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Nova aeronave da Polícia Civil já chegou em Porto Alegre

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Com cabine pressurizada, o turboélice Piper Malibu tem capacidade para seis pessoas e 1,8 mil km de alcance

Humberto Trezzi GZH

Policiais gaúchos ganharam asas para deslocamentos rápidos, inclusive para outros Estados. Já está em solo gaúcho o novo e mais completo avião da Polícia Civil. É um turboélice Piper PA-46-500TP Malibu Meridian, adquirido por US$ 2,6 milhões (R$ 14 milhões). Desse valor, R$ 9,5 milhões serão bancados pelo Fundo Nacional da Segurança Pública e R$ 6,3 milhões pelo fundo estadual.

Apesar de usado, o Malibu é um bólido com reduzida quilometragem – pouco mais de mil horas de voo, o que é ínfimo, em se tratando de aeronaves. Desenvolve quase 500 quilômetros por hora, metade da velocidade de um jato comercial, o que não é pouco para um avião movido a hélice.

O avião, um monomotor, foi adquirido após intensa pesquisa e comprado nos Estados Unidos, de um particular. É modelo 2015, mas parece novo em folha. Chegou a Porto Alegre e está sendo submetido a vistorias em oficinas de manutenção situadas junto ao Aeroporto Salgado Filho. É necessária toda uma checagem, antes da homologação para voo, que não tem data certa. A expectativa é que seja nos próximos meses.

O Piper Malibu tem capacidade para seis pessoas e deve ser usado para levar e trazer policiais ou apenados. É um veículo mais apropriado para esse tipo de transporte, do que os aviões comerciais.

A Polícia Civil gaúcha até tem outras duas aeronaves, informa o Chefe de Polícia, delegado Heraldo Guerreiro. Um helicóptero e um bimotor Beechcraft Baron, bastante antigo (modelo 1981), apreendido de traficantes e que exige constante manutenção. Com 10 anos de uso, o Malibu é um seminovo, em padrões aeronáuticos.

O novo avião é pressurizado, o que lhe concede capacidade de voar a até 9,1 quilômetros de altitude. Tem alcance também para percorrer até 1,8 mil km sem necessidade de reabastecimento. Outra facilidade é que pode decolar e pousar em pistas curtas, inclusive de grama, com até 750 metros de comprimento.

– Era uma necessidade e faremos bom uso dessa nova aquisição – comemora o delegado Guerreiro.

Brigada Militar terá troca de comando em 15 de fevereiro

Comandante Feoli completa 35 anos de serviço e vai para a reserva

Rosane de Oliveira GZH

Depois de 35 anos de serviço, os últimos quatro no comando da Brigada Militar, o coronel Cláudio Feoli vai para a reserva no dia 15 de fevereiro. Sai triste, porque gostaria de encerrar a carreira depois de ver esclarecidos os últimos episódios que mancharam a imagem da Brigada Militar.  

— Estamos atuando nas investigações a fim de responsabilizar desvios de conduta. A esmagadora maioria da tropa é vocacionada e alinhada com os valores da instituição. Nossa missão é primeiramente salvar vidas e, em segundo plano, aplicar a lei — disse Feoli à coluna, em tom de desabafo.  

O coronel teme que sua saída seja associada ao momento difícil em que vive a Brigada, com policiais que cometeram erros graves, mas lembra que é uma transição planejada. É praxe a transferência para a reserva quando o brigadiano completa 35 anos de serviço. 

Feoli não quer falar sobre as investigações em andamento. Prefere dar entrevista apenas quando estiver concluído o inquérito sobre o caso do agricultor morto em Pelotas, numa ação desastrada que envolveu 18 policiais militares. 

Além do comandante-geral, deve sair o subcomandante, coronel Douglas da Rosa Soares. 

O repórter Vitor Rosa, da RBS TV, apurou que o mais cotado para substituir Feoli é o coronel Luigi Gustavo Soares Pereira, atual chefe do Estado-maior da Brigada Militar. 

GZH faz parte do The Trust Project

ASSTBM se manifesta sobre declaração de Eduardo Leite

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Em nota publicada em seu site institucional, a entidade faz criticas a postura e manifestação na data de hoje, feita pelo Governador sobre os fatos recentes que envolvem a Brigada Militar.

A nota ressalta que o governo exige tudo dos Policiais, surfa nos indicadores positivo, mas em contrapartida, não reconhece o trabalho.


VEJA A NOTA ASSTBM

Um governo que não entrega nada e quer tudo dos policiais

Ao longo dos sete anos de gestão de Eduardo Leite, o governo retirou tudo o que foi possível dos policiais e bombeiros do Rio Grande do Sul:

  • Retirou vantagens temporais;
  • Suspendeu promoções para a reserva e até mesmo promoções regulares;
  • Aumentou a contribuição previdenciária a um percentual que nenhum outro estado aplica;
  • Criou um subsídio abaixo da média salarial da época, com o premeditado intuito de instituir uma parcela de irredutibilidade e, assim, congelar salários por anos;
  • Deixou a categoria há cinco anos sem reposição da inflação e há dez anos sem reajuste real de salários.

Em troca, recebeu os melhores índices de segurança pública em décadas. Hoje, o estado figura entre os mais seguros do Brasil, fruto direto do trabalho dos policiais — resultado que o governo utiliza constantemente para ganho político.

E agora, como se não bastasse, tenta se eximir dos problemas pontuais ocorridos na Brigada Militar, problemas esses decorrentes do estresse e da pressão por indicadores, provocados pelo próprio governo.

Na prática, Eduardo Leite busca resgatar a postura de gestores de 2002, que tratavam os brigadianos como verdadeiros “robocops”: apenas trabalho, sem custos, sem direitos e sem reconhecimento.

Imagem ASSTBM

Preparação, prevenção e salvamentos: como é a rotina dos guarda-vidas no Litoral Norte

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Coordenador da Operação Verão do CBMRS, major Jocemarlon Acunha Pereira fala sobre o trabalho dos guarda-vidas

Guilherme Sperafico Correio do Povo

Antes dos primeiros banhistas chegarem à beira da praia, a rotina dos guarda-vidas no Litoral Norte do Rio Grande do Sul já começou. O dia de trabalho inicia com um olhar atento para o mar, em um ritual que se repete diariamente e que faz toda a diferença para a segurança de quem aproveita a praia.

Buracos na areia, correntes de retorno e o comportamento das ondas são observados com cuidado antes mesmo da definição da área liberada para banho. Depois, a maior parte do trabalho é preventivo. Sempre que alguém ultrapassa a altura da cintura, o apito soa e o guarda-vidas se aproxima para orientar ou retirar a pessoa da água.

Por isso, o Podcast Direto ao Ponto conversa com o coordenador da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), major Jocemarlon Acunha Pereira – o major Acunha -, que relata como é a rotina diária dos 800 guarda-vidas que atuam no Estado.

Governador Eduardo Leite vai cobrar nova postura da Brigada Militar

Últimos incidentes incomodaram o governador, que marcou “reunião de alinhamento”

Rosane de Oliveira GZH

Para não lavar roupa suja em público, o governador Eduardo Leite vem economizando palavras para falar sobre os últimos incidentes envolvendo a Brigada Militar, mas está “irresignado” com o que considera equívocos na atuação. Fonte próxima do governador informa que nos próximos dias haverá um “encontro de alinhamento para retomar a condição anterior de bem prestar o serviço”.

Nos últimos anos, a segurança pública era a área mais celebrada do governo, pelos resultados concretos na queda dos índices de violência. No final de 2025 e início de 2026 acendeu-se o sinal de alerta, por conta de ações duvidosas ou francamente equivocadas da Brigada Militar. 

A sequência de problemas começou com a morte do jovem Herick Vargas, de 29 anos, por uma dupla de policiais militares que foram até a residência da família atendendo a um chamado da mãe. Herick estava em surto e foi morto no momento em que já tinha sido controlado. Caso semelhante ocorreu em Santa Maria, com um homem em surto, Paulo Chaves, de 35 anos, morto pelos brigadianos que foram atender a um chamado no bairro Tancredo Neves.

O caso de maior repercussão nessa sequência de ações polêmicas foi a morte do agricultor Marcos Nornberg, 48 anos, baleada numa ação em que tudo deu errado. 

Os 18 brigadianos que cercaram a propriedade onde Marcos morava com a família chegaram ao local levados por uma informação equivocada da polícia do Paraná de que, naquele endereço, se homiziava uma quadrilha que guardava armas e drogas. O plantador de morangos imaginou que eram assaltantes e pegou a arma que guardava em casa para se defender. Foi morto com uma saraivada de tiros.

Como se isso fosse pouco, a esposa do agricultor, Raquel Nornberg, foi humilhada pelos policiais, que a trataram como criminosa.

A reunião de alinhamento terá de tratar de outro tema crucial na segurança pública, que são os feminicídios consumados e as tentativas que deixam mulheres feridas física e psicologicamente. 

Trata-se de um crime de difícil combate, porque na maioria das vezes ocorre entre quatro paredes. São 10 neste mês de janeiro, número superior ao do mesmo período de 2025, que também foi trágico. Neste caso, o problema vai além da Secretaria da Segurança, responsável pelo monitoramento de agressores, pela investigação e pela prevenção. Precisa envolver todas as áreas do governo, especialmente as secretarias da Mulher, da Educação, do Trabalho, do Desenvolvimento Social e da Saúde.

Servidores do RS poderão ter direito ao auxílio-refeição durante as férias, decide Justiça

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Entendimento é favorável aos servidores públicos e contraria pleito do governo do Rio Grande do Sul

Correio do Povo

O pagamento do auxílio-refeição para os servidores públicos do Rio Grande do Sul passará a ser devido durante o período de férias, devendo a parcela integrar a base de cálculo do terço constitucional – essa foi a decisão firmada via Incidente de Uniformização de Jurisprudência, julgado pela Turma de Uniformização da Fazenda Pública.

O entendimento é favorável aos servidores públicos estaduais e reconhece o direito defendido pelo Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Poder Executivo do Estado do RS (Sintergs). Em seu site, o sindicato já passa a orientar os servidores sobre o procedimento a ser adotado para aderir à nova regra. A Procuradoria-Geral do Estado acompanha o andamento do processo, que ainda não transitou em julgado.

O governo gaúcho defende a validade no que foi disposto na Lei 16.041, de 2023, que calculava o valor do vale refeição apenas referente aos dias efetivamente trabalhados. Já o sindicato, que representa mais de dez mil servidores de nível superior do RS, defende o disposto na Constituição Estadual, que considerava também o período de férias e a inclusão no terço constitucional.

Na decisão, favorável ao pleito dos servidores, a magistrada relatora, juíza Márcia Regina Frigeri, destacou que o período de férias é considerado como de efetivo exercício, nos termos da legislação estadual e da Constituição Federal. Conforme consta no voto, “a remuneração das férias deve equivaler à que o servidor perceberia em efetivo exercício”, sendo assegurado o direito a “todas as vantagens, como se estivesse em exercício”.

“Logo, sendo as férias consideradas como efetivo exercício, impõe-se a manutenção de todas as parcelas remuneratórias de caráter habitual que integram o padrão retributivo do servidor”, segue o entendimento judicial. A juíza concluiu que “deve ser reconhecido aos servidores públicos do Estado do Rio Grande do Sul o direito ao auxílio-refeição nas férias, devendo integrar a base de cálculo do respectivo terço constitucional”, respeitada a prescrição quinquenal.

O Sintergs comemorou a decisão. “Estávamos acompanhando de perto esse incidente de uniformização, e a decisão sinaliza aos governos a importância de respeitar e garantir direitos, o que caracteriza uma boa gestão. Trata-se de um avanço significativo na defesa dos direitos dos servidores públicos estaduais e reforça uma tese histórica do Sindicato de que as férias devem ser remuneradas de forma integral, tema que já tinha sido debatida com representantes do governo”, destacou o presidente do sindicato, Nelcir André Varnier.

A decisão foi tomada via Turma de Uniformização da Fazenda Pública, que é o colegiado responsável por harmonizar interpretações divergentes entre as Turmas Recursais dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, garantindo segurança jurídica e evitando decisões conflitantes sobre o direito material aplicado aos servidores. Ocorria que as duas turmas da Fazenda Pública tinham entendimento divergentes na primeira instância. A partir de agora, cria-se uma jurisprudência para uniformizar as decisões.

PE: Sargento da Polícia Militar é punido com três dias de detenção por tamanho do seu bigode

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Defesa do policial que está há 35 anos na corporação afirma que ele desconhecia a regra, que foi alterada em 2020

Estadão Conteúdo

O segundo sargento da Polícia Militar Samuel de Araújo Lima, que está há 35 anos na corporação, foi punido com três dias de detenção por conta do tamanho do seu bigode. O militar ‘usava o bigode em desacordo com o previsto no SUNOR nº 068’, segundo nota de culpa da Polícia Militar de Pernambuco de 12 de janeiro.

O advogado Tiago Reis, que faz a defesa de Lima, explicou que o segundo sargento estava no Programa de Jornada de Segurança (PJES) – um serviço extra remunerado – quando a capitã responsável pela fiscalização percebeu que seu bigode estava passando a linha superior dos lábios e chegando à linha inferior.

Mesmo integrando a corporação desde 1991, Lima não conhecia a regra alterada em 26 de outubro de 2020 através do SUNOR nº 068, que estabelece padrões de apresentação pessoal para todos os militares estaduais em Pernambuco.

‘Ela não deu prazo para ele fazer a correção, que tem que se fazer a revista. Naquele exato momento ele estava no meio da rua, de serviço. Não dava para arrumar um barbeador ou gilete’, comentou o advogado, depois de explicar que o sargento usa o bigode desde que entrou na corporação.

Mesmo apresentando a sua defesa verbalmente ao comandante do primeiro batalhão, o sargento foi condenado a uma punição disciplinar em três dias de detenção. A defesa do PM busca mostrar o alto rigor da sentença, além de buscar um recurso após uma promoção por bravura ser negada ao segundo sargento um dia antes da punição por conta do bigode.

Lima esperava se tornar primeiro sargento por bravura, depois de prender um criminoso de alta periculosidade em 2024.

Confira a nota da Polícia Militar de Pernambuco na íntegra:

A Polícia Militar de Pernambuco informa que a punição disciplinar aplicada ao referido policial decorre do descumprimento de normas internas que regulamentam os padrões de apresentação pessoal dos militares estaduais. Antecedem o ato a reiteração de descumprimento, que no caso do graduado foi alvo de advertências verbais para adequação, sendo levado em consideração ainda os antecedentes do militar. Vale salientar que a foto que circula na imprensa não condiz com a apresentação que gerou a comunicação de descumprimento de norma interna, o que pode gerar uma falsa associação e estranheza pela punição aplicada. Ressaltamos também que a medida adotada não retira o militar do serviço, tratando-se de sanção administrativa prevista nos regulamentos internos da Instituição. O procedimento disciplinar observou os princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurando ao militar o pleno direito de defesa e acompanhamento do processo. A PMPE destaca que possui normas e regulamentos internos que visam a preservação da disciplina e da hierarquia, pilares essenciais para o adequado funcionamento da Corporação.

‘O serviço é caro quando é ruim’, diz presidente do IPE Saúde sobre reestruturação

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Em entrevista exclusiva, Paulo Rogério Silva dos Santos detalha plano para melhorar o atendimento aos 829 mil segurados e estancar a saída de usuários após a reforma que aumentou alíquotas

Flávia Simões Correio do Povo

Enfrentando críticas pela falta de médicos e suporte, a administração do IPE Saúde corre para conseguir preencher os 10.460 postos de atendimento recém abertos. A contratação de novos prestadores faz parte do programa de reestruturação do Instituto, que começou ainda em 2023 e está na sua segunda fase, cujo objetivo é ampliar o quadro médico, composto hoje por pouco mais de 5 mil profissionais, conforme o balanço-geral de 2024.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, o atual presidente, Paulo Rogério Silva dos Santos, empossado no início de novembro de 2025, reconhece as dificuldades, conta quais são os próximos passos da reestruturação e como ele pretende manter os segurados após a reforma que aumentou as alíquotas e fez com que 44 mil usuários deixassem o plano.

Entre as medidas, estão um novo programa para o credenciamento de hospitais e clínicas; e o investimento em informatização para melhora no suporte oferecido aos usuários. Atualmente, somente 150 pessoas atendem toda a rede no Estado.

Confira os principais trechos:

  • O edital aberto no início de janeiro anunciou cerca de 10 mil vagas. É um número alto e, agora, foi prorrogadas as inscrições. Está sendo difícil atingir essa meta?

Existe um estudo técnico para chegar nesse número (de vagas). Para definir isso em relação às regionais, existe um sistema integrado georreferenciado de necessidades. Essa necessidade foi mapeada e distribuída. Nós não temos capilaridade integral nos 497 municípios porque não haveria demanda, mas temos atendimento estruturado em 356 municípios. Esse estudo visa que uma pessoa, mesmo em um município pequeno que não comporta as 42 especialidades, tenha atendimento o mais próximo possível para não precisar se deslocar de Uruguaiana a Porto Alegre ou Itaqui para Porto Alegre.

  • E, até agora, como está o resultado obtido? Por que a prorrogação?

O programa está indo muito bem e os números são ótimos, embora provisórios. Nós dialogamos com as três entidades médicas (Simers, Amrigs e Cremers) e elas são parceiras hoje. A prorrogação ocorreu a pedido dessas entidades devido ao período de festas e férias a partir de 15 de dezembro, que dificultou a obtenção de documentação.

  • Parte das reclamações dos usuários do IPE é a dificuldade de conseguir um atendimento de média e alta complexidade, principalmente no Interior. Como resolver essa demanda?

Esse é um outro programa que será desenvolvido em breve. O primeiro pilar da reestruturação foi financeiro; o segundo é o “Mais Assistência”, que visa recompor a rede de consultas. Hoje temos 247 hospitais credenciados para média e alta complexidade, naturalmente concentrados em polos como Porto Alegre, Canoas e Caxias.

  • Outra demanda dos usuários é um suporte administrativo mais eficiente. Como melhorar essa questão?

O IPE Saúde opera com apenas 150 pessoas para atender 829 mil segurados, 5 mil médicos e 600 laboratórios. O que nos salva é a informatização. Futuramente, o próprio segurado poderá avaliar o prestador, como em sistemas tipo o Doctoralia (portal com informações e avaliações sobre médicos). Esse sistema está sendo desenvolvido pela Procergs. No Interior, onde tínhamos escritórios, hoje usamos a estrutura do estado com os “facilitadores”, que são pessoas treinadas em órgãos públicos para ajudar quem tem dificuldade com o meio virtual.

  • O uso da tecnologia deverá ser o foco, então, do processo de melhora na administração. Mas boa parte dos usuários são idosos e não têm facilidade com a tecnologia. Qual alternativa para esse caso?

Hoje já temos o cartão digital, mas manteremos recursos físicos para dialogar com esse segurado. Nossa média etária é alta: mais de 45 anos, sendo que 40% têm mais de 60 anos. Eu mesmo tenho 63 anos, sou segurado e acredito no IPE.

  • Quais impactos da reforma de 2023 são sentidos na prática?

Um passo gigante foi a contribuição dos dependentes. Nós temos mais dependentes do que segurados originários (servidores da ativa e aposentados). Antes não se cobrava nada deles, o que gerou um déficit importante em 2023. Hoje o IPE Saúde é superavitário, arrecada mais do que gasta, mas com uma margem estreita de gestão, pois a receita é inelástica (fixa).

  • As alterações acabaram pesando no bolso de alguns servidores, que decidiram deixar o plano. Como manter o segurado?

Melhorando os serviços. O serviço é “caro” quando é ruim. Nossa contribuição é uma das menores do país comparada a institutos similares, como o de Minas Gerais. O IPE não é regulado pela ANS, então tem um leque de serviços menor, mas nosso ticket médio é de R$ 380, enquanto um plano de saúde privado pode ser três ou quatro vezes mais caro. Temos limites.

  • No último ano, a queda de usuários foi de 44 mil. Quem foram essas pessoas que deixaram o IPE?

Basicamente dependentes que antes não pagavam nada e categorias de maiores salários (Judiciário, Ministério Público, Assembleia) que optaram por planos maiores. No entanto, para quem chega aos 70 ou 80 anos, um plano privado custa fortunas, enquanto no IPE o valor continua sendo uma porcentagem da folha (3,6%).

Homem é preso por assustar moradores fantasiado de lobisomem

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Por volta das 21 horas deste Domingo (25) um homem foi preso no Bairro Santa Rita em Guaíba RS, após assustar moradores da região com fantasia de um cachorro, dizendo ser o suposto “lobisomem” que recentemente movimentou uma ocorrência policial no município de Sentinela do Sul RS.


Conforme relatos de moradores, o homem teria assustado crianças e pessoas idosas da localidade pulando muros e portões , além de uivar imitando um cão entre as 23 horas e 03:00 horas da noite anterior. O homem foi preso em frente a um supermercado.
Fonte: Gafr Guaíba
Imagem ilustrativa gerada por IA

Por que em nome da democracia, se violaram os direitos humanos? Democracia não se defende com arbítrio!

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Marco Antônio Moura dos Santos[1]


              Há uma distorção grave, e perigosa, em curso no debate público brasileiro: em nome da democracia, aceita-se o desmonte paulatino das garantias que a sustentam. O discurso da defesa institucional passou a servir como salvo-conduto para o arbítrio. Quando direitos fundamentais são relativizados sob aplausos ou silêncio ensurdecedor, a democracia já começou a ruir.

Não se trata de retórica exagerada. Trata-se de uma constatação jurídica elementar: democracia[2] não é um valor simbólico nem um slogan político. É um regime jurídico de contenção do poder. Sem limites, o poder não protege a democracia, ele a substitui.

Direitos fundamentais[3] existem para proteger o indivíduo contra o abuso do próprio Estado, não para proteger governos, tribunais ou maiorias ocasionais.  Quando passam a ser tratados como obstáculos à governabilidade ou à estabilidade institucional, deixam de cumprir sua função e revelam a falência do constitucionalismo.

A Constituição de 1988 é clara ao instituir o Brasil como um Estado Democrático de Direito, fundado na dignidade da pessoa humana, na legalidade e no devido processo legal (art. 1º, III; art. 5º). Não há, no texto constitucional, autorização para suspender direitos em nome de finalidades políticas abstratas, apenas em casos de situações de exceção[4].

Toda experiência autoritária começa da mesma forma: pela criação de um estado permanente de exceção travestido de necessidade. O provisório vira permanente. O excepcional se normaliza. E o abuso passa a ser apresentado como virtude institucional. Hannah Arendt[5] alertou que o mal político moderno não se impõe apenas pela violência explícita, mas pela banalização administrativa do arbítrio. Quando decisões excepcionais deixam de causar escândalo, o autoritarismo já venceu[6].

A Declaração Universal dos Direitos Humanos[7] não foi escrita para proteger cidadãos convenientes. Foi concebida para impedir que Estados decidissem quem merece direitos.

Quando direitos passam a depender da identidade política ou moral do indivíduo, o Estado de Direito é substituído pela lógica do inimigo. Direitos humanos não são prêmio, favor ou tolerância. São limites jurídicos inderrogáveis. Negá-los seletivamente é reintroduzir, sob nova linguagem, práticas que a história já condenou. Não existe democracia[8] protegida por exceções permanentes. A ideia de que os fins justificam os meios é incompatível com qualquer ordem constitucional legítima.

Violar direitos humanos em nome da democracia não é defendê-la. É esvaziá-la. É trocar a cidadania pela submissão. É substituir o governo das leis pelo governo das conveniências.

A defesa da democracia por meio da relativização de direitos fundamentais revela uma contradição estrutural do constitucionalismo contemporâneo. A jurisprudência constitucional brasileira é firme no sentido de que a defesa institucional não autoriza a relativização de garantias fundamentais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já afirmou que o devido processo legal integra o núcleo essencial do Estado Democrático de Direito (HC 82.424/RS)[9], não podendo ser flexibilizado por razões de conveniência política ou institucional; bem como que os direitos fundamentais operam como limites materiais ao poder estatal, inclusive em situações excepcionais (HC 95.009/SP)[10]. No mesmo sentido, o STJ assentou que a eficiência penal não legitima ou justifica a supressão de garantias constitucionais sob pena de violação à legalidade estrita, (HC 598.051/SP)[11].

A história é implacável com esse tipo de ilusão, em todo mundo.  O poder que hoje se diz necessário jamais se contenta com pouco. E quando os direitos caem, não caem apenas para alguns, caem para todos. Por isso ficam as perguntas:

“¿Por qué en nombre de la democracia se violaron los derechos humanos?”

¿Como los derechos que nos hacen ciudadanos y ciudadanas pueden ser reconocidos o vulnerados según las acciones que realizamos como indíviduos, comunidades o instituciones?[12]


[1] Coronel da reserva da Brigada Militar e Doutorando e m Direito pela Universidade Nacional de Mar del Plata, República Argentina

[2] Democracia não é apenas decisão da maioria, mas um sistema que trata todos com igual respeito e consideração. Ronald Dworkin. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

[3] Os direitos fundamentais são limites e vínculos impostos ao poder, inclusive ao poder democrático. Luigi Ferrajoli. Direitos e garantias. São Paulo: RT, 2011.

[4] O Estado de Defesa e o Estado de Sítio são mecanismos constitucionais previstos para situações excepcionais em que a ordem pública ou a própria existência da nação estejam ameaçadas

  • [5] ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

[6] O estado de exceção tende a se tornar técnica ordinária de governo. Giorgio Agamben. Estado de exceção. São Paulo: Boitempo, 2004

  • [7] ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.
  • [8] Democracia não é apenas decisão da maioria, mas um sistema que trata todos com igual respeito e consideração. Ronald Dworkin. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

[9] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. HC 82.424/RS. Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Tribunal Pleno. Julgado em 17 set. 2003.

[10] BRASIL. Supremo Tribunal Federal. HC 95.009/SP. Rel. Min. Celso de Mello. Segunda Turma. Julgado em 6 nov. 2008.

[11] BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. HC 598.051/SP. Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz. Sexta Turma. Julgado em 2 jun. 2020.

[12] Questões expostas para reflexão sobre democracia e cidadania, no Museu da Independência da Colômbia, Museu del 20 de julio em Bogotá. Colômbia.