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Polícias Militares dos estados de MG, PR, RJ, SC, SP e Força Nacional reforçam a segurança nas cidades atingidas pelas enchentes

Desde sexta-feira (10/5), 161 operadores da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) desembarcaram em Porto Alegre para ampliar a segurança dos gaúchos durante as enchentes que assolam o estado.

A FNSP é um Programa de Cooperação Federativa do Governo Federal, vinculado ao Ministério da Justiça e da Segurança. O efetivo é composto por agentes de segurança dos estados que são selecionados pela União e passam por formação específica.

Além dos agentes, foram enviados camionetes, ônibus, caminhão e botes de resgate para apoio às ações. No RS, os agentes serão empregados inicialmente em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Nova Santa Rita.

A FNSP se soma ao apoio das polícias militares dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que desde os primeiros dias se deslocaram e passaram a ajudar a BM. Além da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Militares, Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias, Policia Rodoviária Federal e Polícia Federal que já atuam nas operações.

Desde o início dos eventos climáticos, 23.380 pessoas e 3.201 animais foram salvos.

FONTE: PM2 BRIGADA MILITAR

Militar que desapareceu durante resgate de gestante rastejou por 11 horas até encontrar abrigo

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Sargento aposentado caiu em ribanceira enquanto ajudava no resgate de gestante ilhada em zona rural do município do norte gaúcho

JULIA POSSA GZH

O sargento aposentado João Luiz Ornel dos Santos, 62 anos, viveu 36 horas de frio, medo e fé em São José do Herval, no norte gaúcho. Ele caiu de uma ribanceira enquanto fazia o resgate de uma mulher grávida no interior do município de 1,9 mil habitantes no fim da tarde de 3 de maio e precisou rastejar por 11 horas no escuro e no barro até encontrar abrigo. 

A história parece roteiro de cinema com direito a aventura, resgate emocionante e final feliz. Aposentado há 15 anos, o sargento Ornel, como é conhecido, se uniu à Brigada Militar na tarde da última sexta-feira (3) para auxiliar no resgate de Liliane Severgnini Pinheiro, 28 anos, grávida de quase 39 semanas que estava prestes a dar à luz ao pequeno Théo. 

Liliane vive na comunidade de São Sebastião que, apesar de não ter sido afetada pela chuva, ficou isolada depois que deslizamentos de terra interromperam a estrada que liga o local à área urbana de São José do Herval. O município gaúcho teve pelo menos 10 casas destruídas por deslizamentos e trabalha para desobstruir estradas e auxiliar as famílias desabrigadas. 

Como Liliane estava prestes a ter a criança e vinha de uma gravidez de risco, familiares pediram ajuda à Secretaria Municipal de Saúde para resgatar a mulher a fim de que pudesse ter o filho em segurança em um hospital. A Brigada Militar, então, pediu ajuda do sargento Ornel, que atendeu ao chamado. Além de “gostar de mato”, como ele mesmo diz, conhece bem a região por causa dos 43 anos que passou como militar de Fontoura Xavier e São José do Herval. 

Feito isso, o homem saiu de casa às 13h de 3 de maio e entrou na mata em direção à comunidade de São Sebastião junto de outras 10 pessoas, que incluíam uma tenente da Brigada Militar, a secretária municipal de saúde, uma equipe de médica e enfermeira, e voluntários para ajudar no deslocamento de Liliane. 

Conhecedor daquelas terras, Ornel foi à frente, abrindo caminho na mata para a comitiva que seguia preparada para fazer o parto da grávida, caso necessário. A missão era encontrar Liliane e o marido na metade do caminho, pela mata, e acompanhar o grupo de volta ao ponto inicial, para então levar a grávida direto ao hospital. 

A primeira parte do plano deu certo: eles encontraram a mulher, que foi boa parte do caminho carregada pelos voluntários em uma maca e acompanhada pelo marido na trilha aberta em mato fechado para retornar à cidade. Por volta das 18h, porém, um passo em falso derrubou o sargento Ornel ribanceira abaixo. Ele resvalou no chão molhado, já incapaz de absorver a água após dias de chuva ininterrupta.

— Fui na frente abrindo caminho e, numa certa altura, escorreguei e o barro me levou. Caí na beira do rio. Já era escuro, quase seis da tarde, e perdi o contato. Eu gritava e dava tiro, mas ninguém me ouvia. Aí eu tive certeza que eles iam se perder porque não conheciam o mato, fiquei o tempo todo pensando o que é que eles iam fazer — contou Ornel, em entrevista por telefone. 

Grupo não viu momento da queda

Rosana Brizola, que é primeira-dama e secretária municipal de saúde de São José do Herval, conta que o grupo não viu o momento da queda do sargento Ornel. Como ele ia na frente, abrindo caminho, quem vinha atrás imaginou que o homem já estivesse a salvo com as pessoas que esperavam no fim da trilha improvisada. 

Ao todo, a equipe de resgate percorreu 12 quilômetros a pé, em mata fechada e em declive, sob a chuva. Foram seis horas de trabalho ininterrupto. Ao voltar à cidade e respirar aliviada, porém, Rosana e sua equipe se deram conta que o sargento aposentado não retornara do percurso. Foi então que começou uma nova e longa jornada: as buscas pelo homem. 

— Foi muito difícil, a pior sensação da minha vida. Quando saímos da mata e vimos que o Ornel não estava ali, começamos a pedir se ele tinha chegado, onde ele estava. Imediatamente a tenente acionou a equipe e chamamos os voluntários do município, que conheciam a mata, para começar as buscas. Eles ficaram até as 4h circulando pelo mato, voltaram no dia seguinte e nada — lembra Rosana. 

Liliane Pinheiro / Arquivo pessoal
Théo Vitório nasceu às 11h02min de 4 de maio de 2024Liliane Pinheiro / Arquivo pessoal

Enquanto isso, a grávida Liliane era socorrida e levada ao Hospital Frei Clemente, em Soledade, e depois ao Hospital de Clínicas de Passo Fundo, onde as contrações que sentia durante o caminho pela mata se transformaram em trabalho de parto, e ela deu à luz ao pequeno Théo, às 11h02 de sábado (4). 

No momento em que mãe e filho começavam uma nova vida juntos, Ornel enfrentava o seu destino e lutava contra o medo e a escuridão em meio ao barro. Perdido na mata, passou a se orientar pelo som do rio.

“Fui rastejando e pedindo a Deus para estar no caminho certo”

Depois de resvalar ribanceira abaixo, o sargento Ornel caiu no barro e demorou para entender o que tinha acontecido. Ele conta que sentia muita dor na perna esquerda e nas costelas — tanta, que até julgou ter quebrado algum osso. Alguns segundos depois, porém, sob a chuva, tocou o corpo e viu que, apesar da dor, não parecia ter quebrado nada. Era o momento de começar uma odisseia solitária em busca de uma casa que sabia existir às margens do rio que costeava o morro. 

— Eu precisei rastejar porque não conseguia ficar de pé, o barro me arrastava. Já sabia que tinha uma casa lá embaixo, mas não sabia se era para frente ou para trás de onde eu estava. Só escutava o som da cachoeira e decidi ir no sentido do rio. Pensava: a casa fica na beira do rio, quando eu chegar lá, me localizo. Fui rastejando e pedindo a Deus para estar no caminho certo — lembra ele. 

A escuridão total à frente dificultou o processo: mesmo que Ornel já tivesse se perdido no mato outras vezes, nunca fora sem lanterna. Nesse caso, a audição foi essencial para se guiar em meio ao barro e a chuva. Por volta do que parecia ser às 5h, ele avistou a casa que tanto buscava. O local foi evacuado em meio ao risco de deslizamento: os moradores saíram dias antes também pelo mato e deixaram veículos, roupas e até comida nas panelas para trás. 

O alívio veio quando conseguiu entrar na casa, abriu uma janela e encontrou um isqueiro para acender o fogão à gás. Em segurança na casa, tirou as roupas molhadas, vestiu roupas limpas e acendeu o fogão a lenha para se aquecer e driblar o frio que sentiu ao longo da madrugada. Enquanto isso, a cabeça estava longe: 

— Desde que eu caí, só pensava no meu pessoal no meio do mato. Eles não conheciam o caminho, tinha lugares que o peral era de 500 metros de altura. Só pensava que eles precisavam sair de lá, precisava dar certo — conta, antes de saber que o parto de Liliane tinha acontecido e Théo estava prestes a chegar aos braços da mãe.

O resgate do resgate 

A essa altura, a notícia do desaparecimento já se espalhara e muitos temiam pela morte do sargento em meio ao risco de deslizamentos de terra e a altura das ribanceiras na estrada que levava São José do Herval a São Sebastião. 

Por volta das 9h de domingo (5), Ornel se sentou ao sol para descansar depois de andar pela área para entender como encontraria o caminho de volta para casa. Foi aí que ouviu um apito conhecido: era o barulho usado pelos agentes da Brigada Militar. Em resposta, começou a dar tiros para que os colegas identificassem o seu paradeiro. 

— Quando eu vi choveu de colega meu, começaram a gritar e correr para o meu lado. Foi uma emoção muito grande, alegria, não sabia se chorava, se dava risada, eu abraçava eles, eles me abraçavam, choravam… foi uma alegria muito grande — relatou Ornel. 

Com o grupo, o sargento aposentado conseguiu sair do local e voltou para Soledade, onde vive com a esposa Loraci e uma filha, depois de 36h de desaparecimento. Em casa, a família o esperava com aflição. 

— Eu comecei a berrar quando descobri que eles tinham encontrado meu marido. Os vizinhos vieram achando que eu estava gritando porque ele tinha morrido, mas, não. Comecei a dizer: ele tá vivo, ele tá vivo. Chorei mais do que antes, quando era de ansiedade e nervosismo. O tempo todo eu sentia um calor em mim e tinha muita fé que ele fosse voltar para casa — relatou Loraci. 

— Quando eu estava no meio do barro, no frio e no escuro, eu só pensava comigo para me manter calmo e não me apavorar. Medo a gente tem, mas eu fiquei o tempo todo falando comigo: “vamos Ornel, você não pode parar”. O que me acalmou foi a minha fé, pedia para Deus e para Nossa Senhora de Fátima me ajudar. Pedia: “me proteja e me oriente para chegar em casa” — completou o sargento aposentado, que é católico e vice-presidente da igreja do bairro onde mora em Soledade. 

Quando chegou em casa, o sargento recebeu a notícia: toda a comitiva voltara para casa e Liliane já estava com Théo nos braços, em Passo Fundo. O menino, inclusive, recebeu um segundo nome: “Vitório”, por causa das circunstâncias que possibilitaram o seu nascimento. Tanto a mãe quanto a criança, que nasceu com 3,5kg, estão saudáveis após um parto de cesárea. 

A história, enfim, teve final feliz em meio à maior tragédia climática enfrentada pelo RS. Apesar do sofrimento coletivo, ao voltar das suas horas desafiadoras na mata, Ornel conta que recebeu de presente uma “data de renascimento” — e já planeja uma festa para celebrar os 30 anos de casado, em agosto, “se Deus quiser”, como diz. 

Banrisul vai prorrogar prazo de consignados para servidores

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A medida vale para servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário que tenham crédito consignado contratado.

Leonardo Severo Agora RS

Crédito: Maurício Lima / Banrisul

O Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A.) vai prorrogar empréstimos descontados em folha do funcionalismo estadual. A medida vale para servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário que tenham crédito consignado contratado.

A suspensão do pagamento das parcelas vai incidir nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2024. As parcelas prorrogadas vão ser realocadas para o prazo final do contrato, acrescidas de mais quatro meses.

Conforme o Banrisul, essa operação é um complemento à medida apresentada pelo governador Eduardo Leite. Na ocasião, ele anunciou a antecipação de metade do 13° salário, hoje (10), durante coletiva.

Conforme o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, o banco vai possibilitar a prorrogação de quatro parcelas dos contratos em andamento, via aplicativo. “O processo é automático para todos. Somente os servidores que não desejarem a prorrogação devem se manifestar no aplicativo do Banrisul”, explica.

De acordo com Lemos, a instituição vem buscando todas as alternativas possíveis para apoiar a população. E, ao mesmo tempo, trabalhar na reconstrução econômica do Estado. “É uma medida em linha com tantas outras ações fundamentais que o governo estadual vem realizando com o apoio de outras esferas públicas e sociedade civil”, ressalta.

Banrisul tem outras medidas diante das enchentes

Na quarta-feira (8), outras medidas emergenciais de apoio aos clientes haviam sido anunciadas. Entre elas, o crédito de R$ 7 bilhões em linha específica de capital de giro, na Conta Única para todas as empresas — MEI, micro, pequenas, médias e grandes empresas.

Já para pessoa física, o banco anunciou a repactuação de três parcelas das operações de crédito pessoal. Além disso, houve a suspensão da cobrança das faturas de maio e junho dos cartões de crédito.

Os clientes que precisarem também podem suspender o pagamento de três parcelas do crédito imobiliário Banrisul, diluindo no prazo remanescente do contrato.

Para os clientes com crédito rural, o vencimento das operações de maio e junho será prorrogado para o mês de julho.

Já para os clientes Vero, o banco anunciou que as empresas e pessoas físicas credenciadas terão isenção de tarifas pelo prazo de 60 dias nos meses de maio e junho.

Governo do RS vai antecipar metade do 13º salário para servidores

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A previsão é que os pagamentos sejam feitos até 15 de junho. Anúncio foi feito nesta sexta-feira (10/5) pelo governadordo RS, Eduardo Leite

Flávia Said Mariana Andrade Metrópoles 

Governador anunciou a liberação de mais recursos para a saúde. Governo do Rio Grande do Sul / YouTube/Reprodução

O governo do Rio Grande do Sul (RS) anunciou, nesta sexta-feira (10/5), que o estado fará a antecipação dopagamento de metade do 13º salário para servidores públicos estaduais. A previsão é que os pagamentos sejam feitos até 15 de junho.

“Tomamos a decisão de fazer a antecipação de parte do 13º salário dos nossos servidores”, informou o governador Eduardo Leite (PSDB), em coletiva de imprensa para anúncio das medidas adotadas pelo governo gaúcho. Segundo ele, muitos funcionários públicos foram atingidos pelo desastre em quase todos os municípios.

“Então, nós estamos antecipando metado do 13º salário dos servidores para pagamento até 15 de junho.” Serão cerca de R$ 900 milhões liberados pelo estado para o pagamento antecipado do 13º.

Na quinta-feira (9/5), o governo federal anunciou um conjunto de 12 medidas para aliviar a situação da população que reside no estado, com valor total de recursos de R$ 50,945 bilhões e impacto de R$ 7,695 bilhões no primário. Serão beneficiadas 3,5 milhões de pessoas, no total.

As medidas incluem a antecipação de pagamentos do Bolsa Família e do Auxílio Gás, além da restituição do Imposto de Renda (IR) para moradores do estado.

Parcelas do IPVA poderão ser pagas sem multa ou juros quando sistema for restabelecido no RS

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Equipamentos da Procergs foram desligados por segurança, diante da inundação, deixando alguns serviços indisponíveis

TIAGO BITENCOURT GZH

Os motoristas que parcelaram o Imposto sobre Propriedade Veicular Automotiva (IPVA), não estão conseguindo quitar as parcelas devido à inundação que atingiu Porto Alegre, inclusive a sede da Secretaria da Fazenda, na Avenida Mauá.  A Procergs – Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul desligou equipamentos, buscando preservar a integridade de informações públicas.

No caso do IPVA, a emissão de guias fica temporariamente suspensa. O motorista poderá fazer o pagamento logo que o sistema seja restabelecido, sem a cobrança de juros ou de multa.

Por enquanto, não há previsão para a normalização dos serviços. Quando isto ocorrer, será feita divulgação nas mídias sociais e no site do governo do Estado.

Era possível parcelar o IPVA 2024 em seis vezes, sendo a primeira parcela paga em janeiro. Vale lembrar que há prazos diferentes para o pagamento do imposto e para o vencimento da documentação. Tendo o licenciamento válido, o veículo pode circular. O calendário de validade dos papéis de 2023 é o seguinte:

  • Final de placa 1, 2, 3, 4 ou 5 – 30 de junho
  • Final de placa 6, 7, 8, 9 e 0 – 31 de julho

Não apenas a emissão de guias do IPVA, mas todos os serviços do Detran estão impedidos de operar até que sejam retomados os sistemas Procergs. Inclusive o site do departamento está fora do ar. A autarquia informa que está buscando alternativas. Entre os serviços afetados estão todo e qualquer procedimento relacionado à habilitação de condutores (renovação, segunda via, aulas, exames, emissão da CNH, etc), além de qualquer consulta ou informação que dependa do site.

Mudança de foco: policiais militares e civis deixam resgates para atuar na prevenção de crimes em áreas inundadas

Servidores que estavam trabalhando na retirada de pessoas em locais alagados, segundo a Secretaria da Segurança Pública, passaram a atuar voltados a evitar saques, furtos, roubos e outros delitos em municípios. Cem policiais militares da Força Nacional chegam ao Estado no dia de hoje

LETICIA MENDES E ADRIANA IRION GZH

Nos últimos dias, Brigada Militar e Polícia Civil realizaram juntas mais de 28 mil salvamentos em áreas inundadas do Rio Grande do Sul. Mas o foco das forças de segurança agora se volta para outro objetivo: coibir crimes. Em razão dos casos de saques, furtos, assaltos, entre outros delitos, registrados nos municípios atingidos pelas cheias, houve mudança na estratégia e todo o policiamento das duas corporações será empregado na prevenção e repressão desses casos. Ainda nesta quarta-feira (8), cem policiais militares da Força Nacional chegam ao Estado.

— Num primeiro momento, o foco foi salvar vidas, com muitos integrantes da BM e Civil auxiliando nos resgates. Como diminuiu a demanda, isso permanece com o Corpo de Bombeiros, o Exército e a Defesa Civil. Direcionamos 100% do efetivo da BM e Polícia Civil para prender aqueles que tentarem se aproveitar desse momento para praticar saques ou qualquer outro crime. O foco total agora é combater crimes e garantir a ordem pública e segurança do cidadão — afirma o secretário de Segurança Pública do RS, Sandro Caron.

Sobre os cem PMs da Força Nacional que desembarcam no Estado, caberá à BM definir em quais áreas devem ser empregados. O intuito é que esse efetivo reforce as ações que já são realizadas no RS. Também são esperados ao menos 130 policiais militares dos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

— São PMs que vem para policiamento preventivo e ostensivo. Conforme a demanda que vamos tendo, a BM vai direcionando o emprego dos policiais. Essa demanda vai durar vários dias, e a chegada de mais policiais vai nos permitindo ter uma ação a longo prazo. Nossas polícias hoje estamos trabalhando com 100% da capacidade — explica Caron.

Da Força Nacional, já estavam em atuação no Estado 117 bombeiros, auxiliando nos resgates e dando suporte às pessoas ilhadas. Além desses, 30 integrantes da BM que estavam dando apoio no Rio de Janeiro pela Força Nacional regressaram ao Estado. A expectativa é de que novos contingentes sejam enviados nos próximas dias pelo governo federal.

Áreas prioritárias

Em Porto Alegre

Com a mudança de estratégia, pontos receberão reforço no policiamento. Na Capital, as principais áreas se concentram na Zona Norte, como nos bairros Sarandi, Humaitá e Vila Farrapos. Também há equipes realizando patrulhas em outros locais onde moradores precisaram deixar as residências e comerciantes fecharam as portas nos últimos dias, como os bairros Centro Histórico, Cidade Baixa e Menino Deus.

— Nas áreas onde tivemos relatos nos dias anteriores, estamos reforçando policiamento. Todas as notícias que estão chegando, tão logo recebemos, por meio do monitoramento da inteligência, direcionamos os reforços do policiamento. As áreas alagadas, que antes eram patrulhadas com viaturas, agora estamos fazendo isso em embarcações. Estamos dando suporte também aos voluntários — garante Caron.

Região Metropolitana

Na Grande Porto Alegre, entre as prioridades está o município de Canoas, especialmente no bairro Mathias Velho. Nessa região, foram registrados casos de saques, tentativas de assaltos, tráfico de drogas usando embarcações e pelo menos um episódio no qual um morador disparou na direção do barco de um voluntário, onde estava um policial militar, por acreditar que eram saqueadores. Eldorado do Sul, Guaíba, São Leopoldo e Novo Hamburgo também receberão reforços.

Rodovias e Litoral

As rotas usadas para deixar Porto Alegre, após recomendação do prefeito Sebastião Melo, para tentar minimizar o colapso, também demandam reforços do policiamento. É o caso da RS-118 e da RS-040, usadas para seguir em direção ao Litoral Norte. Foram empregados efetivos do Comando Rodoviário da Brigada Militar nesses locais e de municípios no entorno. Ainda no fim de semana, houve relatos de que motoristas estavam sendo alvo de furtos e roubos nas vias.

— Não tivemos nenhum registro formal disso. Se realmente ocorreu, ficou na cifra oculta. Mas para que não ocorra fizemos esse reforço. Trouxemos policiais de outros grupos rodoviárias do Estado para atuar ali. Mobilizamos o máximo de efetivo para essas duas rodovias, para garantir a saída das pessoas que optarem por se deslocar para o Litoral — diz o comandante-geral da BM, Cláudio dos Santos Feoli.

Segundo o coronel, no Litoral o policiamento também foi reforçado, em razão do deslocamento de pessoas para a região, algo que costuma ocorrer em feriados e períodos de veraneio. Desde o início das operações, a BM prendeu ao menos 32 pessoas em casos registrados nas áreas inundadas.

Mil PMs da reserva até o fim de semana

Foram abertas as inscrições nesta quarta-feira para chamar mil policiais militares da reserva remunerada da BM para atuar nos municípios atingidos pelas inundações. Os policiais devem atuar por 90 dias, podendo haver prorrogação do prazo. As inscrições permanecem abertas até as 14h de sexta-feira (10). O programa é chamado de Mais Efetivos.

— Fizemos um edital de maneira célere, para aqueles que foram para a reserva nos últimos cinco anos. A homologação deve ocorrer ainda na sexta-feira ou na madrugada de sábado. E a convocação no sábado à tarde. Vamos conversar com todos e criar um grande processo de instrução desses militares para a missão que eles vão desempenhar – afirma o comandante-geral da BM.

O objetivo é que no domingo os policiais já estejam atuando principalmente nos abrigos e pontos de arrecadação de doações.

Segurança nos abrigos

Quatro casos de estupro – três deles envolvendo crianças de seis e 10 anos, e um de uma jovem — foram registrados em abrigos de Porto Alegre e Canoas. Os episódios, segundo a SSP, envolveram familiares das vítimas. Cinco pessoas foram presas por suspeita de serem autoras dos abusos.

— Eram situações que já vinham ocorrendo na casa dessas pessoas e foram constadas agora que chegaram aos abrigos — diz Caron sobre os crimes registrados.

Uma força-tarefa, com participação do Ministério Público, foi montada no início desta semana para acompanhar o trabalho realizado nos abrigos, especialmente com foco no acolhimento e proteção de crianças e adolescentes.

Moradores de condomínios se revezam para fazer segurança

No cenário de insegurança, com registros de saques e ataques a voluntários, condomínios residenciais têm tido dificuldade até mesmo de manter as empresas de portaria e segurança que já prestavam serviços e também de contratar novas. Desta forma, a alternativa tem sido, em alguns casos, o revezamento entre vizinhos para manter guarda. 

Conforme a presidente da Associação dos Síndicos do Rio Grande do Sul, Sabrina Krug, Canoas é um exemplo de casos em que moradores estão se mobilizando para garantir a segurança de condomínios:

— Atuo para um condomínio de cerca de 600 apartamentos. A empresa que atuava não consegue mandar os funcionários por causa do alagamento e até por não conseguir garantir a segurança dos trabalhadores no local. Assim, os moradores fazem rodízio fazendo rondas e cuidando das portarias. Tem moradores que são policiais e ajudam nessa organização.

Sabrina também explica que houve tentativa de alguns residenciais de contratar empresas privadas para reforçar essa segurança, mas há dificuldade em encontrar o serviço disponível. 

— Conversei com colegas síndicos e todos relatam a mesma dificuldade em contratar as empresas, que estão sofrendo com problemas de contingente, já que seus funcionários também foram atingidos pelas cheias — conta a presidente da associação, que é síndica profissional.

Brigada Militar abre 1000 vagas para PMEs de forma emergencial

Abertura de inscrições para a designação de 1.000 (um mil) Militares Estaduais da Reserva Remunerada da Brigada Militar, voluntários para serem empregados nas atividades de “Operações Especializadas de Segurança Pública”

Criminoso tenta furtar barco com PMs e é preso em Canoas

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Em São Leopoldo, dois homens suspeitos de roubar barcos na manhã deste domingo (5) também foram capturados por policiais militares. Um dos veículos foi recuperado

ADRIANA IRION GZH

Em meio à rede de solidariedade formada para resgatar pessoas atingidas pela enchente em Canoas, criminosos aproveitam para praticar roubos. A Brigada Militar (BM) confirmou que na noite do sábado (4) um homem foi preso quando abordou embarcação na qual estavam policiais militares fardados. Além deste caso, a BM confirmou o furto de dois barcos no bairro Mathias Velho.

Desde o sábado, mensagens que circulam em redes sociais relatam casos de furtos e roubos na região, até mesmo que uma pessoa teria sido baleada. A BM recebeu pelo 190 um chamado para atender um caso de disparo de arma de fogo com ferido, mas a ocorrência não se confirmou até o final da manhã de domingo (5). Nenhuma pessoa ferida a tiro deu entrada em hospitais.

O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, disse que a corporação está trabalhando com todas as forças disponíveis, inclusive, com férias canceladas por tempo indeterminado:

— Estamos trabalhando em regime de exceção, em um cenário de guerra, com esforços focados em salvar vidas. 

Segundo o coronel, há policiamento reforçado no bairro Mathias Velho, onde criminosos estão agindo contra voluntários.

Feoli contou que no sábado à noite, durante um resgate em local com pouca iluminação, um criminoso chegou a abordar um barco que estava cheio de policiais militares fardados. Ele não estava armado e foi preso em flagrante.

Por volta das 11h deste domingo, em São Leopoldo, policiais militares prenderam dois homens pelo roubo de dois barcos, ocorrido próximo à ponte da Avenida Mauá, no bairro São José. Um dos barcos já foi recuperado. Um terceiro suspeito é procurado.

Sargento da Brigada Militar que desapareceu após resgatar família é localizado

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Caso aconteceu em São José do Herval, no norte do RS; militar foi encaminhado para atendimento médico, mas passa bem

GZH PASSO FUNDO

Sargento foi encontrado sem ferimentos. Brigada Militar / Divulgação

Foi localizado na manhã deste domingo (5) o sargento da Brigada Militar (BM) que desapareceu após resgatar uma família ilhada em São José do Herval, no norte do RS.  João Luis Ornel dos Santos foi encontrado próximo a trilha onde havia sido visto pela última vez na sexta-feira (3).

O militar integrava uma equipe de 10 pessoas que atuava no resgate de uma gestante de 38 semanas e do seu marido, que estavam ilhados há dois dias na localidade de São Sebastião, interior do município. Lotado no 38º batalhão de policia militar, em Carazinho, o sargento está bastante desidratado, mas sem ferimentos, como informou o tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, comandante do 3º RPMon. 

Ao ser resgatado, o sargento informou a BM que não conseguiu caminhar pela trilha no sábado porque o terreno estava muito encharcado, com riscos de deslizamento. Ele foi conduzido ao hospital para uma avaliação médica, mas passa bem e já foi liberado.

Atuação da Brigada Militar e Bombeiro Militar em grandes catástrofes

Artigo: No momento em que nosso Estado Gaúcho é abalado por uma catástrofe, em particular uma grande enchente, importante se faz reler a história do Rio Grande e, em especial, quanto a participação de nossos brigadianos e Bombeiros Militares na defesa de nossa sociedade, agora socorrendo os flagelados e não se descuidando da sua missão de preservação da ordem pública. Assim, buscando na história e relendo o livro Crônica da Brigada Militar do saudoso Cel Helio Moro Mariante, às páginas 202:

A grande enchente – No mês de maio de 1941 o Rio Grande do Sul, assolado por uma das maiores enchentes de toda a sua história. Copiosas chuvas provocaram cheias nos rios gaúchos, que extravasaram, desabrigando de seus lares milhares de famílias. A força gaúcha, conjugando seus esforços com os do povo e autoridades em geral, mobilizou-se e trabalhou afanosa e incansavelmente, na faina de salvar vidas e bens dos seus semelhantes, afora o redobramento de sua missão de mantenedora da ordem pública, exacerbada sempre nos momentos das grandes convulsões, quer sociais, quer da natureza. Colaborou intensamente no fornecimento de alimentação e alojamento aos flagelados, abrigando milhares deles nos seus quartéis, propiciando-lhes, ainda, assistência médica, social e recreativa.”

Pois bem!! Agora, também no mês de maio, mais uma vez o povo gaúcho é assolado por outra grande enchente, com consequências ainda maior que as da anterior. Antes o rio Guaíba se elevou a 4,76 m, agora ultrapassando a marca histórica, atingindo mais de 5 metros. Mas uma circunstância foi a mesma: A presença dos brigadianos e dos bombeiros militares que literalmente irmanados estão colocando o “peito na água”, se desdobrando no terreno enlameado e em ambiente hostil. Estão nos mais longínquos recantos, diuturnamente, e lá resgatam e prestam socorro aos gaúchos e gaúchas, estendendo suas mãos, colocando-os em segurança e inclusive em grande número sendo acolhidos em seus quartéis.

Ainda, neste momento de tragédias, vislumbra-se grande realce dado a atuação de outros órgãos que a bem da verdade, deve ser dito que igualmente estão contribuindo pontualmente para algumas ações. Porém, os brigadianos e bombeiros militares estão presentes e atuando em todos os lugares, diuturnamente, com recursos materiais limitados, mas com o mesmo vigor dos seus antepassados.

Por oportuno dizer que os milhares de desabrigados que estão sendo socorridos e acolhidos jamais vão esquecer a atuação de nossos brigadianos e bombeiros militares, alguns deles, quem sabe, remanescentes da anterior grande enchente.

Passados 83 anos, evidentemente, o nosso Rio Grande continua a precisar de uma melhor infraestrutura de contenção e nossa capital precisa muito mais do que o muro da Av Mauá; Mas, por certo, independente das estruturas a serem ou não efetivadas, os brigadianos e bombeiros militares continuarão firme defendendo o nosso povo, tendo sempre como objetivo “Salvar Vidas”, aliás, como bem está assentado na canção da BM “Dos leões farroupilhas trazemos O vigor destemido no ser; Heroísmo, bravura e ousadia; Pra vitória final merecer!

Por fim, por certo adiante haverá novas catástrofes, mas também por certo os brigadianos e bombeiros militares continuarão prontos para estender sua mão amiga a todos os necessitados.

Paulo Roberto Mendes Rodrigues– Cel – Ex-Cmt G