Soldado do 3º BPM, de folga e à paisana, estava com o veículo no semáforo da avenida Victor Hugo Kunz com a rua Curitibanos, no bairro Canudos
Um revólver e um simulacro de pistola foram apreendidos | Foto: BM / Divulgação / CP
Correio do Povo
Um assaltante morreu ao tentar roubar o veículo de um policial militar de folga e à paisana na noite dessa quarta-feira em Novo Hamburgo, no Vale do Rio dos Sinos. Um revólver com munição e um simulacro de pistola foram apreendidos pela Brigada Militar.
O ladrão e um cúmplice aproximaram-se do Volkswagen Polo, dirigido por um soldado do 3º BPM, que estava parado no semáforo da avenida Victor Hugo Kunz com a rua Curitibanos, no bairro Canudos. Ao perceber a ação criminosa da dupla e temendo pela vida, o brigadiano impediu o roubo e efetuou os disparos com sua arma.
O bandido, de 26 anos, foi atingido e tombou sem vida no chão. Ele tinha antecedentes por tráfico de drogas, roubo a pedestre, furto de veículo e lesão corporal. O comparsa fugiu correndo e não foi mais encontrado apesar das buscas.
Acionado em apoio ao colega, o efetivo do 3º BPM compareceu no local, que foi isolado. Não é descartado que a dupla estava em um veículo de cor branca conduzido por um terceiro indivíduo. A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil.
Presidente da ASOFBM defende, assim como outras associações, um sistema próprio para os militares e espera emenda no projeto
Felipe Nabinger Correio do Povo
Brigadianos e bombeiros militares podem deixar IPE Saúde, na visão de presidente do sindicato | Foto: Alvaro Grohmann / Especial / CP
“Vamos sair em massa do IPE Saúde”, afirmou o coronel Marcos Paulo Beck, presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar (ASOFBM), caso o projeto do IPE Saúde seja aprovado, mesmo com as mudanças apresentadas pelo governo do Estado nesta terça-feira. O coronel Marcos Paulo afirma que as entidades ligadas às forças militares vão insistir com o Estado na criação de um sistema próprio, aos moldes do que ocorre com as Forças Armadas, projeto apresentado ao governo, mas que ficou fora do projeto do Executivo.
“Esperamos que o esse projeto possa ser discutido e não votado de ‘afogadilho’ e que algum deputado amigo da BM possa apresentar por emenda”, diz o coronel Marcos Paulo.
Nesta quarta-feira, representantes de sindicatos que representam militares do Estado, junto com entidades que representam a polícia penal, estiveram em reunião da subcomissão que trata da reestruturação do IPE Saúde, presidida pelo deputado Dr. Thiago Duarte (União Brasil), a fim de levar suas demandas.
Conforme levantamento realizado pelas associações dos militares, somente os servidores ativos e inativos da Brigada Militar somam mais de 40 mil ativos e cerca de 13 mil pensionistas, com uma arrecadação média de R$ 20 milhões por mês, atualmente, com o desconto de 3,1%, que poderia ser ampliada em um plano próprio, com a alíquota em 3,5%. Para o coronel Marcos Paulo, a saída em massa do IPE Saúde é uma tendência natural não havendo mudança no projeto do Executivo e as próprias associações já procuram alternativas junto a planos privados.
Coronel Feoli informou que a Brigada irá contratar oito psiquiatras e duas psicólogas para auxiliar no tratamento da saúde mental dos servidores
Coronel Feoli e Luciana Genro trataram do tema do adoecimento de praças da BM | Foto: Débora Fogliatto
Por Sul 21
A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) apresentou nesta quarta-feira (17) ao comandante-geral da Brigada Militar, Coronel Cláudio dos Santos Feoli, diversas demandas que ela vem recebendo por parte de brigadianos de nível médio. Luciana apresentou no final de abril, durante o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Brigadianos de Nível Médio, um dossiê que aponta para a grave situação de adoecimento mental entre os policiais militares. Já o Coronel Feoli anunciou que a Brigada está contratando novos psiquiatras e adotando novas medidas para o enfrentamento ao problema.
O dossiê e a frente resultam de um trabalho que a parlamentar vem desenvolvendo nos últimos anos junto à categoria, o que lhe permitiu fazer um levantamento dos problemas relacionados à carreira e condições de trabalho, perseguições por superiores e uma grave situação de saúde mental e de suicídios entre policiais militares.
Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a deputada obteve dados que revelam que, entre o início de 2018 e o final de fevereiro de 2023 — quando a solicitação foi feita –, foram registrados 45 suicídios dentro da corporação, o que representa mais da metade das 89 mortes de policiais militares no período. No mesmo espaço de tempo, 15 policiais militares morrem em confrontos durante o serviço. Somente em 2023, já ocorreram seis suicídios de brigadianos.
Nesta quarta, a deputada entregou ao comandante da BM o dossiê e cópia de todos os ofícios que já enviou ao Comando, com sinalização de quais não foram respondidos. Durante a conversa, ela ponderou que há comandantes de batalhão que perseguem subordinados pelos mais diversos motivos, utilizando escalas e outras medidas administrativas para prejudicar soldados e sargentos.
“Muitos dos casos são de praças que estiveram afastados por motivos de saúde e, ao retornar, passam a ser perseguidos. Há muitos relatos de oficiais que não levam a sério os afastamentos, especialmente em caso de saúde mental. Há também denúncias de racismo, LGBTfobia e perseguições contra brigadianas mulheres”, disse Luciana Genro.
Feoli relatou que há medidas sendo tomadas para enfrentar a questão do adoecimento mental, como a contratação de oito psiquiatras, que irão atender 24 horas, e de duas psicólogas. Ele também garantiu que irá ocorrer um processo seletivo para a formação de mais 90 soldados e sargentos para o Programa Anjos, em que policiais atuam como facilitadores de atenção à saúde mental na corporação.
“A Brigada Militar é uma instituição muito complexa e difícil de humanizar, mas o comandante Feoli se mostrou atento a todas as pautas que levamos e, em alguns casos, nos garantiu que medidas já estão sendo tomadas. Sobre a questão da permanência em pé no posto base sem possibilidade de ir ao banheiro ou se abrigar da chuva, ele garantiu já ter determinado que isso não aconteça. Também se comprometeu a avaliar todas as denúncias que apresentamos. Vamos seguir lutando para que os Praças tenham os seus direitos humanos respeitados dentro da corporação”, disse Luciana.
A parlamentar também pediu apoio ao Comandante-Geral para o projeto de lei que prevê a instalação de câmeras em fardas e viaturas policiais. Feoli informou que será realizado ao final deste mês um pregão para contratação de empresa para fornecer as câmeras a partir de iniciativa do próprio governo, e Luciana Genro destacou a importância de se aprovar o projeto para que a medida seja de Estado, e não de um governo.
O comandante se comprometeu a analisar o projeto e, se necessário, fazer sugestões. A proposta da deputada está na Assembleia Legislativa e já obteve parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça, onde tramita atualmente.
Na manhã desta quarta feira, 17 de maio, a DIRETORIA EXECUTIVA ABAMF, na figura de seu PRESIDENTE e DIRETORES, estiveram na Assembleia Legislativa para a entrega de documentação referente às demandas do IPE SAÚDE.
Aproveitaram também o ensejo para reuniões com diversos Deputados, para debater o assunto do IPE SAÚDE, sendo que o Governo deverá apresentar em breve na Assembleia Legislativa, proposta que vem à prejudicar todos os Servidores do Estado.
Precisamos de uma gestão séria dentro do IPE SAÚDE e, para isso, se faz necessário uma auditoria externa para que possamos entender o real problema do instituto e assim dentro de um diálogo constante, viabilizar um projeto que possa vir a atender às demandas de todos nós servidores.
Não podemos aceitar que mais uma vez o Governo do Estado simplesmente coloque a culpa nos Servidores, sem o devido diálogo, pois este projeto impactará milhares de vidas, então nesta hora é necessário responsabilidade e transparência.
Ressaltamos ainda que estamos há alguns anos sem receber do Governo do Estado, a reposição da inflação, o que está na casa de 60%, há 8 anos não recebemos aumento real de salário e também não nos foi pago os 3,1% da lei da verticalidade, que está em vigência, e que tudo isso causa uma diminuição na arrecadação para o IPE SAÚDE.
Em 40 dias, três policiais militares foram mortos por colegas de farda em SP; o caso mais recente ocorreu em Salto, no interior paulista
Metrópoles
São Paulo — Nos últimos 40 dias, três policiais militares em serviço foram mortos com tiros disparados por colegas de farda no estado de São Paulo, número que já é maior do que as duas mortes de PMs em confrontos com criminosos registradas no primeiro trimestre deste ano pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
No caso mais recente, ocorrido na manhã dessa segunda-feira (15/5), o capitão Josias Justi da Conceição Júnior, comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Salto, no interior paulista, e o 2º sargento Roberto Aparecido da Silva foram fuzilados por outro sargento, identificado até o momento somente como Gouveia.
Em abril, no dia 5, o sargento Rulian Ricardo foi morto com dois tiros, disparados por seu superior hierárquico, o capitão Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo, que atua como motorista dele. O assassinato ocorreu dentro de um batalhão da PM na zona sul da capital paulista.
Ambos os crimes ocorreram nos quartéis onde vítimas e autores trabalhavam e foram motivados, segundo apurado pelo Metrópoles, por discussões relacionadas à escala de trabalho. No caso ocorrido na capital, o sargento assassinado enviou áudios a um colega reclamando sobre isso (ouça abaixo).
O capitão e o sargento do interior foram fuzilados enquanto trabalhavam com documentos, em uma sala da 3ª Cia. do 50º Batalhão da PM. Já o sargento Rulian foi morto com tiros de pistola, um no pescoço e outro no tórax, nas dependências da 4ª Companhia do 46º Batalhão Metropolitano da PM, no Jardim Santa Emília, na zona sul paulistana.
“Saúde mental da PM está prejudicada”
Para especialistas ouvidos pelo Metrópoles, os assassinatos de PMs cometidos pelos próprios colegas de farda seriam decorrentes do estresse e da saúde mental frágil dos envolvidos.
“De forma nenhuma e de jeito algum a gente pode justificar que uma escala de trabalho gera uma coisa como essa, seria inconcebível a gente falar isso. Agora, por outro lado, a gente precisa ficar muito atento à saúde mental desse PM. O que os dados mostram é que, infelizmente, a saúde mental do PM está bastante prejudicada. Pelo que a gente percebe, esses casos mostram isso. São casos extremos”, afirmou Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Ele acrescentou ser necessário um maior cuidado com a saúde mental da PM. “É muito importante e fundamental que se olhe para isso”, disse.
Capitão da PM Josias Justi da Conceição Júnior foi morto com tiro de fuzil por seu subordinado em SP
José Vicente da Silva, coronel da reserva da PM de São Paulo, afirmou que “por mais trágicos que sejam” os homicídios de policiais dentro dos batalhões, eles não podem demonstrar “um problema de caráter institucional.”
“SÃO SIMPLESMENTE DUAS TRAGÉDIAS QUE COINCIDIRAM EM UM CURTO ESPAÇO DE TEMPO, DE POLICIAIS EXTREMAMENTE ESTRESSADOS E COM ACESSO À ARMA DE FOGO. A ARMA, NATURALMENTE, CRIA A OPORTUNIDADE PARA ESSE TIPO DE DESENLACE”, AVALIOU.
O coronel da reserva, também membro do FBSP e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, acrescentou ser importante a Corregedoria da PM apurar o que de fato ocorreu nos casos de policiais matando policiais.
“ATÉ QUE PONTO FOI UM PROBLEMA PREDOMINANTEMENTE INDIVIDUAL, DESSAS PESSOAS QUE ATIRARAM, CRIARAM SITUAÇÕES PARA O TIRO, E ATÉ QUE PONTO PODE TER OCORRIDO FALHA POR PARTE DA PM? LEMBRANDO QUE A CORPORAÇÃO TEM MAIS DE 80 MIL MEMBROS E ESSES FENÔMENOS NÃO SÃO EXCLUSIVOS DA PM, OU DA POLÍCIA DO BRASIL.”
O ouvidor das polícias de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, afirmou que o adoecimento mental da tropa está se demonstrando em “diversas tentativas de suicídio e suicídios consumados” que chegaram ao conhecimento do órgão neste ano.
Ele afirmou ter encaminhado um ofício para o comando geral da PM, sugerindo a criação de um grupo de trabalho para diagnosticar “o tamanho do problema” que, segundo o ouvidor, “não é pequeno.”
“Precisamos cuidar da tropa e de seus familiares, debater o problema, dar atenção, diagnosticar as questões relacionadas a isso e, de fato, cuidar da saúde mental do policial.”
Governador Eduardo Leite apresentou nova proposta na noite desta terça-feira (16)
Guilherme Milman / Agencia RBS
Após a repercussão negativa da proposta inicial para a reestruturação do IPE Saúde, o governador Eduardo Leite apresentou uma segunda versão para os deputados da base aliada, na noite desta terça-feira (16). O novo projeto mantém a cobrança por dependentes, mas prevê limite de contribuição para servidores e redução no valor cobrado por cada um. O encontro ocorreu no Palácio Piratini.
A nova proposta estabelece uma trava global que limita a contribuição dos servidores em 12% da remuneração, qualquer que seja o número de dependentes na família. O governo propõe, também, uma redução de 5% da contribuição de dependentes em relação à proposta inicial.
O novo texto propõe a que o governador e o vice-governador sejam impedidos de aderir ao plano de saúde, que será restrito aos servidores públicos. Além disso, Leite anunciou que o Estado disponibilizará nos próximos dias um simulador de contribuição do plano principal, para facilitar a compreensão dos servidores sobre a proposta.
A proposta do Executivo ampliaria a alíquota dos titulares, hoje em 3,1%, para 3,6%, índice que era aplicado até o ano de 2004. A contribuição paritária do Estado também aumentaria para o mesmo patamar.
Os valores para os segurados não poderiam exceder o que determina a Tabela de Referência de Mensalidade (TRM) do IPE Saúde, com preços que valores de R$ 219 a R$ 1.254,75. Ou seja, o segurado pagaria sempre o que for menor: ou o valor previsto na tabela ou montante extraído do cálculo percentual com base no salário. A proposta deve ser encaminhada à Assembleia Legislativa até o fim desta semana.
A tabela de contribuição para os dependentes teve redução, em relação à primeira proposta, em quase todas as faixas etárias. A faixa de cobrança para dependentes com menos de 24 anos, de R$ 49,28, foi mantida.
Nas demais faixas etárias, em que os dependentes pagariam 40% do valor de referência para titulares, o percentual foi reduzido para 35%. Outra novidade é a colocação do dependente sob condição de invalidez na faixa de menor contribuição, de R$ 49,28, independentemente da idade.
Governo pretende passar administração do local para a Susepe após término da obra, prevista para ser concluída em janeiro do ano que vem
Cerca de 250 presos foram transferidos do Presídio Central na última semana
Rodrigo Borba / Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Divulgação
CID MARTINS. GZH
A Brigada Militar (BM) espera ter reforço de 500 policiais atuando nas ruas do Rio Grande do Sul a partir de 2024. Trata-se de PMs que, atualmente, estão trabalhando em casas prisionais do Estado, mas que devem voltar ao policiamento ostensivo no ano que vem.
Essa transferência de função vai se iniciar pelos PMs que estão atuando hoje no Presídio Central e, depois, se estenderá para aqueles que trabalham atualmente na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas.
— Em janeiro, já serão uns 500 (deixando a atuar em prisões) e a população vai sentir a diferença nas ruas e não só em Porto Alegre, mas no Estado todo. Esses PMs que estão nos muros de dezenas de presídios, por exemplo, irão fazer patrulhamento principalmente no Interior — ressalta o secretário da Segurança Pública, Sandro Caron.
O titular da pasta ressalta que o número de PMs que serão remanejados — inicialmente previsto em 500 — deve aumentar porque a Brigada deverá sair, aos poucos, de todas as prisões do Estado.
Segundo o secretário, a corporação vai entregar a administração do Presídio Central para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) até janeiro de 2024. A troca vai coincidir com o fim das obras no local, que se iniciaram no segundo semestre de 2022. Para isso, houve duas etapas de transferências de presos do local, em junho do ano passado, e em maio deste ano.
PMs que atuam na segurança de prisões administradas pela Susepe também deixarão os locais, estima o secretário. A ideia é que esse serviço deixe de ser realizado pela BM gradualmente com a formação de novos policiais penais que passaram em concursos públicos. A última leva de brigadianos a sair será da PEJ, mas ainda sem data prevista. A única certeza, segundo Caron, é que deve ser até o final do governo Leite.
Presença nas prisões há quase 30 anos
Somente no Presídio Central, os brigadianos estão desde 1995, há quase 30 anos. A medida foi tomada um ano depois de fuga na casa prisional. Entre os presos, estava Dilonei Melara. Eles fizeram reféns e, durante o trajeto, ainda invadiram o saguão do Hotel Plaza São Rafael, no Centro da Capital.
Depois disso, cerca de 500 brigadianos ocuparam quatro casas prisionais para evitar motins e novas fugas. A intervenção militar seria por apenas seis meses, mas perdurou por vários anos, mesmo que a função constitucional dos policiais militares seja patrulhar, e não administrar prisões.
Além do Presídio Central e da PEJ, a Penitenicária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e a Penitenciária Estadual de Charqueadas (PEC) foram administradas pela BM, mas atualmente estão sob responsabilidade da Susepe.
Transferência de presos do Central se dá em razão de obras que acontecem no local
Rodrigo Borba / Governo do Estado do Rio Grande do Sul / DivulgaçãoPMs que atuam no Central deverão reforçar policiamento nas ruas
Jonathan Silva / Governo do Estado do Rio Grande do Sul / DivulgaçãoPMs serão substituídos por policiais penais na administração das prisões
Jurgen Mayrhofer / Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Divulgação
Modelo que União Gaúcha apresenta nesta tarde no Conselho do instituto é semelhante ao que foi adotado para a reforma da previdência
Entidades propõem que IPE Saúde mantenha sistema atual inalterado | Foto: IPE / Divulgação / CP memória
A União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública, que reúne 26 entidades representativas de diferentes esferas do serviço público estadual, formulou uma proposta alternativa de reestruturação do IPE Saúde. O texto toma por base duas linhas: preservação do plano principal atual e segregação de massa em um novo plano, alternativo. A ideia lembra muito o modelo utilizado para a reforma da previdência. Um documento detalhado foi entregue na reunião extraordinária do Conselho de Administração do IPE Saúde, que ocorre desde às 13h desta segunda-feira.
Conforme a proposição idealizada pelas entidades, o plano atual não teria mudanças, sendo por isto mantidas as atuais alíquotas de contribuição e a ausência de cobrança dos dependentes que hoje não pagam (uma parte deles, na verdade, já contribui). Para cobrir o déficit do plano atual são sugeridas duas medidas. A primeira é a concessão de recomposição inflacionária em um índice a ser debatido com o governo, de forma a permitir crescimento nas receitas do sistema e, ao mesmo tempo, o cumprimento do chamado limite prudencial das contas. E a segunda é que o governo quite os valores referentes a três pontos: aos imóveis do IPE que foram transferidos; aos pagamentos de RPVs e precatórios; e às paritárias de pensionistas. As entidades argumentam que, juntas, as três situações totalizam um montante de R$ 1 bilhão em créditos ao sistema. A proposta rechaça projetos que resultem em redução nominal de salários, condicionando elevação de alíquotas, cobrança de dependentes e aumento em coparticipações a recomposições inflacionárias por meio de revisões gerais anuais em iguais proporções.
Para evitar novos déficits, a proposição prevê a criação de um novo plano, que considere parâmetros etários e de dependentes, destinado aos servidores que ingressarem no sistema a partir da aprovação das mudanças. As entidades deixam em aberto a possibilidade de este novo plano ser desenhado conforme a proposta inicial apresentada pelo governo (com aumento das alíquotas de contribuição de 3,1% para 3,6%, cobrança de todos os dependentes, de acordo com a faixa etária, e elevação da coparticipação em consultas e exames de 40% para 50%), ou de acordo com as negociações que acontecem com o Legislativo. Para o plano alternativo, além de servidores novos, também poderiam migrar, dentro de um prazo estabelecido, servidores antigos para os quais as regras sejam mais atraentes (caso, por exemplo, de jovens sem dependentes e com altos salários). As tabelas médicas não teriam diferenças entre os dois sistemas, de modo a manter a igualdade de tratamento na ponta aos usuários de ambos.
Questionado sobre a possibilidade de o sistema atual vir a apresentar novos déficits no futuro mesmo se o governo efetuar os pagamentos referentes a imóveis, precatórios, RPVs e paritárias de pensionistas, Filipe Leiria, um dos conselheiros da União Gaúcha envolvido na formulação da proposta, responde que sempre existe um custo de transição na mudança de um sistema, e lembra que os parâmetros que estão sendo usados na alternativa idealizada pelas entidades são os mesmos que foram adotados na reforma da previdência. “Na previdência, foi o custo de transição que barrou a capitalização total”, compara.
Segundo Leiria, para além da questão dos custos, há o que os servidores destacam como debate civilizatório. “Estamos tratando de dignidade humana. Se todos concordam que é preciso fazer mudanças para que o sistema continue a existir, a pergunta que precisa ser feita é: o governo vai abandonar as pessoas de baixa renda e com mais idade ou vai financiar o custo de transição? O governo, até aqui, tem tentado fazer um apagamento deste custo de transição, mas ignorá-lo vai gerar problemas em série, inclusive a possibilidade de ações judiciais futuras”, projeta.
As alternativas gestadas pela União Gaúcha são tornadas públicas um dia antes de o governo ter se comprometido a apresentar a aliados as mudanças efetuadas em sua proposta inicial. O Executivo se apressa para enviar um projeto de reestruturação do IPE Saúde à Assembleia Legislativa o quanto antes. O objetivo é evitar o risco de que, em função da burocracia da tramitação, a apreciação acabe ficando para o segundo semestre, devido ao recesso do meio do ano, mesmo que o texto seja enviado em regime de urgência.
Kadmiel Edson Rodrigues da Silva é natural do Mato Grosso do Sul e vive em Campo Bom para tratar a doença. Menino recebeu alta após visita de policiais e ganhou festa da comunidade.
Por Vítor Rosa, RBS TV
A paixão pela Brigada Militar (BM), a polícia militar do Rio Grande do Sul, deu forças a um menino de 4 anos que luta pela vida. Kadmiel Edson Rodrigues da Silva é natural do Mato Grosso do Sul e vive em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre, porque precisa tratar de um câncer raro nos rins.
Em março deste ano, os médicos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre consideraram o quadro de Kadmiel irreversível. Diante disso, o pai do menino entrou em contato com policiais militares, que visitaram o garoto no hospital. Para a surpresa de todos, desde a visita, o estado de saúde de Kadmiel começou a melhorar.
“Eu entrei em contato com a Brigada para preparar tudo, seja uma despedida, alguma coisa. (…) Chegaram no quarto, foi, assim, uma visita que ele não esperava”, diz o pai, Edson Silva.
Policiais visitam Kadmiel em quarto de hospital em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV
O menino recebeu alta e conseguiu visitar o batalhão da BM em Campo Bom.
“Nós usamos a arma mais poderosa que o ser humano pode usar, o amor”, afirma o tenente Marcos Alberto de Oliveira Escobar.
Com os PMs, ele conheceu a sala das câmeras, aprendeu a ligar a sirene e até falou no rádio da corporação.
“Sargento Kadmiel”, disse no rádio.
Kadmiel dentro de viatura da polícia em Campo Bom — Foto: Reprodução/RBS TV
Ajuda da comunidade
A ajuda em Campo Bom não ficou só com os militares. Como a família do menino é de outro estado e gasta quase todos seus recursos no tratamento, empresários ajudaram com os demais custos.
“Eu consegui agora, até o final do ano, o aluguel pago para eles, porque eles não podem trabalhar. O Kadmiel toma 60 comprimidos, em torno. Nós conseguimos dinheiro, através de amigos, numa vaquinha”, conta o empresário Roger da Costa.
No meio de tanta luta, também tem alegria. A comunidade de Campo Bom também adotou a família do Kadmiel e preparou uma festa de aniversário surpresa antecipada para o menino. Ele ganhou uma escolta policial para ir até a festinha.
“Não tem felicidade melhor pra mim do que ver a felicidade dele”, diz a mãe, Cleonice Rodrigues.
Em vídeo publicado no canal do Instagram da Brigada Militar, o Comandante-Geral, Coronel Feoli informa que ainda no primeiro semestre de 2023 serão lançados os editais do CTSP e CBA