O Exército está prestes a modificar uma portaria de duas semanas atrás para dobrar o limite de armas que policiais e bombeiros militares aposentados podem possuir, de dois para quatro. Segundo informações da Folha de S. Paulo, a alteração foi acordada após parlamentares da bancada da bala apresentarem a solicitação ao Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e ao Comandante do Exército, General Tomás Paiva.
Os legisladores argumentaram que a recente portaria do Exército era excessivamente restritiva aos policiais militares aposentados, permitindo a posse de apenas duas armas e proibindo o acesso a armamentos de uso restrito. A nova norma deve igualar os direitos de policiais ativos e aposentados, permitindo a cada um possuir quatro armas, duas de uso restrito e duas de uso permitido.
As demandas da bancada da bala foram discutidas em duas reuniões com Múcio e o Secretário-Executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto. Após a primeira reunião, na semana passada, o Exército realizou um estudo para avaliar se poderia atender à solicitação dos deputados, de acordo com militares familiarizados com o assunto. Múcio e o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, também se reuniram para discutir o assunto.
Na última terça-feira (28), o Ministro da Defesa agendou uma nova reunião com os deputados da bancada da bala para anunciar a decisão de alterar a portaria. O Deputado Coronel Ulysses (União Brasil-AC) celebrou a decisão, afirmando que a portaria que prejudicava os policiais, especialmente os aposentados, será suspensa e uma nova portaria será emitida nos próximos dias.
No governo Lula (PT), entende-se que a Lei Orgânica da Polícia Militar já prevê a paridade entre policiais ativos e inativos, e por isso, a demanda da bancada da bala poderia ser atendida. No entanto, os policiais aposentados só poderão ter duas armas de porte, ou seja, não poderão adquirir um fuzil, enquanto os policiais ativos podem ter até um fuzil.
Em nota, o Exército afirmou que realizou uma “reunião com representantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, com o objetivo de aprimorar a norma” e que “uma nova portaria será publicada em breve”. A reivindicação dos policiais, apresentada pela bancada da bala, é que eles precisavam ter uma garantia de que poderiam manter as armas que já possuíam. Geralmente, esse grupo possui armas .40 e 9mm, que são de uso restrito.
A arma de uso restrito é autorizada exclusivamente para as Forças Armadas, instituições de segurança pública e pessoas físicas e jurídicas devidamente autorizadas pelo Exército, como os CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores).
A portaria já passou por várias alterações desde o início do governo Lula (PT). Em janeiro, o Exército emitiu uma portaria que permitia a agentes de segurança adquirir até cinco armas de uso restrito, incluindo fuzis, para uso pessoal em todo o país. A portaria foi suspensa dias depois.
Em maio, o Exército revisou a portaria, reduzindo o limite de cinco para duas armas de uso restrito, podendo obter apenas um fuzil. Com a nova norma, poderão ser adquiridas até quatro armas de fogo, das quais até duas poderão ser de uso restrito e duas de uso permitido.
Além disso, o governo Lula (PT) liberou a compra de insumos para recarga como uma alternativa à compra de munição, o que continua suspenso nessa nova norma.
A portaria foi considerada à época como mais um aceno da atual gestão aos policiais militares, que formam a base política de Jair Bolsonaro (PL). O governo já havia sinalizado apoio à aprovação do projeto que estabelece a Lei Orgânica da Polícia Militar, uma das principais demandas da bancada da bala.
Equipes atuam em conjunto com patrulhas locais, focando no trabalho preventivo
ADRIANA IRION GZH
A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) é a que enviou o maior número de profissionais, com cerca de 200 PMs. Mateus Bruxel / Agencia RBSRS recebeu profissionais de diversos Estados, com Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, entre outros. Mateus Bruxel / Agencia RBSO Batalhão Humanitário é a unidade criada para reunir todas especialidades que a PM de São Paulo enviaria ao Estado. Mateus Bruxel / Agencia RBSPMs de fora também participam dos cuidados de rotina nas ruas. Mateus Bruxel / Agencia RBSGZH acompanhou a saída de um dos comboios organizados para patrulhar ruas da Capital e de Canoas. Mateus Bruxel / Agencia RBSNa foto, ação da Polícia Militar de Minas Gerais. Mateus Bruxel / Agencia RBS
O apoio de colegas de outros Estados está dando aos policiais militares gaúchos a possibilidade de retomar o trabalho de policiamento preventivo, um mês depois de a enchente afetar 473 municípios do Rio Grande do Sul e mobilizar os efetivos para resgates. Além de reforçar a atuação em áreas alagadas e de risco, PMs de fora também participam dos cuidados de rotina nas ruas, especialmente, na Capital e Região Metropolitana.
Já tem sido comum flagrar nas ruas e restaurantes homens armados com fardas e sotaques diversos. Está no Estado neste momento um efetivo de 440 pessoas, formado por policiais de Santa Catarina, do Paraná, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, do Espírito Santo, do Ceará, do Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
Também passou pelo RS o apoio de PMs do Mato Grosso e de Goiás, chegando a um total de 609 pessoas. Além de integrantes das polícias militares, há o grupo da Força Nacional de Segurança.
O foco imediato do trabalho de todos foi atuar nos resgates nas áreas atingidas e, em paralelo, reforçar a segurança nestes mesmo locais em função de saques em comércios e furtos em residências evacuadas às pressas.
— Estamos começando a normalizar. Sai o foco do policiamento de repressão nas áreas de risco e volta o preventivo do dia a dia — destacou o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli.
Ajudam a robustecer esse efetivo de emergência os cerca de 400 policiais militares da reserva que atenderam ao chamado do governo para trabalhar fazendo a segurança em abrigos. Só na Capital são mais de 130 desses pontos instalados para receber pessoas que tiveram que sair de casa por causa da cheia. Foram abertas 1 mil vagas para PMs da reserva, mas 600 não foram ocupadas até o momento.
A Academia de Polícia Militar, no bairro Partenon, é uma espécie de QG para esses “estrangeiros”. O grupo de São Paulo está todo alojado na academia, que é de onde partem para ações. Na manhã desta sexta-feira (31), GZH acompanhou a saída de um dos comboios organizados para patrulhar ruas da Zona Norte e de Canoas. A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) é a que enviou o maior número de policiais, com cerca de 200 PMs, e também destinou uma doação de 800 toneladas de alimentos para colegas gaúchos que foram atingidos pela enchente.
Comandante do 13º Batalhão de Ações Especiais de Polícia com sede em Bauru, interior de São Paulo, o tenente-coronel Fábio Domingues Pereira, atua no RS como comandante do Batalhão Humanitário, unidade criada para reunir todas especialidades que a PM de São Paulo enviaria ao Estado:
— Chegamos na terça-feira (28) e estamos nesse momento de transição, pois primeiro foi necessário o apoio pluvial. Ontem, foi a primeira vez que usamos quatro rodas e trabalhamos fazendo o reconhecimento de áreas estratégicas para colocar o efetivo no terreno.
O oficial também destacou o significado do trabalho, que é feito sempre em parceria com equipes locais.
— É uma experiência humanitária de agregar valor a todos nós no fortalecimento da vida, da dignidade e do respeito.
Nesta sexta-feira, uma patrulha de SP prendeu três homens por tráfico de drogas.
Além da academia, também são pontos de alojamento para os efetivos de fora o Comando Rodoviário, a antiga sede da CEEE e universidades.
BM em auxílio aos desabrigados – Foto: Sd Morch – PM5
BM disponibiliza tutorial do Auxílio Reconstrução
Com o objetivo de facilitar o acesso do efetivo afetado pelas enchentes ao Auxílio Reconstrução (R$ 5,1 mil), do Governo Federal, a Brigada Militar, por meio do Departamento Administrativo, divulga tutorial com informações importantes para os servidores que necessitem do apoio neste momento.
O material está disponível logo abaixo, nesta matéria. No tutorial, é possível encontrar os requisitos e o passo a passo para realizar a solicitação do auxílio, além de informações gerais sobre o benefício.
Confira, abaixo, o documento elaborado pelo Departamento Administrativo:
SOS Enchentes: A BM também divulgou procedimentos para pagamento de campanha solidária
Valores estão sendo arrecadados pela Fundação Brigada Militar
O Gabinete do Comandante-Geral da Brigada Militar divulgou, na última quinta-feira (23/5), os procedimentos para o pagamento dos valores arrecadados durante a campanha solidária SOS Enchentes, realizada pela Fundação BM para apoiar os policiais militares que tiveram perdas durante as enchentes que atingem o Rio Grande do Sul.
O documento, que pode ser consultado em link no final desta matéria, lança diretrizes gerais para o apoio aos efetivos atingidos pelas cheias, como pré-requisitos, os procedimentos para solicitar o auxílio, a entrega dos bens que serão adquiridos para os afetados e os mecanismos de transparência envolvidos na campanha.
As inscrições para buscar acesso à campanha na condição de beneficiário podem ser realizadas pelo link:
O documento com todos os procedimentos relativos à aplicação dos recursos pode ser acessado no documento abaixo:
Escola da Brigada completa 50 anos em Montenegro neste ano e seguirá sediando cursos aqui. foto: EsFES
Escola da Brigada Militar não vai fechar em Montenegro
O Comando Geral da Brigada Militar no Estado cogitou a possibilidade da Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES) ser transferida de Montenegro para outra cidade. Isso em razão dos grandes danos causados pelas recentes inundações. O fato também já tinha acontecido em novembro do ano passado.
O comandante da EsFES, major Oscar Bessi Filho, participou de uma reunião em Porto Alegre, com o escalão superior da corporação, onde apresentou dados, estratégias de curto a longo prazo e um painel da situação atual. “Conseguimos, graças a um plano de evacuação executado com antecedência, preservar muita coisa. Já teríamos hoje, inclusive, condições de reiniciar o curso em andamento”, mostrou, através de relatório, destacando a mobilização dos alunos, efetivo e voluntários para a limpeza recuperação dos danos. “A BM decidiu que a Escola não será fechada. Apenas passará por algumas adaptações para sediar outros cursos, focando na especialização profissional”, comemora.
Instituição permanece no município, mas passará por adaptações, focando na especialização profissional
A atual turma de 134 alunos-soldados, que iniciaram o curso em dezembro do ano passado, será deslocada para Porto Alegre para prosseguimento das aulas assim que a normalidade for retomada. “Hoje, cerca de 70% dos alunos já apoiam a Defesa Civil na Capital e Região Metropolitana, que vive um momento ainda caótico”, ressalta Bessi. Ele explica que a transferência deste curso em andamento atenderá duas necessidades. Um deles é a rápida mobilização para atuar nas ruas de Porto Alegre, que enfrenta sérios problemas de criminalidade. E o outro é que não se corre o risco de uma nova interrupção na formação dos futuros soldados, já que a EsFESde Montenegro é a única das três escolas de formação de soldados em todo o Rio Grande do Sul que precisa interromper o curso por causa de enchente. “E, como atualmente todos os cursos da Brigada Militar seguem um padrão rigoroso em conteúdo e cronograma, os demais obrigatoriamente também são interrompidos”, esclarece.
Junto dos 134 alunos, até o final do atual ciclo, um grupo de instrutores acompanhará a turma em tempo integral. O comandante, Major Bessi, atuará nas duas frentes, em Montenegro e Porto Alegre. E com a permanência, a Escola da Brigada em Montenegro, que em 2024 completa 50 anos, poderá seguir também sediando outros cursos, movimentando o comércio e o setor imobiliário locais, além de proporcionar mais sensação de segurança para a população da região.
Salas de aula já foram recuperadas pelos próprios alunos após as enchentes de maio. foto: EsFES
Portaria do Ministério da Justiça prevê 16 situações nas quais a filmagem da ocorrência policial é obrigatória, mas abre margem para cada estado definir qual modelo adotar
A portaria, assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski, prevê 16 situações nas quais a filmagem da ocorrência policial é obrigatória, mas abre margem para cada estado definir qual modelo adotar, se o de gravação automática e ininterrupta, ou o que permite ao próprio agente de segurança desligá-la.
A portaria tem caráter de orientação, ou seja, não precisa ser seguida pelos governos estaduais. Mas, segundo Lewandowski, os estados que usarem recursos dos fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário Nacional para adquirir os equipamentos terão que adotar as diretrizes da pasta.
Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, trata-se da grande vantagem da portaria para influenciar os estados na adoção das orientações. Estados menos populosos, de orçamentos menores, costumam depender mais dos recursos dos fundos nacionais para suas políticas de segurança.
— É um incentivo importante para que estados adotem o programa de câmeras. Ajuda a induzir uma política nacional — diz Carolina.
A pesquisadora, no entanto, é cética em relação à capacidade do programa, por si só, mudar o panorama da atividade policial no país, que convive tanto com a alta taxa de agentes mortos em serviço quanto pela letalidade policial.
— A câmera sozinha não faz nada. Se não tem vontade política e decisão do gestor, do governador e do comandante-geral da polícia, não vai funcionar.
As diretrizes divulgadas pelo governo Lula vêm dias após o governo de São Paulo publicar um edital para a contratação de 12 mil novas câmeras corporais para a PM — um aumento de 17% em relação à quantidade hoje em uso na corporação.
Mas o documento se tornou alvo de críticas ao prever câmeras com acionamento voluntário do policial, modelo questionado por especialistas, entre outros problemas. Atualmente, os aparelhos acoplados nas fardas gravam sem interrupção e não podem ser desligadas pelo policial, sendo acionadas automaticamente quando retiradas da recarga da bateria.
A medida hoje em vigor inibe que maus profissionais cometam irregularidades durante o expediente e pode se tornar uma prova a favor do próprio agente, em caso de conduta correta.
Estudos mostram que policiais costumam desobedecer a obrigação de acionar as câmeras em ocorrências se tiverem a escolha de ligar ou não os equipamentos. Um experimento da universidade americana Stanford, feito com 470 policiais militares do Rio de Janeiro que atuavam na Rocinha entre 2015 e 2016, aponta que em sete de cada dez ocorrências os policiais desobedeceram o protocolo da câmera corporal exigindo que registrassem os eventos.
Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, discorda do governador. Para ele, as diretrizes do governo Lula são mais próximas dos protocolos originais do Programa Olho Vivo lançado no governo João Doria em 2020 do que do edital de Tarcísio.
— A portaria do governo federal vai além do edital paulista ao orientar para a gravação em todo o momento que houver patrulhamento — afirma Edler.
O pesquisador se refere à obrigação de uso da câmera se limitar a ocorrências policiais no edital paulista. No documento federal consta um item recomendando o uso da câmera “no patrulhamento preventivo e ostensivo ou na execução de diligências de rotina em que ocorram ou possam ocorrer prisões, atos de violência, lesões corporais ou mortes”. Para Edler, esse trecho amplia a necessidade do registro em vídeo na atividade da PM para além do previsto em São Paulo.
Edler também questiona a lógica de se criar um protocolo dando brecha para a iniciativa do policial na hora de registrar alguma ação.
— As câmeras só são necessárias porque se constatou que os policiais não cumprem as orientações para o uso da força em suas atividades. Colocar um novo protocolo obrigando o policial a cumprir um velho protocolo não faz sentido, é andar em círculos — diz ele.
Na noite desta terça-feira, o Instituto Sou da Paz publicou uma nota elogiando avanços na normativa federal, mas afirmando que ela “não soluciona pontos críticos”, como a controvérsia a respeito das gravações das câmeras corporais, “pois não é taxativa”.
Conforme o governo, a adoção de diretrizes para uso de câmeras corporais representa um marco na modernização da segurança pública no país
Correio do Povo
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, lançou nesta terça-feira duas medidas para dar mais segurança à atuação policial e melhorar a qualidade de vida dos profissionais da área. Conforme a pasta, com a portaria que estabelece as diretrizes sobre o uso de câmeras corporais pelos órgãos de segurança pública, o Governo Federal padroniza a utilização da tecnologia no Brasil, aumenta a transparência e a proteção dos policiais e dos cidadãos.
Já o documento que instala o projeto Escuta Susp vai promover a saúde mental dos profissionais da área em todo o país. “É um salto civilizatório no que diz respeito à garantia dos direitos fundamentais das pessoas, da segurança dos agentes policiais e também, ínsito na filosofia que norteou a edição desse texto, está também um incentivo ao emprego da violência diferenciada, mediante o emprego de armas não-letais”, destacou.
Para o ministério, o principal objetivo das câmeras corporais é garantir, simultaneamente, eficácia profissional e respeito aos direitos e às garantias fundamentais. As diretrizes sobre o uso dos equipamentos estabelecem 16 circunstâncias em que os equipamentos devem estar, obrigatoriamente, ligados.
Outro documento assinado pelo ministro instala o Escuta Susp. Com a implementação do projeto, o ministério atuará na promoção da saúde mental dos profissionais de segurança pública, para melhorar a qualidade de vida e, consequentemente, o trabalho que executam. De acordo com números do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), desde 2015, foram informados 821 suicídios de policiais, sendo 2023 o pior ano da série histórica, com 133.
A agenda para fornecer assistência psicológica especializada aos profissionais da segurança pública vão começar em janeiro de 2025 em todo o Brasil, com o início antecipado em alguns estados. Ainda segundo o ministro, os atendimentos têm como objetivo reduzir o sofrimento psíquico e fundamentar estudos de um protocolo psicoterápico específico para esses profissionais.
“O projeto pretende amparar a saúde mental dos nossos profissionais. Então, é um projeto do Ministério da Justiça e Segurança Pública que é executado, elaborado, levado a efeito por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública e que pretende, como disse, prestar assistência psicológica especializada”, finalizou Lewandowski.
Quando as câmeras devem ser usadas (obrigatoriamente):
No atendimento de ocorrências;
Nas atividades que demandem atuação ostensiva, seja ordinária, extraordinária ou especializada;
Na identificação e checagem de bens;
durante buscas pessoais, veiculares ou domiciliares;
Ao longo de ações operacionais, inclusive aquelas que envolvam manifestações, controle de distúrbios civis, interdições ou reintegrações possessórias;
No cumprimento de determinações de autoridades policiais ou judiciárias e de mandados judiciais;
Nas perícias externas;
Nas atividades de fiscalização e vistoria técnica;
Nas ações de busca, salvamento e resgate;
Nas escoltas de custodiados;
Em todas as interações entre policiais e custodiados, dentro ou fora do ambiente prisional;
Durante as rotinas carcerárias, inclusive no atendimento aos visitantes e advogados;
Nas intervenções e resolução de crises, motins e rebeliões no sistema prisional;
Nas situações de oposição à atuação policial, de potencial confronto ou de uso de força física;
Nos sinistros de trânsito;
No patrulhamento preventivo e ostensivo ou na execução de diligências de rotina em que ocorram ou possam ocorrer prisões, atos de violência, lesões corporais ou mortes.
Modalidades de uso das câmeras (alternativa ou concomitantemente):
Por acionamento automático, quando a gravação é iniciada desde a retirada do equipamento da base até a sua devolução, registrando todo o turno de serviço ou quando a gravação é configurada para responder a determinadas ações, eventos, sinais específicos ou geolocalização;
Por acionamento remoto, quando a gravação é iniciada, de forma ocasional, por meio do sistema, após decisão da autoridade competente ou se determinada situação exigir o procedimento;
Por acionamento dos próprios integrantes dos órgãos de segurança pública para preservar sua intimidade ou privacidade durante as pausas e os intervalos de trabalho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no final de dezembro 2023, a lei orgânica das PMs e do Corpo de Bombeiros, aprovada no Congresso naquele ano, mas com 28 vetos. Entre os trechos barrados pelo presidente estavam o que trata do acesso de mulheres nas corporações, participação de policiais em manifestações políticas e o que vinculava ouvidorias aos comandantes-gerais.
As normas das corporações são regulamentadas pelos governos estaduais, mas a legislação serve como diretriz do que deve ser seguido pelos estados.
Os vetos seguiram para análise do Congresso, onde senadores e deputados derrubaram os ítens abaixo listados:
OS VETOS DERRUBADOS
Abaixo a relação dos vetos derrubados com dispositivo restabelecidos na LEI FEDERAL 14.751/2023.
11) 41.23.011 – inciso XII do “caput” do art. 18 “seguro de vida e de acidentes ou indenização fixada em lei do ente federado, quando vitimado no exercício da função ou em razão dela;
23) 41.23.023 – § 2º do art. 22 Nas hipóteses do inciso II do “caput” deste artigo, após o término do mandato do militar, contar-se-á o tempo de exercício do mandato para recálculo de sua remuneração na inatividade, se não for integral.
24) 41.23.024 – § 3º do art. 28 “Caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública proceder ao controle da regularidade da legislação de proteção social prevista no parágrafo único do art. 24-D do Decreto-Lei nº 667, de 2 de julho de 1969, e no Decreto nº 10.418, de 7 de julho de 2020.”
25) 41.23.025 – § 6º do art. 29 “Ao coronel nomeado para o cargo de comandante-geral, enquanto permanecer no cargo, serão asseguradas, para fins de precedência e sinais de respeito, as prerrogativas de general de brigada.”
27) 41.23.027 – inciso I do “caput” do art. 40 “os integrantes dos diversos quadros de oficiais oriundos da carreira de praça terão 180 (cento e oitenta) dias para fazer a opção de permanecer no seu quadro ou ingressar no QOE;”
28) 41.23.028 – inciso II do “caput” do art. 40 “os integrantes dos diversos quadros de praças que tenham supressão de graduações terão 180 (cento e oitenta) dias para fazer a opção de permanecer no seu quadro ou ingressar na nova carreira.”
32) 41.23.032 – art. 41 “Após solicitação dos interessados, os integrantes dos cargos das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios poderão exercer funções no âmbito de outro ente federado, mediante permuta ou cessão, condicionada à autorização expressa dos respectivos comandantes-gerais e à legislação aplicável, sem qualquer prejuízo, asseguradas todas as prerrogativas, direitos e vantagens de seu Estado de origem.”
INFORMAÇÃO RECEBIDA DO NOSSO GRANDE GUERREIRO, DEPUTADO CAPITÃO AUGUSTO
Medida busca transparência das ações de segurança pública
Agência Brasil
As diretrizes deverão ser obrigatoriamente cumpridas pelos órgãos de segurança públicas federais, tais como as polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF), bem como pela Força Nacional de Segurança Pública e pela Força Penal Naciona | Foto: PRF/Divulgação/CP
O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou, nesta terça-feira, o teor de uma nova portaria ministerial com a qual a pasta estabelecerá orientações sobre o uso de câmeras corporais acopladas aos uniformes (as chamadas bodycams) pelos órgãos de segurança pública de todo o país.
A íntegra do texto que o ministro Ricardo Lewandowski assinou esta manhã será publicado no Diário Oficial da União nos próximos dias. Segundo a pasta, a iniciativa busca padronizar o uso dos equipamentos, aumentando a transparência das ações policiais.
As diretrizes deverão ser obrigatoriamente cumpridas pelos órgãos de segurança públicas federais, tais como as polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF), bem como pela Força Nacional de Segurança Pública e pela Força Penal Nacional. Já nos estados, no Distrito Federal e nos municípios, a implementação das normas será voluntária.
Para incentivar a adesão à iniciativa, o ministério estabeleceu que a liberação de recursos dos fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário Nacional para projetos de implementação ou ampliação do uso de câmeras pelos órgãos de segurança locais estará condicionado à adequação, pelos entes federados, às novas normas.
“Os dois fundos financiam vários tipos de projetos, alguns deles muito bons, muito úteis, e que se integram na Política Nacional de Segurança Pública. Então, o que estamos condicionando é só a aplicação de verbas para [o uso das] câmeras corporais. Não podemos impedir um estado de receber verbas federais se ele apresentar um projeto [sobre outras iniciativas] que se adeque às diretrizes do Plano Nacional de Segurança Pública”, declarou o ministro Ricardo Lewandowksi a jornalistas, logo após assinar a nova portaria.
Acionamento
A portaria ministerial estabelece 16 situações específicas em que os equipamentos deverão ser acionados. São elas: atendimento de quaisquer ocorrências; atividades ostensivas; identificações e checagem de bens; buscas pessoais, veiculares ou domiciliares e durante ações operacionais envolvendo manifestações, controle de distúrbios civis, interdições ou reintegrações de posses. As câmaras corporais também deverão ser ligadas durante o cumprimento de mandos judiciais; realização de perícias; atividades de fiscalização e vistoria técnica; ações de busca e salvamento; escoltas de presos; interações com custodiados; rotinas carcerárias (inclusive no atendimento a visitantes e advogados); intervenções em crises, como motins e rebeliões no sistema prisional; em situações de resistência à atuação policial ou de potencial confronto; acidentes de trânsito, bem como no patrulhamento preventivo e ostensivo e diligências com riscos de ocorrerem prisões, lesões corporais ou mortes.
A portaria prevê três modalidades de acionamento das câmeras: automático (a gravação é iniciada assim que o agente de segurança retira o equipamento da base, até o momento em que a devolve, se estende por todo o turno de trabalho); remoto (a gravação é iniciada ocasionalmente, à distância, por meio do sistema e por decisão da autoridade competente e por acionamento dos próprios integrantes dos órgãos de segurança pública, em resposta a determinadas ações, eventos, sinais específicos ou geolocalização.
Embora preveja as três formas de acionamento, a portaria destaca o acionamento automático como modo prioritário, a fim de que seja registrado o turno completo de trabalho. O documento também estabelece regras para armazenamento, guarda e compartilhamento das imagens captadas pelas câmeras. As gravações deverão ser armazenadas por no mínimo um ano e só poderão ser compartilhadas com autorização judicial ou para fins de investigação criminal ou administrativa.
“Estas são diretrizes nacionais para o uso das câmeras corporais, mas vivemos em um estado federativo, composto pela União, estados e municípios. Cada um destes entes políticos são autônomos dentro de suas competências. Então, esta portaria, não tem a intenção de conflitar com quem quer que seja, mas simplesmente estabelecer paradigmas”, declarou Lewandowski, destacando que o texto é fruto de “muitos estudos, análises, de várias discussões e de contatos com agentes policiais e representantes da sociedade civil”.
“Entendemos que em um assunto tão controvertido, que suscita tantas dúvidas, era importante estabelecermos diretrizes únicas para todo o país. Entendemos que, tecnicamente, esta é uma portaria muito sólida que, certamente, servirá de paradigmas para todas as corporações policiais [mas] nenhum texto legal é perfeito. Por mais que sejam fruto de estudos e discussões, eles apresentam imperfeições e podem ser aperfeiçoados. Certamente, a prática dirá que existem determinadas situações e aspectos [da portaria] que podem ser aperfeiçoados. E estamos prontos a aceitar qualquer sugestão”, acrescentou o ministro.
Segundo o ministério, as diretrizes levam em consideração evidências científicas que apontam que, nos países em que já foram adotadas, as câmeras corporais reduziram o emprego da força policial indevida e as reclamações quanto à conduta dos agentes de segurança de 25% a 61%.
No Brasil, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina já adotam o uso de câmeras corporais. Os estados de Minas Gerais, Rondônia e Roraima estão em fase de implementação. Além destes, as forças de segurança federais estão testando os sistemas – e, segundo o ministério, os resultados registrados pela Força Nacional de Segurança Pública e pela Polícia Rodoviária Federal vem se mostrando “positivos”.
Paulistas
Em São Paulo, um recente edital de licitação divulgado pelo governo estadual gerou críticas de entidades da sociedade civil por propor que, em vez da previsão inicial de gravação ininterrupta de todo o turno, o próprio policial se encarregue de ligar o equipamento no início de uma ocorrência. Segundo a secretaria estadual de Segurança Pública, a medida visa, basicamente, a poupar as baterias dos equipamentos e reduzir custos com o armazenamento de imagens desnecessárias.
“O acionamento seguirá rígidas regras estabelecidas pela corporação a fim de garantir a gestão operacional e a eficiência do sistema. O policial que não cumprir o protocolo será responsabilizado. A câmera terá um sistema para armazenar imagens 90 segundos antes de ser acionada, para que seja possível registrar toda a ocorrência desde o início”, informou a secretaria paulista, em nota.
Questionado sobre o assunto, Lewandowski voltou a mencionar a autonomia dos entes federativos. “[O estado de] São Paulo é autônomo no que diz respeito a suas decisões em matéria de segurança pública. Claro que, de acordo com a lei que institui o Sistema Único de Segurança Pública seria desejável que todos os estados, o Distrito Federal e os municípios atendessem a essas diretrizes, pela qualidade técnica das mesmas. Evidentemente, não compete ao Ministério tomar nenhuma iniciativa contra qualquer ente federado que tenha uma outra diretriz. Cada um atua como quer, mas se as câmeras corporais forem financiadas com [recursos dos] fundos nacionais, obviamente, estes entes federados terão que se adequar às diretrizes ministeriais”, finalizou o ministro.
Para ajudar os PMs, doações podem ser feitas por meio do pix da Fundação Brigada Militar
LETICIA MENDES GZH
O 9º BPM, em Porto Alegre, precisou ser evacuado em razão do alagamento.
Brigada Militar / Divulgação
Uma campanha lançada pela Brigada Militar (BM) busca auxiliar policiais que tiveram suas casas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Segundo o Comando-Geral da BM, ao menos 800 brigadianos foram afetados pelas cheias, em diferentes municípios do Estado. Os servidores perderam casas, veículos e, em alguns casos, até os fardamentos.
— Em torno de 400 (policiais militares) perderam absolutamente tudo. A maioria não consegue chegar em casa ainda. Só não estão em abrigos porque estão em casas de familiares ou porque conseguimos locais para que possam se instalar. Muitos PMs moram na Vila Farrapos (Porto Alegre), ou nos bairros Fátima e Mathias Velho, em Canoas. Todos de Eldorado foram impactados, em Guaíba também boa parte e no Vale do Taquari — detalha o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio dos Santos Feoli.
Segundo a BM, o serviço de assistência social está abastecendo os servidores com cestas básicas, cobertores e outros itens básicos. A BM lançou uma campanha para tentar auxiliar os policiais que perderam seus bens na enxurrada. Até o momento, foram arrecadados cerca de R$ 200 mil — mas o valor ainda é baixo para auxiliar o contingente de 800 pessoas. A doação pode ser feita por meio do pix da Fundação Brigada Militar: administrativo@fundacaobm.org.br.
— A maioria pede ao menos uma geladeira e um fogão para poder recomeçar. Ainda estamos longe do valor necessário, infelizmente. São policiais que continuam trabalhando, não pararam. Inclusive, alguns perderam até o fardamento todo. Estamos repondo dentro das possibilidades. Mas muitos trabalham mesmo à paisana — diz o comandante-geral.
A Brigada Militar também contabiliza estragos em suas estruturas. Entre os mais atingidos estão o QG da Brigada Militar, o 1º e o 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Porto Alegre, o Comando Ambiental e a Escola de Formação da BM em Montenegro.
Reforço
Atualmente, a BM conta com reforço de cerca de 400 policiais militares enviados por Estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo e Distrito Federal.
São Paulo deve enviar um novo contingente de 180 PMs na próxima semana para o RS. Entre os policiais, estão servidores da área ambiental e tropas de ações táticas. Da Força Nacional, há 165 PMs no Estado – a expectativa é de novos reforços sejam remetidos.
Um homem foi preso durante operação nesta quarta-feira (22)
PIONEIRO
Quatro fuzis são apreendidos em Caxias do Sul.
Batalhão de Choque / Divulgação
Quatro fuzis foram apreendidos durante operação do 4º Batalhão da Polícia de Choque na tarde desta quarta-feira (22), em Caxias do Sul. Os policiais, em conjunto com o Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/Serra), encontraram o local que era utilizado para guardar o armamento no bairro Primeiro de Maio.
Segundo a Polícia de Choque, os fuzis de calibre 556 eram usados por uma organização criminosa que atua no Estado. Uma pistola, carregadores e munições também foram apreendidos.
Na ação, os policiais também prenderam um suspeito. O homem tem antecedentes por tráfico de entorpecentes, receptação e porte ilegal de arma de fogo.