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Corpo de Bombeiros do RS realiza formatura de 322 sargentos que atuarão nas unidades da corporação

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O curso se iniciou no dia 30 de maio deste ano e cumpriu o planejamento de ensino de 495 horas-aula; a solenidade foi realizada no campus da Ulbra, em Canoas

Fernanda Bassôa Correio do Povo

Aconteceu nesta sexta-feira, no campus da Ulbra, em Canoas, a formatura de habilitação à promoção para a graduação de 2º sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. Com 322 formandos, o curso se iniciou no dia 30 de maio de 2005 e cumpriu o planejamento de ensino de 495 horas-aula, sendo 240 horas ministradas na modalidade de ensino à distância e 225 presencialmente, sendo a parte presencial dividida em três etapas.

As disciplinas abrangeram o conhecimento técnico-profissional general e conhecimento técnico-profissional específico na temática do bombeiro militar, destacando-se as disciplinas de prevenção de incêndio, busca de salvamento, tática de combate a incêndio e defesa civil. A partir da habilitação, os militares passarão a integrar as diversas unidades do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul, representando um incremento de recursos humanos qualificado e responsável.

O Comandante do Corpo de Bombeiros Militar do RS, coronel Julimar Fortes Pinheiro, iniciou seu discurso resgatando as origens da corporação, falando sobre o fundamento de que o Estado tem o dever inalienável de proteger a vida e o bem público. “Alicerçadas na conduta e na coragem de combatentes, que ousaram enfrentar as agruras do fogo. Valendo-se de valores e princípios, o Corpo de Bombeiros Militar, se estabelece como uma instituição de maior credibilidade para a sociedade brasileira.”

O coronel enfatizou que o Corpo de Bombeiros é a prova viva que o tempo não apaga os verdadeiros valores. “O tempo, os engrandece e fortalece a coragem, a disciplina, a humanidade, a excelência e a dedicação absoluta à vida. Hoje comemoramos mais um momento de vitórias para nossa corporação. Todos aqui já são vitoriosos porque escolheram estar entre os melhores. E venceram todos os desafios para concretizar seus sonhos e objetivos pessoais quando ingressaram nas fileiras do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio Grande do Sul.” Por fim, exaltou que todos os militares presentes foram aprovados em todas as etapas do curso e hoje, conjuntamente, podem comemorar mais esta vitória.

Brigada Militar projeta novos PMs nas ruas a partir de setembro de 2026

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Estimativa considera o cronograma de formação e o estágio operacional dos alunos-soldados

Airton Lemos GZH

Após o anúncio do chamamento de 1,2 mil novos soldados para a Brigada Militar, a corporação já trabalha com uma projeção concreta: os primeiros policiais formados devem chegar às ruas entre o fim de setembro e o início de outubro de 2026. Segundo o comandante-geral, coronel Cláudio Feoli, a estimativa considera o cronograma de formação e o estágio operacional dos alunos-soldados.

Os 800 primeiros convocados iniciam o curso na segunda quinzena de janeiro. Com oito meses de aulas, a formatura está prevista para o fim de setembro ou início de outubro. Outros 400 começarão a formação em abril e só devem reforçar o policiamento em 2027. Antes disso, todos passam por um estágio de 30 dias.

Distribuição só será definida no fim do curso

Ainda não há definição sobre quais cidades receberão o novo efetivo. A corporação trabalha com critérios técnicos que só podem ser aplicados após a conclusão da formação.

— Ao final do curso nós avaliamos todo um contexto técnico de distribuição, inicialmente preenchendo aqueles municípios que têm um efetivo muito baixo em relação à sua população e, a partir daí, os de maior índice de criminalidade — conclui.

Segundo Feoli, a lógica é: primeiro, reforçar municípios com efetivo baixo em relação à população; depois, priorizar localidades com maiores índices de criminalidade. A avaliação depende de indicadores que variam ao longo do ano, o que impede antecipar o mapa de distribuição.

Oito meses de formação e protocolos atualizados

A formação dos novos soldados inclui disciplinas de Direito, Direitos Humanos, técnica policial, defesa pessoal, uso progressivo da força e aplicação de armas letais e não letais. Eles também recebem treinamento em policiamento comunitário, proteção escolar, atendimento a grupos vulneráveis e procedimentos operacionais padrão.

Déficit ainda é grande, mas vem diminuindo

A entrada dos novos policiais melhora o quadro, mas não resolve o déficit histórico. Feoli lembra que, na década de 1990, a Brigada contava com cerca de 30 mil policiais.

Com o chamamento anunciado, a projeção é que o efetivo alcance 20 mil PMs em 2026 — número ainda distante do patamar de 30 anos atrás, embora superior ao registrado nos últimos anos.

Além dos soldados, a corporação prevê o chamamento de 120 alunos-oficiais em 2026, cujo curso tem duração de dois anos.

Tecnologia e gestão por resultado para compensar defasagem

Mesmo com menor efetivo que no passado, a Brigada afirma que tem conseguido reduzir indicadores de criminalidade com o uso de ferramentas de gestão. Dados de incidência de ocorrências orientam a alocação de equipes, horários de reforço e distribuição de viaturas, numa estratégia que a corporação utiliza para otimizar recursos humanos e materiais.

Do faro ao patrulhamento: como é a formação da tropa canina da Brigada Militar em Passo Fundo

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Canil do 3º Batalhão de Polícia de Choque conta com 12 cães que atuam em diferentes ocorrências. Setor existe desde a década de 1980

Tatiana Tramontina GZH

O trabalho policial em Passo Fundo também tem quatro patas, faro apurado e disposição que impressiona até quem vive a rotina da segurança pública. É na sede do 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMon), no bairro Lucas Araújo, que funciona o canil do 3º Batalhão de Polícia de Choque (3º BPChq). 

Ativo desde a década de 1980, hoje o espaço reúne 12 cães treinados para atuar em diferentes ocorrências: do faro de drogas e armas a ações de controle de distúrbios, rebeliões em presídios e patrulhamento tático motorizado. Nas linhas de Controle de Distúrbios Civis (CDC), por exemplo, os cães ficam atrás dos escudos, reforçando a segurança das equipes.

— Os cães são adquiridos pelos próprios militares. Depois de um ano, eles entram no que chamamos de carga da Brigada Militar e, a partir daí, é que fazem parte mesmo do plantel canino — explica o soldado Anderson da Costa, integrante mais antigo do canil.

É o trabalho diário com a tropa canina que forma a parceria com os policiais e vai muito além do trabalho operacional. Cada animal tem nome, ficha veterinária atualizada, rotina rígida de alimentação e treinamento.

Apesar da estrutura de 45 anos, o espaço está em constante reforma. São os próprios policiais que cortam a grama, limpam o pátio, organizam o estoque de ração e realizam pequenos reparos. Os espaços onde os cães dormem são higienizados diariamente, e cada animal recebe duas refeições — somando cerca de 700g de ração por dia.

Todos os dias, no turno da tarde, os cães participam do patrulhamento tático motorizado, reforçando a presença da polícia nas ruas de Passo Fundo. 

Como nasce um cão policial

A especialização dos animais começa cedo: os filhotes chegam ao canil com cerca de 45 dias. Nesse período, passam por uma análise de comportamento, o que vai definir se seguirão carreira e, mais tarde, a qual modalidade de atuação serão direcionados. 

Nem todos avançam. Alguns demonstram medo de barulhos, insegurança com ambientes novos ou dificuldade de socialização. Quando isso acontece, os cães são doados para famílias da comunidade. 

— Vai ter um cão que come mais rápido, outro que briga para comer e come mais. Esses, por exemplo, são cães que já vamos direcionando (para treinamentos), porque são cães mais seguros, com mais personalidade. No caso de adoção dos que não têm aptidão, nós sempre analisamos a família para onde esse animal vai e seguimos acompanhando depois também — afirma o soldado. 

A equipe é composta em sua maioria por cães da raça pastor-belga-malinois, conhecidos no meio policial pela resistência, energia elevada, facilidade de aprendizado e determinação de trabalho: 

— Essa raça é a 01 de cães de polícia. Eles têm mais aptidão, não têm tanta doença e são mais viris. 

Alguns animais se especializam exclusivamente em faro, outros em guarda e proteção, e há ainda os cães de “duplo emprego”, capazes de atuar tanto no policiamento motorizado quanto na busca por armas e drogas, por exemplo. 

Entre os nomes que formam a equipe estão Mago, Thanos, Bonnie, Honey, Laika, Apache, Kratos, Hanna, Athena, Sniper, Lord e Venon. Os mais jovens do grupo são Hanna e Sniper, com sete meses de idade.

Cão de faro é um cão viciado?

Tatiana Tramontina / Agencia RBS
Treinamento de faro é motivado por brincadeira e recompensa.Tatiana Tramontina / Agencia RBS

Os cães são treinados para reconhecer desde drogas sintéticas, como êxtase e cocaína, até substâncias naturais. Segundo Anderson, ao contrário do que muitos imaginam, o cão de faro não é “viciado” na substância que busca, mas sim motivado por brincadeira e recompensa.

O treinamento de faro segue um método simples, mas altamente eficaz. Para treinar os cães, os policiais utilizam uma caixa de madeira com um furo no meio, onde a droga é colocada dentro de um suporte seguro. Antes da busca, o instrutor mostra para o cão a bolinha. 

Guiado pelo cheiro, o animal fareja a caixa e, ao localizar o odor da substância, ele se senta imediatamente. O gesto é um aviso para “alvo encontrado”. A resposta correta garante ao animal a bolinha, sua tão esperada recompensa. 

— Muito pelo contrário do que as pessoas acham, ele não é um cão viciado. Ele é o cão mais feliz do mundo. Apesar de estar trabalhando, para ele, aquilo é uma brincadeira.

Governador Eduardo Leite autoriza nomeação de 1,2 mil soldados da Brigada Militar

Serão chamados 800 policiais em janeiro e outros 400 em abril de 2026

Júlia Ozorio GZH

O governador Eduardo Leite autorizou a nomeação de 1,2 mil novos soldados aprovados em concurso da Brigada Militar. De acordo com o anúncio, realizado nesta quinta-feira (4) na rede social X, serão chamados 800 policiais em janeiro, e outros 400 em abril do ano que vem.

A partir da convocação, os candidatos aprovados realizarão o Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM), ficando aptos para reforçar a segurança pública do Estado. 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do RS, esta foi a primeira convocação do certame, que foi aberto em março e homologado em 21 de novembro. O edital tem validade de dois anos, seguindo ativo até 21 de novembro de 2027, e pode ser prorrogado por igual período. 

Atualmente, o processo seletivo está na etapa de investigação social e análise da vida pregressa dos candidatos aprovados. Aqueles que tiverem a documentação aprovada nesta fase, poderão iniciar o curso de formação, que deve durar cerca de 10 meses.

Conforme a Brigada Militar, a previsão é de 500 policiais sejam destinados à Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Graduados (EsFAG) de Porto Alegre e outros 300 à Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) de Montenegro, no Vale do Caí.

“Reposição contínua”

Na publicação de anúncio, Leite também ressaltou que a medida é uma continuidade da política de reposição do efetivo, iniciada em seu primeiro mandato:

“Mais um passo de continuidade na política que adotamos ainda no meu primeiro ano de mandato, em 2019, com uma rotina de reposição de efetivo das forças de segurança, para dar previsibilidade às instituições e manutenção daquilo que temos de mais valioso na área: um corpo robusto de homens e mulheres vocacionadas que se entregam à missão de proteger os gaúchos”, escreveu o governador no post. 

O secretário Mario Ikeda, da SSP, salientou que além da reposição do efetivo, o Estado tem investido em equipamentos para as forças de segurança, como os novos helicópteros para a Brigada Militar e para o Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

— Todos esses equipamentos estão ajudando a fazer a diferença, dando condições de trabalho ainda melhores para a nossas instituições e proporcionando ainda mais segurança e serviços de qualidade a nossa população — ressaltou.

Veja a íntegra da nota de Leite

Mais Segurança Pública para os gaúchos! Acabo de autorizar o chamamento de 1.200 novos soldados da Brigada Militar, aprovados em concurso para iniciarem os cursos de formação. Serão 800 em janeiro e mais 400 em abril de 2026.  

Mais um passo de continuidade na política que adotamos ainda no meu primeiro ano de mandato, em 2019, com uma rotina de reposição de efetivo das forças de segurança, para dar previsibilidade às instituições e manutenção daquilo que temos de mais valioso na área: um corpo robusto de homens e mulheres vocacionadas que se entregam à missão de proteger os gaúchos. 

 Nosso governo já foi o primeiro em décadas a terminar o mandato, em 2022, com mais efetivo do que tinha quando começou. E nesse segundo ciclo de governo vamos renovar essa marca, determinados a investir para promover um Estado cada vez mais seguro para se viver e ser feliz.

Brigada Militar realiza o III Congresso dos Comandante

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A palestra de abertura, pela manhã, foi proferida pelo Subcomandante-Geral da Brigada Militar, coronel PM Douglas da Rosa Soares. Na sequência, o Delegado Mário Souza abordou o tema da Dissuasão Focada.

À tarde, a primeira palestrante foi a Promotora Alessandra Moura, que abordou o tema: “Apresentação de ocorrências, peculiaridades e necessidades para manutenção da prisão”. Em seguida, os participantes prestigiaram a palestra do Chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira.

Ao findar os trabalhos do dia, o Comandante-Geral, coronel PM Cláudio dos Santos Feoli, ao lado do Coronel PM Douglas, fez o encerramento do III Congresso dos Comandantes.

“O Comando da Brigada Militar agradece a cada um dos senhores comandantes pelo trabalho realizado integralmente com todos os brigadianos e brigadianas. Saibam que estamos cientes dos desafios e dos riscos que cada um sofre durante o policiamento diário para cumprir o papel primordial de uma Polícia Militar, que é a manutenção da ordem pública. Papel este que os senhores cumprem com maestria como evidenciam os baixos índices de criminalidade no Rio Grande do Sul,” destacou o Comandante-Geral da Brigada Militar.

Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

Fotos: Sd Renan PM5

A nova Guarda Nacional e o velho risco da centralização: por que a proposta acende um alerta democrático no Brasil

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Marco Antônio Moura dos Santos[1]

O Brasil não precisa de um governo federal armado. Precisa de um federalismo forte, polícias estaduais fortalecidas, integração inteligente e limites claros ao poder estatal. Essa é a única trajetória compatível com liberdade, estabilidade e democracia.

Em meio ao avanço das facções criminosas, crises estaduais persistentes e desastres que expõem a vulnerabilidade do país, ressurgem várias propostas milagrosas, dentre elas a criação da Guarda Nacional Civil[2], uma força ostensiva federal “civil” destinada a atuar em qualquer região do Brasil, sob comando direto do governo federal. A ideia, apresentada como solução moderna e eficiente, reacende um debate sensível: o risco da concentração do poder armado nas mãos da União e suas repercussões para a democracia.  Desde a década de 1930, tentativas de criar uma polícia ostensiva federal emergem em momentos de centralização política.

Centralizar as ações policiais sob comando federal não resolve os problemas estruturais de gestão, inteligência, integração e financiamento da segurança pública. A Constituição de 1988 distribuiu funções policiais de forma clara: aos Estados a polícia ostensiva e a polícia judiciária nos crimes de sua competência; à União a atuação em crimes federais. Essa escolha, saudada pela sociedade, foi construída após estudos e décadas de abusos do poder central, frente as Unidades Federadas.  Essa medida significa permitir que uma única autoridade controle o aparato armado em todo o território nacional, um risco real para o pacto federativo, o qual serve como núcleo da democracia brasileira.

 O federalismo não é simples divisão administrativa; ele é, acertadamente. um mecanismo de limitação do poder. Juristas como o saudoso Afonso da Silva[3] e, até mesmo, Gilmar Mendes[4] explicam que a distribuição do poder coercitivo entre União e Estados é uma garantia contra hegemonias políticas. Criar uma Guarda Nacional Civil traz uma perspectiva de romper esse equilíbrio e reduzir a autonomia dos Estados.

Há um risco político presente, qual seja de não termos como impedir o uso ideológico dessa força federal.Qualquer governo, de qualquer espectro, que controle uma força ostensiva nacional poderá utilizá-la para fins políticos. Entre os riscos: intervenções informais em Estados não alinhados politicamente, repressão seletiva, uso eleitoral ou ideológico da força e intimidação de grupos sociais. A história brasileira fornece exemplos claros de “uso político” das forças armadas e policiais, ou do não emprego das Insituições.[5]

Dworkin[6] argumenta que um Estado só é legítimo quando age conforme princípios, e não por conveniências políticas! Centralizar a polícia viola a integridade democrática e fragiliza a igualdade política. Alexy[7] afirma que a medida é desproporcional, pois há alternativas menos invasivas. Ferrajoli[8] sustenta que a concentração do poder armado é incompatível com o garantismo democrático, enquanto Bobbio[9] adverte que Estados modernos tendem a expandir seu poder sob pretexto de segurança.

A criação de uma força federal ostensiva gera uma série de impactos, sem resolver problemas cruciais: conflitos de comando entre União e Estados, sobreposição de estruturas, aumento de custos, “militarização” ampliada e risco de instrumentalização doutrinária. Mas se não é com a centralização, então qual é a solução? A resposta passa por fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), as polícias estaduais, a integração entre bancos de dados, o Sistema de Inteligência e a atuação cooperativa, não hierárquica.[10] Segurança pública eficaz exige Estado coordenado e eficaz, não Estado centralizado.

A proposta “parece atraente”, mas representa riscos à democracia e ao pacto federativo. Ela amplia o poder armado do governo central, fragiliza autonomias estaduais, cria vulnerabilidades de uso político e oferece soluções superficiais para problemas complexos.  

Modernizar a segurança pública não significa concentrar poder, significa distribuí-lo de forma constitucional, eficiente e democrático.


[1] Coronel da Res da Brigada Militar e Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

[2]https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/01/fundacao-do-pt-propoe-criar-guarda-nacional-civil-para-gradativamente-substituir-atuacao-de-militares-em-glo.

[3] SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros.

[4] MENDES, Gilmar; COELHO, Inocêncio Mártires; GONET, Paulo Gustavo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva.

[5] OEA diz que atuação da PRF na eleição ‘gerou inquietação e preocupação’ In: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63479375. Acessado em 03/12/2025

[6] DWORKIN, Ronald. Levando os Direitos a Sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002 (1977) e O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007 (1986).

[7] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008 (1985).

[8] FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão: Teoria do Garantismo Penal. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002 (1989).

[9] BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.

[10] Registro a colaboração de um amigo e especialista em Segurança: a centralização mata o debate democrático tão importante numa federalização. Este é o principal mérito de uma federação e por isso ela se demonstrou o modelo mais adequado ao longo da história da civilização que é ouvir a todos e acolher sempre as melhores ideias. Mantendo assim o diálogo como caminho!”

Governo Lula edita MP para dar aumento de até 24% a policiais do DF, RR, RO e AP

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Reajuste será pago em duas parcelas, a primeira neste ano e a segunda em 2026

Estadão Conteúdo

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, disse que o governo enviará nesta segunda-feira, 1, ao Congresso uma medida provisória (MP) que formaliza o acordo do reajuste salarial para as forças de Segurança do Distrito Federal e das Polícias Militares do Amapá, de Rondônia e Roraima. A MP entra em vigor nesta data, de acordo com a ministra. A informação foi divulgada durante reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta tarde.

Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a MP prevê aumento de quase 24% às forças de segurança que têm seus gastos bancados pelo governo federal.

A ministra da Gestão, Esther Dweck, disse que o reajuste será pago em duas parcelas, a primeira neste ano e a segunda em 2026. Ela também afirmou que há diferenças entre as categorias, mas não apresentou detalhes.

Também será enviado ao Congresso um projeto de lei em regime de urgência sobre as carreiras de servidores do Executivo. Gleisi disse que o projeto é resultado de negociações entre o governo e entidades dos servidores e tem 24 iniciativas sobre “reestruturação e ampliação de cargos, reajustes e gratificações e modernização de gestão”.

“Eu tenho certeza que o Congresso Nacional vai tratar com muito carinho essas iniciativas e nós vamos construir esse caminho conjuntamente, como já fizemos em várias matérias que são do interesse do povo brasileiro”, afirmou a ministra da SRI.

Dweck também explicou porque o projeto e a MP serão enviados separadamente. “A MP teve que ser nesta segunda, porque o prazo de vigência do acordo era a partir de 1º de dezembro, por isso precisou essa alteração orçamentária. Já o que está no PL, o prazo de vigência é abril de 26, independente da aprovação da lei orçamentária. Portanto, não poderia ir em uma medida provisória, porque a gente não tem nem a Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada, nem a lei orçamentária”, afirmou.

Durante a reunião, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que a segurança é uma “prioridade absoluta” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que a medida provisória assinada nesta segunda-feira, 1º, com reajuste para policiais é uma prova disso.

“A segurança pública é uma prioridade absoluta para o nosso governo. Nós estamos trabalhando intensamente em várias frentes para alcançarmos esse objetivo, mas um dos aspectos desse combate à criminalidade e desse aprofundamento de nossas ações no plano da segurança pública é a valorização dos integrantes das forças de segurança. Valorizar não é apenas entregar armas, equipamentos, mas é cuidar de dar-lhes melhores condições de trabalho”, disse Lewandowski.

A declaração foi dada em cerimônia fechada realizada no Palácio do Planalto para assinatura da medida provisória e do projeto de lei. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou as gravações dos discursos.

STF volta a julgar nesta semana ações que contestam Reforma da Previdência de 2019

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CONTRIBUIÇÃO DE APOSENTADOS ACIMA DO TETO ESTÁ NA PAUTA

Entre Vários ítens que serão julgados, um interessa diretamente os Aposentados e Pensionistas do Estado,

Contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do setor público

A Reforma da Previdência de 2019 também permitiu a cobrança de contribuição de aposentados e pensionistas do funcionalismo que ganham entre o salário mínimo e o teto da Previdência (hoje de R$ 8.157,41). Antes, os inativos do funcionalismo só contribuíam sobre valores que excedessem esse limite.

Os aposentados e pensionistas do INSS, porém, não têm contribuição sobre seus proventos.

Até o momento, Supremo formou maioria para declarar a regra inconstitucional essa contribuição dos servidores inativos abaixo do teto do INSS. Os ministros argumentam que deve haver isonomia no tratamento tributário entre aposentados e pensionistas dos dois regimes — o geral (RGPS, leia-se INSS) e o próprio dos servidores (RPPS).

    Contribuição extraordinária

    Com a Reforma da Previdência, passou a ser permitida a criação de contribuições extraordinárias quando a alíquota cobrada de servidores inativos não for suficiente para cobrir o déficit previdenciário dos entes federativos (União, estados e municípios). Nesses casos, pode ser instituída uma cobrança adicional, calculada com base no déficit atuarial existente.

    Antes da reforma, não havia previsão legal para esse tipo de contribuição.

    Segundo especialistas, a posição atual do Supremo tende a reconhecer que há risco de excesso de tributação, e o Tribunal tem avaliado se os municípios e os estados estão extrapolando o limite do razoável ao criar ou propor essas cobranças adicionais.

    Rodrigo Mohr será o novo presidente do Tribunal de Justiça Militar

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    O decano da Corte, Sergio Brum, será o vice-presidente, e a desembargadora Gabriela John, a corregedora-geral

    GZH

    O Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul elegeu nesta quinta-feira (27) os integrantes da Administração para o biênio 2026/2027. O  desembargador militar Rodrigo Mohr será o próximo presidente. O decano da Corte, Sergio Brum, será o vice-presidente. A desembargadora Gabriela John foi eleita corregedora-geral.

    Também integrarão a nova administração os desembargadores militares Fabio Fernandes (ouvidor), Amilcar Macedo (ouvidor substituto) e Maria Moura (ouvidora da mulher).

    A posse da nova Administração ocorrerá no mês de fevereiro de 2026, em data e horário a serem definidos.

    Rodrigo Mohr Picon tem 56 anos, é natural de Porto Alegre. Bacharel em Ciências Militares pela Academia de Polícia Militar, também é graduado em Letras e pós-graduado em Gestão da Segurança pela Ulbra.

    Ingressou na Brigada Militar em 1987.    Comandou o 9° BPM e o 19° BPM, foi subcomandante do 1° BPM e atuou como diretor-adjunto no Departamento de Ensino da Secretaria da Segurança Pública e no Departamento de Ensino da Brigada Militar.

    Foi comandante do Comando de Policiamento da Capital e Comandante-geral da Brigada Militar entre 2019 e 2021, antes de sua indicação ao tribunal pelo governador do Estado,  Eduardo Leite.

    No TJM-RS, dirigiu a Escola Judicial Militar no biênio 2022/2023 e foi corregedor da Justiça Militar no biênio 2024/2025.

    Artigo: O Juiz Militar Orpheu Corrêa

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    No mês da Consciência Negra, apresentamos um artigo sobre o primeiro desembargador negro da Justiça Militar do RS, um resgate histórico realizado pelo Desembargador Sergio Antonio Berni de Brum, decano da Corte.

    Sergio Antonio Berni de Brum1

    ORPHEU CORRÊA E SILVA

    O Juiz Militar Orpheu Corrêa e Silva2, incluiu na Brigada Militar em 15 de março de 1933 quando tinha 19 anos. Foi declarado Aspirante Oficial em 31 de outubro de 1941, 2º Tenente em 25 de dezembro de 1942, 1º Tenente em 31 de março de 1950 por merecimento, Capitão em 21 de abril de 1955 por antiguidade, Major em 18 de novembro de 1958 por merecimento, Tenente Coronel em 20 de setembro de 1960 também por merecimento e ao posto de Coronel foi promovido por merecimento em 29 de junho de 1965. Realizou o curso de formação de oficiais em 1941 e o curso de aperfeiçoamento de oficiais em 1957. Formou-se em jornalismo no ano de 1964.

    Resgatamos, pois como gosto de repetir “tiraremos a poeira dos livros históricos, que são fontes primária”, e homenageamos os integrantes da Justiça Militar do Estado em 1967, ano em que o Magistrado Orpheu Corrêa e Silva exerceu a judicatura militar.

    Corte de Apelação

    Assim era composta a Justiça Militar do Estado no ano de 1967, incluindo magistrados e servidores.

    Presidente: Dr. Clio Fiori Druck

    Vice-Presidente: Cel. Raul Oliveira

    Juízes: Cel. José Martins Cel. Orpheu Corrêa e Silva Cel. Octavio Frota

    Diretor-Geral: Dr. Hermilo Galant

    Oficial Judiciário: Dr. Darci Moreira Cardoso

    Auditores

    1ª Auditoria

    1ª Auditor: Dr. Antônio Cézar Alves

    Auditor Substituto: Dr. Júlio André

    Escrivão: Dr. Targino Bidart da Silva

    Oficial Escrevente: Luiz Carlos Quarti 2ª Auditoria

    2º Auditor: Dr. Antonio Frederico Knoll

    Auditor Substituto: Dr. Milton Souza Gonçalves

    Ministério Público

    Procurador de Justiça JME: Dr. João Lyra de Farias

    Promotor Militar da Capital: Dr. Pascoal Serrano Baldino

    Diretoria Administrativa Secretaria Administrativa Cap. José Betat da Rosa, Cap. Lélio Michel Belloto e Cap. Antônio Bastos Costa

    É digno de registro que a época, ano de 1967, a Corte de Apelação da Justiça Militar do Estado (2º Grau) tinha 2 servidores, o Diretor-Geral e o Oficial Judiciário, além disso o 1º Grau integrado pela 1ª Auditoria em Porto Alegre e a 2ª Auditoria em Santa Maria tinham o quadro de 2 servidores e a Diretoria Administrativa continha 3 servidores, ou seja, “toda” a Justiça Militar do Estado tinha 7 servidores. Hoje ela continua com o mesmo espírito republicano da economicidade pois mesmo com a evolução, aumento de competências, criação de duas novas Auditorias, pouco mais de 100 integrantes entre magistrados e servidores compõem esta Justiça Especializada em 2020.

    Feita essas considerações históricas e ao nosso sentir de valor importantíssimo, voltemos pois a história do homenageado, o Juiz Militar Orpheu Corrêa e Silva.

    O Juiz Auditor Orpheu Corrêa e Silva foi eleito Vice-Presidente da Corte Castrense em 27 de dezembro de 1967, sendo Presidente para o biênios 1968/1969 o Juiz Raul Oliveira. Dessa maneira no ano de 1968 assim ficou composta a Corte Castrense:

    Presidente: Raul Oliveira Assis Fontoura de Almeida

    Juiz Togado Substituto: Dr. Antônio Cesar Alves

    Procurador de Justiça: Dr. João Lyra de Faria.

    Consta da Ata de Sessões Extraordinária nº 1119/68 de 23 de novembro de 1968 que tomou posse como Juiz da Corte Castrense o Coronel Nabuco Rodrigues Martins na vaga deixada em razão da aposentadoria do ilustre Juiz Militar Orpheu Corrêa e Silva.

    Quero aqui deixar registrado excertos da exposição de motivos do projeto de lei, proposto pelo saudoso e amigo da Justiça Militar do Estado, Vereador Pedro Américo Leal, em 1999, que denomina praça Coronel Orpheu Corrêa e Silva um logradouro público de Porto Alegre, pois entendo que as justificativas do valoroso deputado sintetizam o pensamento do povo Porto Alegrense sobre nosso destacado e relevante magistrado militar.

    Diz o proponente Vereador Pedro Américo Leal:

    “Imune a corrupção, ocupou por largos anos cargos que geriram vultuosas verbas e manipulavam grandes somas em dinheiro, deles saindo sem mácula alguma, notadamente nos cargos de Chefe do Estabelecimento de Subsistência e no de Diretor da Diretoria de Administração da Brigada. Teve, portanto, oportunidade de provar sua idoneidade e honradez, postando-se sempre acima de qualquer suspeita. Mas foi, sem dúvida, no Comando do Corpo de Bombeiros que encontrou ambiente para executar sua irresistível vocação de ser útil aos seus semelhantes em horas de aflição.

    Pelas mãos da professora Nair Marques Pereira de Almeida, ingressou em 1975, no movimento gaúcho pelo menor (MGM), conhecida e renomada entidade de assistência ao menor carente da Capital, tornando-se desde logo, seu conselheiro. Em 1977, foi eleito Vice-Presidente, cargo que exerceu até 1979. Deste ano em diante, mercê de sua dedicação a causa do menor carente, passou a integrar a comissão de assessoria permanente, que tem como função primordial assessorar a Presidente em questões relevantes.

    Dessa comissão faziam parte também as eminentes damas da sociedade local, Sra. Anita Knijnick e as ex-Presidentes da Entidade, Sras. Ione Pacheco Sirotsky e Maria Luiza Lopes Alves. Concomitantemente o Cel. Orpheu representava o MGM no sindicato das entidades culturais, recreativas, de assistência social, de orientação e formação profissional do Estado do Rio Grande do Sul (SECRASO/RS). Nesse sindicato não foi menos exitosa a sua participação no mesmo ano do seu primeiro contato com o SECRASO, foi eleito suplente de seu Conselho Fiscal, gestão 79/82. Na gestão seguinte, 82/85, foi eleito Vice- Presidente e, na gestão 85/88, foi eleito Secretario, chegando a Presidência do Sindicato em 1988. Concluído seu período presidencial sob aplausos

    Para continuar retirando a poeira do passado dando luz a história que tão galhardamente escreveu o Juiz Militar Orpheu Corrêa e Silva buscamos entrevista concedida ao Jornal Folha da Tarde em 1966, a mais de 54 anos pelo próprio magistrado, onde, com o título “Filho de pedreiro faz andar a máquina da Brigada Militar, o Coronel diz:

    “A cor escura de minha pele jamais exerceu qualquer influência negativa em minha vida. Todas as oportunidades de vencer e progredir na minha corporação me foram proporcionadas. E, eu soube aproveitá-las, embora com sacrifícios e muita luta, é claro”. E repetindo o poeta: “mas o que é a vida, senão uma luta constante!”

    Eis assim fragmentos históricos da belíssima e destacada carreira como Oficial da Brigada Militar, Juiz Militar da Corte de Apelação da Justiça Militar do Estado e do cidadão que se preocupava mais com os outros do que com a si próprio.

    Neste ano em que comemoramos o centésimo segundo aniversário do Tribunal de Justiça Militar Gaúcho, tivemos pois a oportunidade de trazer à atual e futuras gerações o exemplo a ser seguido de homem público, honrado, inteligente, culto, altivo e humano do Juiz Militar Orpheu Correa e Silva que ficou órfão de pai aos 15 anos e como filho mais velho assumiu as responsabilidades de chefe de família. Não posso deixar ao esquecimento que seu pai Laureano Correa e Silva, trabalhou na construção do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho sendo modelador dos detalhes da parte frontal do edifico da frente da Praça Matriz.


    Obrigado Juiz Militar Coronel Orpheu, seu idealismo e espírito fraterno honrou nossa Corte Castrense e se hoje chegamos aos 102 anos é porquê homens com sua visão de futuro, ano após ano a construíram e a fortaleceram. Sem a participação efetiva de V. Exa. como magistrado, não existiria a Corte Castrense. V. Exa. juntamente com todos os integrantes da corte castrense a fizeram respeitada nacionalmente. 

    • 1 Desembargador Militar Sergio Antonio Berni de Brum – Coordenador do Projeto Memória da JME/RS.
    • 2 Almanaque dos Oficiais da Brigada Militar – 1967 – Ano XLIX – Oficinas Gráficas da Brigada Militar, POA, RS.