e transnacionalmente, explorando fragilidades estruturais do Brasil”, explica.

Para ele, o combate exige uma política nacional robusta para proteção de fronteiras, com atuação mais efetiva da União “A entrada de armas, drogas e munições no país alimenta diretamente as organizações criminosas que aqui atuam. Sem uma política nacional robusta de fronteiras, todo o esforço que fazemos nos estados acaba sendo um trabalho permanente de contenção”, justifica.

Outro ponto considerado determinante é a legislação penal, que permite, segundo o comandante, a rápida soltura de reincidentes. “A sensação de impunidade fortalece o crime e aumenta a reincidência. Segurança pública eficiente exige leis proporcionais à gravidade dos delitos e que resguardem a sociedade daqueles que reiteradamente atentam contra a vida, o patrimônio e a ordem pública”, completa.

Semana de comemorações

A programação dos 188 anos iniciou no sábado (15), no Parque da Redenção, com o Dia D de Diversão .O evento contou brinquedos infláveis, apresentações com cães e cavalos, exposição de viaturas, distribuição de pipoca e algodão-doce e atividades educativas.

Nesta terça-feira (18), às 10h, ocorre a formatura comemorativa aos 188 anos. A solenidade será na Academia de Polícia Militar, com entrega de viaturas, medalhas e homenagens.

Na quarta-feira (19), às 16h, serão apresentadas as duas primeiras viaturas 100% elétricas da BM. A entrega oficial ds veículos BYD Yuan Pro será realizada no 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Porto Alegre. Os carros foram comprados com recursos da Justiça.

A programação inclui, ainda, a 2ª Rústica da Brigada Militar, na quinta-feira (20), e o tradicional Festival Hípico Noturno, entre quinta e domingo (23), reunindo cavaleiros e amazonas, militares e civis, do Exército Brasileiro, da BM e de outras polícias militares do Brasil e dos países do Cone Sul.

As celebrações terminam com o Remo Comemorativo, no domingo, na Orla do Guaíba. A atividade é simbólica e presta homenagem à Brigada Militar, com participação de equipes do Comando Ambiental e convidados.

“A Brigada Militar é patrimônio do povo gaúcho”

No aniversário, Feoli deixa uma mensagem à tropa e à população:

“A Brigada Militar, ao longo de seus 188 anos, sempre enfrentou com bravura, técnica e espírito público todas as ameaças dirigidas à sociedade gaúcha. Foi assim no passado, é assim hoje, e continuará sendo assim no futuro. Mesmo diante de um cenário em que o enfrentamento à criminalidade se torna cada vez mais complexo, e em que surgem narrativas injustas e antagônicas à atividade policial, nossos profissionais não recuam: seguem firmes, dedicados e comprometidos com os gaúchos.

Aos policiais militares, deixo meu mais profundo reconhecimento. Foi graças ao trabalho incansável de cada um, homens e mulheres que arriscam a própria vida diariamente, que o Rio Grande do Sul alcançou o ano mais seguro desde o início da série histórica. Vocês são a espinha dorsal da segurança pública do Estado, e honram, com cada ação, o legado quase bicentenário desta Instituição.

À população gaúcha, deixo uma mensagem de confiança: contem com a Brigada Militar. Estamos nos aprimorando, investindo em tecnologia, inteligência policial e equipamentos modernos para proteger melhor nossos policiais e servir com ainda mais eficiência. A Brigada Militar é patrimônio do povo gaúcho e trabalha incansavelmente para que o Estado seja cada vez mais seguro, próspero e preparado para as gerações futuras.”

Em nova tentativa, ninguém se oferece para levar helicóptero do RS, que ficou 80% mais barato

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Aeronave custou R$ 4,1 milhões ao Estado

Jocimar Farina GZH

Em mais uma tentativa de vender um helicóptero Bell 230, o governo do Estado não conquistou interessados. Adquirido em 1998, ao custo de R$ 4,1 milhões, a aeronave foi ofertada em leilão em outubro por R$ 790 mil.

Dessa forma, a disputa foi considerada deserta. Ainda não há informação sobre se o governo buscará abrir uma nova disputa.

Em 2019, o helicóptero estava avaliado em R$ 2,6 milhões. No mesmo ano, o valor caiu para R$ 2 milhões. 

Em fevereiro de 2025, ninguém quis pagar mais de R$ 1,5 milhão. Em junho, na última tentativa, a aeronave era ofertada a R$ 1 milhão.

O modelo está à venda desde 2016. Além de transportar o governador há 20 anos, a aeronave era usada pela Brigada Militar.

Por ter se tornado caro – com um contrato de manutenção de R$ 750 mil por ano – e por não servir mais à corporação, o helicóptero está sendo negociado. Segundo o Batalhão de Aviação da Brigada Militar, a aeronave não é mais fabricada, o que dificultava a localização de peças para sua manutenção. 

Outro helicóptero

Em outro leilão, o governo gaúcho conseguiu vender, em 2025, outro helicóptero, modelo MD500, fabricado em 1989. O comprador o arrematou por R$ 320 mil. 

A aeronave também ficou anos na fila. Seis meses depois da aquisição, o arrematante reformou a aeronave e a colocou à venda por R$ 7,1 milhões.

Pesquisa constata que segurança pública é a principal preocupação dos brasileiros

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No fim de 2024, a Quaest apontava que a economia liderava as preocupações da população. A pesquisa foi feita nove dias depois da operação das polícias do Rio nos complexos da Penha e do Alemão.

Por Jornal Nacional

Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com a segurança pública.

Histórias não faltam.

“Dois rapazes numa moto, um deles desceu, o garupa, apontou a arma para mim e para minha amiga, e levou nossos celulares”, diz Maria Gerusa, auxiliar de escritório e técnica de enfermagem.

Cada um procura um jeito de tentar se proteger.

“Celular na mão por nada desse mundo. Eu entro em algum lugar para abrir, para olhar… Mas isso não é Rio. São Paulo, da onde eu venho, está a mesma coisa”, comenta Simone Guedes, pedagoga.

E logo surge alguém para dizer o que o medo ensinou.

“Eu já fui assaltada na rua. Meu filho, na rua da minha casa. E o pub aqui onde a gente está no momento foi arrombado duas vezes em um mês. Durante a madrugada eu fico acordada, trabalhando e monitorando câmeras”, afirma Graziela Weber, moradora de Novo Hamburgo, RS.

O que vem desses relatos se repete pelo país. A violência virou a maior preocupação do brasileiro – e, desde julho, só aumenta. No fim de 2024, era a economia que ocupava esse lugar. Agora, o alerta mudou. É o que aponta uma pesquisa da Quaest.

“No auge da Lava Jato, os brasileiros diziam em pesquisa que a maior preocupação deles era com a corrupção. Em 2022, depois da pandemia, a preocupação dos brasileiros acabou sendo a saúde pública. No auge da eleição de 22 a gente viu a fome e a economia voltarem a aparecer relevantes na cabeça dos brasileiros. A gente está terminando 2025 e chegando em 2026 com nível de preocupação com violência que é histórico. Agora, depois da operação que a gente viu no Rio de Janeiro, esse tema ganhou espaço na opinião”, destaca Felipe Nunes, diretor da Quaest.

A pesquisa — feita dias depois da operação das polícias do Rio nos Complexos da Penha e do Alemão –, também perguntou se as pessoas se sentem seguras ao andar pela própria cidade. Seis em cada dez brasileiros disseram que não, não se sentem seguros. Nas grandes cidades, o temor é ainda maior, mesmo quando não existe uma ameaça visível.

O estudo também comparou as regiões. No Sudeste e no Nordeste a sensação de segurança é menor.

“Um dos dados mais interessantes da pesquisa é a percepção de que o morador do Sudeste e o morador do Nordeste têm níveis parecidos de preocupação em andar na rua, em ser assaltado, em sofrer qualquer tipo de violência. O Sul do Brasil e o Centro-Oeste são uma exceção nesse caso, o que mostra que não é só o nível de renda que explica esse processo”, completa Felipe.

Outro dado aproxima lugares muito diferentes: a porcentagem de quem conhece alguém que teve a casa ou o comércio roubados é a mesma nas cidades pequenas e nas metrópoles. 56% nos municípios com até 20 mil habitantes e os mesmos 56% naqueles com mais de 500 mil moradores.

A psicóloga Taynan Araújo mora na pequena Ilha de Itamaracá, a 40 km do Recife.

“Foram três vezes arrombada minha casa. São casos que mexem com toda a população, paralisa realmente toda uma população.”

Hoje, uma grande tensão do brasileiro ao sair de casa tem nome e cabe no bolso: o celular. A pesquisa perguntou: “Você conhece alguém que teve o celular roubado na região onde mora?”. Mais da metade da população de cidades pequenas e médias respondeu sim. E nos grandes centros, a situação é ainda mais alarmante: 73%.

A universitária Bruna Eckhardt trocou o interior do Rio pela capital há quatros anos. Saiu de Petrópolis para estudar Ciências Políticas. Nunca imaginou que, em tão pouco tempo, precisaria comprar tantos celulares. Foi furtada em 2022. Outra vez em 2023. E mais uma este ano.

“Hoje o celular virou quase uma parte do nosso corpo. Então tem tudo, tem banco, tem foto, lembrança, memória. Eu fiz o boletim de ocorrência, mas não tive resposta”, conta Bruna.

O crime na porta de casa. Três em cada quatro brasileiros dizem ver a presença do tráfico onde vivem. Quase um terço convive com milícias. Para a grande maioria da população o crime organizado cresceu. E 77% afirmam que é um problema nacional — porque atravessa regiões, governos, e exige ação integrada.

“Nós não estamos aqui tratando de uma questão regional. A pesquisa mostra isso com muita clareza. Os brasileiros sabem que esse é um problema do Brasil e que vai ter que ser enfrentado no país inteiro”, diz Felipe Nunes.

Na Câmara dos Deputados, em Brasília, ainda não houve acordo sobre o projeto de lei que trata do combate às facções criminosas. A proposta foi alterada quatro vezes em menos de uma semana. A votação está marcada para terça que vem. Mas o embate entre governo e oposição pode alterar essa data. Especialistas da área de segurança pública criticam a demora. O jurista Gustavo Sampaio Afirma que a polarização política não pode prejudicar a discussão desse tema que é urgente para a sociedade.

“Nesse momento, a polarização significa um retrocesso, ela atrasa o processo legislativo, sobretudo porque a caminhada que nós temos que empreender é de uma união de esforços entre os estados-membros da federação, os 26, o Distrito Federal e a União Federal. Quanto mais demorar o processo legislativo, mais vai demorar a aplicação das políticas públicas de resolução do problema da segurança pública. Quanto mais tempo tardar, mais vidas poderão ser perdidas e maior o sentimento da insegurança em toda a sociedade brasileira.”

Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com segurança — Foto: Reprodução/TV Globo

Uma pesquisa constatou que o brasileiro nunca esteve tão preocupado com segurança — Foto: Reprodução/TV Globo