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Autor de ameaças a Cezar Schirmer morre em confronto com policiais militares em Porto Alegre

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Suspeito reagiu à abordagem, foi perseguido e atirou contra o efetivo do 1º BPM na zona Norte da Capital

Houve apreensão de pistola com carregador e munição, além de 634 pedras de crack e 44 pinos de cocaína | Foto: BM / Divulgação / CP

Correio do Povo

Um criminoso morreu ao confrontar-se com policiais militares na madrugada desta quinta-feira na zona Norte, em Porto Alegre. O incidente ocorreu na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, no bairro Costa e Silva.

O efetivo do 1º BPM tentou abordar um Peugeot 2008, de cor branca, na avenida Protásio Alves, no bairro Rubem Berta. A Brigada Militar sabia que o automóvel levava drogas para a vila Cruzeiro do Sul, no bairro Santa Tereza. O motorista do veículo, de 24 anos, negou-se a obedecer à ordem de parada e começou a fuga.

Houve então uma perseguição até a interceptação do carro na avenida Baltazar de Oliveira Garcia. O suspeito atirou então contra os policiais militares, sendo baleado no revide. Socorrido e levado ao Hospital Cristo Redentor, ele não resistiu aos graves ferimentos e faleceu durante atendimento médico.

Integrante de facção, o indivíduo tinha antecedentes, incluindo 12 homicídios e ainda porte ilegal de armas, tráfico e posse de entorpecentes. Conforme a BM, ele foi o autor da ameaça contra o então secretário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer, em 2017.

Na ocorrência, o efetivo do 1º BPM apreendeu uma pistola calibre nove milímetros com um carregador e 11 munições, além de 634 pedras de crack e 44 pinos de cocaína.

PMs que salvaram criança que se afogou em piscina são homenageados no litoral

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PMs que salvaram criança que se afogou em piscina são homenageados no litoral

O Comando do 2º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (2º BPAT), na manhã desta segunda-feira (27/02), no encerramento da 53ª Operação Golfinho, em Capão da Canoa, prestou homenagem ao soldado Mees, do 17º BPM, e ao soldado Marques, do 33º BPM, que atuaram na praia de Capão Novo.

Os policiais militares atenderam uma ocorrência de afogamento em piscina de uma criança de dois anos de idade, no dia 13 de fevereiro.

Os PMs se dirigiram para a residência onde uma família passava férias e no local o pai da criança, em aparente nervosismo, falou para a guarnição que o menino havia caído na piscina da casa.

De imediato, os PMs iniciaram a manobra de reanimação na criança e o procedimento foi decisivo para mantê-la viva.

Em seguida, o menino foi levado ao hospital de Capão da Canoa e de lá removido para um hospital em Canoas, onde ficou internado.

Recuperado, ele recebeu alta no último sábado (25/02), está com a família em casa e passa bem.

LITORALMANIA

CBMRS comemora 128 com a passagem de Comando da Instituição

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Foto: Grégori Bertó/Secom

Na noite desta terça-feira (28/2) o CBMRS comemorou o aniversário de 128 anos de criação do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. A Solenidade também contemplou a posse do coronel Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues como novo comandante-geral do CBMRS. Ele substituiu o coronel Luiz Carlos Neves Soares Júnior, que foi para a reserva. A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite e do secretário da Segurança Pública, Sandro Caron.

Governador empossou Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues no comando-geral do CBMRS – Foto: Grégori Bertó/Secom

ASOFBM: A Associação dos Oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar esteve presente na solenidade de passagem de Comando do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul. O Vice-presidente TC Roger Vasconcellos e o Diretor Administrativo TC Jorge Alvorcem representaram a Entidade.

Ao saudar a passagem dos 128 anos de criação da Corporação junto à sociedade gaúcha, a ASOFBM deseja muito sucesso ao Comandante-Geral Coronel Estêvam, para que possa engrandecer, com sua capacidade técnica, liderança e conhecimento científico, cada vez mais a missão do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul!

TC Roger – Cel Estavam novo Cmt – TC Alvorcem – Cel Luiz Cmt substituído – Foto: ASOFBM

Quem é Eduardo Estêvam Camargo Rodrigues

Natural de Porto Alegre, o coronel Estêvam tem 47 anos. Ingressou na carreira militar estadual em 1993 na Brigada Militar, quando o Corpo de Bombeiros Militar ainda era vinculado àquela instituição. Em 1996, concluiu o Curso Superior de Formação de Oficiais pela Academia de Polícia Militar do Rio Grande do Sul, tornando-se tenente. Em 2001, formou-se no Curso de Especialização em Bombeiro Militar (2001).

Hoje coronel, exercia o cargo de diretor de Ensino do CBMRS, função que assumiu no ano passado, após passagem como diretor adjunto do Departamento de Segurança, Prevenção e Proteção Contra Incêndio (DSPCI), função que já havia exercido entre 2015 e 2019. Entre 2019 e 2021, foi comandante do 1º Batalhão de Bombeiros Militar (1º BBM), na capital, unidade na qual já havia exercido as funções de chefe da seção de Segurança Contra Incêndio (2012 a 2015), de oficial analista dos Planos de Prevenção Contra Incêndio (2010 a 2011) e de comandante de pelotão de combate à incêndio e guarda-vidas na Operação Verão (2002 a 2008).

Estevam é graduado em Engenharia Civil e mestre e doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutor em Engenharia de Segurança aos Incêndios pela Universidade de Coimbra e especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Perícia de Incêndio pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.

Texto: Kelly Motter/Ascom SSP e Leandro Belles/Secom
Edição: Vitor Necchi/Secom

R$ 2,47 bilhões de recursos federais para segurança que não foram usados pelos estados

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Apenas 25% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública repassados aos estados nos últimos quatro anos foram utilizados.

O RIO GRANDE DO SUL É O ESTADO QUE MAIS UTILIZOU ESTES RECURSOS

Foto ilustrativa: Fonte SSP-RS

Os dados abaixo são de reportagem exibida pelo site METRÓPOLE

Os estados brasileiros e o Distrito Federal deixaram de destinar R$ 2,47 bilhões da verba disponibilizada pela União para segurança pública. O Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) repassou esse valor durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022.

Extrema burocracia, pandemia da Covid-19 e falta de servidores estão entre as causas apontadas pelos estados e por especialistas para a pouca utilização do recurso.

Nos últimos quatro anos, o Fundo de Segurança repassou R$ 3,3 bilhões às unidades da Federação, mas apenas R$ 867,5 milhões dessa verba foram ou estão sendo executados. Ou seja, 74% do montante não tiveram destinação e seguem represados nas contas das estados e do DF.

Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a pedido do Metrópoles, via Lei de Acesso à Informação (LAI) e site da Transparência do governo federal.

Obstáculo burocrático

Em Minas Gerais, apenas 6,6% do dinheiro do Fundo foi executado, segundo informações do MJSP. A fim de justificar a pouca utilização dos recursos, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) citou, como um dos principais fatores, a alta burocracia para destinar a verba.

De acordo com o governo mineiro, os “trâmites estabelecidos pelo MJSP”, “desde a comunicação do montante a ser recebido pela unidade da Federação até o desbloqueio dos recursos, dura de nove a 11 meses”.

O Rio Grande do Norte é o estado com a menor execução (2,2%), segundo dados do MJSP. Além da burocracia, a pandemia da Covid-19 foi elencada como um fator que atrapalhou o uso da verba.

Ainda segundo o governo potiguar, houve falta de produtos e insumos, bem como variações anormais de preços no mercado global, devido à pandemia.

QUANTO AO RIO GRANDE DO SUL

EXECUTOU R$ 126.318.889.09

NÃO EXECUTOU R$ 54.333.253.81

Alguns gestores também alegaram valores um pouco diferentes do que o governo federal considera como executado. A divergência justifica-se pelo intervalo de tempo que cada estado dispende para alimentar o banco de dados do MJSP. A reportagem considerou as informações fornecidas pela União.

Os estados lembraram ainda que não houve o vencimento do prazo para a execução desse recurso federal do Fundo de Segurança, o que também procede.

Promessas

De fato, a atual gestão do MJSP, que começou a trabalhar no governo Lula em 2023, reconhece essa alta burocracia para usar esses recursos, mesmo já tendo sido repassados às unidades federativas.

Em reunião com os secretários de segurança do país no dia 26 de janeiro, o ministro Flávio Dino prometeu desburocratizar e facilitar o uso desse subsídio.

“A nossa ideia é eliminar esse fluxo burocrático – que não existe, por exemplo, no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Nós estamos vendo com eles (secretários de Segurança) se é possível fazermos uma norma temporária para agilizar que os estados gastem esse dinheiro, porque esse dinheiro já foi repassado”, disse Dino na ocasião.

No entanto, um mês depois dessa declaração, ainda não foi formalizada qual seria essa norma temporária ou nova regra para uso do Fundo Nacional de Segurança Pública. A reportagem questionou o MJSP na última quarta-feira (22/2) e aguarda retorno.

RJ: Agentes de segurança do Rio terão programa de prevenção ao suicídio

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Metas serão aplicadas em três etapas, diz presidente do Ippes

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro


© Fernando Frazão/Agência Brasil

Policiais civis, agentes penitenciários e servidores que trabalham com adolescentes infratores no Rio de Janeiro terão um programa de prevenção ao suicídio. O programa será coordenado pelo Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (Ippes), em parceria com o governo do estado e o Ministério Público do Trabalho.

A ideia é que, no futuro, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros também passem a integrar o projeto. Dados informados pelo Ippes, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostram que 101 policiais civis e militares cometeram suicídio em 2021. No estado do Rio, foram 15 casos naquele ano.

Segundo a presidente do Ippes, a socióloga Dayse Miranda, o programa terá três etapas. A primeira é um diagnóstico da situação na Polícia Civil, na Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

Em seguida, será feito um trabalho de conscientização com gestores, profissionais de saúde mental dessas instituições e os próprios agentes. “Tentamos fazer um trabalho de mudança de cultura organizacional, oferecendo oficinas de gestão humanizada para os líderes, formando multiplicadores de prevenção, fazendo palestras que esclarecem quais são os primeiros sinais e também rodas de conversas onde eles compartilham os problemas do dia a dia de trabalho”.

O Ippes colocará sua rede de apoio psicoterapêutico à disposição desses profissionais de saúde e dos próprios agentes que precisarem de ajuda.

Dayse Miranda conta que há alguns fatores que favorecem o suicídio entre os agentes de segurança pública, entre eles a própria natureza do trabalho. “Ter autoexposição a situação de perigo e violência, ao decorrer de dez a 15 anos, esse profissional está sujeito a desenvolver os transtornos de estresse pós-traumático, que aumenta o risco do profissional morrer por suicídio”.

Há ainda questões como as escalas de trabalho que comprometem o descanso, a falta de cuidado com o profissional que passou por uma situação complicada (como o assassinato de um colega) e também o acesso mais fácil à arma de fogo.

Segundo Dayse Miranda, um profissional que está sofrendo com um adoecimento mental coloca em risco não apenas ele mesmo como também todos que estão a sua volta, inclusive a população civil. O projeto tem a previsão de durar dois anos.

Edição: Valéria Aguiar

Identificado PM que ficou gravemente ferido após acidente na BR-116 em Cristal

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Soldado Rógil Ávila de Oliveira, de 26 anos, estava voltando para casa quando colidiu de moto na traseira de um caminhão

Matheus Garcia. Blog do Juares

Foto: Reprodução / Redes sociais / Blog do Juares

Foi identificado como Rógil Ávila de Oliveira, de 26 anos, o policial militar que ficou gravemente ferido em um acidente de trânsito registrado na manhã desta sexta-feira (24) na BR-116, em Cristal. Ávila recebeu os primeiros atendimentos médicos no Hospital Nossa Senhora Aparecida (HNSA) de Camaquã. Uma campanha foi organizada na rede social para ajudar a família do soldado a arcar com os custos de deslocamento e estadia durante os dias em que ele precisar ficar hospitalizado.

O PM é natural de Jaguarão, mas vive com a esposa e o filho em Pelotas. Ele é lotado no 31º Batalhão de Polícia Militar (BPM), com sede em Guaíba, e estava se deslocando para casa de motocicleta quando colidiu na traseira de um caminhão, com placas de Nova Santa Rita. A colisão ocorreu por volta das 9h30, na altura do quilômetro 417 da rodovia. O motorista do veículo de carga não teve ferimentos.   

A ocorrência foi atendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pela Ecosul, concessionária que administra a rodovia. A pista ficou totalmente bloqueada durante o atendimento do acidente. As circunstâncias da colisão não foram divulgadas pela PRF.

Segundo informações da página Caso Criminal RS, o PM já havia solicitado transferência de cidade, através da assistência social da Brigada Militar (BM), e ainda aguarda os trâmites legais. Ele é casado e tem um filho menor de idade portador de autismo em grau severo. 

A BM está prestando todo o apoio à família do soldado neste momento. Com o impacto da colisão, Rógil sofreu diversas fraturas e os parentes tentavam removê-lo para atendimento em hospital de alta complexidade de Porto Alegre por meio de um helicóptero da BM. Ainda era aguardada a transferência até a última atualização desta matéria.

Déficit na segurança pública, um desafio

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Entidades representativas das forças de segurança do Rio Grande do Sul reivindicam mais efetivo nas instituições, pedem o chamamento de concursados e execução de novos processos seletivos para diminuir defasagem histórica

Por Christian Bueller Correio do Povo

Ainda que policiais militares tenham sido vistos com frequência durante eventos de Carnaval e acontecimentos de grande porte, como partidas de futebol, por exemplo, não é incomum se ouvir frases do tipo “faltam brigadianos nas ruas” ou “onde estão as viaturas da Brigada?” em diversas cidades gaúchas. Também é possível receber relatos de que delegacias estavam fechadas porque não há servidores da Polícia Civil suficientes para que a unidade funcione por 24 horas. Informações que chegam por entidades representativas de classes significam um dos desafios da segunda gestão de Eduardo Leite à frente do Palácio Piratini: o déficit, histórico e estrutural, na segurança pública do Rio Grande do Sul, que dura décadas e perpassa mandatos das mais diversas ideologias. A demanda está entre as tantas adversidades que o secretário da Pasta no Estado, Sandro Caron, tem desde que assumiu o cargo, em janeiro, um problema, inclusive, que não é “privilégio” dos gaúchos. 

Segundo o mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no ano passado, documento publicado pelo Fórum de Segurança Pública e que se baseia em dados fornecidos pelos próprios órgãos públicos da área, a média do Brasil é de um policial militar para cada 511 habitantes (406.384 servidores da corporação para uma população de 208 milhões de pessoas). A recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) é que haja um policial para cada 250 cidadãos, embora não especifique as características distintas de cada país. A média gaúcha está aquém da nacional, com um policial militar para cada 635 moradores do Estado. 

Por motivos estratégicos, a Brigada Militar não divulga seu efetivo na totalidade, mas conforme dados do Anuário, são 17.437 servidores da instituição para atender a pouco mais de 11 milhões de gaúchos. Incluindo Corpo de Bombeiros, que se desvinculou da BM, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias (IGP) e Polícia Penal, o número chega a 31.294 servidores – que resultaria em um trabalhador de segurança pública para cada 351 pessoas. No RS, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) é subordinada à Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo (SJSPS) e não à Secretaria de Segurança Pública (SSP). 

Em 2015, primeiro ano da gestão do ex-governador José Ivo Sartori, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou um estudo sobre a realidade e as carências da área no Estado. O Rio Grande do Sul apresentou, à época, o sexto pior índice de policiais militares na proporção ao número de habitantes, 20.405 brigadianos, o que representava um servidor militar da Corporação para cada 547 pessoas – situação melhor do que a atual. Ainda assim, a Federação de Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) realizou um levantamento em que 60% de 238 cidades pesquisadas tinham apenas um policial trabalhando em algum momento em determinado turno do dia. O mesmo estudo mostrou que um entre dez municípios possuía até dois policiais no efetivo total. 

No ano inaugural do primeiro mandato de Eduardo Leite, em 2019, o governador anunciou que, a partir da utilização de 2 mil novos policiais aprovados em concurso no ano anterior, nenhuma das 497 cidades gaúchas teria menos que cinco servidores em seu efetivo, além de confirmar policiamento por 24 horas em todas as estradas estaduais abrangidas pelo Comando Rodoviário. No entanto, segundo entidades que representam servidores que trabalham nas forças de segurança pública do Rio Grande do Sul, tanto militares quanto policiais civis, a teoria não se sustentou na prática. 

O menor efetivo da história da Polícia Civil, diz Ugeirm

O presidente da Ugeirm Sindicato, que defende os interesses de escrivães, inspetores e investigadores de polícia do Rio Grande do Sul, é taxativo: “A situação é caótica”. A frase é de Isaac Delivan Lopes Ortiz, que se diz preocupado com a falta de efetivo em meio ao recente aumento na criminalidade em dois pontos, homicídios e feminicídios, segundo dados da SSP-RS de 2022. “O déficit de profissionais na nossa Polícia Civil é um dos maiores na história da nossa instituição. Tem cidades em que só há um servidor em uma delegacia de Polícia”, lamenta. Ortiz avança na análise do cenário atual e diz que, em determinados municípios gaúchos, não há colegas para registrar ocorrências ou investigar crimes. “Tem policial atendendo uma ou duas delegacias de cidades diferentes, além da sua”, diz o presidente da entidade. Uma das pautas da Ugeirm é a chamada de aprovados em concursos. “Hoje, temos 260 novos colegas na Academia (de Polícia Civil do RS, a Acadepol) e estamos pressionando o governo do Estado para que chame o restante. Há informações de que o Piratini vai chamar mais 400, o que é reconfortante para nós. Que ocorra o mais rápido possível”, ressalta Ortiz. O sindicato destaca que, além destes novos nomes, há outros 300 aguardando serem chamados para futuras turmas. 

O representante dos policiais civis ressalta a dificuldade de se promover uma segurança plena à população com um quadro reduzido de servidores. “Há uma defasagem em regiões importantes como Caxias de Sul, Uruguaiana, Erechim. Precisamos que chamem os aprovados e que se abra um novo concurso para a instituição”, salienta Ortiz. 
“O nosso Estado e a nossa categoria não podem mais conviver com uma Polícia Civil com menos de 5 mil policiais na ativa”, acrescentou. No início do mês de fevereiro, integrantes da diretoria da Ugeirm tiveram uma amistosa reunião com o atual Chefe de Polícia, delegado Fernando Sodré, para expor as reivindicações da categoria. Entre as demandas, além de reposição salarial e publicação das promoções, está a convocação dos aprovados no concurso mais recente. “O baixo efetivo tem causado sérios problemas na categoria, com sobrecarga de trabalho que tem gerado sérios problemas de saúde entre os policiais, tanto homens quanto mulheres”, frisou Ortiz. 

Conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Rio Grande do Sul dispõe, atualmente, de 5.454 policiais civis, incluindo 487 delegados, 2 mil escrivães e 2.967 investigadores. Primeiro negro a assumir o comando da Polícia Civil em 181 anos de instituição, o delegado Sodré destacou, em seu discurso de posse, o compromisso que assume em realizar uma gestão cada vez mais integrada com as demais forças de segurança do Estado nos níveis operacionais, de gestão e de inteligência. Quando foi titular da 13ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, em Santo Ângelo, Sodré se destacou justamente pelo aumento do efetivo na região, além de melhorias de infraestrutura das delegacias da região, a aquisição de armamento e equipamentos de inteligência e vigilância, o que a Ugeirm espera que aconteça em nível estadual. 

Associação defende criação de política de Estado para reposição

O quadro previsto de efetivo mínimo pela Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa servidores em nível médio da Brigada Militar, é de 31 mil homens e mulheres, após a desvinculação do Corpo de Bombeiros. Mas, segundo o presidente do sindicato no Rio Grande do Sul, José Clemente da Silva Corrêa, o número atual de brigadianos, incluindo os de cargos administrativos, conta com um déficit de 14 mil. “Isso que, na linha de frente, na ponta, fazendo o policiamento ostensivo, temos bem menos”, afirma. Clemente lembra que a determinação do governador Eduardo Leite, anunciada em 2019, para que nenhuma cidade gaúcha tivesse menos que cinco militares na ativa, não é uma realidade hoje em dia, no Estado. “Há municípios que são cuidados com efetivos menores que um GPM (Grupamento de Polícia Militar), que devem contar com oito servidores em uma cidade inteira, de pequeno e, até médio porte. Sabemos de cidade menores que não têm mais do que dois militares estaduais”, explica o presidente da Abamf. 

Clemente enfatiza que Forças Táticas de um município precisam se deslocar para localidades vizinhas para reforço de policiamento em determinados momentos. “Acontece o mesmo com os Batalhões de Choque, que são seis em torno do Estado, a exemplo do que ocorre no litoral em época de praia”, recorda. O jargão “tapar a cabeça e destapar os pés” é trazido pelo representante sindical para sintetizar a situação. “Mesmo que se faça concursos e tente se repor efetivo, como foi o caso dos últimos aprovados chamados recentemente, faltam ainda 700 concursados que devem fazer o curso de formação, e o Comando da Brigada Militar, que demonstrou ter esta intenção, depende da autorização exclusiva do governador”, diz Clemente, pontuando que, além da execução do concurso em si, é necessário, também, fazer a nomeação dos aprovados para que possam exercer suas funções. 

Além da demora na chegada de novos colegas, o presidente da Abamf acredita que a saída dos mais antigos também influenciou para a manutenção do déficit. “Em determinado ano, foram para a reserva 800, seja por tempo de serviço ou por afastamento por doenças e acidentados. Por isso, o efetivo da BM, lamentavelmente, não é suficiente para atender a comunidade com aquela satisfação, por mais que o Comando queira e, de fato, tenha esta intenção”, ressalva. Para Clemente, a solução é uma política de Estado. “Deve se instituir em lei a reposição anual de militares com um percentual acima daquilo que as estatísticas nos demonstram a cada ano”, destaca. Ele critica Leite quanto às prioridades na área. “A atual gestão do Estado se preocupa claramente com o saneamento das finanças, mas acaba sucateando o serviço público. Com estes incêndios em vegetações que temos visto, os bombeiros nas cidades não são suficientes para atender a todas as ocorrências”, exemplifica. 

Presidente da regional da Abamf em Caxias do Sul, o soldado Júlio Haito confirma um déficit no efetivo na Serra Gaúcha. “Em Caxias do Sul, onde precisamos de 530 servidores, temos 310. Em toda a região deveríamos ter 2.170 policiais e contamos, atualmente, com 1.210, dados que não são fáceis de lidar”, informa. Nas 35 cidades abrangidas pela unidade regional do sindicato, o formato “um cobre o outro” é uma tônica, segundo Haito. “Imagina, percorrer quilômetros para cobrir um colega que está em outra cidade, ainda mais quando são distâncias longas. É peculiar da nossa profissão, mas podemos diminuir os riscos”, diz.

Categorias à espera de novos concursos

O verão tem dado trabalho para o Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS). Segundo um levantamento, houve um aumento de 95% no número de ocorrências em residências de Porto Alegre em comparação ao ano passado (43 contra 22 em 2022). As causas são das mais diversas: vandalismo, descuido com crianças, velas, fogueiras, queima de lixos, além de causas acidentais, como fagulhas de máquinas ou rompimento de cabos de eletricidade. As casas nas periferias são as que mais sofrem. 
Ao ligar para o 193, a expectativa é de solução para casos assim. Mas nem sempre é possível, como acontece com os incêndios em vegetação, que tiveram um aumento de 139% no número de ocorrências entre 17 de dezembro de 2022 e 13 de janeiro deste ano em relação ao mesmo período do verão passado. 

Neste mês de fevereiro, na localidade de Sarandi, interior do município de Sant’Ana do Livramento, próximo à divisa com Quaraí, na região da Campanha, as chamas duraram três dias, potencializadas pela estiagem que castiga o Estado. Foram necessárias corporações de Sant’Ana do Livramento, Quaraí e Alegrete para trabalharem juntas na área de pampa de cerca de mil hectares. Já no município de Pedras Altas, no sul do Estado, outra queimada, desta vez em uma floresta de eucaliptos, precisou contar com uma guarnição de Bagé, além de maquinário dos próprios produtores da região, para amainar o fogo. Segundo os Bombeiros, nos primeiros dias de fevereiro, foram contabilizadas 144 ocorrências de queimadas em todo o Estado.

Conforme o Anuário, o efetivo de servidores da Corporação em terras gaúchas é de 3 mil pessoas. Um dos temas do encontro, neste mês de fevereiro, entre a Associação de Bombeiros do Estado do RS (Abergs) e o secretário da SSP-RS, Sandro Caron, e o Comandante-Geral da CBMRS, coronel Eduardo Estevam Rodrigues, foi justamente o efetivo. O chamamento de todos os aprovados em concursos anteriores e a inclusão de servidores em quadros temporários pela falta de pessoal para determinadas funções, estiveram na pauta. Em dezembro de 2022, 116 novos bombeiros se formaram, 97 homens e 19 mulheres. 

A mesma sorte não tiveram os candidatos aprovados e ainda não chamados no concurso para o Instituto-Geral de Perícias (IGP). Iniciado em 2017, o processo já chamou um pouco mais de 200 servidores, mas há 867 aptos que aguardam ser convocados. O problema é que o prazo para o chamamento expirou em 2 de janeiro e um novo processo deverá ser realizado. Às vésperas do encerramento do prazo, a SSP-RS argumentou que os aprovados seriam chamados de acordo com a necessidade e a disponibilidade de caixa do Estado. 

Em um encontro com o secretário Caron, representantes do Sindicato dos Servidores do IGP do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiperícias), neste mês, tiveram a confirmação do titular da SSP-RS de que havia vício de origem no certame. Na reunião, os representantes da categoria pediram pela realização de novo concurso que contemple todas as categorias do IGP-RS. Pelo Anuário, o Instituto-Geral tem 524 profissionais, mas a SSP-RS contabiliza 826 servidores. 

Intensificação do diálogo e planejamento a longo prazo

Delegado da Polícia Federal, o secretário de Segurança Pública do RS, Sandro Caron, tem um planejamento estratégico para reduzir o déficit de pessoal em suas áreas de atuação e evitar a aposentadoria de um grande número de servidores ao mesmo tempo. “Estamos fazendo um levantamento com a previsão de saída dos profissionais por aposentadoria ou reserva nos próximos quatro anos para que se possa dialogar com o governo a respeito de concursos públicos que permitam a reposição, sem esquecer, ainda, no aumento de efetivo existente hoje em dia, lavando em conta a capacidade financeira do Estado”, garantiu. Caron ressalta que a Brigada Militar está presente em todos os municípios do Estado. “A gestão dos mais diversos níveis da Corporação acompanha as demandas de segurança pública, avaliando a necessidade de envio de reforços”, garante. O titular da SSP-RS desde o início do ano acrescenta que o mesmo acontece com os órgãos vinculados à Pasta. 

Segundo informações da secretaria, há um cronograma de chamamento dos aprovados em concursos e o Piratini estabeleceu como política de governo o ingresso de servidores de segurança pública. Entre as medidas de médio prazo, a Pasta informa que, em 2021, foi realizado concurso público para o provimento 4 mil soldados. 

Ao longo dos quatro anos, a SSP-RS considera que o saldo foi positivo, com mais entradas que saídas, nas quatro corporações: Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Instituto-Geral de Perícias (IGP) e Polícia Civil. Somados, esses saldos representaram aumento real de 1.013 servidores em relação ao efetivo do final de 2018. Ao todo, 5.562 novos servidores foram admitidos entre os anos de 2019 e 2022, nas gestões de Eduardo Leite e Ranolfo Vieira Júnior. 

Regulamentar a profissão é o objetivo

Em agosto de 2022, foi aprovada pela Assembleia Legislativa a criação da Polícia Penal do RS, que torna os agentes penitenciários em policiais penais. Apesar de se transformar, na teoria, em uma instituição de segurança pública responsável por vigilância, custódia e segurança de presos e estabelecimentos penais no Estado, o tema é ainda tratado fora da SSP-RS, já que a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) se reporta à Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo (SJSPS). Por enquanto, mesmo com a aprovação do Legislativo gaúcho, o novo cargo ainda não foi regulamentado, pois não foi sancionado pelo Executivo. No início da segunda gestão de Leite à frente do Piratini, a direção do Sindicato da Polícia Penal do RS (Sindppen/RS), antiga Amapergs, esteve reunida com o secretário Luiz Henrique Viana para tratar das demandas da categoria. Entre as pautas, o chamamento do último concurso, de 2022. “Cobramos encaminhamentos efetivos em relação às principais pautas que já protocolamos na Superintendência da Susepe. Uma das mais importantes é a ampliação de vagas nas classes. Precisamos avançar nessas pautas o quanto antes”, destacou o presidente do Sindppen, Saulo Basso dos Santos. 

Conforme dados do Anuário, o efetivo da polícia penal gaúcha é de 4.788. O déficit de servidores, aliado à superlotação das casas prisionais do Rio Grande do Sul preocupa o sindicato da categoria, que teme pela segurança e estabilidade do sistema prisional. Para o Sindppen/RS, uma medida urgente que poderia ser tomada é a nomeação de 3.212 policiais penais aprovados em concurso e aptos a ingressarem no sistema. Segundo dados da entidade, o sistema penitenciário do RS trabalha com praticamente a metade do número de policiais penais recomendado pelo Ministério da Justiça e Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias. Atualmente, há, ao todo, 5.789 servidores penitenciários na ativa (incluindo, 549 agentes penitenciários administrativos e 502 técnicos superiores penitenciários) para 41,5 mil apenados no Estado. De acordo com norma do Ministério da Justiça, deveria haver um agente para cada cinco presos. No entanto, a proporção no cenário atual é de um servidor para quase nove detentos. 

O superintendente dos Serviços Penitenciários, Mateus Schwartz, recebeu representantes da Comissão de Aprovados no concurso da Susepe e destacou a necessidade do chamamento de servidores, com a abertura de novas casas prisionais previstas para este ano. 

Por mais estudos sobre a segurança pública 

ara o doutor em Sociologia e diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que produz o Anuário, Renato Sérgio de Lima, a segurança, por se tratar de um direito, deveria, de um modo geral, se traduzir em políticas públicas baseadas em transparência, participação social e de governança democrática, mas não é o que enxerga em boa parte do país. “A despeito das mudanças incrementais verificadas nas últimas décadas, que aumentaram a eficiência operacional e tecnológica das forças de segurança do país, a persistência de opções político-institucionais que valorizam um modelo de segurança reativo impede que o tema seja tratado como uma política social universal e que atinja toda a população brasileira”, versou. Ao todo, o Brasil conta com 86 organizações policiais efetivamente funcionando. Conforme o Mapa das Polícias, uma das seções do Anuário, o Rio Grande do Sul é destaque quanto à utilidade operacional e estratégica. Além do estado gaúcho, apenas Bahia, Paraná e São Paulo apresentaram mais de cinco soldados e cabos para cada sargento. “As outras unidades federativas têm, proporcionalmente, o inverso, um enorme desvio de função. Ou seja, muitos estados promovem soldados e cabos como forma de política de progressão salarial, sem nenhum lastro na lógica de estruturas de carreiras”, afirmou. 

No caso do RS, a função de cabo foi extinta. Na Brigada Militar, são 14.157 soldados e 2.062 sargentos. No Corpo de Bombeiros, 2.089 soldados e 797 sargentos. Na soma das duas corporações, 16.246 soldados e 2859 sargentos (5,6 servidores do posto mais baixo para cada militar da linha hierárquica seguinte). 

Segundo Lima, o governo federal anterior, que poderia induzir novos modelos de governança e financiamento, abriu mão de assumir uma liderança mais ativa sobre tema e tratou do assunto de forma secundária. “Antes de Jair Bolsonaro, todos os ex-presidentes da República desde 1989 buscaram não se envolver diretamente com a área e deixaram as polícias estaduais isoladas ou apenas deram suporte financeiro às Unidades da Federação”, explica o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que defende a realização de mais pesquisas como o Anuário. “É mais do que urgente que estudos profissiográficos sejam produzidos”, afirmou. Na opinião do especialista, os Estados assumiram uma “função mais de gerência dos recursos humanos e salários” de suas forças de segurança pública. Renato Sérgio de Lima elogia programas como o RS Seguro e iniciativas similares com o Pacto pela Vida, em Pernambuco, Pacto por um Ceará Mais Pacífico, no Ceará, e Usinas da Paz, no Pará. “Há uma fixação de metas orientadas por problemas/resultados, se aproxima da população e faz uso do aperfeiçoamento da inteligência”, elenca. Mas, o sociólogo pondera que tais ações podem resultar em uma desvantagem estrutural com o passar do tempo.

UMERGS retoma parceria histórica com o Correio Brigadiano

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Na manhã desta sexta-feira, a direção do Jornal Correio Brigadiano retomou a parceria que vigia a muitos anos com a União dos Militares Evangélicos do RS – UMERGS.

Da esquerda Sub Oficial Adelmo Souza, Cel Salomão e Gilson Noroefé

Em reunião realizada na sede da Rede ABC da Segurança Pública com a presença do Diretor Geral Gilson Noroefé e Dirigentes da UMERGS, Coronel RR. Da BM Salomão Fortes e Suboficial da Marinha Adelmo Souza foi aberto uma agenda na grade de programação, tanto da Rádio Studio 190, como nas edições impressas e online do Jornal Correio Brigadiano, de forma que seja levado apoio espiritual aos militares sejam das forças policiais como das forças armadas e corpo de bombeiros militares.

No dia 1º de março inicia o programa da Rádio Studio 190 denominado SOLDADOS DE CRISTO.

Suboficial da Marinha Adelmo Souza – Apresentador do novo programa

O programa terá uma hora de duração todas as quartas feiras e poderá ser ouvido diretamente na página do Correio Brigadiano e quando transmitidos em live através do faceboock das 12 as 13:hs.

Além de programa musical, será levada a palavra de Deus através do apresentador Capelão Adelmo Souza, bem como com convidados da UMERGS de todo o estado do RS.

O Coronel RR. Salomão Fortes, ao dirigir-se ao diretor do Jornal afirmou não ter dúvida que esta parceria faz parte de uma obra de Deus.

Gilson Noroefé, ao agradecer a parceria, deixou claro que este novo programa atende a prestação de um serviço aos ouvintes e seguidores.

– Temos muitas pessoas, sejam militares ou não com problemas muito difíceis, que muitas vezes não são doenças físicas mas da alma e algumas levadas ao ato extremo do suicídio.

– Isso nos dá a certeza que este caminho de esperança pode ajudar muito a quem precise encontrar o seu rumo na fé e na esperança em Cristo, finalizou Gilson Noroefé.

STF emite decisão final sobre a legalidade do TCO

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Foto Divulgação STF

Nota FENEME: STF REAFIRMA JURISPRUDÊNCIA SOBRE LAVRATURA DE TCO PELA PM E FIXA TESE NO JULGAMENTO

Em julgamento em plenário virtual nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade 6245 e 6264, encerrado em 17 de fevereiro de 2017, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, julgou improcedente o pedido formulado nas iniciais das respectivas ações e fixou a seguinte tese de julgamento: “O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não possui natureza investigativa, podendo ser lavrado por integrantes da polícia judiciária ou da polícia administrativa”, nos termos do voto do Relator, Ministro Roberto Barroso.
A lavratura do TCO pela Polícia Militar nas infrações penais de menor potencial ofensivo remonta os idos de 1998, com a Brigada Militar, estendendo sua aplicação até hoje para outros 16 estados, com destaque para a Polícia Militar de Santa Catariana que, a partir de 2015, passou a adotar a tecnologia mobile, que propiciou rapidez e qualificação sem igual ao trabalho policial no atendimento ao cidadão, seguida neste aspecto pela Polícia Militar de Rondônia, Polícia Militar de Minas Gerais, Polícia Militar de Tocantins, Polícia Militar de Goiás, Polícia Militar do Piauí, Polícia Militar do Paraná e Brigada Militar.
A FENEME historicamente tem promovido o apoio técnico necessário junto às Polícias Militares para a adoção do procedimento, com apoio daquelas que já tem experiência, e do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais.

Pacientes denunciam cobranças por cirurgias que deveriam ser cobertas pelo IPE Saúde

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Em um dos casos, médico teria pedido R$ 12 mil em espécie para realizar cirurgia cardíaca. Delegado esclarece que exigir o pagamento fora da coparticipação prevista caracteriza vantagem financeira indevida e crime de concussão. IPE Saúde garante que denúncias serão enviadas ao MP.

Por GIovani Grizotti, RBS TV

Após as denúncias de cobranças indevidas por consultas via IPE Saúde, pacientes relatam que foram cobrados por cirurgias que deveriam ser cobertas pelo plano de saúde dos servidores do Rio Grande do Sul. De maio de 2022 até janeiro deste ano, o Instituto recebeu, por meio do canal de ouvidoria, 138 relatos. Quinze médicos foram suspensos, mas nenhum caso foi encaminhado para a polícia ou o Ministério Público.

Em Porto Alegre, a mulher de um servidor aposentado deu entrada em um hospital para colocar três pontes de safena. O procedimento deveria ser pago pelo IPE Saúde, mas, dias antes da operação, o cirurgião teria se queixado dos valores que recebe do plano e pedido R$ 12 mil. O pagamento seria em dinheiro vivo.

– Não, tem que ser em dinheiro vivo e não tem recibo, não tem nada – diz a secretária.
– Tá, mas como? Eu preciso de um recibo – responde o homem.
– Se tu quiser um recibo sem CNPJ eu te dou, mas é 30% mais caro.

O homem chegou a gravar a conversa que teve com outro médico, que cuidava da mulher dele no quarto do hospital. Ele confirmou a cobrança do valor pelo colega. Para justificar, alegou que os cirurgiões cardíacos do RS se descredenciaram do IPE.

Na verdade, o plano conta com 19 cirurgiões cardíacos credenciados em Porto Alegre. O médico que faria a cirurgia da mulher do servidor aposentado está no cadastro.

Para custear o procedimento, o marido da paciente tomou um empréstimo de R$ 5 mil. Antes de fazer o pagamento, ele ligou para a ouvidoria do IPE, que o alertou sobre a ilegalidade da cobrança. O homem conseguiu outro hospital, e a cirurgia foi realizada. Um procedimento administrativo foi aberto para apurar o caso.

“Apurando isso, verificando ao final que nós temos uma situação, de fato, de irregularidade, como nos parece que é esta situação, nós encaminhamos este procedimento, notificamos isso por meio de uma denúncia à promotoria criminal. Eventualmente esse médico possa vir a ser suspenso ou até mesmo descredenciado”, afirma o presidente do IPE Saúde, Bruno Jatene.

Sede do IPE Saúde, em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

Sede do IPE Saúde, em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

Outros relatos

O esquema de cobranças por fora do Ipe tem se repetido em outros municípios. Um policial militar aposentado teve que contrair um empréstimo no valor de R$ 2.800 para ser operado da vesícula, via plano, em Bagé, na Fronteira Oeste do estado. Na região de Erechim, no Norte do RS, uma mulher pagou por consultas, exames e até mesmo uma cesariana.

”A gente trabalha de dia para comer de noite. O salário da gente já tá defasado. Daí tem que fazer um empréstimo para pagar um valor indevido?”, desabafa um paciente.

A atual gestão do IPE Saúde, empossada há um ano, ressalta que em maio criou a ouvidoria e que até o momento vinha estruturando o setor. A administração do instituto garante que a partir de agora as denúncias começarão a ser enviadas ao Ministério Público.

“Entendemos que é o caso de começar a aproximar de maneira mais célere esse processo junto às promotorias criminais”, afirma Jatene.

A Delegacia de Combate à Corrupção colocou um telefone para receber denúncias de irregularidades. Basta ligar para o número 0800-518-518.

”Se um profissional da saúde vem a exigir o pagamento de um dinheiro fora da coparticipação do IPE Saúde, essa cobrança pode caracterizar uma vantagem financeira indevida e estaríamos à frente de um crime de concussão”, explica o delegado Max Otto Ritter.

A pena prevista para esses casos é de 2 a 12 anos.

Médico examina paciente no RS — Foto: Reprodução/RBS TV

Médico examina paciente no RS — Foto: Reprodução/RBS TV