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Plano IBCM Saúde é o mais novo filiado da UNIDAS e impulsiona governança e melhores práticas

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O Plano IBCM Saúde celebra um marco estratégico em sua jornada: a formalização de sua filiação à UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde). O acordo foi selado em um encontro realizado na manhã desta sexta-feira, 12 de dezembro, em Porto Alegre, que reuniu lideranças do Plano IBCM, representantes da UNIDAS e de outros planos de saúde de autogestão do Rio Grande do Sul.

Durante o evento, a UNIDAS apresentou em detalhes o escopo de seu trabalho, o vasto alcance da União e, principalmente, as comissões temáticas e serviços disponibilizados às suas filiadas.

Oportunidades e fortalecimento do negócio

Com a filiação, o Plano IBCM Saúde passa a contar com um conjunto robusto de benefícios que visam o fortalecimento do negócio e a excelência na autogestão:

  • Acesso a Expertise: Contato direto com a expertise de mercado da UNIDAS, garantindo insights atualizados para a tomada de decisões.
  • Networking qualificado: Oportunidade de realizar networking constante e produtivo com outras operadoras de autogestão do país.
  • Apoio à governança: Recursos de estudos para o desenvolvimento das lideranças, além de ferramentas essenciais para auxiliar no planejamento estratégico e na tomada de decisões.
  • Melhores práticas: Acesso privilegiado às melhores práticas para autogestão tanto por meio da consultoria da UNIDAS quanto pela troca contínua com os demais filiados.

IBCM Participará ativamente das comissões

Demonstrando seu compromisso com a integração e o aprendizado, o Plano IBCM Saúde já selecionou lideranças que farão parte das 17 comissões mantidas pela UNIDAS. Essas comissões integram grupos de trabalho com temáticas importantes e contam com a participação de colaboradores de diversas filiadas. Dessa forma, o Plano IBCM poderá:

  • Promover a troca próxima: Estar em contato direto com experiências e soluções de outros planos.
  • Desenvolver aprendizado: Absorver e trazer para dentro do negócio as melhores estratégias e conhecimentos.
  • Fortalecer resultados: Aprimorar continuamente seus processos, visando sempre os melhores resultados para os beneficiários.

A filiação à UNIDAS é um passo decisivo para o Plano IBCM Saúde, reforçando seu compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a constante inovação em benefício de seus beneficiários. A parceria estratégica com a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde garante acesso a expertise de mercado, networking e ferramentas avançadas para aprimorar a gestão e os resultados.

Operação Verão mobiliza 3,3 mil servidores da segurança no Rio Grande do Sul

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O Corpo de Bombeiros é responsável por coordenar o trabalho dos 930 guarda-vidas que estarão distribuídos em praias marítimas e em balneários de água doce

Airton Lemos GZH

Quase 3,3 mil servidores da segurança pública do Estado vão trabalhar na Operação Verão Total que começa no próximo sábado (13). A operação envolve o policiamento e o atendimento no Litoral e em outras regiões turísticas do Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito pelo governo do Estado nesta quinta-feira (11).

O reforço envolve Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto-Geral de Perícias e Detran, além de mais de 500 viaturas e helicópteros para apoio aéreo. Esse efetivo se soma ao que já atua nos litorais Norte e Sul, mas a operação também chega à Serra, à Costa Doce e à Fronteira, onde o movimento cresce com a temporada.

O Corpo de Bombeiros é responsável por coordenar o trabalho dos 930 guarda-vidas que estarão distribuídos em 264 guaritas, tanto em praias marítimas quanto em balneários de água doce. São 638 militares — entre bombeiros e policiais — e 282 civis temporários contratados para o período.

Para agilizar atendimentos e salvamentos, o patrulhamento conta com 18 quadriciclos e 18 motos aquáticas, que dão mais velocidade aos deslocamentos ao longo da orla. A corporação reforça que os banhistas devem buscar áreas próximas às guaritas, respeitar as bandeiras de risco e evitar locais sem cobertura.

A Operação Verão Total segue até o fim de março, acompanhando o aumento no fluxo de turistas e moradores nas regiões de praia e lazer.

Reforma na Previdência Estadual, sem reajustes e sem concursos. Veja quais as contrapartidas do RS ao aderir ao Propag

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Contrapartidas: Para aderir ao RRF, o Estado precisou apresentar um plano que incluía privatizações, reforma da previdência estadual, teto de gastos e redução de benefícios fiscais, além de se comprometer a não realizar concursos públicos, reajustes de salários e redução de alíquotas de impostos. 

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na terça-feira (9) projeto que autoriza o Executivo a aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), nova negociação da dívida do Estado com a União. Criado neste ano pelo Governo Federal, o Propag irá substituir o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), estabelecido pelo então presidente Michel Temer, em 2017, programa ao qual o Estado aderiu em 2022. 

Foto: Diogo Zacarias/MF

Após a aprovação pelo Parlamento gaúcho, o Rio Grande do Sul precisa formalizar sua adesão ao Propag até o dia 31 de dezembro deste ano. Os pagamentos da dívida seguirão suspensos até 2027, devido à enchente de maio de 2024. 

Entre as principais mudanças do Propag em relação ao RRF estão os encargos da dívida e as contrapartidas que o Estado deverá fazer. Confira o que muda e o que permanece: 

Taxa de Juros – pelo Propag a taxa fica entre 0% e 2% ao ano, dependendo das condições a serem escolhidas pelo Estado. No RRF, a taxa era de 4% ao ano. 

Correção do saldo devedor – a correção se dará pelo Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA), que está em cerca de 4,7%, atualmente. O RRF era atualizado pelo Coeficiente de Atualização Monetária (CAM), que, segundo o Governo do Estado, tem ficado em patamar próximo à taxa Selic, hoje em 15%.

Prazo – Os dois programas fixam em 30 anos o prazo para pagamento da dívida. 

BM vai ampliar capacidade de treinamento e mantém Montenegro como referência na formação policial

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Em janeiro de 2026, 300 novos soldados vão realizar o Curso Básico de Formação Policial Militar no município

Fernanda Bassôa Correio do Povo

A proposta de transformar a Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) de Montenegro em Centro de Treinamento não traz qualquer prejuízo à segurança pública do município, garante a Brigada Militar. Na prática, trata-se apenas de uma reorganização administrativa, convertendo a antiga escola em um Centro de Treinamento Policial. Segundo a corporação, essa mudança representa diversos avanços. Não se trata de encerramento das atividades, mas de uma modernização que ampliará a capacidade de treinamento da BM e manterá Montenegro como referência em formação policial. Inclusive, a partir de janeiro de 2026, 300 novos soldados vão realizar o Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM) na EsFES Montenegro.

No início desta semana, uma grande mobilização em favor da manutenção da EsFES da Brigada Militar, na cidade de Montenegro, reuniu autoridades locais, lideranças, representantes da segurança pública e entidades, em frente ao prédio da corporação, no Passo do Manduca. O grupo, que reuniu mais de 100 pessoas, realizou um abraço simbólico à escola, em um gesto de união contra a extinção das atividades no local.

A Brigada Militar assegura que o local da EsFES continuará ativo, funcionando como espaço oficial de capacitação da corporação. O novo Centro permitirá mais cursos, mais treinamentos e atividades mais frequentes. Isso ampliará a presença de policiais militares em formação e aperfeiçoamento na cidade, de forma contínua, informa a Comunicação Social da Brigada Militar. Essa dinâmica fortalece o preparo dos efetivos e reflete diretamente na melhoria da segurança pública em toda a região, além de gerar um fluxo permanente de policiais militares treinando em Montenegro.

Diversas razões técnicas orientam a melhoria da formação e a otimização do espaço, com cursos de curta duração, de forma contínua. A destinação principal da atual estrutura passará a ser compatível com um Centro de Treinamento e não mais limitada a uma escola de formação. Outro ponto está na metodologia utilizada atualmente em cursos de longa duração, que conduz as turmas de maneira sincronizada, buscando isonomia de avaliação. Segundo a Brigada Militar, esse modelo obriga o cumprimento simultâneo do calendário em diferentes escolas que iniciaram turmas ao mesmo tempo.

A atual escola de Montenegro já sofreu constantes inundações, o que força as demais unidades a interromper seus calendários, atrasando formaturas e a disponibilidade de novos PMs para o atendimento à sociedade. Mesmo com o apoio de diversos órgãos para reerguer a estrutura a cada vez que a escola é atingida pelas cheias, a recuperação torna-se cada vez mais dispendiosa, em razão dos danos que se acumulam a cada nova inundação. O que também reforça a importância de se tornar um centro de treinamento policial.

Corrupção e impunidade no Brasil: um ciclo de omissões, privilégios e fragilidade democrática

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Neste Dia Nacional de Combate à Corrupção, o Brasil enfrenta novamente o desafio de olhar para si mesmo, estruturas, hábitos políticos e, sobretudo, para sua incapacidade de romper com o que Faoro chamou de “patrimonialismo persistente”[1].  Embora frequentemente tratada como um problema moral ou uma disputa partidária, a corrupção é, na verdade, um fenômeno estrutural, historicamente enraizado e institucionalmente tolerado. E seus efeitos não são meras abstrações, elas corroem o desenvolvimento, ampliam desigualdades e fragilizam a democracia.

Apesar de avanços pontuais, com marcos legais modernos e operações de grande repercussão, a corrupção depende da fragilidade das instituições, da lentidão do Judiciário, da opacidade do orçamento público e da captura política dos mecanismos de controle.

Para Dworkin, “o governo perde sua autoridade moral quando deixa de tratar seus cidadãos com igual respeito.”[2] A corrupção é precisamente a ruptura do respeito, ela privilegia poucos enquanto sacrifica muitos, especialmente os que dependem do Estado para exercer seus direitos básicos.

O Brasil ocupa posição vergonhosa nos rankings globais de integridade[3]. A sensação de que “nada muda” não é mero pessimismo social: é um reflexo de décadas de omissão institucional. Crimes financeiros complexos prescrevem; autoridades com foro privilegiado raramente são condenadas; decisões judiciais contraditórias anulam processos inteiros; investigações promissoras são enfraquecidas por disputas políticas internas. Isso não é acaso, é sistema. reforçando uma percepção de impunidade seletiva.

Da colonização ao “orçamento secreto”, passando por episódios como o Mensalão e a Operação Lava Jato, há um padrão evidente: os mecanismos de controle se movem entre avanços pontuais e retrocessos cíclicos, com forte influência das disputas políticas.

Para Ferrajoli, um Estado de Direito só existe quando o poder é limitado por normas que garantem controle efetivo[4]⁴. No Brasil, frequentemente, o que se vê é o contrário: o direito é moldado para acomodar o poder, em vez de contê-lo.

A corrupção prospera onde há ambiguidade, silêncio, brechas legais e onde o Estado se rende ao fisiologismo. E prospera, sobretudo, onde a sociedade reage apenas a escândalos, mas não exige, como deveria, reformas profundas e permanentes. 

A corrupção não é apenas um delito administrativo ou penal: é a ruptura do pacto ético que sustenta o Estado Democrático de Direito. Para Alexy, o Direito deve expressar “a pretensão de correção”[5]. Um sistema que normaliza desvios e tolera privilégios perde a capacidade de se apresentar como moralmente legítimo.

Executivo, Legislativo e Judiciário participam, por omissão ou ação, da manutenção desse ciclo histórico. Waldron alerta que privilégios incompatíveis com a igualdade jurídica violam a base do Estado de Direito.[6] Os três poderes compartilham responsabilidades. No Executivo, a interferência política na gestão pública cria ciclos de aparelhamento. No Legislativo, o orçamento é frequentemente transformado em moeda de troca, reforçando práticas clientelistas. No Judiciário, a morosidade, o foro privilegiado, “uma possível parcialidade” e a ausência de responsabilização interna alimentam a sensação de que o combate ao crime de “colarinho branco” depende mais de sorte do que de justiça.

Instituições essenciais como o Ministério Público Federal, Controladoria Geral da União, Polícia Federal,  Tribunal de Contas da União e Ordem dos Advogados do Brasil, oscilam entre avanços e retrações. Ora atuam com autonomia exemplar; ora sofrem pressões externas e internas que limitam sua eficiência. Bobbio[7] já ensina que “a democracia se mede pela visibilidade do poder”⁷. Quando a fiscalização recua, vigora uma democracia opaca.

 É impossível falar em corrupção sem reconhecer o papel da sociedade. A indignação é intensa, mas passageira, diante de cada escândalo, mas não mantemos a devida vigilância constante. A avaliação sempre é parcial e depende se os autores são “nossos ou deles”. A educação para a integridade, o controle social e a transparência ativa ainda são insuficientes.

A imprensa, peça fundamental para a democracia, também enfrenta crises de credibilidade e politização. Ponto básico para que tenhamos controle social eficaz, imparcial e amplo.

A corrupção não é um fenômeno inevitável. É resultado de escolhas,  das instituições, dos agentes públicos e da sociedade. E escolhê-la é permitir que a desigualdade, a injustiça e o descrédito democrático continuem vencendo.

É por isso que o combate à corrupção exige mais do que investigações espetaculares. Exige políticas públicas de Estado, e não de governo. Exige sistemas de rastreabilidade digital, inteligência, transparência ativa e integração entre bancos de dados.  Exige educação ética, proteção real a denunciantes e reformas estruturais que enfrentem os privilégios que sustentam a impunidade; como defende Habermas, para quem a democracia só será sustentada sobre uma esfera pública racional e crítica[8].

A corrupção não é apenas um desvio individual é a falência da integridade pública.E cada omissão estatal, cada decisão tardia, cada brecha legal e cada silêncio social aproxima o país de uma erosão democrática irreversível.

Para Dworkin, “a integridade é o valor que conecta o direito com a justiça”[9]. Quando a integridade pública se rompe, o direito deixa de servir ao bem comum e passa a servir a interesses particulares. Cada omissão estatal, cada brecha legal, cada decisão tardia aproxima o país de uma erosão democrática irreversível.

Neste dia 9 de dezembro, é preciso reafirmar que combater a corrupção não é bandeira ideológica: é a defesa mais básica da República. É a garantia de que o Estado existe para servir ao povo, e não aos seus próprios operadores. Mas é isso que queremos?!?

 Escolher a transformação é optar pela justiça, pela igualdade e pela liberdade. Neste momento de reflexão, que cada um de nós decida se o Brasil que queremos é um cenário de inação ou um palco de esperança e mudança. Inspiremo-nos a iniciar esta jornada não apenas como indivíduos, mas como uma sociedade unida, comprometida com a construção de um futuro mais justo e íntegro. Juntos, podemos quebrar o ciclo da impunidade e transformar nossa realidade.


[1] FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder. São Paulo: Globo, 2001

[2] DWORKIN, Ronald. Justice for Hedgehogs. Harvard University Press, 2011.

[3] De acordo com a Transparência Internacional (2024), o Brasil ocupa posição alarmante no Índice de Percepção da Corrupção, com apenas 34 pontosem 100. In TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL. Corruption Perceptions Index 2024

[4] FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

[5] ALEXY, Robert. Teoria dos Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008.

[6] WALDRON, Jeremy. Law and Disagreement. Oxford University Press, 1999

[7] BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

[8] HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003.

[9] DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Em um “abraço” simbólico, lideranças se mobilizam contra extinção da Escola de Formação da BM em Montenegro

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Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município

Fernanda Bassôa Correio do Povo

Uma grande mobilização contra a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) da Brigada Militar, na cidade de Montenegro, reuniu autoridades locais, lideranças, representantes da segurança pública e entidades, em frente ao prédio da corporação, no Passo do Manduca. O grupo realizou um abraço simbólico à escola, em um gesto de união pela manutenção da estrutura no Município. Para 2026, a previsão era do ingresso de mais 300 alunos soldados, o que reforça a importância da manutenção da estrutura no município.

A mobilização, que reuniu mais de 100 pessoas, ocorre após o Governo do Estado protocolar junto à Assembleia Legislativa um projeto que pretende transformar a EsFES em um centro de treinamento policial e transferir as vagas para Porto Alegre, além de propor a mudança do 27º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de São Sebastião do Caí, para 5ª Companhia Independente.

Durante o pronunciamento, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta reforçou que esteve por dois dias consecutivos na Assembleia Legislativa, articulando com deputados e autoridades do Estado a permanência das atividades. Ele também destacou que já está em contato com membros da Associação dos Municípios do Vale do Caí (AMVARC), buscando apoio regional para fortalecer a defesa da escola.

Para Zanatta, a medida traz impactos diretos não só para a cidade, mas para todo o Vale do Caí pois a Escola da Brigada é estratégica para a segurança pública e para o desenvolvimento regional. Segundo ele, o encerramento das atividades seria “extremamente prejudicial”, pois a EsFES movimenta a economia local, beneficiando comércio, setor imobiliário, supermercados e serviços.

A vereadora Josi Paz anunciou que haverá, nesta quinta-feira, uma mobilização conjunta durante a sessão da Assembleia Legislativa, com a presença de diversas lideranças de Montenegro. Os participantes vão reivindicar que o município mantenha o direito de sediar a EsFES. O ex-comandante da unidade, Oscar Bessi Filho, também manifestou apoio à causa.

A proposta de extinção tem gerado preocupação entre moradores, lideranças comunitárias e representantes da segurança pública, que destacam a importância da EsFES para a formação de soldados, para a sensação de segurança entre os munícipes e para o fortalecimento regional da Brigada Militar, além da movimentação econômica no município.

Na semana passada, instituições contrárias ao projeto proposto pelo Governo do Estado – Associação Comercial e Industrial (ACI), Sindilojas, Ordem dos Advogados (OAB), Câmara de vereadores e o Consepro – solicitaram esclarecimentos sobre os critérios técnicos que justificam fechar uma estrutura moderna, completa, com capacidade para 400 alunos, quatro linhas de tiro e quase 30 hectares diária, enquanto outras unidades menores seguem ativas.

Polícia apreende roteador de internet por satélite em cela de presídio

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Aparelho Starlink permite transmissão em alta velocidade para vários celulares, de forma simultânea. A central portátil foi encontrada em Charqueadas

Humberto Trezzi GZH

Em operação realizada pela delegacia de Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), em 27 de novembro, policiais civis realizaram buscas em presídio de Charqueadas e encontraram um aparelho de conexão via satélite Starlink. Ele é um roteador que propicia internet em alta velocidade, sem necessidade de antena de telefonia. É da empresa Space X, do bilionário Elon Musk e foi feito para funcionar em áreas sem sinal de telefonia.

O equipamento foi encontrado na cela de Lucas Muniz Sartori, preso na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas. O Starlink funciona como uma espécie de central telefônica. Fornece internet banda larga, capaz de veicular vídeos em alta velocidade, para vários celulares, de forma simultânea. Custa de R$ 800 a 3,5 mil no mercado legalizado, mas dentro das cadeias deve custar muito mais.

Sartori está indiciado como traficante e idealizador de falsas rifas. É coproprietário de uma pequena empresa de transporte de Canoas, apontada pela Polícia Civil como responsável por trazer caminhões com cargas de drogas desde o Paraguai até a Região Metropolitana de Porto Alegre. Os entorpecentes eram comprados por facções rivais, em sistema de consórcio. Está também indiciado por rifas de carros de alto valor para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico de drogas. Sorteou um Camaro em 2024, com números a R$ 5,99.

Nas redes sociais, segundo a investigação, Sartori costumava ostentar o dinheiro que obtinha com a suposta venda de drogas: aparecia com maços de dinheiro, em viagens de barco com mulheres, e até em festas em casas noturnas, bancadas com o dinheiro do tráfico, onde painéis de LED exibiam seu nome.

Na cela de Sartori foram encontrados, além da antena Starlink, quatro celulares e porções de maconha.

O secretário estadual do Sistema Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, lamenta que esse tipo de equipamento tenha ingressado no sistema penitenciário e acredita que isso ocorreu por meio de drones, a nova tática usada pelos bandidos. Até para isso, a Polícia Penal adquiriu aparelhos antidrone para uso em 15 unidades prisionais. São similares aos usados na guerra da Ucrânia, mandam sinais que interceptam e derrubam o robô voador.

– Localizamos mais de 8 mil celulares direcionados para o sistema prisional gaúcho, desde que assumimos. Desses, 2 mil foram pegos antes de ingressar nos presídios, na área próxima – contabiliza Pozzobom.

Não é a primeira vez. Em junho de 2022, antes da gestão de Pozzobom, um aparelho semelhante foi apreendido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), considerada a mais segura do Rio Grande do Sul. Na descrição sobre características do equipamento, vendedores listam, por exemplo, que ele é seguro (“Impossível de ser rastreado, grampeado, quando a ligação é entre telefones da mesma marca”), robusto (“Possui proteção contra poeira e jatos de água”), durável (“Bateria dura até 5:30 horas de conversa ou 15:30 horas em standby”), permite uso por grupo (“Ideal para pequenos grupos. Comporta no máximo cinco pessoas”) e tem botão de pânico (“Ative o botão e emita SMS e e-mail para até 5 pessoas contendo sua localização”)

Pozzobom admite que a instalação do sistema de bloqueador na Penitenciária Modulada de Charqueadas está atrasada e diz que isso está sendo cobrado da empresa que firmou o contrato com o governo estadual.

Em nota, a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo informa que o contrato firmado com a empresa responsável pelos bloqueadores prevê bloqueio “de todas as frequências utilizadas pelo Wi-Fi e suas variações”. Ou seja, o sistema contratado precisa ser capaz de neutralizar tanto sinais de telefonia quanto redes Wi-Fi que possam ser utilizadas de forma ilegal.

No caso específico da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, os bloqueadores ainda não estão ativos, justamente em razão de atrasos na entrega e pendências técnicas que seguem sendo cobradas de forma rigorosa pelo Estado. Enquanto o sistema não é instalado e aprovado em conformidade com o contrato, a unidade permanece em fase de fiscalização e reforço operacional.

A secretaria ressalta que desde 2019 foram investidos R$ 1,4 bilhão no sistema prisional gaúcho, sobretudo em novas penitenciárias, que resultaram em 12 mil vagas criadas. Outros R$ 210 milhões foram aplicados para modernizar equipamentos de segurança da Polícia Penal. Isso inclui  scanners corporais e três kits completos de tecnologia antidrone, que colocam o RS entre os estados pioneiros no país no uso do dispositivo, armamentos, coletes, uniformes e viaturas.

Policial militar morre após acidente de trânsito em Gravataí

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Matheus Teixeira de Oliveira, de 30 anos, era soldado do 17º BPM

Um soldado da Brigada Militar morreu, na noite deste domingo (7), após um acidente de trânsito na RS-118, em Gravataí, na Região Metropolitana. 

A vítima foi identificada como Matheus Teixeira de Oliveira, de 30 anos, que voltava do trabalho para casa quando o Chevrolet Cobalt que dirigia colidiu contra a pilastra do viaduto sob a Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, no km 19 da rodovia.

O acidente ocorreu por volta das 19h e provocou bloqueio parcial e lentidão no trecho. Matheus foi socorrido e levado ao Hospital Dom João Becker, mas não resistiu. 

Ele era integrante do 17º Batalhão de Polícia Militar, onde atuava no policiamento da zona norte de Porto Alegre. O soldado ingressou na corporação em 2018. As circunstâncias da colisão ainda estão sendo apuradas.

Em nota, a Brigada Miltitar disse que “se solidariza com familiares, amigos e irmãos de farda, consternados neste momento de dor.”

Nota oficial da Brigada Militar

A Brigada Militar comunica, com profundo pesar, o falecimento do Soldado Matheus Teixeira de Oliveira, ocorrido na noite deste domingo (07/12), em acidente de trânsito enquanto voltava do trabalho para a casa.
O Soldado tinha 30 anos de idade, ingressou na corporação no ano 2018, e estava lotado no 17º Batalhão de Polícia Militar.
O horário e local dos atos fúnebres serão informados posteriormente.
A Brigada Militar se solidariza com familiares, amigos e irmãos de farda, consternados neste momento de d
or.”

Governo encaminha projeto de fechamento da EsFES

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Escola da Brigada Militar pode ser transferida para Porto Alegre

Por:Guilherme Baptista Jornal Ibiá

Um projeto enviado pelo Governo do Estado para a Assembleia Legislativa determina a extinção da Escola de Formação e Especialização de Soldados de Montenegro – a EsFES. Ela seria substituída por um centro de treinamento policial, a ser estruturado nos termos de uma lei complementar. As vagas remanescentes da EsFES de Montenegro seriam remanejadas para a estruturação da escola de Porto Alegre.

Alunos-soldados que chegam anualmente em Montenegro também movimentam a economia local


O projeto, assinado pelo governador Eduardo Leite em 28 de novembro deste ano, dispõe sobre a “Organização, a Estrutura Básica e o efetivo da Brigada Militar e dá outras providências”. A proposta ingressou em caráter de urgência e segue sob análise, podendo ser votado ainda neste ano. “Precisamos nos mobilizar. É fundamental pressionar, dialogar e acompanhar a tramitação para que seja aprovado um projeto de lei que garanta a permanência da EsFES em Montenegro”, destaca a vereadora Josi Paz, que esteve na Assembleia Legislativa verificando a situação da proposta.

“A EsFES é formação, oportunidade, segurança e desenvolvimento para a região”, completa.
A possibilidade de fechamento da Escola da Brigada em Montenegro pegou a todos de surpresa. O comando geral da BM no Estado, logo após a recuperação da estrutura da escola, que sofreu danos devido à enchente de maio de 2024, tinha garantido a permanência, destacando a importância da EsFES, no ano que completava 50 anos. A previsão era do ingresso de mais 300 alunos-soldados no início de 2026.

Vagas remanescentes da EsFES de Montenegro seriam remanejadas para Porto Alegre


“Vamos marcar uma reunião com o Governo do Estado”, informou o presidente da Câmara, vereador Talis Ferreira, sobre a necessidade de mobilização. Já o prefeito Gustavo Zanatta mudou a agenda e se deslocou para Porto Alegre no início da manhã desta quarta-feira, 3, para verificar as medidas que podem ser tomadas na busca por manter a EsFES em Montenegro. “Já estamos mobilizados”, frisa o vice-prefeito Cristiano Braatz. “O fechamento da EsFES seria extremamente prejudicial para Montenegro e a região. Não só na área da segurança, mas também para a economia local, já que a escola da Brigada movimenta o comércio no setor imobiliário, lojas e supermercados”, completou Cristiano, sobre unir forças para manter a EsFES em Montenegro.

Nesta quinta-feira, 04, a mobilização continua, com mais reuniões e contatos com deputados e representantes do Governo do Estado. Em um primeiro momento se busca evitar que seja votado nos próximos dias, permitindo uma melhor análise até depois do recesso para que seja retirado o artigo 41 do projeto de lei sobre a extinção da EsFES Montenegro. O deputado estadual Guilherme Pasin (PP) protocolou um ofício à Casa Civil solicitando a permanência da EsFES em Montenegro, justificando que o município abriga uma das quadro unidades de formação de soldados do Estado, ao lado de Porto Alegre, Osório e Santa Maria, e que a escola é reconhecida pelo histórico de excelência.

No último curso se formaram 281 soldados, em julho

O Julgamento de Orestes e o Voto de Minerva: a Nova Lei do Empate

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“Que o sangue pare de clamar por sangue.” — Ésquilo, Oresteia

A decisão de Atena na tragédia grega ressurge no direito brasileiro, reafirmando que, diante da dúvida, deve prevalecer a razão e a clemência.

Tudo começou com um vento parado.

Agamêmnon, rei de Micenas e comandante das tropas gregas, via sua frota imobilizada antes de partir para a guerra de Troia. Os deuses exigiam um preço para soprar as velas: a vida de sua filha, Ifigênia. O pai obedeceu. O sacrifício foi consumado, os ventos voltaram a soprar, a guerra foi vencida, mas a casa de Atreu ficou encharcada de culpa. Nenhuma vitória é suficiente quando o sangue dos inocentes clama dos altares.

Anos depois, o rei regressa vitorioso. E é recebido não com aplausos, mas com a espada da própria esposa. Clitemnestra, irmã de Helena de Troia e mãe da menina sacrificada, mata Agamêmnon com a ajuda do amante, Egisto. Não age por ambição, mas por vingança. O crime gera outro crime, e o fio da tragédia volta a se esticar.

É então que o destino recai sobre Orestes, filho de ambos. Educado no culto da honra e da reparação, ele mata a mãe e o amante, cumprindo o dever de vingar o pai. Mas o preço é terrível: matar a própria mãe é violar o sangue, e contra esse tipo de culpa não há perdão entre os homens nem entre os deuses. As Erínias, divindades da vingança, passam a persegui-lo implacavelmente, atormentando-o onde quer que vá.

Orestes encontra refúgio no templo de Apolo, que o conduz até Atena, para ser julgado diante do primeiro tribunal da história: o Areópago. Doze cidadãos, escolhidos a dedo, escutam seu destino. Seis votam pela condenação, seis pela absolvição. O empate paralisa o tempo; é a própria humanidade hesitando entre o dever e a piedade.

É nesse instante que surge Palas Atena, deusa da sabedoria e da prudência. Ela não grita nem se impõe; fala baixo, mas com firmeza. Proclama que, na dúvida, deve prevalecer a clemência. E absolve Orestes. Aquele voto, simples, sereno, racional, muda para sempre a forma como o homem entende a justiça.

Mais tarde, os romanos chamariam essa decisão de “voto de Minerva”, porque Minerva é o nome latino de Atena, a deusa da sabedoria para um povo que fundou as bases do nosso próprio direito. E é daí que vem a expressão que atravessou os séculos: o voto de Minerva é o voto da razão sobre a fúria, da prudência sobre a vingança.

A tragédia termina com a transformação das Erínias em Eumênides — as “benfazejas”. A justiça, antes movida pela ira, torna-se racional. O sangue deixa de clamar por sangue. E o tribunal dos deuses cede lugar ao tribunal dos homens. É o nascimento simbólico do direito.

Dois milênios depois, essa mesma lição ressurge, discretamente, em uma norma jurídica. A Lei nº 14.836, de 2024, alterou o artigo 615 do Código de Processo Penal para dizer, com todas as letras, que “havendo empate em julgamentos penais, prevalecerá a decisão mais favorável ao indivíduo imputado”. Mesmo se o julgamento ocorrer com ausências ou impedimentos, o resultado deve ser proclamado de imediato.

Curiosamente, o Código de Processo Penal Militar, desde 1969, já dizia o mesmo: “no caso de empate, prevalecerá a decisão mais favorável ao réu.” A Justiça militar, tantas vezes tida por severa, guardava desde sempre a semente da sabedoria antiga.

Ao adotar agora essa regra no processo penal comum, o legislador reafirma uma verdade que atravessa os séculos: quando há dúvida, o Estado deve escolher a prudência. A justiça não é o brado da multidão, mas o silêncio ponderado da razão.

No fundo, a nova lei apenas reescreve, em linguagem jurídica, o gesto de Atena no Areópago. A deusa continua votando, desta vez nas páginas do Diário Oficial. E seu voto, ontem como hoje, recorda que o Direito não nasceu da vingança, mas da dúvida. E que, diante do empate, é sempre Minerva quem decide.