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Brasil: Oposição quer foco em pautas de segurança em 2025

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CNN: Parlamentares da oposição planejam usar comissões para debater temas de segurança, enquanto governo busca apoio para PEC da Segurança Pública.

A oposição no Congresso Nacional está se preparando para focar em pautas de segurança pública em 2025, visando recuperar parte do eleitorado. Enquanto isso, o governo planeja avançar com a PEC da Segurança Pública, que propõe mudanças nas atribuições das polícias e enfrenta resistência no Legislativo.

Segundo a analista de Política da CNN Brasil Julliana Lopes, as comissões parlamentares ganham importância renovada após a pandemia, servindo como plataforma para projeção política dos parlamentares. No Senado, espera-se que senadores do PL, principal partido de oposição, utilizem a Comissão de Segurança Pública para abordar questões que atraiam a atenção da sociedade.

Prioridades do governo e resistência da oposição

O governo enviou suas prioridades legislativas para o ano, com destaque para a PEC da Segurança. A proposta, que inclui alterações nas atribuições da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, visa combater organizações criminosas. No entanto, enfrenta oposição de governadores, que temem perder parte de suas responsabilidades para o governo federal.

Há quem defenda que o governo deveria apresentar outras propostas relacionadas à segurança pública para não perder espaço no debate. O senador do PL Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é apontado como provável líder nas pautas de segurança no Senado, tendo já mobilizado discussões importantes, como a que resultou na restrição das “saidinhas” de presos.

Composição das comissões e perspectivas para o governo

Apesar dos desafios na área de segurança, o governo conseguiu posicionar aliados em comissões estratégicas. O senador Otto Alencar, do PSD, presidirá a Comissão de Constituição e Justiça, enquanto o senador Renan Calheiros, do MDB, deve liderar a Comissão de Assuntos Econômicos. Essa configuração pode facilitar a tramitação de pautas governistas, especialmente na área econômica.

A reforma do Imposto de Renda e a ampliação da faixa de isenção são vistas como possíveis trunfos para o governo melhorar sua popularidade. Com apoio nas principais comissões, o Executivo espera ter mais facilidade para avançar com sua agenda econômica no Senado Federal.

Competição entre Guarda-vidas movimenta a praia de Capão da Canoa

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Foto: Elias Ramos/ACS CBMRS

Na manhã desta sexta-feira (14/2), a praia de Capão da Canoa foi palco de uma competição de guarda-vidas. De forma inédita, a competição em Capão da Canoa entrou no calendário da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) neste ano e, junto da disputa, demonstrou o talento dos profissionais das guaritas em fazer esculturas de areia.

A competição tem como objetivo celebrar a missão de ser guarda-vidas, um profissional que trabalha para garantir a segurança de banhistas por meio da prevenção de afogamentos, bem como a realização de salvamentos no mar e águas abrigadas.

A competição, composta por um revezamento entre equipes, teve em seu trajeto a simulação de um salvamento no mar, possibilitando aos banhistas e veranistas observarem todo o condicionamento físico, a capacidade técnica, o preparo psicológico e a coragem que é exigida para ser um guarda-vidas do CBMRS.

Consagraram-se campeões da Competição por Equipes os guarda-vidas de Torres (primeiro lugar), Nova Tramandaí (segundo lugar) e Xangrilá (terceiro lugar).

Já no embate da praia com a melhor escultura de areia, o prêmio foi para Balneário Pinhal, seguido de Tramandaí e Arroio do Sal.

SSP/RS

Reunião comemorativa de cinquentenário de turma

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A turma Aspirantes de 1977/2 em comemoração ao cinquentenário de entrada na APM, se reuniram na APM para comemorar a data longínqua. Na Academia foram recepcionados pelo Cel Dirceu, diretor de ensino e adiante pelos TC Assis Brasil e Maj Clarisse, Cmt e SCmt da APM. Para marcar a data foi adicionado uma plaqueta comemorativa aos 50 anos, junto a placa da Turma depositada na APM. Após foi realizada uma visita nas instalações, especialmente junto ao Corpo de Alunos, visando relembrar os momentos acadêmicos vivenciados a meio século. Ao final foi realizado um almoço de confraternização junto a AsOfBM.

Participaram do encontro os Asp de 77, Cadetes: Mendes, Campos, Osorio, Luis Vieira, Torres, Franco, Severo, Fagundes, Nelsohoner, Prola, Angheben, Flôres, Claudio, Loecir, Siqueira, Puhl, De Paula, Ramos e Vasconcelos.


Exército vai doar carros de combate e fuzis para a Brigada Militar

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Seis Urutu e 20 FAL serão entregues à polícia militar no Estado, em março

Rodrigo Lopes GZH

O Comando Militar do Sul (CMS) vai doar seis veículos blindados Urutu e 20 fuzis automáticos leves (FAL), calibre 7.62 M964 à Brigada Militar.

A expectativa é de que a entrega dos equipamentos seja feita em março, em data a ser definida. Os carros de combate serão doados para os Batalhões de Choque e de Operações Especiais da BM.

O Exército Brasileiro vem desativando os Urutu, um carro de combate anfíbio, para transporte de tropas, que foi utilizado em missões da Organização das Nações Unidas (ONU) como no Timor Leste e no Haiti, e que vem sendo substituído pelo Guarani. A Força está em processo de modernização da frota de carros de combate, com a aquisição do Centauro II. Hoje, os principais blindados do Exército são os Leopard 1A5BR e o M60 A3.

No dia 21 de fevereiro, ocorrerá a entrega aos policiais militares dos certificados de conclusão do Estágio de Segurança no Manuseio da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Urutu. As instruções, que têm como objetivo preparar os militares da BM para o recebimento das viaturas, começaram na última terça-feira (10). A 6ª Divisão de Exército, com sede em Porto Alegre, está encarregada da coordenação do estágio e da cerimônia de doação.

Em dezembro de 2022, o CMS doou 21 Urutu ao exército uruguaio. 

Alunos soldados do CBMRS realizam doação de sangue em Porto Alegre

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Os alunos soldados do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) reforçaram seu compromisso com a sociedade ao participarem de uma doação de sangue em Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (6/2). A ação, que visa apoiar o abastecimento do estoque de sangue do Estado, integra um projeto de responsabilidade social da corporação, buscando promover a conscientização sobre a importância da doação.

A atividade foi realizada em parceria com o Banco de Sangue da Santa Casa, e os alunos participaram ativamente do processo de doação. “É uma maneira de aplicar os valores de solidariedade e servir à comunidade, contribuindo para salvar vidas”, destacou a aluna soldado Louise Andressa Volkweis Sibulski.

A doação de sangue reflete o compromisso do CBMRS com a saúde pública, indo além das atividades tradicionais da corporação, como o resgate e o combate a incêndios. A ação teve impacto não apenas pela quantidade de doações realizadas, mas também ao sensibilizar a população sobre a relevância desse gesto.

Essa prática já é uma tradição nos cursos de formação do CBMRS, demonstrando o envolvimento da corporação em causas sociais. O diretor da Academia de Bombeiro Militar, tenente-coronel Augusto Albuquerque Moura, ressaltou: “Os alunos estão aprendendo a servir à comunidade de forma ampla. A doação de sangue é um ato de solidariedade que contribui diretamente para salvar vidas.”
Ao final, os participantes expressaram satisfação em contribuir para a causa, reforçando o papel do Corpo de Bombeiros como apoio à sociedade em diversas frentes, desde a emergência até ações comunitárias. Além de fortalecer o compromisso com a segurança pública, esse gesto estreita os laços de confiança entre os bombeiros e a comunidade.

Quer doar também?

Pré-requisitos para doação
• Ter entre 16 e 69 anos;
• Ter feito a primeira doação antes dos 60 anos;
• Pesar 50 kg ou mais;
• Ser saudável;
• Não estar em jejum;
• Apresentar documento de identidade com foto;
• Estar acompanhado de responsável legal, se menor de 18 anos.
Impedimentos para doação
• Estar grávida ou amamentando;
• Ter doença de Chagas;
• Ter tido hepatite após os 11 anos de idade;
• Ter diabetes;
• Ter hipertensão;
• Ter comportamento de risco para HIV/AIDS;
• Ter consumido bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
• Ter doado sangue há menos de 60 dias (homens) ou 90 dias (mulheres);
• Ter feito tatuagem ou piercing há menos de um ano;
• Ter piercing na boca ou na língua.
Para mais informações sobre os hemocentros públicos do Rio Grande do Sul, acesse o site da Secretaria da Saúde.

Texto: Sd Kelly Cavedon Zaniol – CBMRS

SSP-RS

Presos de uniforme, celas sem tomadas e visita íntima agendada: como funcionará o novo Presídio Central, prestes a ser concluído

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Lucas Abati GZH

Palco de rebeliões e mortes ao longo da história e já considerado o pior do Brasil, o antigo Presídio Central — agora chamado Cadeia Pública de Porto Alegre — está perto de voltar a receber detentos após passar por obras de remodelação que devem ser concluídas ainda no primeiro semestre deste ano.

Nove módulos que vão abrigar 1.884 detentos em 240 celas foram construídos no lugar dos antigos prédios que chegaram acumular 5 mil homens e que foram demolidos. Zero Hora acessou a Cadeia Pública nesta quinta-feira (6) para mostrar o que já está pronto, o que ainda falta ser finalizado e como será o funcionamento do espaço quando os detentos voltarem a ocupá-lo.

As celas já estão concluídas e foram projetadas para não possuir rede elétrica dentro delas, portanto, não contarão com tomadas. A iluminação está concretada na parede, com a parte elétrica comandada pelo lado de fora.

A medida provoca divergência entre órgãos, que discutem, principalmente, questões humanitárias envolvendo dias quentes. Segundo o secretário de sistema penal, Luiz Henrique Viana, não haverá ventilação artificial dentro das celas, mas ele assegura que o método construtivo garante conforto térmico aos apenados.

— As obras são feitas com um concreto de alto desempenho, agregado com fibras de polipropileno, que traz esse conforto, uma vez que não há transmissão, nem de calor, nem de frio. Não há condutibilidade térmica em razão desse sistema construtivo. Com isso, nós já temos uma sensação muito melhor — sustenta Viana.

Sobre questionamentos na Justiça a respeito de altas temperaturas registradas na Penitenciária de Charqueadas II, que também não conta com tomadas, Viana justificou que as medições foram realizadas nos dias mais quentes do ano.

Construída de forma modulada, em um único nível, é por uma passarela acima das celas que portas e grades serão abertas ou fechadas pelos agentes penitenciários, sem contato direto com os presos.

— À medida que algum preso tenha que sair para atendimento ou audiências, o comando vem todo por cima. Vai saindo de galeria por galeria — destacou o secretário Viana.

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Obras estão quase concluídas.

Jonathan Heckler / Agencia RBS

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Falta a finalização da cozinha e da lavanderia, que não estavam previstas no projeto inicial.

Jonathan Heckler / Agencia RBS

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Governo não divulga data de início da ocupação, por questão de segurança.

Jonathan Heckler / Agencia RBS

Ao ingressarem na cadeia, os presos vão receber um kit com uniformes, toalhas e produtos de higiene. As vestimentas, na cor laranja, vão identificar os detentos, mas também garantir posição de igualdade entre todos. Já os produtos de higiene serão fornecidos para que não haja comércio interno desses itens, que poderiam servir para facções controlarem as galerias.

As cantinas também não vão mais existir. Comidas e bebidas serão fornecidas pela cozinha do presídio. Superfaturados dentro das cadeias, os produtos eram, muitas vezes, controlados e revendidos por líderes de facções, que depois cobravam dos detentos essas dívidas.

As visitas íntimas só vão ocorrer mediante agendamento e em local separado, não mais nas celas como ocorria. Já o contato com advogados só vai ocorrer por meio de parlatórios, com uma divisória por vidro e conversa por um interfone. Também será instalado um parlatório virtual, para videoconferências.

Ainda faltam ser finalizadas as construções de cozinha e lavandeira, que não estavam previstas no projeto original.

Conforme a Secretaria de Sistema Penal e Socioeducativo, data e forma para início da ocupação ainda não são reveladas por questões de segurança.

Jonathan Heckler / Agencia RBS
Nova estrutura terá capacidade para 1.884 presos.Jonathan Heckler / Agencia RBS
Pior presídio do Brasil

A estrutura antiga chegou a ser considerada a pior do Brasil e uma das piores da América Latina, alvo de questionamentos internacionais sobre violação de direitos humanos.

Em 2014, a Corte Interamericana de Direitos Humanos pediu medidas no Presídio Central. Na época, cerca de 4,5 mil presos estavam na estrutura, que tinha vagas para cerca de 2 mil. Por causa da superlotação, algumas das galerias possuíam celas sem grades, que permitia a livre circulação entre os corredores. A situação dificultava principalmente a atuação de policiais, que precisavam conter até 300 presos em casos de rebeliões ou até mesmo em procedimentos rotineiros como deslocamento para audiências.

Diversas foram as tentativas de desocupar e reformar o presídio nos últimos anos. O então governador Tarso Genro anunciou a demolição do pavilhão C, em 2014. A obra, no entanto, foi interrompida logo após ser iniciada.

A destruição só começou de fato em julho de 2022, pelo pavilhão D. Em dezembro de 2023, o presídio foi totalmente desocupado com a demolição da última estrutura remanescente. A expectativa do governo é de que, agora, o processo seja encerrado pela Corte Interamericana.

Moraes defende uso de armamento pesado em operações policiais nas favelas do Rio

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Ministro enfatizou a necessidade de letalidade nas ações contra milícias e o tráfico de drogas, argumentando que não há como realizar essas operações sem o uso de armas letai

Durante o julgamento da ADPF das Favelas, o ministro do Supremo Tribunal FederalAlexandre de Moraes, manifestou seu apoio ao emprego de armamento pesado nas operações policiais no Rio de Janeiro. Ele enfatizou a necessidade de letalidade nas ações contra milícias e o tráfico de drogas, argumentando que não há como realizar essas operações sem o uso de armas letais. Moraes ressaltou que a realidade das favelas exige uma abordagem contundente, afirmando que as forças de segurança devem estar equipadas com o “armamento mais pesado possível”. Para ele, sugerir alternativas que não envolvam armamento letal seria inviável, dada a gravidade da situação enfrentada pelas autoridades.

O ministro também abordou a complexidade do combate ao crime organizado, destacando que a presença de milícias e o tráfico de drogas tornam as operações policiais extremamente desafiadoras. Ele acredita que a utilização de armamento adequado é fundamental para garantir a eficácia das ações. A defesa de Moraes por um arsenal mais robusto nas operações reflete uma visão pragmática sobre a segurança pública no estado. A discussão sobre o uso de força letal nas intervenções policiais continua a ser um tema polêmico, especialmente em um contexto onde a violência e a criminalidade são preocupações constantes.

Enquanto Isso o Hipócrita que vive no Lago Sul cercado de seguranças vota contra a liberação de operações no RJ

‘ADPF das Favelas’: Fachin vota para manter regras para operações policiais, e julgamento é suspenso

Ministro defendeu homologação parcial de plano apresentado pelo governo para reduzir letalidade

Após o voto do relator, o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, anunciou que o julgamento será suspenso e será remarcado em outra data.

Polícia Militar de SP quer oferecer cursos de ensino superior para civis na Academia do Barro Branco e recebe críticas

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Coronel Cássio Araújo de Freitas, comandante-geral da Polícia Militar, afirmou em vídeo que assinou ofício para regularizar iniciativa. Especialistas em segurança pública dizem que medida extrapola a função da polícia e veem com preocupação a expansão do ensino militar.

Por Thaiza Pauluze, GloboNews

A Polícia Militar de São Paulo quer criar uma instituição de ensino superior para civis e o projeto está na fase final de regularização. Entre os cursos que deverão ser oferecidos pela corporação estão gestão pública, engenharia e direito.

A medida foi anunciada em um vídeo pelo comandante geral da PM, o coronel Cássio Araújo de Freitas, publicado nas redes sociais da corporação.

Na postagem, o comandante elogia a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, que é onde se formam os oficiais da PM, dizendo que é “uma instituição que conta com mais de 100 anos, tem um ensino muito forte e é reconhecida”.

Segundo ele, “como tudo pode ser melhorado e aperfeiçoado, partiu da diretoria de ensino uma excelente iniciativa, que é fazer com que a Academia do Barro Branco também seja uma escola de nível superior para curso civil”.

O coronel afirma que a PM já assinou um ofício direcionado ao Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo para poder regularizar a iniciativa e ter mais um serviço, que, segundo ele, é “mais uma conquista da área de ensino e instrução e cultura da polícia militar do estado de São Paulo”.

O coronel não cita o MEC (Ministério da Educação), que é o órgão responsável por autorizar, regular e supervisionar a oferta de cursos de graduação no país. As instituições de ensino superior devem ser credenciadas ao órgão federal.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, em nota, “o projeto para a criação de um curso superior voltado para civis encontra-se em fase de planejamento”.

Ainda de acordo com a SSP, “estão sendo realizados os trâmites documentais necessários para definir a estrutura curricular” e, por isso, “ainda não há disciplinas disponíveis”.

Segundo fontes ouvidas pela GloboNews, o projeto foi apoiado pelo Secretário de Segurança, Guilherme Derrite, e pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

‘Desvirtuamento de função’

Formatura dos aspirantes a oficiais da PM de SP na Academia do Barro Branco, em 2017 — Foto: Divulgação/Governo de SP

Formatura dos aspirantes a oficiais da PM de SP na Academia do Barro Branco, em 2017 — Foto: Divulgação/Governo de SP

A medida, no entanto, é vista com preocupação por especialistas. A iniciativa é um “desvirtuamento das atribuições típicas de uma polícia ostensiva” para o professor Luís Flávio Sapori, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Segurança Pública da PUC Minas.

“Funcionar como uma faculdade pública não constitui tarefa de uma academia de polícia, que é a de formar e treinar seus quadros, e estabelecer convênios com as academias civis para ampliar a formação dos policiais”, afirma.

Essa era a intenção da ONG Sou da Paz ao sugerir alterações no texto da Lei Orgânica da PM, que entrou em vigor em dezembro de 2023.

A lei prevê que “as polícias militares e os corpos de bombeiros militares dos Estados manterão o seu sistema de ensino militar, podendo incluir os colégios militares de ensino fundamental e médio, e ter cursos de graduação ou pós-graduação lato sensu ou stricto sensu e, se atendidos os requisitos do Ministério da Educação, terão integração e plena equivalência com os demais cursos regulares de universidades públicas.” Mas não diz que os cursos poderiam ser oferecidos para civis.

A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz afirma que a organização propôs “ampliar a possibilidade dos PMs serem formados por professores e instituições civis, a possibilidade de fazer convênios e parcerias para que a formação dos policiais seja mais diversa e não ao contrário”, afirmou.

“É claro que é importante que a sociedade possa conhecer a formação militar também, mas nunca uma formação acadêmica dada por uma instituição militar para civis. Ainda que não esteja vedado expressamente, na minha leitura, não extraio que a lei autorize esse tipo de formação”, disse à GloboNews.

Para ela, essa é uma “tentativa da Polícia Militar do Estado de São Paulo de ampliar a sua atuação para além do que ele tem, que é a de fazer a segurança pública e o policiamento ostensivo”. “A gente precisava, na verdade, fortalecer a universidade pública, o sistema de bolsas para que mais pessoas pudessem fazer as formações existentes, nas universidades existentes”, afirmou.

Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da FGV, faz coro. Para ele, a expertise da polícia é o ensino policial.

“Não sei se faz sentido o gasto do dinheiro público com uma coisa que não é a sua função fundamental da polícia. A PM deveria aprender com as instituições de excelência acadêmica que nós temos, não acho que ela esteja em condições de ofertar esse tipo de formação”.

Sapori ainda salienta que a decisão é “inconcebível diante do cenário de segurança pública de São Paulo”. “Em maio a casos graves de letalidade que estão se avolumando nos últimos meses, era de se esperar que tivesse um aprimoramento dos quadros policiais”.

Em 2024, São Paulo teve a maior alta anual de letalidade policial em uma década. Foram 814 mortes, número 61,5% maior do que em 2023. A polícia de São Paulo, liderada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, matou, em média, duas pessoas por dia.

A avaliação do coronel da reserva da PM José Vicente, que é ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, vai na mesma linha.

“O que se espera é que haja um constante aperfeiçoamento do sistema de treinamento, de habilitação, de desenvolvimento de competências do trabalho policial. Então essa ideia de inovação deveria estar dentro desse setor”, disse. “Há problemas na habilitação do cotidiano dos policiais que estão trabalhando nas ruas, eles não têm o esse treinamento adequado como deveria ser de ter pelo menos umas 60 horas por ano de reciclagem, isso não é feito”.

“É importante lembrar que os recursos (humanos, instalações, equipamentos) destinam-se ao provimento das atividades de policiamento. Usar para as atividades de ensino mencionadas seria desvio de finalidade, sujeitas a questionamentos do Tribunal de Contas do Estado”, afirmou o coronel da reserva.

Outra preocupação é com quem ministrará aulas em uma universidade militar, segundo o professor José Vicente Tavares dos Santos, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Hoje a Escola do Barro Branco, que forma os oficiais da corporação, “não tem um corpo permanente de professores com mestrado e doutorado e tem poucos professores civis, e o recrutamento interno nem sempre é por qualificação. É preciso que haja um corpo de professores que tenha critérios universitários e não corporativos”, afirmou.

Para José Vicente, a iniciativa poderia funcionar caso haja uma formação conveniada entre os militares e as instituições de ensino tradicionais como a USP.

“É preciso se adequar aos parâmetros da educação brasileira, critério de avaliação, composição de corpo docente, submeter a isso tudo ao âmbito federal, ao MEC. A PM de SP tem cursos de pós-graduação que são apenas aprovados pelo Conselho Estadual de Educação”, diz o professor.

No vídeo publicado nas redes socias da PM, o comandante-geral diz que um ofício foi enviado para o Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo pedindo aprovação da medida, e não para o MEC.

Já o coronel Elias Miler, da Defenda PM, entidade de classe, afirma que a Lei Orgânica da PM não proíbe iniciativas do tipo e defende a medida. Ele também compara a iniciativa aos colégios militares e instituições como o ITA, da Força Aérea, e o IME, do Exército.

“Será uma faculdade reconhecida pelo MEC. Isso é decorrente da Lei Orgânica da PM, que prevê o sistema de ensino militar, com possibilidade de cursos em todos os níveis, inclusive pós-graduação, e integrado com o sistema regular, inclusive com convênio com universidades públicas”, afirmou.

Segundo Miler, “essa é uma inovação, será a primeira do Brasil e é boa para a sociedade. Vamos passar a ter formação aberta, não um ensino fechado na caserna. Vamos trazer a sociedade civil para não ser o que temos hoje de ‘quem sabe de segurança sou eu [a PM]. Estamos indo além da letra da lei, não aquém”, disse.

Paes diz que Rio virou ‘resort para delinquentes’ após decisão do STF sobre operações

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‘Resort para delinquentes’: criticada por Paes, ‘ADPF das Favelas’ será julgada pelo STF nesta quarta

Prefeitura quer participar de ação no STF que restringe operações policiais

Por Felipe GrinbergJoão Vitor CostaRoberta de SouzaVera Araújo — Rio de Janeiro O GLOBO


 
 

O julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a chamada ADPF das Favelas, será retomado hoje pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ação que estabelece critérios para operações policiais em comunidades do Rio poderá ter a participação da prefeitura da capital, que pediu ontem à Corte seu ingresso no processo como colaboradora. O município alega que o domínio do tráfico afeta o ordenamento urbano da cidade. O posicionamento se alinha com o entendimento do governador Cláudio Castro, que defende o fim das limitações impostas pela ADPF.

O prefeito Eduardo Paes (PSD) disse ontem ser “absolutamente contra” a ação que tramita no STF desde 2019. Na petição enviada ao STF, o município pede para ingressar como Amicus curiae (Amigo da corte, em latim), para contribuir com “informações relevantes para a resolução da controvérsia constitucional destacada nesta ação”.

— É óbvio que o Estado lato sensu, a Justiça, tem que fazer o controle da legalidade. Mas a impressão que a ADPF passa para as forças policiais e para os bandidos é que há uma restrição à ação policial. Não estou defendendo que a polícia não cumpra legalidades, mas a ADPF virou um elemento de constrangimento — afirmou Paes ao GLOBO, e completou: — Mais grave do que isso, ela virou uma desculpa para aqueles que não querem cumprir sua missão.

Em vídeo publicado em sua conta nas redes sociais à noite, o prefeito falou ainda que existe a sensação de que a cidade virou um “resort para delinquentes”. Na petição, a prefeitura alega que, “em áreas dominadas por organizações criminosas, fortemente armadas, os agentes públicos municipais não conseguem ingressar para desempenhar suas funções constitucionais”.

O documento mostra um levantamento sobre o número de barricadas pela cidade com base no Disque-Denúncia. O serviço recebeu 7.856 denúncias de junho de 2019 a maio de 2024, a maior parte em bairros da Zona Norte, principalmente nas áreas patrulhadas pelos batalhões de Olaria, Irajá e Rocha Miranda. “Organizações criminosas e forças paramilitares têm se aproveitado das restrições impostas às operações de enfrentamento ao crime organizado para expandir a sua influência territorial”, afirma a prefeitura.

Castro defende operações

Ontem, durante a reabertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Cláudio Castro argumentou que a questão da “extraordinariedade” das operações policiais imposta pelo STF precisa ser revista, já que essa medida “tira do povo, da comunidade, o direito de ter uma polícia ostensiva”.

— Eu duvido que, se fizesse o mesmo no Leblon, em Ipanema ou na Barra, não tivesse protestos. Então, são situações que a gente tem que entender até que ponto não estão fomentando um poder paralelo. Não tenho dúvidas de que não é um desejo da Suprema Corte, mas o Rio está sofrendo efeitos colaterais gravíssimos — disse Castro, lembrando que o Rio já cumpriu a determinação do STF de colocar câmeras nos uniformes dos policiais.

Castro publicou vídeo cercado por armas apreendidas: 732 fuzis foram retirados das mãos de bandidos em 2024 — Foto: Reprodução

Antes de ir à Alerj, Castro postou um vídeo em suas redes sociais com o título “Caminho das armas” em que aparece ao lado de pistolas, revólveres e fuzis apreendidos. Ele destacou que, em 2024, foram retirados das mãos de bandidos 732 fuzis, “um recorde histórico” no estado. Segundo ele, “essas armas vêm de fora do país, atravessam fronteiras sem controle e alimentam o crime organizado”.

O secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, endossa as palavras do governador:

— A ADPF tem que acabar porque o Rio já cumpriu todas as exigências. Uma prova disso é a queda da letalidade policial. O que realmente está criando uma insegurança aos operadores na área de segurança é a questão da “excepcionalidade” (a polícia só pode fazer operação em casos excepcionais). Uma barricada seria uma “excepcionalidade”? Um criminoso com fuzil na laje também?

Em entrevista ontem na sede do Ministério Público do Rio, no Centro, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, defendeu a ADPF 635 como instrumento para o controle da atividade externa das polícias:

— Se o julgamento de mérito for nos termos propostos pelo Ministério Público, a ADPF vai até permitir ao MP um controle mais efetivo da atuação policial, sem que isso signifique uma restrição ao trabalho da polícia. A polícia deve trabalhar, a polícia deve atuar. E quem deve definir quando, onde e como a polícia atua é a própria corporação, não alguém em um gabinete climatizado. No entanto, a atuação precisa ocorrer dentro dos limites da lei.

Do lado a favor da ADPF das Favelas, estão dezenas de organizações e instituições como a ONG Redes da Maré, a Fiocruz, a Defensoria Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras, que defendem a redução da letalidade policial. Além do uso de câmeras nas fardas dos policiais e da excepcionalidade das operações, que devem ser planejadas e comunicadas ao Ministério Público, há outros pontos considerados importantes pelas entidades: a definição efetiva de um plano de redução da violência policial, a criação de um monitoramento contínuo por parte do STF após o julgamento da ação, e investigações independentes das mortes em operações para evitar impunidade.

Advogado vê resultados

O advogado Daniel Sarmento, que entrou com a ADPF 635, representando o Partido Socialista Brasileiro (PSB), ressaltou que já houve êxito na redução da letalidade policial por conta da arguição:

— A ação já gerou efeitos positivos. Em 2019, 1.814 pessoas morreram vítimas de operações policiais. Já em 2024, houve uma queda de 61%, com 699 mortes. Uma ação que salva mais de mil vidas já é um sucesso. Não tenho dúvidas de que foi a ADPF que proporcionou esse resultado.

Apesar dos números positivos, o advogado enfatizou a importância do julgamento de hoje para que a redução ainda seja maior. Sarmento citou que, numa operação da semana passada no Complexo do Alemão, seis pessoas morreram, sendo um policial militar, um suspeito de ligação com o tráfico e quatro inocentes.

— Nunca houve vedação da operação policial. O que defendemos é que o combate ao crime tem que ser feito dentro da legalidade. Quais são os pontos importantes: o policial tem que fazer uso da câmera, uma ambulância precisa estar a postos para o socorro das vítimas, e o MP tem que ser avisado sobre as operações, assim como as escolas — ressaltou.

Balanço: Brigada Militar registra queda em indicadores criminais em janeiro

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Equipes da BM realizaram 354 mil abordagens em janeiro – Foto: Soldado Brenda Dornelles/PM5

A Brigada Militar apresenta, nesta quarta-feira (5/2), os indicadores criminais e operacionais do mês de janeiro de 2025. Entre os principais destaques, está a queda de 45% nos homicídios dolosos (ao todo, 123) na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os indicadores principais seguem em queda. Entre os roubos a residência, foram registradas 45 ocorrências, número que representa diminuição de 52% na comparação com janeiro de 2024. Os roubos a pedestre somaram 950, uma queda de 39%. Já os roubos de veículos caíram 36%, com 167 ocorrências. Os abigeatos tiveram redução de 42%, e os roubos a estabelecimento comercial, financeiro e de ensino, 24%.

Entre as ações operacionais da Brigada Militar, o mês de janeiro registrou 8.417 prisões, uma média de 281 por dia. Dessas, 715 foram capturas de foragidos. Ao todo, foram apreendidas 417 armas de fogo, sendo seis fuzis. 354,9 mil abordagens foram realizadas ao longo do mês, uma média de 11,8 mil por dia.

No rol das demais ações preventivas, destacam-se das ações de fiscalização e aproximação com a sociedade. Em janeiro, foram 3,35 mil visitas a propriedades rurais, 1.193 bares e casas noturnas fiscalizadas e 4.983 visitas realizadas pelas patrulhas Maria da Penha.

FONTE: BRIGADA MILITAR