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Brigada Militar inicia curso de formação policial para 800 novos alunos-soldados

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Convocados terão amplo ciclo de instruções em Porto Alegre e Montenegro

A Brigada Militar realizou, nesta terça-feira (20/01), a inclusão de 800 novos alunos-soldados que vão integrar o Curso Básico de Formação Policial Militar (CBFPM) da Corporação. A apresentação oficial dos convocados ocorreu às 9h, no ginásio da Escola de Educação Física da Brigada Militar (EsEF-BM), na Capital.

Do total de novos alunos-soldados, 500 realizarão a formação na 2ª Escola de Formação, Habilitação e Especialização de Praças de Porto Alegre (2ª EsFHP-PA), enquanto outros 300 serão formados no Centro de Treinamento e Especialização de Montenegro, antiga Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES), estrutura que está pronta para receber a nova turma.

Entre as autoridades presentes na solenidade estavam o comandante-geral da Brigada Militar, coronel PM Cláudio dos Santos Feoli; o subcomandante-geral da BM, coronel PM Douglas da Rosa Soares; e o chefe do Estado-Maior da BM, coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira.

Reforço para a segurança

Comandantes da BM falam aos futuros soldados em um estádio.
Comandante-Geral, coronel PM Feoli: “um marco para a Corporação e para a segurança da população” – Foto: Sd PM Brenda PM5

Os alunos-soldados iniciam um amplo ciclo de formação, com foco em policiamento ostensivo, práticas policiais, preparo físico e disciplina. As primeiras instruções, ainda nesta terça-feira (20/01), ocorreram no ginásio da EsEF-BM, localizado na Avenida Coronel Aparício Borges, nº 2.001, bairro Partenon, em Porto Alegre.

O comandante-geral da Brigada Militar, coronel PM Cláudio dos Santos Feoli, destacou que o início do curso representa um reforço substancial para a segurança pública no Rio Grande do Sul. “A chegada de 800 novos soldados é um marco para a Corporação e para a segurança da população. Esses policiais militares vêm para fortalecer ainda mais o efetivo operacional em todo o Estado, integrando uma formação robusta que conjuga técnica, preparo físico, disciplina e compromisso com a proteção dos gaúchos”, afirmou.

Segundo o comandante-geral, a formação representa um investimento contínuo no profissionalismo da Brigada Militar, alinhado às demandas atuais da segurança pública. Ele ressaltou, ainda, o esforço da Corporação em manter a qualidade do ensino, investir em infraestrutura e ampliar a capacidade de resposta às necessidades da sociedade.

Capacidade operacional

A etapa de formação inclui instruções sobre policiamento ostensivo, uso da força, armamento e munição, legislação, direitos humanos, defesa policial, além de atividades de preparo físico. Concluído o curso, os novos soldados estarão aptos a atuar nos diversos comandos regionais da Brigada Militar, ampliando a capacidade operacional da instituição em todo o Estado.

Os novos alunos-soldados foram aprovados em concurso público cuja nomeação foi autorizada pelo governador Eduardo Leite, que determinou a chamada de 1.200 novos militares, sendo 800 já incluídos no curso de formação e outros 400 previstos para abril de 2026. O concurso tem validade até novembro de 2027, podendo ser prorrogado por igual período.

Na segunda-feira (19/01), ao longo de todo o dia, foi realizada a sindicância de vida pregressa, etapa final de verificação documental e de requisitos para o ingresso na Brigada Militar.

Texto: jornalista Marcelo Miranda, SC PM5 – Brigada Militar

Fonte: Brigada Militar

Saidinhas: o cinismo do Estado, o oportunismo da política e a conta paga pela sociedade

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Marco Antônio Moura dos Santos[1]

O debate sobre as “saidinhas” de presos no Brasil é, antes de tudo, um retrato da hipocrisia institucional que domina a segurança pública nacional. Não se trata de um erro técnico, nem de um simples desacordo jurídico. Trata-se de “cinismo político, omissão estatal deliberada e exploração eleitoral do medo”.

A “saída temporária virou bode expiatório” perfeito. É simples, é emocional, rende manchete e palanque. Serve para discursos inflamados, vídeos de campanha e indignação seletiva. Mas não enfrenta e nunca enfrentou, o problema real: o Estado brasileiro perdeu o controle do sistema prisional há décadas.

Prisões dominadas por facções, progressões concedidas no automático, ausência de inteligência penitenciária, fiscalização inexistente e um sistema que sequer sabe, com precisão, quem entra, quem sai e quem manda. Diante desse colapso, a política optou pelo caminho mais fácil: culpar a lei, não a própria incompetência.

A verdade incômoda é esta: não foi a “saidinha” que falhou; foi o Estado que nunca funcionou. Um benefício excepcional, discutível e que deveria ser cercado de critérios rigorosos, virou rotina burocrática. E quando essa rotina produz tragédias previsíveis a resposta não é gestão, é espetáculo.

Na campanha eleitoral de 2022, por exemplo, o tema foi explorado até a exaustão como se bastasse “acabar com a saidinha” para devolver a paz às ruas. Uma fraude intelectual. Uma cilada deliberada. Quem prometeu segurança com slogans sabia ou deveria saber que estava vendendo ilusão. Por outro lado, liberalização exacerbada, com base na “lei” deixando a sociedade a mercê de criminosos livres ampliando a insegurança pública. Com uma realidade conhecida, na qual sabe-se que um percentual elevado de beneficiados pelas “saidinhas” não retorna após o “benefício” concedido[2].

Mais grave ainda: o mesmo Estado que diz proteger a sociedade não protege as vítimas, não controla as facções, não investe em inteligência e não assume suas responsabilidades. Prefere legislar sob comoção, empurrando o país para soluções simbólicas que não alteram a realidade.

A recente mudança legal pode satisfazer o clamor popular momentaneamente!? Mas se for usada como troféu político, será apenas mais um capítulo da farsa. Lei não substitui Estado presente. Proibição não substitui governança. Retórica não substitui política pública.

E há um perigo ainda maior, raramente dito: quando a execução penal passa a ser moldada pelo humor social e pela conveniência eleitoral, abre-se a porta para a normalização do arbítrio. Hoje se relativiza um direito porque “o preso não merece”. Amanhã relativiza-se outro porquê “a sociedade exige”. Esse caminho não leva à segurança leva ao autoritarismo seletivo.

O Brasil precisa decidir se quer segurança pública de verdade ou apenas narrativas confortáveis. Porque segurança pública séria exige decisões impopulares, investimento pesado, controle de fronteiras, fortalecimento das Forças Armadas e organismos de segurança pública, enfrentamento das facções e criminalidade organizada, ruptura com a cultura da irresponsabilidade institucional e da impunidade, combate a corrupção, e, sobretudo, coragem para admitir falhas.

Enquanto isso não acontece, o ciclo se repete: o Estado falha, a política explora, a sociedade se frustra e o crime organizado avança. A conta chega sempre para o cidadão comum. Nunca para quem legisla mal, administra pior, julga de forma parcial[3] e discursa melhor.

Chega de cinismo. Segurança pública não é marketing eleitoral.
É dever constitucional. E o Brasil está falhando miseravelmente em cumpri-lo.


[1] Coronel da res da Brigada Militar e Especialista em Segurança Pública (PUCRS)

[2]https://www.gazetadopovo.com.br/republica/quase-3-mil-detentos-nao-retornaram-prisao-saidinha-fim-ano/ e https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/01/02/saidinha-natal-fuga.ghtml

[3] A Justiça, para ser legítima, deve ser imparcial quanto a interesses e preconceitos, assegurar um processo no qual os argumentos sejam efetivamente ouvidos e proferir decisões racionalmente fundamentadas, aplicando a lei de modo igualitário e garantindo os direitos fundamentais (FULLER; WALDRON; HABERMAS; ALEXY; FERRAJOLI).

Governo do RS analisa impacto da lei que autoriza o pagamento retroativo de benefícios a servidores

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Governo do Estado está buscando quantificar o impacto da lei que autoriza o pagamento retroativo de benefícios que haviam sido suspensos durante a pandemia de Covid-19

Taline Oppitz Correio do Povo

O governo do Estado está trabalhando em levantamento para quantificar o impacto da sanção, pelo presidente Lula (PT), nesta semana, da lei que autoriza o pagamento de benefícios retroativos para servidores públicos que haviam sido suspensos durante a pandemia da Covid 19. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União na última terça-feira. A legislação permite, desde que haja disponibilidade prevista na proposta orçamentária, que estados e municípios realizem os pagamentos, a servidores públicos, de benefícios como anuênio, triênio, quinquênio, sexta-parte, licença-prêmio, entre outros. Apesar de estarmos em ano de eleições gerais.

Segundo a secretaria estadual da Fazenda, está em curso uma análise dos impactos da iniciativa por aqui. “Até o momento, não há definição sobre valores ou aplicação prática, pois os cálculos e análises técnicas ainda estão em andamento”, diz nota enviada pela pasta em resposta ao pedido da coluna. O congelamento dos valores foi uma das exigências, feitas pelo governo federal, para liberar auxílio financeiro a estados e municípios durante a pandemia. À época, foram vedadas ainda concessões, pelos governos estaduais e municipais, de adicionais por tempo de serviço.

Brigada Militar emite nota no caso Pelotas

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A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada Militar esclarece que, na madrugada desta quarta-feira (15/01), ao realizar buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica:

Na quarta-feira (14/01),na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse dos veículos roubados em Pelotas.

Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação no local onde haveriam outros indivíduos envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição, estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente.

O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar.

A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato.

Brigada Militar

Estados Unidos da América, Venezuela, Brasil: crise, ação, crise e o vazio de liderança latino-americana

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Marco Antonio Moura dos Santos[1]

A recente ação dos Estados Unidos em relação à Venezuela, conduzida sem coordenação com os países da América do Sul, revela mais do que um episódio diplomático isolado. Expõe, de forma contundente, a fragilidade estrutural da América Latina no sistema internacional e a ausência de uma liderança regional capaz de articular respostas coletivas.

O unilateralismo norte-americano não é novidade.[2] Como ensina Hans Morgenthau[3], potências agem conforme seus interesses quando não encontram contrapesos políticos ou institucionais. A questão central, portanto, não está apenas em “Washington”, mas no fato de que a região não foi vista como relevante ou indispensável no processo decisório.

A América Latina respondeu com silêncio, fragmentação e descoordenação. Não houve posicionamento conjunto, tampouco iniciativa de mediação regional. O MERCOSUL, que poderia e deveria atuar como espaço político estratégico, limitou-se à irrelevância institucional, confirmando seu esvaziamento como ator diplomático.

Nesse contexto, chama atenção a postura do Brasil. O governo e a diplomacia brasileira optou por cautela excessiva. Não liderou, não convocou e não articulou; pelo menos de forma pública. A tentativa de preservar um posição de equilíbrio (ficar em cima do muro) ocorreu ao custo do protagonismo regional.[4]

Nas relações internacionais, como lembra Raymond Aron[5], poder não se afirma por discursos, mas pela capacidade de moldar comportamentos. Quando a liderança não é exercida, ela simplesmente deixa de existir. E liderança não exercida não é reconhecida.

O episódio Estado Unidos-Venezuela deixa uma lição clara: onde não há liderança regional, há imposição externa. Se o Brasil pretende retomar seu papel histórico de articulador sul-americano, será necessário ir além da diplomacia retórica e do silencio, investir em liderança concreta, inclusive quando isso significar assumir riscos políticos e tensões internacionais. Do contrário, o continente continuará assistindo às grandes decisões globais do lado de fora da sala e arcando com suas consequências. 

Sem densidade política, o MERCOSUL torna-se um bloco irrelevante justamente nos momentos em que deveria cumprir sua função histórica: articular respostas regionais a crises internacionais; sob pena da América Latina continuar sendo objeto, não sujeito, das grandes decisões geopolíticas.


[1] Coronel Res da Brigada Militar e Especialista Integração e MERCOSUL (UFRGS)

[2] A postura dos Estados Unidos diante da Venezuela seguiu um padrão histórico: decisão unilateral, comunicação tardia aos parceiros regionais e enquadramento do tema como questão de segurança e política doméstica norte-americana, não como agenda multilateral.

[3] MORGENTHAU, Hans Joachim. Politics among nations: the struggle for power and peace. 7. ed. New York: McGraw-Hill, 2006. Hans Morgenthau é um dos principais formuladores do realismo clássico em relações internacionais, corrente segundo a qual os Estados atuam prioritariamente conforme seus interesses nacionais e a lógica do poder.

[4] Isso não significa irrelevância diplomática absoluta do Brasil, mas aponta uma perda de centralidade estratégica no continente.

[5] ARON, Raymond. Paz e guerra entre as nações. Tradução de Sérgio Bath. 2. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002.  Raymond Aron analisa as relações internacionais como um campo marcado pela assimetria de poder, pela inexistência de autoridade supranacional efetiva e pela centralidade da capacidade de influência real.

“Pede exoneração”, diz secretário após policial penal questionar promoções da categoria no RS

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Publicado por marcel.horowitz Rádio Guaíba

O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, sugeriu exoneração a um agente da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). A sugestão ocorreu em troca de mensagens nas redes sociais, após o servidor questionar as promoções da categoria no Rio Grande do Sul.

Na versão da pasta, a mensagem foi retirada de conversa particular, sendo descontextualizada. Para o Sindicato da Polícia Penal (Sindppen), esse caso exemplifica falta de diálogo institucional.

“Jorge Pozzobom não demonstra postura de secretário do Estado. Se não houver disposição ou capacidade de diálogo institucional, em uma pasta que envolve mais de 7 mil servidores e custódia superior a 50 mil pessoas, acredito que o próprio gestor deveria reavaliar sua permanência na função”, afirmou o presidente do Sindppen, Cláudio Dessbesell.

O que diz a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo:

A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo esclarece que a imagem reproduzida é de um recorte de uma conversa particular do secretário com um servidor em uma rede social, que foi tirada de contexto. O assunto em questão era a confirmação de cerca de 500 promoções funcionais na Polícia Penal e o chamamento de cerca de 1.000 servidores aprovados no último concurso público. O servidor não concordou com tais medidas, comemoradas pela imensa maioria da Polícia Penal. E a ponderação do secretário foi no sentido de que todo servidor, seja na iniciativa privada ou no público, não estando satisfeito precisa rever sua situação funcional.
Cabe destacar que as promoções na Polícia Penal têm ocorrido com regularidade, totalizando 3.335 promoções no período de 2019 a janeiro de 2026. Antes da promoção recém anunciada em janeiro de 2026 de 497 servidores, houve promoções em janeiro de 2025 de 333 servidores, dezembro de 2024 de 598 servidores, dezembro de 2023 de 366 servidores, julho de 2022 de 266 servidores, janeiro de 2022 de 471 servidores, maio de 2021 de 02 servidores e novembro de 2019 de 802 servidores.
Além disso, com a recente regulamentação da Polícia Penal, entre os avanços na legislação, está a ampliação do quadro de vagas funcionais da Polícia Penal. O aumento possibilita que o governo do Estado possa fazer novos chamamentos de aprovados em concurso público, qualificando ainda mais a instituição. Há, ainda, a reorganização das vagas existentes para o cargo de analista. Além disso, tal mudança permite que as promoções funcionais ocorram sem maiores dificuldades, uma demanda antiga da categoria.
Vale salientar, ainda, que nesta semana, o governo do Estado autorizou um chamamento histórico para a Polícia Penal, de cerca de mil novos servidores e que desde 2019, já foram nomeados 4.352 servidores para a instituição.

O que aprendemos com uma sandália: publicidade, capacitismo, polarização e direitos humanos

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Marco Antônio Moura dos Santos[1]

Nova controvérsia no cenário nacional, aparentemente trivial: uma campanha publicitária de sandálias. O episódio revelou-se altamente simbólico, expondo mecanismos contemporâneos de manipulação discursiva, polarização política e naturalização da exclusão social.

Muitas análises apontando e envolvendo interesses ideológicos, políticos, empresariais e financeiros, entre outros, com posicionamentos interessantes de serem estudados. Vamos visualizar sobre um ponto de vista específico, da publicidade, do capacitismo, da polarização e dos direitos humanos.

A publicidade contemporânea avançou além da promoção de bens de consumo e passou a atuar como agente ativo de construção simbólica, ou quem sabe sempre foi assim. Marcas vendem identidades, pertencimentos e hierarquias sociais, associando valor moral à capacidade de consumir. Nesse processo, entretanto, grupos socialmente vulneráveis tornam-se invisíveis ou são tratados como irrelevantes para a narrativa dominante.

Sob a perspectiva dos direitos humanos, essa lógica é particularmente problemática, para não dizermos injusta, imoral e, até mesmo, ilegal.  A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência[2], incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com status constitucional, afirma o dever de promover inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade humana.[3] Entretanto, campanhas e discursos que pressupõem um padrão físico universal reforçam o capacitismo estrutural, ignorando a existência de pessoas que “não possuem um ou ambos os pés”, que utilizam próteses ou que dependem de tecnologias assistivas, pessoas com deficiência.

O capacitismo, enquanto forma de discriminação baseada na deficiência, manifesta-se não apenas de forma explícita, mas sobretudo por meio de omissões simbólicas. Quando produtos, campanhas e narrativas públicas são construídos sem considerar a diversidade corporal e funcional da sociedade, reproduz-se a lógica de exclusão sob o manto da neutralidade mercadológica.

A esse cenário soma-se a pobreza estrutural. Dados oficiais reiteradamente reconhecidos pelo próprio Estado brasileiro, muitas vezes utilizados politicamente, indicam a existência de milhões de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza[4]. Para esses cidadãos, o debate sobre marcas, pertencimento simbólico e identidade de consumo é completamente alheio à realidade concreta da sobrevivência cotidiana.[5]

A polarização política intensifica esse quadro. Em um ambiente marcado por disputas narrativas, a exclusão simbólica é frequentemente relativizada ou invisibilizada, desde que sirva à mobilização ideológica ou à geração de engajamento. A mídia tradicional, ao abdicar do contraditório em determinados contextos, contribui para a legitimação seletiva dessas práticas.

Do ponto de vista doutrinário, a dignidade da pessoa humana, conforme desenvolvida por Kant[6] e, no constitucionalismo contemporâneo, por Dworkin[7] e Ferrajoli[8], constitui fundamento inegociável da ordem democrática. A dignidade não pode ser condicionada à capacidade produtiva, ao consumo ou à adequação a padrões corporais hegemônicos. (KANT, 2003; DWORKIN, 1999; FERRAJOLI, 2002).

Habermas[9], ao tratar da esfera pública e da formação da opinião, alerta para os riscos da colonização do mundo e da vida por sistemas econômicos e midiáticos. Quando a comunicação pública é instrumentalizada por interesses mercadológicos ou políticos, perde-se, inclusive, a racionalidade discursiva necessária ao debate democrático.(HABERMAS, 1997; HABERMAS, 2003).

No campo específico da deficiência, a doutrina dos direitos humanos contemporâneos rompe com o modelo médico e adota o modelo social, segundo o qual a deficiência não reside no corpo do indivíduo, mas nas barreiras impostas pela sociedade. Ignorar essa premissa em discursos publicitários e midiáticos equivale a reforçar estruturas discriminatórias incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.  (KANT, 2003; DWORKIN, 1999; FERRAJOLI, 2002)

Enquanto símbolos forem priorizados em detrimento das pessoas, a democracia continuará a ser confundida com consumo, e a cidadania, com pertencimento mercadológico.

Portanto, vamos aprender algo com as sandálias, independente da marca,  ao avaliar que quando a publicidade ao se misturar à militância, a militância se apoiar na mídia e parte da imprensa abdicar da crítica para preservar alinhamentos, estaremos atuando de forma discriminatória, propiciando exclusão simbólica e invisibilizando as pessoas com deficiência.


[1] Coronel da Reserva da Brigada Militar, Especialista em Integração e MERCOSUL (UFRGS)

[2] O texto da convenção foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 13 de dezembro de 2006 e promulgado pelo Brasil em 25 de agosto de 2009, através do Decreto n. 6 949.

[3] BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. Diário Oficial da União, Brasília, 26 ago. 2009.

[4] https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/12/no-brasil-8-6-milhoes-de-pessoas-sairam-da-pobreza-entre-2023-e-2024

[5] SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 e PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. São Paulo: Saraiva, 2013.

[6] KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

[7] DWORKIN, Ronald. O império do direito. São Paulo: Martins Fontes, 1999 e DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

[8] FERRAJOLI, Luigi. Direitos e garantias: a lei do mais fraco. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

[9] HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003 e HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

Solenidade de juramento marca o ingresso de novos tenentes no oficialato da Brigada Militar

Honras militares, presença de familiares e autoridades celebraram conclusão do Curso Básico de Administração Policial Militar 2024/2025

Correio do Povo

Em uma cerimônia marcada por emoção, tradição e reconhecimento, a Brigada Militar (BM) realizou nesta sexta-feira a solenidade de juramento dos tenentes da Corporação que concluíram o Curso Básico de Administração Policial Militar (CBAPM) 2024/2025. O ato simbolizou oficialmente o ingresso dos novos formandos no oficialato da BM, reunindo autoridades civis e militares, além de familiares e convidados que acompanharam de perto esse momento decisivo na carreira dos PMs.

A solenidade foi realizada com honras militares e teve início com a execução do Toque do Veterano, em homenagem aos homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao serviço policial militar. A tropa em forma foi composta por 64 alunos-oficiais do Curso Superior de Polícia Militar (CSPM) e pela Banda de Música da Ajudância-Geral da Brigada Militar.

Durante a cerimônia, os tenentes receberam a espada, símbolo de honra, liderança e compromisso, que foi entregue pelas madrinhas e padrinhos. Também prestaram o juramento que marca o início de uma nova etapa profissional. As espadas foram abençoadas pelo capelão honorífico da Brigada Militar, padre Alexandre Chaves.

Exemplo e liderança

Ao se dirigir aos novos oficiais, o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, destacou a relevância do momento e a responsabilidade que passa a acompanhar o posto de tenente. “Estes homens e mulheres estão hoje ascendendo ao oficialato da Brigada Militar. São aqueles que vão servir de exemplo e de liderança nas ações e operações desencadeadas para proteger o povo gaúcho”, afirmou. Segundo ele, a presença de familiares, amigos e integrantes da Corporação reforça o reconhecimento à importância da missão que agora lhes é confiada, considerada essencial para a sociedade.

O coronel Douglas também ressaltou as reduções nos indicadores criminais no Estado e o cenário de maior tranquilidade vivenciado atualmente no Rio Grande do Sul. “Essa tranquilidade é um trabalho feito a várias mãos, entre várias instituições”, destacou. Em sua fala, reforçou ainda o papel da liderança justa e ética: “Liderem com sabedoria. Façam da sua gestão exemplo. Os homens e mulheres que os senhores e senhoras passarão a liderar querem líderes justos, justos consigo mesmos e, principalmente, com aqueles que caminham dentro da retidão”. Para ele, a partir desse momento, a responsabilidade pela preservação da segurança, do cumprimento das leis e do modo de vida da sociedade gaúcha passa a ser também compartilhada com cada um dos novos tenentes.

Orgulho pelas trajetórias

O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, coronel Mário Yukio Ikeda, ressaltou que a formatura representa muito mais do que um ato protocolar. “Ela simboliza o início de uma nova e importante fase da carreira de oficial da Brigada Militar. A partir deste momento, os senhores assumem novas responsabilidades e o dever permanente de liderar pelo exemplo”, afirmou. Ikeda destacou ainda o orgulho pelas trajetórias construídas ao longo de mais de duas décadas de trabalho dos formandos e reconheceu em cada um deles “o potencial de liderança, coragem e compromisso necessários para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da segurança pública”.

Segundo o secretário, a formação na Brigada Militar vai além do preparo técnico e operacional. “Ela é a forja do caráter, da disciplina e da compreensão do papel do policial militar como garantidor da ordem e da proteção da vida”, enfatizou. Ao encerrar sua manifestação, reforçou que a liderança se constrói com integridade, exemplo e respeito, consolidando a confiança da tropa e projetando a Brigada Militar para o futuro, parabenizando os novos tenentes pela conquista.

O Curso Básico de Administração Policial Militar, concluído pelos PMs, teve carga horária de 942 horas-aula, desenvolvidas nos anos de 2024 e 2025. A grade curricular incluiu disciplinas como Planejamento e Fiscalização Operacional, Tomada de Decisão e Liderança, Inteligência Policial, Gestão Financeira e de Pessoas, Sistema Informatizado, entre outras áreas fundamentais à atividade policial. Com a conclusão do curso, os novos tenentes estão aptos ao exercício de suas funções profissionais em defesa da sociedade gaúcha.

Estado autoriza chamamento de mil novos servidores para a Polícia Penal

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Governo estadual também anunciou o lançamento de um novo concurso para a instituição

Correio do Povo

O governo do Estado anunciou, nesta terça-feira, 6, a autorização para o chamamento de cerca de mil novos servidores para a Polícia Penal, o maior da história da instituição. As nomeações devem ocorrer em breve, com publicação no Diário Oficial do Estado (DOE). A medida está prevista no novo Estatuto da Polícia Penal, aprovado pela Assembleia Legislativa em 16 de dezembro e sancionado pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no dia 24.

O governador também informou que já está prevista a realização de um novo concurso para a Polícia Penal, com edital a ser publicado em breve. Segundo Leite, o reforço no efetivo contribui para todo o sistema de segurança pública. “Com essas medidas, superamos uma realidade em que policiais militares precisavam atuar dentro das unidades prisionais. Até o final do nosso governo, cerca de mil policiais militares que estavam atuando nos presídios retornarão às ruas, reforçando o policiamento ostensivo e a segurança da população”, enfatizou Leite.

Estatuto da Polícia Penal

O novo Estatuto da Polícia Penal regulamentou a instituição e ampliou o número de vagas, com a criação de 6.938 cargos de policiais penais (antigos agentes penitenciários) e 50 de técnicos administrativos (antigos agentes penitenciários administrativos). Incluindo-se os analistas (antigos técnicos superiores penitenciários), a Polícia Penal chega a um quadro de 14.455 cargos, a ser preenchido ao longo dos anos a partir de concursos públicos em todas as áreas. Desde 2019, o governo do Estado já nomeou 4.352 servidores para a instituição.

Os policiais penais atuam na vigilância, custódia, guarda, escolta e assistência de pessoas privadas de liberdade, além de colaborar para a manutenção da ordem e da disciplina nas unidades prisionais, a reintegração social dos presos e o combate ao crime organizado no sistema penitenciário.

Conjunto de ações

A medida integra um conjunto de ações anunciadas recentemente pelo governo estadual na área da segurança pública. Na segunda-feira, 5, foram divulgadas 1.230 promoções na Polícia Civil, na Polícia Penal e no Instituto-Geral de Perícias (IGP). No fim de dezembro, também foram promovidos 2.172 servidores da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. Além disso, o governo sancionou a nova Lei de Organização Básica da Brigada Militar, voltada à modernização e à eficiência da corporação.

Governador Eduardo Leite anuncia promoção de 1,2 mil servidores da Segurança Pública do RS

Desta vez, foram contemplados agentes das polícias Civil e Penal e do Instituto-Geral de Perícias

Correio do Povo

O governador do Estado, Eduardo Leite, anunciou na noite desta segunda-feira, 5, a promoção de 1.230 servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Sul. São 711 promoções na Polícia Civil, 497 na Polícia Penal e 22 no Instituto-Geral de Perícias (IGP), com impacto financeiro total de R$ 57 milhões em 2026. Em uma rede social, Leite escreveu que essa “é uma forma de reconhecer a jornada, a história e o trabalho diário dos homens e mulheres que atuam na linha de frente, garantindo mais justiça, dignidade profissional e fortalecimento das instituições”.

Na última quarta-feira, dia 31 de dezembro, o governo do Estado também já havia anunciado as promoções de servidores da Brigada Militar (BM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS). A medida beneficiou 2.172 profissionais das duas corporações. Na BM, as promoções contemplaram 1.696 policiais militares dos quadros de oficiais do Estado-Maior, oficiais especialistas em saúde e praças de polícia ostensiva. O impacto financeiro estimado é de R$ 51,47 milhões em 2026. Já no CBMRS, foram promovidos 486 bombeiros, entre oficiais do Estado-Maior e praças, com investimento de R$ 17,27 milhões neste ano.

Outras ações

Ainda na área da segurança pública, em dezembro o governo Leite publicou a lei que regulamenta e cria o Estatuto da Polícia Penal do Rio Grande do Sul. A Lei Complementar 16.449/2025 define a estrutura básica, as atribuições, as carreiras, as novas vagas no quadro funcional e outros elementos que determinam a atuação da instituição responsável pela execução penal no Estado. Também em dezembro, Leite sancionou no fim do ano a Lei de Organização Básica (LOB) da Brigada Militar, aprovada pela Assembleia Legislativa recentemente. A nova legislação estabelece diretrizes para a estrutura e o funcionamento da BM, com foco na modernização e na eficiência institucional.